segunda-feira, 31 de agosto de 2009

EDIVAL PERRINI - Entrevista

EDIVAL PERRINI


www.edivalperrini.com.br

Edival Antonio Lessnau Perrini nasceu em Curitiba-PR; em 23 de outubro de 1948, onde cresceu e reside.
Formado Médico pela Universidade Federal do Paraná, em 1973, especializou-se Psiquiatra pela Associação Brasileira de Psiquiatria e Psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Com Cleuza, tem uma história de vida, três filhos- Luciana, Rodrigo e Cláudio- e uma neta, Giovanna. Criou e participa do grupo Encontrovérsia, de estudo e crítica literária, desde 1980.


ENTREVISTA



SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

EDIVAL PERRINI - Sou médico psiquiatra e psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e pelo Núcleo Psicanalítico de Curitiba.


SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

EDIVAL PERRINI - Ler e escrever sempre fez parte de minha vida. A magia das palavras me fascina. Não me lembro de mim sem estar lendo ou escrevendo.


SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

EDIVAL PERRINI - Tenho seis livros individuais publicados e um no prelo (conforme relação abaixo), além de participação em mais de uma dezena de antologias.

- ENTRE SEM BATER, poemas e crônicas,
Ed. Rosário / Feira Intercolegial Estudantil do livro,
Curitiba PR, 1972.

- POEMAS DO AMOR PRESENTE, poemas,
Ed. Beija-Flor, Curitiba PR, 1980.

- OLHOS DE QUITANDA, poemas,
Ed. do Autor, Curitiba PR, 1986.

- POMAR DE ÁGUAS, poemas,
Ed. Kugler Artes Gráficas,
Curitiba PR, 1993.

- ARMAZÉM DE ECOS E ACHADOS, poemas,
Ed. do Autor, Curitiba PR, 2001.

- FANDANGO DO PARANÁ: OLHARES, prosa sobre fotos de Carlos Roberto Zanello de Aguiar,
Ed. Optagraf, Curitiba, PR, 2005.

- O OLHO DAS ÁGUAS, poemas, no prelo, com lançamento estimado para setembro ou outubro de 2009.

Fora do país participei da antologia:

- POESÍA DE BRASIL, poemas,
Ed. Proyecto Cultural Sur/Brasil,
organizador Aricy Curvello,
Bento Gonçalves, RS / Havana, Cuba, 2000.

ANTOLOGIAS:

- SANGRA-CIO, poemas, Ed. Grupo Sala 17, Curitiba PR, 1980.

- LUARA, poemas, Ed. Grupo Encontrovérsia, Curitiba PR, 1982.

- LIMO A LEME NENHUM, poemas, Ed. Grupo Encontrovérsia, Curitiba PR, 1986.

- ANTOLOGIA DA NOVA POESIA BRASILEIRA, poemas, organização de Olga Savary, Ed. Fundação Rio/ Rioarte e Cidade do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro RJ, 1992.

- DIVERSO, poemas e contos, 0Ed. Grupo Encontrovérsia - 15 anos, Curitiba PR, 1995.

- VALORES, PRINCÍPIOS E MUITA S LEMBRANÇAS, prosa,Ed. Associação de Ex-alunos do Colégio Medianeira, Curitiba PR, 1997.

- POESIA DO BRASIL, poemas, Ed. Proyecto Cultural Sur/ Brasil, organização Suely de Freitas Martí, Bento Gonçalves, RS, 2002.

- TRAÇOS DO OFÍCIO, poemas, Ed. Optagraf/ Grupo Encontrovérsia, Curitiba, PR, 2004.

- POESIA DO BRASIL, vol. III, poemas, Ed. Proyecto Cultural Sur/ Brasil, 0rganização de Ademir Antonio Bacca, Bento Gonçalves, RS, 2006.

- "A MODERNIZAÇÃO DA MÚSICA PRIMITIVA",
co-autor, organização de Claudinho Brasil, Ed. Gramofone, Curitiba PR, 2007.

OUTROS :

- "Programação Visual em Veículos de Poesia Alternativa", monografia de graduação sobre a obra poética de Edival Perrini, apresentada aos cursos de Desenho Industrial e Comunicação Visual do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná, por Vera Celusniak, em novembro de 1987.

- Projeto "Poesia nas Escolas Municipais e nos Muros da Cidade de Curitiba", Fundação Cultural de Curitiba, 1986 e 1987.

- Exposição " Interpretação Gráfica de Poemas de Edival Perrini", por Vera Celusniak, Casa Gilda Belzak, junho de 1988, Curitiba.

- Texto para Programa de Teatro "As Bruxas de Salém", direção de Marcelo Marchioro, Teatro Guaira, novembro de 1990.
- Resenha de Édison José da Costa sobre "Pomar de Águas" (1994), Revista Letras, nº 43, Ed. da Universidade Federal do Paraná.

- Texto para Programa de Teatro "O Incrível Retorno do Cavaleiro Solitário", direção de Hugo Mengarelli, pequeno auditório do Teatro Guairá, 1994 e Teatro do Paiol, 1997.

- Projeto "Telepoesia", Fundação Cultural de Curitiba/ Telepar, outubro e novembro de 1995.

- Prefácio do Livro "O Incrível Retorno do Cavaleiro Solitário", de Hugo Megarelli, Ed. Imprensa Universitária da Universidade Federal do Paraná, 1996.

- Jornada "Poesia na Poesia", com o Grupo Encontrovérsia, Primeira Feira Interamericana do Livro, maio de 1997, Curitiba.

- Texto para Programa de Teatro "Killer Disney", direção de Marcelo Marchioro, mini-auditório do Teatro Guaira, novembro de 1997 e março de 1998.

- Projeto “Traços e Palavras” (1998), Caixa Econômica Federal do Paraná.

- Texto para Programa de Teatro "À Grega", direção de Marcelo Marchioro, Espaço 2, julho e agosto de 2000.

- Verbete da “Enciclopédia de Literatura Brasileira” (2001) de Afrânio Coutinho e J. Galante de Souza, São Paulo, SP.

- Prefácio do livro “Fôlego” (2002) de Luiz Felipe Leprevost, Ed. do autor, Curitiba, PR.

- Resenha de Édison José da Costa sobre “Armazém de Ecos e Achados” (2002), Revista Letras, nº 57, Ed. Universidade Federal do Paraná.

- “Edival Perrini, poeta curitibano: um estudo”, dissertação apresentada para a obtenção do grau de Mestre em Letras, setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná, por Lusiana Bengtsson. 2004.
- Membro da comissão julgadora do Concurso Nacional e Categoria Paraná de Poesia “Helena Kolody”, 2005.
- Projeto “Palavra de Poeta”, Feira do Poeta, Fundação Cultural de Curitiba, 2007.


SELMO VASCONCELLOS - Qual o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

EDIVAL PERRINI - A poesia (como a literatura em geral) está na vida e é vivendo que se capta o poema. O olhar do poeta tem o dom de identificar o vértice novo e usualmente não percebido das coisas.


SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

EDIVAL PERRINI - Tem autores que nos fascinam. Me identifico, na poesia, com Drummond, Manoel de Barros e João Cabral. Na literatura com João Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Mia Couto. Isto para não estender demais a lista e fixá-la em três nomes de cada área.


SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

EDIVAL PERRINI - Ler, ler muito segue sendo a fonte mais preciosa para abastecer a nossa fonte criativa.


POEMAS


BATISMO

Fazer-se ao mar
como quem se joga num abraço,
e respira.

MAR ABERTO

Por frestas,
toco a luz que se escancara
para além destas treliças.

Por farpas,
tenho gotas de oceano
e sede, e sede,
e sede.

O SURFISTA

Olhos de águia
olham
sobre o hálito do mar
estrelas que só eles veem.

O corpo abre um talho na água.

Entre vagalhões,
a prancha
é lança e é guerreira.

Soberano,
o surfista
põe-se de pé
e costura a onda
tantas e tantas vezes
que o fio
interminável
é o da linha do horizonte.

Na areia
uma vestal sorri,
e molha-se também.

DOMICÍLIO

estar na hora exata
como o anzol e o peixe
e alguma brisa

depois
fugir das iscas
e fundar domicílio
num pensamento de mar

***

cego de paixão
leio
em braile
tua geografia

entre temperos, carne
e saliva,
espasmos fazem
tua coreografia

quando te penetro,
nos reinventamos
foz

(Poemas de Edival Perrini in O olho das águas, 2009.)

***

na sua manhã
Curitiba
respiro a cerração
das nuvens que dormiram com você

(Armazém de ecos e achados, 2001)

MEMÓRIA DA MANHÃ

A manhã vai longe
quando os pássaros dormem
e as cores sonham
o prefácio do dia.

(Pomar de Águas, 1993)

Fotos : Claudinho Brasil.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

LUCIANA PESSANHA PIRES - Entrevista

LUCIANA PESSANHA PIRES


Biografia

Luciana Pessanha Pires é natural de Itaperuna- RJ. Filha de Sesbastião Zulmair Pires e Isabel Pessanha Pires,. É professora, presidente emérito da Academia Itaperunense de Letras, ocupa a Cadeira Nº7, (Patrono Nacional: Gonçalves Dias/Patrono Regional: Maria de Lourdes Antunes. Natural de Itaperuna- RJ. Concluiu o curso de Letras(Português/Inglês/Literaturas) na FAFITA- FSJ, em Itaperuna. Pós-Graduada em Docência do Ensino Superior. Publicou dois livros: Renascer- poemas e Sobre tempos e jardins- crônicas. Consta no seu histórico de escritora a publicação de crônicas durante cinco anos, período em que foi Colunista do Jornal Tribuna do Noroeste, assinando a coluna O Vôo da Garça, espaço destinado à Academia Itaperunense de Letras. Condecorada com Mérito Literário no VII Concurso de Contos e Poemas do Brasil da Litteris Editora; 2º lugar no concurso literário realizado pela Litteris Editora, com a obra "Escrevo Por quê"; premiada no concurso "Devemos ver com os olhos livres", promovido pela Academia Brasileira de Letras em parceria com a Folha Dirigida em 2001.
Luciana Pessanha Pires é poeta de variedade temática, mas com a mesma autenticidade lírica tanto nas manifestações da emoção do lirismo, dócil, suave como nas suas extroversões frente às angústias da realidade vivencial. Revela-nos através da sua verve encantadora as verdades inerentes ao ser imortal, o que somos todos em essência, e ao mesmo tempo convida-nos a viajar pelos trilhos que inevitavelmente nos conduzirão ao descobrimento da nossa real identidade de seres em busca do conhecimento, da verdade e da felicidade. Assim é que ela nos fala – com mestria, beleza e limpidez espiritual – da humanidade impactante, da promessa de liberdade, do amor, dos “caminhos conquistados à força à toque de bravuras”.
Melhor falam as palavras de Arlete Parrilha Sendra:
“O texto poético de Luciana desvela a alma feminina e, sem
paradigmas literários, Luciana deixa inscrita no inconsciente de cada
palavra, sua percepção entre as palavras e as coisas, sua forma de
penetrar no universo interior do homem.”


ENTREVISTA


SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

LUCIANA PESSANHA PIRES - Sou professora, mãe, esposa. Presidente emérito da Academia Itaperunense de Letras. Gosto de promover eventos literários.


SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

LUCIANA PESSANHA PIRES - Aos 12 anos comecei a sentir necessidade de escrever, fiz meus primeiros poemas. Meu pai é poeta, cresci ouvindo seus versos, lendo seus pasquins. Minha mãe era professora, nossa casa era repleta de livros. Acho que o ambiente, a convivência com os livros e com a poesia despertou minha alma para a literatura.


SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

LUCIANA PESSANHA PIRES - Publiquei dois livros (informações na biografia)


SELMO VASCONCELLOS - Qual o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

LUCIANA PESSANHA PIRES - Como disse, o convívio com os livros, com a poesia servem como estímulo ao prazer da leitura e à escrita. Os pais, a escola, as empresas, o governo, todos podem desenvolver ações que favoreçam esse despertar.


SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

LUCIANA PESSANHA PIRES - Drummond, Luiz Vilela, Mia Couto, Roberto Piva, Murilo Rubião, Gabriel Garcia Marquez, João Ubaldo Ribeiro...


SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

LUCIANA PESSANHA PIRES - Ler bons autores é fundamental. Acho necessário ser humilde, submeter os textos à apreciação de poetas mais experientes, ouvir as críticas, buscar aprimoramento para sua vocação literária, participar de eventos literários, etc.


POESIAS


Porque me habita o fogo

Porque me habita o fogo
Amanheço gênese
Barro
Erguido em carne viva
Porque me habita o fogo
me adianto Fênix
Em ondas rumorosas
Desmedida
Porque me habita o fogo
Na estação-Prometeu
Pesa-me a argila

***

Coração Aprendiz
Meu coração aprendiz
Anda querendo
Simetria
Nada fragmentado
Retalhado
Nenhum amor parcelado
Sufocado
Ele é todo útero
Laço estreito
Investiga as latências
E pede atenções
Adivinhadas
Pactos silenciosos
Atendimento pronto
Completude
Meu coração aprendiz
Inventa amor de lua
Amor mito de Psique e Eros
Amor de rega
Amor de poda
Amor de flores de estufa
Meu coração aprendiz
Ama em celebração
Tece lençol de amanhecer
Toque de seda bordado
Azul deslumbramento.

***

Amor
Amor
Tecido leve
Transparente
Verde tirante a azul
Corte em viés
Melindroso
Amor
Cavalo de raça,
Fino
Adestrado
Hálito, impulso correndo
Livre
No prado
Amor
Gládio
Rocha laminada, cristalina
Amor
Arco, meta, baliza
Que trago, que sorvo de vez.

***

Estalo de beijos
esse amor que recebo
ponto de ebulição
cartada
de ouros e copas
paus e espadas

a planta-amor
segrega o líquido
narcose
desse amor

navegável
às falanges dos dedos

feixes de fibras
nervosas
inaugurando trajeo- poesia.

***

Speculum

Um outro
De mim
Parece se situar
Atrás do espelho

Ângulo de incidência
E de reflexão
Imagem invertida
Do que
Penso ser

Translação
Rotação
Dispersão
Do outro
Em mim

Estranheza
Cavando
Contradição
Na forma do vidro

Plano
Côncavo
Ou convexo
Apenas reflexo
Intuição
Do ser
Que se espelha

Alguém
Que não eu
Reflete negando
No espelho
Que é o nada
Do nitrato de
Prata


Há projetos
De mim
No espelho virado

Pedindo nova lente
Menisco divergente
Distâncias focais diferentes
Para
A multiplicação dos meus muitos eus

***

Nos sulcos da Terra

Se o dia triste se anuncia
Sejamos alopatas
Vamos combater o mau presságio
Com luz, com melodia
Se adulterados estão os altares
Vamos transpor mar
Vamos nos despir
Desta túnica de condenados
Ao suplício
O exílio está ampliado
Nos aparelhos de rádio e TV
Mas somos curandeiros
Venham todos
Homens, mulheres, meninos
Um novo dia
Nos céus se anuncia
Vamos arar a terra
Depois da terra arada
As mãos do rio espalmadas
Farão brotar sementes
Cada gota santa de suor
Que espreita a enxada
Espalhar-se-á no vento
Lançando chuva
Na terra festiva
Venham todos
Vamos plantar
Quase tudo
Nos sulcos da Terra.

****

À procura da palavra

Eu quero uma palavra
passada na lima
pode ser princípio
de alguma coisa
uma palavra
cobrindo rochas
e troncos de árvores
parecendo tapete
uma palavra
macerada
uma palavra
metal em brasa
maleada
no martelo

uma palavra
marimba
farnel
uma palavra
que flui
tomando a forma
do lugar onde se encontra
uma palavra
mato incendiado
uma palavra
servida
na mesa
uma palavra
possível.

***

A Cor da Cultura

negros africanos
traficados
para lavourar
as fazendas de café
brincam
em volta de fogueiras
tambores
a noite inteira
canto querendo o
desvendar do ponto
e danças de umbigada
negro
batizado no eito
jongo, capoeira e maracatu
samba-de-roda
no tambor-de-crioula
na pernada
no lundu
há balaios de alqueires
e peneiras rasas de abanar
terra limpa e ciscada
Os cafeeiros estão vermelhos
galhos
e tulhas
na fartura
a carga é de vergar
as bagas
transbordam
e lá se vai apanhação
nos caminhos dos cafezais
do alto das colinas
até às secadeiras
os grãos de café
às costas
nos cestos
de vime ou de bambú
ô negro
arruma a safra do dia
que amanhã
o café está bem seco
no terreiro
banhado de sol
e você volta a gingar
Reis, ditadores, feitores
Quem pode lhe segurar
Levanta o grito
Da cuíca e do berimbau
Na Pancada do Ganzá.

***

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

BANDA STREP - Entrevista


BANDA STREP

www.strep.com.br

Contato ( recomendável ) : 021-8750-3348


BANDA STREP


Um acessório de surfista deu nome à banda de rock/ska formada por Tibério Borba ( vocal e guitarra ), Tine Zevedo ( guitarra ), Phablo Pontes ( baixo ) e Tato Aloise ( bateria e vocal ). A escolha do nome deve-se ao fato dos integrantes da banda surfarem nas praias do Arpoador no Rio de Janeiro. Nascida em Rondônia há cinco anos e criada em Brasília sob o nome de Sedna, a banda já se apresentou em várias cidades e festivais pelo Brasil. Atualmente o grupo reside no Rio de Janeiro onde esta trabalhando a produção de seu primeiro CD com influências do rock pop e surf music, acompanhada de uma equipe de produtores de renome nacional. A banda tem como destaque as musicas: Eu quero, Altos e baixos, Férias passadas, Dias iguais, Só quero entender e Me acorde.



ENTREVISTA COM A BANDA STREP


Selmo Vasconcellos - Quem é quem na banda Strep ?

Tibério Borba - vocal e guitarra


Phablo Pontes – baixo


Tine Azevedo – Guitarra


Tato Aloise - Bateria e vocal


Selmo Vasconcellos - Como começaram suas relações com a música ?

Tibério - A relação vem de berço literalmente, meus pais sempre ouviam as bandas brasileiras dos anos 70/80 e MPB, aprendi a gostar. O interesse de tocar, cantar e montar uma banda, surgiu em 1998 numa feira de ciências de um colégio de Porto Velho, onde tinha um stand sobre rock e estava mostrando vídeos do Nirvana e Beatles. Fiquei fascinado!


Selmo Vasconcellos - Como vocês se conheceram ? E como e quando nasceu a idéia de criar uma banda de rock ?

Tibério - Sou amigo de infância do Phablo, e no final de 1998 ele descobriu que tinha um violão velho em casa, começamos a aprender juntos e com pouco tempo e poucos acordes, já começamos a idéia de montar uma banda.

Phablo - Nesse meio tempo de aprender a tocar e tentar montar uma banda, o Tibério foi morar na Paraíba, eu fui amadurecendo mais essa idéia. Conheci o Tine por acaso e ele entrou de cabeça no projeto da banda. Início de 2004, Tibério volta a morar em Porto Velho e já entra na banda, que na época se chamava Sedna. No mesmo ano, Tato é o último a ser recrutado e então a formação da banda estaria completa e consolidada.


Selmo Vasconcellos - Quais são as fontes inspiradoras das suas composições musicais ?

Tibério - A principal fonte é a vida, não só a minha, imagino muitas vidas pra fazer uma letra, a melodia vem do que eu sinto no momento!

Phablo - Acredito que o cotidiano, o dia-a-dia, as coisas que acontecem ao nosso redor, os amores, as aventuras, tudo inspira em compor uma canção.


Selmo Vasconcellos - Podem nomear 5 cd’s influentes para vocês ?

Tibério - Eu posso nomear 5 bandas: The Beatles, Nirvana, Silverchair, Red Hot Chilli Peppers e Bob Marley que para mim influenciou muito.


Selmo Vasconcellos - Vocês consideram Porto Velho um bom local para uma carreira artística ?

Tibério - Nosso começo não poderia ter sido melhor aqui, muitos amigos nos ajudaram, muitos contatos partiram daqui, mas Porto Velho ainda é muito limitado, não tem poder de mostrar talentos pra todo o Brasil. Mas ao contrario do que pensam, quando estamos em outros estados e falamos que somos daqui, ganhamos mais notoriedade por ser de um lugar diferente!


Selmo Vasconcellos - O que é rock para vocês ?

Banda Strep - O Rock é a trilha sonora de nossas vidas!!


Selmo Vasconcellos - Como vocês sentem que estão crescendo como músicos ?

Phablo - Pelas experiências que passamos a cada dia, por morar numa cidade onde o mercado musical é predominante, pela relação que temos com pessoas do meio artístico, isso sempre nos traz algo novo. E também pelo belo disco que fizemos né! (risos)


Selmo Vasconcellos - Vocês poderiam falar um pouco sobre o novo CD ?

Phablo - Esse disco está bem a nossa cara, resultado do nosso amadurecimento e da sonoridade que nos satisfaz. Ele foi feito com bastante cuidado, para não cair na mesmice, ficamos um ano no Rio de Janeiro preparando esse trabalho. O disco teve a produção musical do Inglês Paul Ralphes, que é responsável pelos Acústicos MTV, Estúdio Coca-Cola Zero e ainda é diretor musical do Grammy Latino, além de ter produzido várias bandas brasileiras como, Skank, Cidade Negra, Engenheiros do Hawaii, Biquini Cavadão, Kid Abelha e etc. O disco contém 12 faixas requintadas, que passa pelo pop rock dançante e baladas mais calmas.

Aprecie 6 faixas do disco em http://www.myspace.com/bandastrep e procure o clipe no youtube " Strep - Eu Quero ".


Selmo Vasconcellos - Planos para o futuro ?

Phablo - Agora com o disco pronto, vamos divulgar em massa, nas rádios, tvs, revistas, sites e internet, o objetivo é levar nossa música pra todo canto do Brasil e mexer no sentimento das pessoas que irão nos ouvir.


Selmo Vasconcellos - A quem vocês agradeceriam o apoio irrestrito dado nessa empreitada musical ?

Phablo - Sem sombra de dúvidas, ao nosso amigo, empresário e investidor, ROBERTO KUPPÊ, que sem o qual nada disso estaria acontecendo. Repetindo o que disse, nos agradecimentos do disco : " valeu Roberto, você é um paizão pra gente ".

Dom Pycolli, Roberto Kuppê e Paul Ralphes
Nossos pais e amigos também deram seu apoio nesse trabalho. Agradeço a todos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

SILAS CORREA LEITE - Entrevista

SILAS CORREA LEITE


Currículo

Silas Correa Leite, com o Apresentador Antonio Abujamra, após conceder entrevista ao Programa Provocações, TV Cultura de São Paulo

Silas Correa Leite, do clã “Fanáticos por Itararé”, é Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Coordenador de Pesquisas da FAPESP/USP em Culturas Juvenis e Conselheiro em Direitos Humanos (SP). Começou a escrever aos 16 anos no jornal “O Guarani” (Familia Hermínio Lages) de Itararé. De família pobre, migrou para SP em 1970 com 18 anos e a quarta-séria do curso primário no G.E.T.T(Grupo Escolar Tomé Teixeira). Voltou a estudar, fez Direito, Geografia. É Especialista em Educação (Mackenzie), com extensão universitária em Literatura na Comunicação (ECA) e Direitos Humanos e Cidadania. Autor entre outros de “Porta-Lapsos”, Poemas, Editora All-Print (SP) e “Campo de Trigo Com Corvos”, Contos, Editora Design (SC), obra finalista do prêmio Telecom, Portugal 2007, ambas a venda no site www.livrariacultura.com.br, e O Homem Que Virou Cerveja, Crônicas Hilárias de um Poeta Boêmio, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador Bahia, 2009, Giz Editorial, no prelo. Seu e-book interativo de sucesso “O Rinoceronte de Clarice”, onze ficções, todas falando de Itararé, cada uma com três finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto, por ser pioneiro e de vanguarda, foi destaque na mídia como O Estadão, Jornal da Tarde, Folha de SP, Diário Popular, JBonline, Revista Época, Revista Ao Mestre Com Carinho, Revista Kalunga, Revista da Web, Minha Revista (RJ) etc. e também na rede televisiva, Programa “Metrópolis”-TV Cultura; Rede Band, Programa “Momento Cultural”, Márcia Peltier; Rede 21-Programa “Na Berlinda”, Programa “Provocações”, TV Cultura, Antonio Abujamra. A obra, por ser única no gênero e o primeiro livro interativo da Rede Mundial de Computadores, foi recomendada como leitura obrigatória na matéria “Linguagem Virtual” no Mestrado de “Ciência da Linguagem” da UNICSUL-Universidade do Sul de Santa Catarina. Também foi tese de mestrado na Universidade de Brasília, e tese de Doutorado na área de Semiótica na Universidade Federal de Alagoas (“Hipertextualidade, O Livro Depois do Livro;a Experiência Literária Hipertextual”. O texto acadêmico está disponível no site: www.biblioteca.universia.net/ - Link da Tese de Doutorado do e-book: http://bdtd.ufal.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=197 O Poetinha como é conhecido em Itararé, foi premiado nos concursos Paulo Leminski de Contos (Universidade do Oeste/PR), Ignácio Loyola Brandão de Contos; Prêmio Ligia Fagundes Telles Para Professor Escritor, Prêmio Biblioteca Mário de Andrade (Poesia Sobre São Paulo), Prêmio Fundação Cultural de Canoas, Prêmio Literal (Fundação Petrobrás), Prêmio Instituto Piaget (Lisboa, Portugal) Cancioneiro Infanto-Juvenil; Prêmio Elos Clube Comunidade Lusíada Internacional; Vencedor do Primeiro Salão Nacional de Causos de Pescadores, Prêmio Simetria Ficções e Fantástico, Portugal (Microconto), entre outros. Consta em mais de 500 sites como Estadão, Noblat, Correio do Brasil, Usina de Letras, Daniel Pizza, Wikipedia, Observatório de Imprensa, Perseu Abramo, Releituras, Cronópios, Aprendiz, Pedagogo Brasil, Palanque Marginal, Jornal de Poesia, Palavreiros, Letras & Livros, Convívio, Itália, Storm Magazine (Portugal), Politica Y Actualidad (Argentina), Poetas del Mundo (Chile), e outros. Publicado em mais de 100 antologias em verso e prosa, até no exterior (Antologia Multilingüe de Letteratura Contemporânea, Trento, Itália; Cristhmas Anthology, Ohio, EUA) e na Revista Poesia Sempre/Fundação Biblioteca Nacional (Ano 2000, Edição 500 Anos do Brasil, Gênero Poesia Brasileira Contemporânea). É autor do Hino ao Itarareense. E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br - Site: www.itarare.com.br/silas.htm - Blogues: www.campodetrigocomcorvos.zip.net e www.portas-lapsos.zip.net escolhido um dos melhores do UOL em 2008.


ENTREVISTA

Silas Corrêa Leite após dar entrevista à Márcia Peltier, Estúdio Rio de Janeiro da Rede Band, Jornal da Noite, Momento Cultural

Selmo Vasconcellos - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

Silas Correa Leite - Trabalhei muitos anos na área de Direito, setor Contencioso, sendo bacharel em direito, atualmente sou, além de Professor da Rede Pública e Particular de Ensino, (Geografia, História, Ética e Filosofia), Jornalista Comunitário, Coordenador de Pesquisas da FAPESP-USP em Culturas Juvenis, Conselheiro em Direitos Humanos (SP) e Escritor membro da UBE-União Brasileira de Escritores, Poeta, Ensaísta e Ficcionista.


Selmo Vasconcellos - Como surgiu seu interesse literário ?

Silas Correa Leite - Filho de compositor sacro, regente de corais e maestro de bandas, em vez de preferir exercitar algumas notas musicais do meu próprio nome (Si...lás...), cedo escrevia em pedaços de compensados, de papelão, folhas de papel de pão. Com 16 anos já escrevia para jornais de Santa Itararé das Letras, minha terra-mãe. Poemas, humor, croniquetas, pensadilhos (pensamentos-trocadilhos). Como era uma espécie de castigo em casa ler muito, jornal, dicionário, jornais, bíblia, comecei por gostar dos castigos. E escrevia nos álbuns das irmãs, já bolando causos, dobrados, desenhos e tantas coisas, como personagens de gibis. A arte como libertação do Eu de mim? O interesse também incentivado pelo primeiro anjo que Deus colocou em minha vida: minha primeira professora do Curso Primário (Grupo Escolar Tomé Teixeira), Jocelina Stachoviach de Oliveira. Familia humilde, buscava um lugar ao sol para sonhar com mudanças do meu clã um certo dia, no devir. Pois ler, escrever era essa escada para o alto. Sou tudo o que sou, graças a esta mestra. Naquele tempo não tinha escola para ricos e, eu, entre filhos de doutores, mestres, autoridades, pobre, com amarelão, via-os tirar notas boas, dez, e eu comecei a tirar também. Com roupas pobres, cerzidas, puídas, de terceira mão, lia poemas sobre a árvore, o índio, a bandeira, a pátria. E logo comecei a ler os meus próprios e precoces poemas, corrigidos pela mestra, claro. Com 16 anos tinha sido aprovado nom concurso de locutor da Rádio Clube de Itararé, nos shows prata da casa imitava ídolos da Jovem Guarda, e já escrevia pro jornal O Guarani, com o pseudônimo, Sil Corley (minhas iniciais), porque meu pai achou que eu era muito precoce, não deveria escrever. Escrevo até hoje. Quarenta anos escrevendo. Sou autor do Hino ao Itarareense. Meu pai é nome de rua em Itararé. Rua Maestro Antenor Correa Leite. Escrever me fez sobreviver, vencer, deixar meu rastro letral no mundo que recebi, como me deram, tentando, com um humanismo de resultados, deixá-lo melhor; nos trabalhos literários de certa forma re-escrevendo o universo com minhas contações, ilusões, esperanças, mais um tanto de surrealismo e realismo fantástico da prosa. Adoro mais ler e escrever do que existir. E continuo lendo muito, escrevendo muito, fugindo muito no que escrevo. Meu reino não é desse mundo? Na casa do Pai há muitas parábolas.


Selmo Vasconcellos - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

Silas Correa Leite - Comecei sendo premiado no Elos Clube, Comunidade Lusíada Internacional, e meu conjunto de poemas saiu num livro-antologia que tinha a minha parte-livro, Ruínas & Iluminuras. Depois foi Trilhas & Iluminuras (livreto de poemas), uma editora de Porto Alegre. Depois veio Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP, depois Os Picaretas do Plano Real (Séria Cantigas de Escárnio e Maldizer), Editora Thesaurus, Brasília, depois Campo de Trigo Com Corvos, Contos, a maioria premiados, Editora Design, Santa Catarina, finalista do prêmio Telecom de Portugal, este ano ganhei o Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, (Salvador, Bahia) e sairá (está no prelo) O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Crônicas Hilárias de um Poeta Boêmio, Editora Giz Editorial, também lancei ELE Está No Meio de Nós, Romance Místico Virtual, e-book free no site www.recantodasletars.com.br, além do e-book de sucesso, O RINOCERONTE DE CLARICE (hoje no site www.itarare.com.br) onze contos (todos falando de Itararé), cada conto com três finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto, mais a opção de um outro final escrito pelo leitor internauta, um livro interativo, portanto, primeiro livro assim da rede mundial de computadores. Por ser de vanguarda, pioneiro e único no gênero, foi destaque na mídia (Revista da Época, Folha, Estadão, JT, Diário Popular, Correio do Brasil, Poetry Magazine, Revista Kalunga, Revista da Web, Revista Ao Mestre Com Carinho, entre outras, e também reportagem na Bandeirantes, Programa Jornal da Noite/Momento Cultural com Márcia Peltier, Programa Metrópolis, TV Cultura de SP, Rede Vida, Rede Brasil, Rede 21, programa Na Berlinda, Jornalista Helio Rubens. A obra virou leitura obrigatória em Linguagem Virtual, no Mestrado de Ciência da Linguagem, na UNISUL-Universidade do Sul de Santa Catarina, foi tese de mestrado na Universidade de Brasília, e tese de doutorado em Semiótica e Hipertexto, na UFAL, junto com um livro do Mário Prata e outro de José Ubaldo Ribeiro. A tese está no site da Biblioteca Universia. Já estou com um romance sendo avaliado por uma editora, entre outros de humor, sobre educação, infantis, infanto-juvenis e de um de alta ajuda. Logo deve sair. Colaboro com quase 500 sites, até no exterior, consto em mais de 100 antologias literárias em verso e prosa, até internacionais, tenho vários prêmios de renome como poeta e ficcionista.


Selmo Vasconcellos - Qual o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

Silas Correa Leite - Para mim, pelo que disse, pelo decorrer da minha vida-livro aberto, o horror da vida, a decrépita espécie humana, as injustiças socais, o medo de não sobreviver, a resiliência querendo como um determinado dar testemunho de que, apesar de tudo, a emoção sobrevive, tipo, “faz escuro mais eu canto”, como disse o poeta. A vida não me deu limões, fiz limonadas de lágrimas. E assim carrego a minha cruz: escreViver, sonhando um novo céu, e um novo self, uma nova terra, talvez uma nova guelra e uma nova Atlântida... quando a Teoria de Gaya vencer...


Selmo Vasconcellos - Quais os escritores que você admira ?

Silas Correa Leite - Inicialmente como base de aprendizado, Érico Veríssimo, tudo dele, depois Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Drummond, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, em seguida os autores russos todos, hoje incluiria ainda Ítalo Calvino, Umberto Eco, Silvia Plath, Clarice Lispector e Hilda Hist.


Selmo Vasconcellos - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

Silas Correa Leite - Não se entreguem nunca. Cuidado com o que fazem de vocês, depois de tudo o que a vida fizer de vocês. Andem, pensem, sejam, respirem, estudem, trabalhem, conquistem com as mãos limpas, fazendo arte como libertação. No amor e na dor. Amem se sejam amados, apesar de tudo. O que vocês serão é o que fica como semeadura. A melhor vingança é ser feliz. Um novo mundo melhor. A esperança como inteligência da vida num mundo melhor. Cuidado com o que vocês alimentam, dentro de vocês. Corram atrás, leiam muito, estudem muito. Não é fácil. Mas se fosse fácil, também seríamos fáceis. O poeta, disse Rimbaud, é o "ladrão do fogo". Sejam a diferença. Façam a diferença. Nós podemos. Amem e sejam amados. Sintam a dor do outro. Curem o mundo com os poemas-unguentos de vocês. Há um céu e um inferno dentro de nós. Cuidado com o que vocês vão fazer disso. Escrever é colocar a alma para quarar nessa dimensão-travessia de existencialização. Do jazz nasce a luz.


Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br
Site: www.itarare.com.br/silas.htm
Blogue premiado do UOL: www.portas-lapsos.zip.net


POEMAS


My Way

Um dia você acorda e olha pra trás
E diz: eu não era nada.
E vê toda vida que fez do seu jeito
E pergunta: terá valido a pena?
Você acha que venceu na vida
Mas sabe: o que restou de você?
Talvez muito pouco ou quase nada
Daquilo: uma criança pura.

Um dia você cai em si e teme
O resultado: o que fizeram de você
A luta a dor, as amarguras e
Seqüelas: terá sido uma vitória?
Dentro do seu coração os sonhos
E as escuridões: são os poemas
Que você escreve porque tem medo
De se matar: morrer depois de tudo?
...................................
Um dia você não quer olhar pra trás
E nem pra você: foge para a poesia.

(Na escrita há um tempo irreal
Uma ilhota íntima: você em você!)


Deixei Meu Coração Em Itararé

Deixei Meu Coração em Itararé
Eu posso ir para qualquer lugar do mundo
Uma paisagem bonita, montanhas, ou oceanos
Mas se não estou na minha aldeia Itararé
Então não me sinto dentro do meu próprio coração

Ah meus amigos viajosos
Deixei meu coração em Itararé
Num cristal de lágrimas de luar da Praça Coronel Jordão
Ali é meu ninhal, meu mundo
Só em Itararé sou uma verdadeira Andorinha

Eu posso ir para qualquer lugar do mundo
Ver estátuas e cofres, novidades maravilhosas
Mas Itararé está na minha corrente sanguínea
Só na minha terra-mãe reconheço auroras e prelúdios

Ah meus amigos boêmios
Deixei meu coração em Itararé

Cada paralelepípedo como cacau quebrado da cidade, sou eu
Itararé é o meu encantário
Meu reino mágico, palco iluminado, constelação

Ah meus amigos do mundo
Quem não está em Itararé está vazio de si mesmo
Minha mãe, meu chão de estrelas, minhas memórias, meu lar
Feliz é o peregrino que tem um céu para um dia poder voltar!


Cantiga de Ninar a Morte

“Pertenço a tudo para pertencer
cada vez mais à mim próprio. A
minha ambição era trazer o
universo no colo.

Fernando Pessoa

Quando eu morrer, minha triste Mãezinha
Canta uma cantiga de ninar pra mim
-Dorme com Deus, filho, se aninha
O Trem Noturno pro céu está na linha
Te levará depressinha para muito além do fim

Então eu poderei dormir sonhando, Mãezinha
Com um céu muito além do desjardim
-Dorme filho; descansa a tua vidinha
Porque logo serás uma celeste andorinha
Com tua sonhada varinha de pirimpimpim
..........................................
No céu estarei com Deus muito além da vinha
Nos braços de um anjo chamado Serafim
-Dorme Poeta! Deixa a tua mãezinha
Ela tem que ornar tua família inteirinha
Vela pela coitadinha: Sê anjo dela assim...

Santa Itararé das Artes, Cidade Poema
Silas Correa Leite, blogue: www.portas-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com.br
Autor de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos
À venda no site: www.livrariacultura.com.br

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

AFONSO ESTEBANEZ - Entrevista

AFONSO ESTEBANEZ STAEL


AFONSO ESTEBANEZ STAEL, nascido em 30/10/1943 na região agreste do município de Cantagalo-RJ, é advogado, escritor, cronista, poeta, jornalista laico e verbete da “Enciclopédia de Literatura Brasileira” e do “Dicionário de Poetas Contemporâneos”. Já autoalfabetizado, cumpriu o ensino primário (fundamental) em dois anos. Fez o ensino secundário no Seminário Arquidiocesano São José, no Rio de Janeiro (56/62). Cursou o ensino superior nas Faculdades de Direito e de Filosofia, Ciências e Letras da UFF em Niterói (65/70). Finalista nos 1º, 2º e 3º Torneios Nacionais da Poesia Falada patrocinado pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Rio de Janeiro (68/69/70). Vencedor do Primeiro Concurso Estadual de Poesia do Advogado Fluminense (87). Tem obras publicadas em livros, jornais e revistas. Venceu, em julho de 2007, o Primeiro Concurso de Literatura do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT- Rio), nas categorias de prosa e verso. Faz parte dos movimentos de inteligência literária de Poetas Del Mundo e Alma de Poeta. É membro da Academia Brasileira de Poesia. Recebeu a Comenda de Cônsul de Poetas del Mundo para representar sua cidade natal, Cantagalo/RJ.


ENTREVISTA


SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

AFONSO ESTEBANEZ - Embora aposentado desde 1999 do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região – Rio de Janeiro – continuo exercendo a advocacia civil na área do direito administrativo em causas relacionadas a concursos públicos. Eventualmente exerço ainda a advocacia criminal e, quando procurado, emito pareceres de natureza jurídica em casos de violação dos direitos individuais ou coletivos no âmbito da administração pública. Meto-me ainda em estudos e pesquisas diversificados no sentido de me manter culturalmente atualizado. Quanto a este aspecto de minhas atividades, costumo dizer que foi assim que adquiri o hábito de empreender grandes viagens para não muito mais além do meu jardim.


SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

AFONSO ESTEBANEZ - Meu interesse literário surgiu quando eu contava com apenas sete ou oito anos de idade. De origem humilde, havia limitações incontornáveis quanto à possibilidade de perfazer longas caminhadas para freqüentar uma escola pública dedicada ao antigo ensino primário. Os irmãos mais velhos freqüentavam precariamente a escola e me transmitiam o que aprendiam. Tais circunstâncias me levaram ao aprendizado das primeiras letras sem a ajuda direta de nenhuma escola. E assim, egresso das distantes regiões agrestes dos interiores fluminense e mineiro, pus os pés pela primeira vez numa sala de aula quando já estava solitariamente alfabetizado. Não pude permanecer na primeira série. Remeteram-me, desde logo, para a segunda. Comecei aí a receber as primeiras apreciações elogiosas a propósito das expressões poéticas que, inconscientemente, eu empregava nas redações escolares, então impregnadas de estímulos, sensações e impressões originários da infância cercada do fascínio pela natureza onde vivi os primeiros anos. Por causa disto, também não me remeteram à terceira série do primário. Submeteram-me extraordinariamente aos exames de ingresso no curso de admissão ao ginásio e, aprovado, fui parar no Seminário Arquidiocesano São José no Rio de Janeiro, onde permaneci em busca do sacerdócio secular até os dezoito anos. E veio durante aquele tempo de reclusão clerical a confirmação definitiva de meu interesse irresistível de escrever, vencidos alguns concursos internos. O contato profundo e permanente com os clássicos da literatura universal foi, então, fundamental para minha formação cultural.


SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

AFONSO ESTEBANEZ - Só no país: “Canção que Vem de Longe”, poesias (1966), J. Gonçalves Editora - Niterói/RJ; “Livro de Viagem ou do Depoimento”, poesias (1971), Editora Olímpica Ltda, Livraria São José, Rio de Janeiro/RJ; “Em Tempo de Lótus, Lírios e Acácias...”, antologia poética em participação com os poetas maçônicos J. Alves Filho e J. A. Galdino da Costa (1978), Papelaria Brasil Ltda - Niterói/RJ; “Canto de Abrição e outras Sinfolias de Beira-campo”, caderno de poesias e haicais (1988), Edição do Autor, Rio de Janeiro/RJ; “Do Penoso Ofício de Sonhar”, Poesias Reunidas, vol. I, edição artesanal, Editora InSaNno/SP. Obra inédita: “Tori” (Cento e cinqüenta haicais selecionados).


SELMO VASCONCELLOS - Qual o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura?

AFONSO ESTEBANEZ - Obrigado por esta pergunta! Mas separo essa questão em três grandes categorias históricas: de um lado, os impactos causados sobre o indivíduo isoladamente, tido como ‘produto’ de causa e efeito, em que a literatura repercute como reação existencial interpretativa da individualidade humana nuclear em face das realidades internas e externas, interiores e exteriores: o nascimento/renascimento, a infância/velhice e a vida/morte; de outro lado, os impactos causados sobre o indivíduo agregado, grupal, social, solidário, coletivo, massificado, em que a literatura se comporta como caixa de ressonância da interpretação das realidades internas ou externas enquanto reflexos dos ‘ismos’ armazenados na memória coletiva: contradições históricas, científicas, filosóficas, sociais, políticas, antropológicas, religiosas, entre uma infinidade de circunstâncias que propiciaram atmosfera capaz de produzir toda espécie de literatura no mundo; de um terceiro lado, está aí essa atmosfera apocalíptica de guerra e paz, de amor e ódio, de opressão e liberdade, de consertos e desconsertos, de construções e destruições, de justiças e injustiças, de pequenos intervalos de harmonia entre tragédias colossais, enfim, de circunstâncias que desbancam a ‘literatura de representação’ e a transformam em ‘literatura de realidade’. Estamos, portanto, sob o impacto da própria literatura global. Acredito que desde o início da década de 80 do século passado o impacto causado pela revolução tecnológica – máxime a ocorrida no campo da comunicação humana – teria superado todos os outros concebidos ao longo da história a propiciar atmosfera capaz de produzir literatura. Lembra-me o semioticista alemão Walter Koch, segundo o qual a manifestação da literatura moderna foi marcada profundamente pelo surgimento dos novos e sofisticados meios de comunicação, dada a sua elevada capacidade de mapeamento das realidades interna e externa, em que a literatura, a partir de então, tem-se voltado para a única possibilidade antes vedada aos meios de comunicação de massa, a saber, ‘reproduzir as próprias estruturas’ ao invés de ‘apenas representar a realidade’. Então a literatura se transforma no próprio fato histórico, o que a tem obrigado a reagir, não apenas ao mercado da expressão/imagem literária, mas, principalmente, ao meio digital por artifícios tecnológicos de representação da realidade que, a priori, seria o seu fim imediato. Quanto a mim, absorvido o impacto da repressão política dos anos 70 – a década da geração das ‘utopias’ – passei a me dedicar a uma literatura de pacificação de mim comigo mesmo. Seja, aquela literatura de mapeamento de minha própria alma, inquieta e literariamente investigativa.


SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

AFONSO ESTEBANEZ - Independentemente de épocas ou escolas, quero deixar os grandes nomes de antes do século XIX para lá, e citar apenas os autores de língua portuguesa que marcaram a minha vida, mais do que a minha pouco expressiva trajetória literária, sem deixar de considerar que Gabriela Mistral e Pablo Neruda são o fermento indispensável ao meu pão de cada dia: Machado de Assis, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Euclides da Cunha, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cassiano Ricardo, José Américo de Almeida, Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, João Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Gilberto Freyre, João Cabral de Melo Neto, Vinícius de Moraes, Orígenes Lessa, Adonias Filho, Érico Veríssimo, Dinah Silveira de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Herberto Sales, Rubem Fonseca, Clarice Lispector, Dalton Trevisan, Nélida Pinõn, Osman Lins, Murilo Mendes, Augusto Frederico Schmidt, Nelson Rodrigues, Geir Campos, Mário Quintana, Cassiano Ricardo, Jorge de Lima, Ferreira Gullar, Cecília Meireles, Tiago de Melo, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Lya Luft, José de Souza Saramago, entre outros, com uma referência toda especial ao Ademir Antônio Bacca, ao Antônio Miranda e ao Pedro Lyra – mercê de suas liras cheias de graça e erudição.


SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

AFONSO ESTEBANEZ - Que ergam em suas vidas um altar de culto à simplicidade, à humildade e à liberdade de expressão, e que excluam de suas vidas os fantasmas do medo! Mais ou menos como nos ensinou o Geir Campos certa vez: deve haver um poderoso bloqueio mental para chegar alguém ao termo de uma vida mais ou menos longa sem ter aprendido algo de próprio da ciência e da arte de viver seduzido pela escrita, e é de se imaginar quantos grãos de sabedoria da vida hão de se ter perdido, inaproveitáveis para a maioria, aproveitados exclusivamente por algumas criaturas às quais não terá sido dada ocasião em que pudessem fazer do que sabiam um legado útil a seus semelhantes...


POEMAS


EM TEMPO DE LÓTUS, LÍRIOS E ACÁCIAS...

Jamais perder o momento
de encontrar na boca
um sorriso...

Jamais perder a esperança
de encontrar na curva
um caminho...

Jamais perder a certeza
de encontrar no muro
uma porta...

O lótus pode ser
o momento de glória
da lama...

O lírio pode ser
o encontro da paz
na esperança...

A acácia pode ser
a certeza da vida
na morte...


EU SEI QUANDO TU VENS

Não preciso sondar os pensamentos
nem consultar meu vasto coração
para saber os dias e os momentos
em que me vens trazer consolação...

A mim me basta olhar pela janela
e abraçar a manhã no meu jardim
e sei que a claridade que vem dela
é a luz do teu amor dentro de mim...

Deixo a brisa tocar a minha face
ouço as aves que vêm me visitar
e sei de cada rosa que renasce
o teu instante eterno de chegar...

Converso com o vento no telhado
onde o tempo costuma te esperar
de um futuro presente antecipado
por anjos que me vêm te anunciar...

No canteiro de beijos e jacintos
o odor suave de uma flor qualquer
inflama de desejos meus instintos
famintos de teu corpo de mulher...

Então eu sempre sei quando tu vens
sem que precises avisar-me quando...
O amor proclama quando tu me tens
e me prepara quando estás chegando.


SÉTIMA ROSA DE DELOS

O meu amor maior foi da intangível
razão de amar que por amor já tive
e me veio em regresso imprevisível
dos sonhos idos onde nunca estive.

O amor maior é fruto do impossível
que a despeito da morte sobrevive.
Procuro então num elo inconcebível
o espírito da rosa que em mim vive.

Se a rosa existe, tanto amor existe
e mesmo que esperar pareça triste
de triste não pereça quem me quer.

É esse dom que meu amor procura
nos milagres sem causa da ternura
dos instintos de rosas da mulher...


AMOR AO VINHO DE ROSAS

Esta noite
tu me permitirás ajardinar teu corpo
nos mais esconsos roseirais de amor
em bosques sublimados no conforto
de aviar espinhos sem ferir-te a flor...

Esta noite
procriarei em teus fecundos ninhos
de aves marinhas de plantão no céu...
Ah, rosa ausente dos cruéis espinhos!
Vinho de rosas com sabor de mel...

Esta noite
tomar-te-ei o amor que me suaviza
a alma sem nenhum ressentimento...
Verei teu corpo com o olhar da brisa
e o tocarei só com as mãos do vento...

Mas esta noite
quero-te o gozo múltiplo e esvaído
como as últimas lágrimas sem dor...
Só a dor de um calvário consumido
no inexorável instante desse amor!


ADÁGIO COM SENTIMENTO

Ah, os dedos entre as pétalas de rosas brancas
sentimento da alma em todo o amor do mundo
nas teclas de um piano as flautas doem tantas
quantas doem as mágoas de meu ser profundo.

Cantata ou fuga entre crepúsculos em quantas
semibreves de outono vai-me o amor fecundo
esse cantar de sonho com que tu me encantas
segundo o nunca mais de apenas um segundo.

O compassado amor – em dor menor – talvez
enquanto a noite for meu lume inda que tarde
o compensado amor – em dor maior – jamais!

Que toda aurora é o anoitecer de alguma vez
meu dia é essa canção composta de saudade
e minha noite quase sempre é um nunca mais...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

PEDRO LYRA - Entrevista

PEDRO LYRA

No lançamento de Confronto – Um diálogo com Deus, na Academia Brasileira de Letras, em maio de 2005.

ENTREVISTA

Autógrafo para Jorge Amado, no lançamento de Sincretismo – A poesia da Geração-60 em Salvador, setembro de 1995.

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

PEDRO LYRA - Ia dizendo: escrever! Pois as outras duas – magistério e jornalismo – também são formas de escritura. Praticando três gêneros – poesia, ensaio, crítica – é quase impossível fazer outra coisa. Não porque falte tempo, mas porque são muito absorventes, como prazerosas e realizantes: todo dia estou escrevendo um poema, desenvolvendo um ensaio, elaborando uma crítica. O resto é leitura... viagem... encontros... chope... amor...


SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

PEDRO LYRA - Como a quase todos os poetas, ainda na infância. Nos livros didáticos, ainda no curso primário, o que mais me interessava eram os raros poemas que apareciam numa ou noutra página de uma ou outra matéria. Eu lia aquilo (o mais freqüente era Camões) gostava, copiava, decorava – e acabei pensando que também podia escrever. E comecei, lá pelos 8 anos. Como sempre, os primeiros versos foram para as primeiras namoradas. E nunca mais parei.


SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

PEDRO LYRA - Aí vai a relação completa, nos três gêneros, sem contar as traduções e organizações:

POESIA:
Sombras – Poesia da dúvida, 1967. Foi a minha estréia – estranha estréia: poemas de fundo metafisicista, marcado pela forte influência de Schopenhauer, para um jovem de 22 anos.
Doramor – Uma trajetória da paixão, 1969. É um poemeto em 10 segmentos, sintetizando um caso de amor.
Poema-Postal. 1ª série: Fortaleza/Rio, 1970. 2ª: João Pessoa, 1971. 3ª: Rio, 1986. 4ª: Lisboa, 1987. 5ª: Paris, 1989. 6ª: Rio, 2009. É uma experiência feita na época de ouro da poesia de vanguarda – o poema retirado do livro, onde digo que está enterrado, e colocado no postal, para uma divulgação universal pelo correio. Hoje, com a Internet, está mesmo universalizado.
Decisão – Poemas dialéticos, 1983. São poemas sociais, de fundo marxista, ainda ao tempo do capitalismo nacionalista e monopolista.
Musa lusa – Sonetos do amor, 1988. Publicado em Lisboa, são sonetos não de, mas do amor, mais conceituais que confessionais.
Desafio – Uma poética do amor, 1991. Reedição revista e bem ampliada de Musa lusa.
Contágio – Poesia do desejo, 1993. Uma coletânea de poemas de amor, agora em verso livre.
Errância – Uma alegoria trans-histórica, 1996. É um poema épico-dramático, confrontando um personagem pré-histórico e um pós-moderno, cada um falando do estágio de sua civilização.
Visão do Ser – Antologia poética com Fortuna crítica, 1998.
Jogo – Um delírio erótico-metafísico-econômico ou Uma aventura em versifrases, 1999. Um poema dramático, que se passa no cassino do Estoril, de Lisboa, onde um jogador – apavorado por estar perdendo tanto – vai refletindo aleatoriamente sobre o amor, sobre a vida e sobre sua situação.
Vision de l’Etre – Anthologie poétique, 2000. Publicada em Paris, é uma versão reduzida e bilíngüe de Visão do Ser, com organização, tradução e prefácio de Catherine Dumas, e apresentação de Anne-Marie Quint, professoras de Lusofonia da Sorbonne.
Confronto – Um diálogo com Deus, 2005. Outro longo poema, questionando a ideia de Deus, com tudo que dela deriva: a origem do universo, a condição da Terra, o sentido da vida, o destino do ser, as conseqüências da morte – o nada ou a eternidade, o inferno ou o paraíso. Em resenha na Revista Brasileira, da ABL, o crítico português Fernando Cristóvão, catedrático de Literatura Brasileira da Universidade Clássica de Lisboa, aproximou Confronto da Divina comédia.
Argumento – Poem´y´thos globais, 2006. São breves poemas sobre globalização, liberalismo e terrorismo, portanto agora sobre o capitalismo já globalizado e unilateralista. Em carta ao jornal Rascunho, de Curitiba, um leitor os aproximou de Camões, na talvez maior satisfação crítica que já provei. Para mim, Camões é o maior poeta de todos os tempos.
50 poemas escolhidos pelo autor, 2006.

CRÍTICA:
Poesia cearense e realidade atual, 1975. Análise de 13 poetas cearenses então vivos, dos Grupos CLÃ (Geração de 45) e SIN (Geração-60) da minha terra.
O real no poético, 1980. O real no poético-II, 1986. Textos de jornalismo literário, publicados sobretudo no Jornal do Brasil e na Revista Colóquio/Letras de Lisboa.
O dilema ideológico de Camões e Pessoa, 1985. Uma interpretação das posturas ideológicas dos dois maiores poetas da nossa língua, centrada no confronto entre imperialismo e igualitarismo n´Os Lusíadas e nas tendências fascistóides do heterônimo Alberto Caeiro.

ENSAIO:
Utiludismo – A socialidade da arte, 1976. Uma análise da natureza e da função social da arte em nosso tempo.
Literatura e ideologia – Ensaios de sociologia da arte, 1979. Coletânea de ensaios destacando o envolvimento ideológico da literatura e a necessidade de consciência posicional do escritor.
Conceito de poesia, 1986. Uma análise da poesia como substância, uma substância imaterial independente do homem, anterior à linguagem, presente na natureza ou na sociedade e objetivada no poema pelo trabalho do poeta.
Sincretismo – A poesia da Geração-60, 1995. Uma formulação do conceito literário de geração, com a propositura de uma escala geracional, seguida de uma antologia com 45 poetas da Geração-60, que identifico como aquela nascida entre 1935-55 e estreante entre 1955-75, ressalvando precoces e tardios e incorporando alguns pela fisionomia geracional.

A SAIR:
Poema e Letra-de-música – Um confronto entre duas formas de exploração poética da palavra. Conclui pela impertinência de se considerar a letra-de-música como poema, através da demonstração das diferenças em 14 campos estéticos.
O transe da poesia – Da grandiosidade do clássico à banalidade do pós-moderno. Uma análise do percurso da poesia até o seu estado atual, deslocada do cotidiano pela cultura de massa (sobretudo a música popular e a tele-arte) superprivilegiada pela mídia, banida do mercado cultural pelo silêncio acovardado da tevê e amesquinhada pelo minimalismo triunfante.
A tevê e o fim da era do amor – A banalização do sexo no cotidiano e no mercado cultural. Uma análise das relações interpessoais depois da revolução sexual, com a constatação da insuficiência de afeto sufocado pela obsessão do prazer, e sua exploração mercadológica pela tevê.
E como afirmei antes que estou sempre escrevendo, acrescento 3 em elaboração:
O Poderismo – Violência e privilégio na rua e na política. Um ensaio sobre o triste estado social e político do nosso país hoje, assolado pela violência na vida privada e pela corrupção e impunidade no espaço público. O título é um neologismo, para designar a “ideologia” do político-padrão: a linha do governo da hora.
Dialética da poesia – Da transitividade do ser à transfiguração da consciência. Este é a minha visão definitiva da poesia. Na origem, foi a minha tese de doutorado, defendida em 1981, desenvolvida até hoje. Publiquei apenas um resumo da primeira parte, que é o livro Conceito de poesia. Deverá ficar com umas 500 páginas.
Plenidade – Poema-construção. É o meu poema-síntese de tudo. Uma visão da evolução da humanidade, da eclosão do universo a um futuro apenas imaginado e desejado. Incluí algumas passagens na antologia Visão do Ser. Hoje, está com umas 70 páginas e não precisarei fazer mais nada depois dele.


SELMO VASCONCELLOS - Qual o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura?

PEDRO LYRA - A resposta a esta pergunta fundamental é justamente a base da Dialética da poesia. Chamo esse impacto de “transitividade do ser”: a propriedade que certos objetos/situações têm de, por qualquer um de seus aspectos, sair de si mesmos e se projetar sobre a sensibilidade do homem. São portanto os aspectos transitivos do ser, que derivam das 3 categorias fundamentais da existência, a saber:
CRONICIDADE – que define a existencialidade do ser e o situa no tempo, cronológico ou psíquico;
MAGNITUDE – que define a dimensão do ser e o situa no espaço, físico ou mental;
FISIONOMIA – que oferece o ser à percepção dos sentidos e da razão, situando-o num tempo-espaço definido.

Cada categoria encerra 2 aspectos transitivos opostos:
Cronicidade – a NOVIDADE e a ANTIGUIDADE;
Magnitude – a GRANDEZA e a PEQUENEZ;
Fisionomia – a BELEZA e a FEIÚRA
Ninguém passa indiferente a um objeto/situação dotado de qualquer um desses atributos. É o impacto que eles causam que provocam no poeta o estado de espírito propício à criação. Qualquer que seja o tema do texto, o poeta o explora por um ou mais desses atributos do ser, privilegiando a novidade, a beleza e a grandeza, positivas ou negativas, ontológicas ou existenciais. Nos outros indivíduos, eles provocam apenas uma reação de atração ou repulsão.


SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

PEDRO LYRA - São muitos – todos os grandes nomes da literatura universal. Agora, os preferidos são: no romance – Dostoievski, Eça de Queirós e Jorge Amado; no conto – Machado de Assis e Oscar Wilde; na poesia, em ordem histórica, os que releio com frequência – Khayyam, Petrarca, Camões, Byron, Hugo, Musset, Castro Alves, Antero, Raul de Leoni, Ricardo Reis, Brecht e Maiakovski.


SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

PEDRO LYRA - Um breve e único, com tudo que ele implica; não desistir. Mesmo nas maiores adversidades, ele não desistirá, se tiver uma vocação forte e um grande talento. Sem esses dois requisitos, é melhor se dedicar a outra coisa.

POEMAS

Diante da livraria L´Harmattan, no lançamento de Vision de l’Etre – Anthologie poétique em Paris, em novembro de 2000.

VISÃO DA FELICIDADE

Nunca sofri por falta de comida.
Nunca tive um problema de saúde. Nunca precisei
atender a uma intimação, exceto das minhas musas,
nem dar explicações, exceto aos meus alunos.

Pousava e voava ao abrigo das horas inconstantes.

Não desabou nenhuma torre sobre minha cabeça
nem me atingiu nenhuma bala errante.
Não me faltou o chão quando ia a meus encontros
nem o mar me misturou ondas com nuvens.

E sobrevivi do que gostava.

Tinha no quarto os livros
dos meus poetas: uns amigos, bem poucos,
e Camões, Khayyam, Petrarca, Antero, Byron, Hugo, Musset, Castro Alves, Leoni, Maiakovski, Reis, Brecht
– todos românticos,
e eu era pragmático;
mas, quando abria, não queria fechar a Divina comédia, a Jerusalém libertada, o Paraíso perdido, o Fausto, A legenda dos séculos
– todos místicos,
e eu era ateu.

E, com freqüência, conferia a lenda de Eros e Psiquê.

Era bom ter uma mulher em casa:
atrelar desejo a chance
e ver os meninos crescerem!
Era bom estar sozinho em casa:
abrir chances ao desejo
e ver os meninos se espalharem pelo mundo!
(O drama era escolher,
desejar uma praia quando estava na outra,
ou sem poder estar na outra.)

Mas nunca morri por amor, nem uma vez.

E sempre estive embriagado:
de amor, de poesia, de jogo, de dialética,
até de ideologia,
de desejos, de paisagens, de lembranças,
de fumo
ou chope mesmo.

Mesmo assim,
consegui concretizar alguns sonhinhos
e sempre soube o que fazer da festa e da solidão.

É,
talvez eu seja uma raridade:
– um sujeito
quase
não-infeliz.

Alexandre, César, Nero, Aníbal, Átila, Khan, Napoleão, Hitler, Mussolini, Stalin, Bush,
senhores de todos os quadrantes, de todos os matizes,
que se quiseram donos do universo,
não precisamos de mais:
– basta isso.

(Mas a luz era tão fraca
que eu liguei o botão – e estava acesa.)

(De Argumento – Poemythos globais, 2006)


DA HUMANA CONDIÇÃO
(Rogo 53)

Mas se teu Reino
não é uma recompensa nem um prêmio
e sim uma construção,
e não está num Após nem num Além
mas num Agora e num Aqui
– em nós mesmos –
e temos nós que construí-lo dia a dia,
vivendo como vivemos
e sendo como somos, então
Inferno e Paraíso são apenas projeções,
não transcendentes redutos: simples imagens
de nosso estar-na-Terra,
de nosso ser-com-os-outros.
E não serás um Ser (em si):
apenas uma Idéia (em nós).
E a Eternidade é somente um hiper-agora, impassável,
o sempre-presente.
E o Infinito é somente um hiper-aqui, impreenchível,
o todo-em-volta.
E o Inferno é mesmo os outros.
O Paraíso também.
E o ser humano é mesmo este misto desequilibrado entre o sublime e o mesquinho,
breve lampejo
entre uma treva sem princípio e uma treva sem final.
E somos livres, apenas do futuro ignorantes,
sem mistério a desvendar.
E não há prêmio nem castigo, transferidos:
apenas opções e conseqüências, imediatas.
E a vida é este intermitente desafio:
o aproveitamento/desperdício de energia e liberdade,
sem hipótese de reservas;
esta cega seqüência de desejo e luta,
o insaciável desejo
e a incessante luta;
para a conquista ou para a falta,
a precária conquista
ou a freqüente falta.
E, de tentativa em tentativa,
o lacunoso desfrute
ou a mutilante frustração.
E, na falência da aventura,
a certa perda.
E o desengano.
E a decomposição, em pó ou cinza.
E o Nada.
Nada além, aquém.
E a Existência é o todo do tempo.
E a Terra é o todo do espaço.
E não precisa nem da idéia de Eternidade e nem da de Infinito
(exceto os do Sonho).
E tudo é mortal, exceto o trans-viável.
E não há Causa primeira nem Sentido último,
que é sempre um trânsito,
de sempre,
para sempre
e temos só que nos equilibrar.
E esta é a nossa condição,
sem pessoal ou coletiva culpa.
É parca,
é muito parca.
E não muda
por mais que a gente mude.

Mas, descendente de símios,
podia o homem ser mais nobre?
Rebento de uma explosão,
podia o mundo ser mais firme?
Originária do acaso,
podia a vida ser mais justa?
E se, sem Ti, não tem sentido,
talvez nem careça:
basta ter duração.
E que tudo se esgote em seu lampejo, sem reflexo.
E, no lugar da transcendência da alma,
a imanência do corpo.
E, por sobre o consumo do tangível,
a latência do inefável.
E é esse o seu sentido.
Pode ser muito pobre, mas é o que ela ostenta:
o da luminescência, ao invés do da Luz.
Temos só de evitar que se desfaça aos ventos em contrário.
E estamos, apenas.
E passamos.
E o Diabo é que sofremos que não basta estar.
E que é penoso passar.

(De Confronto – Um diálogo com Deus, em 57 rogos)