quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

CLÁUDIO FELDMAN - ENTREVISTA

CLÁUDIO FELDMAN

Minibiografia

Cláudio Feldman nasceu em Bauru,em 1944,e mora em S.André desde 1959.
Após 50 anos de vida cultural, publicou 44 livros; o mais recente é BOI NO SHOPPING”, infantil.
Além da literatura, dedica-se às artes plásticas, cinema (ator e roteirista) e jornalismo.
Sua obra é estudada em diversos livros de crítica literária e dicionários e alguns textos do autor foram vertidos para outros idiomas.
É professor aposentado de Língua & Literatura.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

CLÁUDIO FELDMAN - Além de escrever, me dedico às artes plásticas e participo de filmes e comerciais de TV.


SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

CLÁUDIO FELDMAN - Eu adorava ler, daí a escrever, foi um passo.


SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

CLÁUDIO FELDMAN - Publiquei, no Brasil, 44 obras; a mais recente é "Boi No Shopping", infantil.
Embora tenha participado de antologias no estrangeiro, nenhum livro meu foi traduzido para outros idiomas.


SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

CLÁUDIO FELDMAN - Depende de cada autor. Eu, particularmente, preciso de silêncio para produzir.


SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

CLÁUDIO FELDMAN - Em poesia:Mário Quintana e Bashô; em prosa: Dalton Trevisan e Isaac Bashevis Singer.


SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

CLÁUDIO FELDMAN - Posso afirmar aos novos poetas: nem todo mundo tem talento, mas a longa persistência ao menos criará um autor mediano. E uma literatura não vive só de gênios.

5 haicais

enquanto ressono
sonhos miúdos
crescem as florestas


a borboleta no alfinete
já não faz
a tarde voar


o burrinho
escoiceia a sombra
até cansá-la


estrelas
caídas no pântano
procuram seu avesso


passos no pó
e um dia
pó nos passos

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

FLÁVIA SAVARY - ENTREVISTA

FLAVIA SAVARY

PEQUENA BIOGRAFIA

FLÁVIA SAVARY - Nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de setembro de 1956. Formada em Português-Inglês pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1980. Trabalha com literatura infanto-juvenil desde 1979, ministrando palestras sobre o tema pelo país. Ganhou mais de 70 prêmios literários, em todos os gêneros, no Brasil e no exterior, onde também participou de várias coletivas com seu trabalho de ilustradora. Tem poemas, crônicas, contos e peças teatrais em obras voltadas para adultos e crianças, publicadas em quase 40 antologias. Site www.flaviasavary.com

Alguns livros:

CADÊ?, ilustrações de Alexandre Camanho, Editora Positivo, PR (no prelo). Peça infantil que conta as descobertas de quatro amigos, membros do Comitê de Achamentos Deveras Especiais, o CADE.

SANGUE DE DRAGÃO, ilustrações de Rogério Borges, Editora FTD, SP, 2009. Peça para o público jovem que trata da paixão proibida entre o Filho da Água e a Filha do Fogo. A introdução da autora, em forma ficcional, descreve o passo a passo de uma montagem teatral. Prêmios FUNARTE, Cidade de Manaus e Alice da Silva Lima para teatro.

SIMPI E O DESAFIO DO DRAGÃO, ilustrações de Ana Raquel, Editora Autêntica, MG, 2009. A incrível viagem do pastor de cabras, Simpi, tornado herói, ao aceitar o desafio do dragão: achar sua noiva, uma autêntica gueixa do Japão.

O ROQUE DA CIGARRA, ilustrado por Ivan Zigg, Editora Salesiana, SP, 2008. A fábula de La Fontaine, A Cigarra e a Formiga, transforma-se numa peça teatral para crianças, com um final surpreendente. Solidariedade e arte, como fundamentos da comunidade, são tão valorizadas quanto o trabalho. Diálogos divertidos, músicas especialmente compostas para a peça e descrições de cenários e figurinos facilitam a montagem da peça em sala de aula.

HISTÓRIAS DE FOGO, ilustrado por Thais Linhares, Editora Salesiana, SP, 2007. O livro apresenta três lendas inventadas pela autora, baseadas em culturas diferentes: eslava, nipônica (homenagem aos cem anos da migração japonesa ao Brasil) e norte ameríndia. O traço comum que as une é o elemento fogo. Nos contos, muito humor, poesia e valores humanos. Prêmio Harry Laus para Melhor Livro de Contos de 2008, União Brasileira de Escritores, RJ.

ANABELA PROCURA E ACHA MAIS DO QUE PROCURA, ilustrado por João Lin, Editora Dimensão, MG, 2007. A peça ganhou o 3º lugar no Prêmio FUNARTE de Dramaturgia Infantil, em 2003, e 1º lugar no Prêmio Alice da Silva Lima, da União Brasileira de Escritores, em 1998. Selecionado para o PNBE (Programa Nacional de Biblioteca na Escola)/2009.

AS ESCOLHAS DE RAFAEL, ilustrado por Filipe Rocha, Editora Salesiana, SP, 2007. Romance juvenil que aborda o uso de drogas, Aids, solidariedade, a descoberta do primeiro amor e de Deus. Prefácio de Chico Alencar. Tema da Campanha da Fraternidade de 2008, “Escolhe, pois, a vida”. Prêmio Marques Rebelo para Romance (2º Lugar) de 2008, União Brasileira de Escritores, RJ.

CAMINHANDO, EU VOU!, ilustrado por Maurício Veneza, Editora Salesiana, SP, 2007. Severino, o personagem principal, acompanhado do cachorrinho Euzébio, encontra os hebreus saídos do Egito em plena caatinga. História do Êxodo recontada para crianças, de forma abrasileirada.

LENDAS AMAZÔNICAS... E ASSIM É ATÉ HOJE, ilustrado por Tatiana Móes, Editora Salesiana, SP, 2006 (3ª reimpressão). As dez lendas da tradição amazônica fazem parte da Campanha da Fraternidade de 2007, focada na cultura dos povos da região.

MENINOS, EU VI!, ilustrado por Rogério Soud, Editora Salesiana, SP, 2005. Prefácio de Joel Rufino dos Santos. Em 1998 o conto que dá título ao livro recebeu menção honrosa no Concurso Guimarães Rosa, França, e no Prêmio Carioquinha de Literatura.

OITAVO ANIVERSÁRIO, PRIMEIRO AMOR, ilustrado por Rogério Soud, Editora Melhoramentos, SP, 2005. Prefácio de Ziraldo. Em 1996 o livro recebeu o 1º lugar nos Prêmios Cruz e Sousa e Adolfo Aizen.

VINTE CANTOS DE SEREIA, ilustrados por Suppa, Editora Dimensão, MG, 2004. Prefácio de Olga Savary. Livro de poemas selecionado para o PNLD (Programa Nacional de Livro Didático) de 2006, e Acervo Básico da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) em 2005.

MEMÓRIA DE BALEIA, ilustrado por Marco Aragão, Editora Salesiana, SP, 2004 (2ª edição). Tema da Campanha da Fraternidade de 2005, “Solidariedade e paz”. O livro bíblico de Jonas recontado para crianças, com enfoque ambiental.

A ARCA DO TESOURO, ilustrado por Jonas Ribeiro, Editora Salesiana, SP, 2004 (2ª edição). Obra selecionada para o PNLD/2006. Menção honrosa nos Concursos Manoel Cerqueira Leite, 2000; João-de-Barro, 2000, e II Prêmio Escriba de Contos, 1999. Recebeu 1º Lugar no Prêmio Uapê de Cultura, 1999, e 2º Lugar no Prêmio Paz e Amor na Literatura, 1998. História da Arca de Noé, narrada pelo neto do patriarca.

QUERIDO AMIGO, ilustrado pela autora, Editora Melhoramentos, SP, 2002. Prefácio de Terezinha Éboli. Cartas trocadas entre uma escritora e um artista plástico compõem o belo romance que celebra a sólida amizade dos dois, a qual resiste ao tempo e à distância.

25 SINOS DE ACORDAR NATAL, ilustrado pela autora, Editora Salesiana, SP, 2001. Em 2002 o livro representou o Brasil na 39ª Feira de Bolonha, Itália, e recebeu o 1º lugar no Prêmio Murilo Rubião para livro de contos.

E-mail: contatos@flaviasavary.com / Site: www.flaviasavary.com

Mais Flávia Savary :

Blog Labirintos no Sótão.
Link: http://www.labirintosnosotao.com/2009/03/entrevista-conversas-no-sotao-com.html

Entrevista com Daniela Lapidus (Rádio MEC – RJ)
Link: http://www.flaviasavary.com/entrevistas/radio_MEC_2009_08_11.MP3

Entrevista com Oscar D’Ambrósio (Rádio UNESP FM – São Paulo)
Link: http://www.flaviasavary.com/entrevistas/312_PL_flavia_savary_radio_unesp.mp3

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais suas outras atividades, além de escrever?

FLÁVIA SAVARY - Escrever já seria uma atividade bastante absorvente em si mesma. Nos bons tempos, costumava escrever e ilustrar meus próprios livros - e até livros de outros autores. Mas isso foi, como já disse, em tempos idos. Eventualmente, realizo algumas oficinas, além de ser convidada a dar palestras e participar de debates. A par disso, viajo bastante para atender às solicitações das escolas que adotam meus livros, e desejam que os alunos conheçam o autor. Em suma, quase todas as atividades citadas giram em torno de uma só: o fazer literário.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse pela literatura?

FLÁVIA SAVARY - Creio que da mesma forma que para a maioria das pessoas: lendo. Quando criança, já era uma leitora voraz, e tudo (de gibis a livros “cabeça”) que me caía nas mãos era devidamente devorado. Das leituras, passei à escrita - ainda não propriamente literária, mas o embrião dela, sem dúvida – epistolar. Adoro, até hoje, escrever cartas, atividade que só não exerço mais amiúde, por conta desse flagelo de nosso tempo: justamente a falta do dito cujo. E meu primeiro livro publicado, QUERIDO AMIGO, editado pela Melhoramentos, acabou sendo, não à toa, um romance epistolar...

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais dos seus livros foram publicados dentro (e fora) do país?

FLÁVIA SAVARY - No Brasil, tenho 16 livros publicados, sem contar as participações em cerca de 30 antologias. Fora do país, os contos e poemas, também no formato de antologias, francamente não contabilizei.

SELMO VASCONCELLOS - Qual(is) impacto(s) propicia(m) uma atmosfera capaz(es) de produzir literatura?

FLÁVIA SAVARY - Eu diria que é na vida e da vida, essa pedra bruta e delicada, de onde tiramos o “leite literário”. Sendo assim, posta em paz ou atormentada por tempestades da condição humana, só ou acompanhada, inspirada ou esgotada, nos altos e nos baixos da vida, encontro matéria literária. O olho de ver do autor se exercita quanto mais for usado. E nada melhor do que viver para aguçá-lo.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você mais admira?

FLÁVIA SAVARY - Tenho certeza de que esta será uma lista que pecará por ser injusta e incompleta. Admiro, desde sempre, e morrerei admirando os clássicos infantis, 1ª leitura e 1º amor. Entre tantos, citamos o nosso Lobato, Andersen, os irmãos Grimm, Perrault,as fábulas, lendas, mitos, causos da tradição oral etc. Fernando Sabino brindou-nos com uma frase lapidar (frase que, aliás, ele mesmo pediu que se gravasse em sua lápide): “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino”. Não fazemos outra coisa, senão buscarmos a criança que, um dia, fomos. Bom, ao menos essa deveria ser a busca, por excelência, de todos os assim chamados adultos, vaga lenda em que acredita a maioria dos mortais desinformados. Daí a importância e perenidade da literatura infantojuvenil que, pra mim, jamais será superada, quer no estilo, quer no conteúdo (o que inclui os valores intrínsecos a tal gênero). Literatura, de fato, feita pra quem já cresceu e chegou ao ponto preconizado por mestre Fernando Sabino.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria aos novos poetas?

FLÁVIA SAVARY - Felizmente, escrever é uma atividade solitária, o que nos deixa à vontade para praticarmos incansavelmente nossa arte, até vê-la atingir o ponto de maturação (o mesmo não se aplica, por exemplo, aos cantores de chuveiro). Portanto, escreva bastante, pratique estilo e ideias próprias, ouse. E, claro, não deixe de ter sempre a seu lado, a companhia dos grandes - que não devem ser copiados, veja bem, apenas admirados. Aprenda, dos mestres, a paixão e a ourivesaria dessa atividade tão apaixonante.

POEMAS

Todos compõem o livro VINTE CANTOS DE SEREIA, publicado pela Editora Dimensão, Belo Horizonte, MG, em 2004. As ilustrações são da paulista Suppa. Apresentação de nossa querida Olga Savary.

CARACÓIS

Cortaram
os cachos
de Cássia —
caracóis
dourados
no tapete...


VERBETE

A palavra saudade
só tem em português:
bonita exclusividade
ou triste insensatez?


BRASIL

500 anos de amarelo, verde...
No duro, no duro?
Anseio te ver maduro.


AMAZONAS

Tu és gente —
Quem te chama de rio
mente!
Senão, como se explica
que tenhas
braços, artérias e veias?


CENA DE TREM

Paisagem
em movimento:
imagens
fixadas no vento.


MAIS POEMAS DE FLÁVIA SAVARY

POEMAS SECRETOS I , II e III

I

Que se distraiam teus pés
Em mil passeios .
E tuas mãos despenteiem águas
E tranças de heras .
Mas teus olhos , não .
Teus olhos estão
Sigilados em meus tesouros .

II

O segredo voa
Nas volutas
Do hálito do amado .
Estou presa
Da cadeia de seus lábios .
Mas ainda que se abrissem
Para dizer : “És livre”,
Escolheria ser triturada
Entre seus dentes.

III

Feito de madeiras nobres,
Recende a canela a incenso.
Sua cabeleira de cobre ,
Elmo de comandante ,
Cavaleiro andante ,
Errante guerreiro
Lacrado
Em secretas fontes .

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

LÍLIAN MAIAL - ENTREVISTA

LÍLIAN MAIAL

PEQUENA BIOGRAFIA

LÍLIAN MAIAL é carioca, médica, escritora e poeta. Publicou, em 2000, “Enfim, renasci!”, com 135 poemas, e tem mais 4 livros no prelo. Participação em dezenas de antologias, desde 1999.

Coordenadora Regional no Rio de Janeiro para o MIP (Movimento Internacional Poetrix), teve poetrix publicados, em 2002, na “Antologia Poetrix”, e em 2007, na “Antologia Poetrix II”, além de ter organizado um e-book com poetrix de 10 participantes do MIP.

Filiada à REBRA (Rede de Escritoras Brasileiras), participou de 4 antologias lançadas nas Bienais do Livro de São Paulo.

Filiada à APPERJ (Associação de Poetas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro).

Consulesa do Rio de Janeiro para o movimento POETAS DEL MUNDO.

Tem seus trabalhos divulgados em inúmeros sítios nacionais e internacionais, é colaboradora de revistas eletrônicas em vários Estados do Brasil e no exterior.

Homepages: www.lilianmaial.com - http://lilianmt.zip.net - http://lilian.maial.zip.net
E-mail: lilian.maial@gmail.com

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

LILIAN MAIAL - Sou médica, de profissão; mãe, de vocação; mulher, por formação; poeta, sem opção... rsrsrsrs

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

LILIAN MAIAL - Acho que já nasci fazendo poesia, ou, quem sabe, peguei esse vírus quando criança. Tenho um poema - Droit & Croissant - que em um verso eu menciono: "todo mundo tinha catapora, eu tinha poesia". Creio que assim que aprendi a lidar com esses símbolos, que são as letrinhas, passei a escrever os poemas que já fazia.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

LILIAN MAIAL - Livro inteiramente meu foi o “Enfim, renasci!”, que reúne 3 livros, com um total de 135 poemas, todos de fase inicial da minha poesia. Tenho inúmeras participações em antologias, algumas como prêmio de concursos, outras por adesão. Tenho ainda e-books, inclusive um que organizei só de poetrix, de membros do MIP (Movimento Internacional Poetrix). Tenho 4 livros prontos, ainda aguardando publicação: um de contos, um de poetrix, um de poemas livres, um de crônicas e contos.

SELMO VASCONCELLOS - Qual a atmosfera propicia aos seus impactos literários ?

LILIAN MAIAL - Aquela em que meu olhar se fixar. Ando sempre com papel e lápis, porque pode ser a qualquer momento. Agora, por exemplo, me deu vontade de escrever. Vou parar de responder para escrever algo que brotou, depois eu volto. Brincadeiras à parte, eu gosto de calma e silêncio para escrever e, de preferência, algum lugar em contato com a natureza, como uma praia vazia, um dia de chuva num canto da varanda, quando faço caminhadas na floresta da Tijuca, coisas assim.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

LILIAN MAIAL - Na época do segundo grau, na escola, tive oportunidade de conhecer profundamente alguns escritores nacionais e internacionais, e cheguei a sofrer influências por conta deles e seus questionamentos. Os mais destacados foram: Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Mário Quintana, Manoel Bandeira, Drummond, João Cabral. Depois fui descobrindo outros, como Sylvia Plath, William Blake, T.S.Elliot, Manoel de Barros, Maiakóvski, Eduardo Alves da Costa, Adélia Prado. Com o advento da internet, alguns poetas me chamaram a atenção, como: Nathan de Castro, Márcia Maia, Silvana Guimarães, Selmo Vasconcellos, Lau Siqueira, Goulart Gomes, Líria Porto e tantos outros, com a felicidade de poder me tornar amiga de muitos deles.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

LILIAN MAIAL - Creio que o mais importante para os novos poetas e escritores é o mais difícil, que é não ter pressa. A maioria dos novos autores (e me incluo no grupo) comete o mesmo pecado, que é o da quantidade. Você escreve tudo e mostra logo, publica no blog, no site e quer ver tudo publicado em livro. Livro é coisa séria, fica para a posteridade. Então há que ser cuidado com carinho, visto e revisto um sem número de vezes, com uma autocrítica bem austera, para que o controle de qualidade não deixe passar nada que não seja o melhor. Se eu fosse republicar o “Enfim, renasci!”, certamente muitos poemas ficariam de fora. Não que não goste deles, mas porque foram publicados de impulso, sem o devido amadurecimento. Sugiro que os novos poetas leiam bastante os clássicos, para saberem distinguir o joio do trigo de sua própria lavra.

POEMAS

CARTA PARA ALGUM POETA PERDIDO EM PENSAMENTOS SOBRE SEU CAVALO

I.

Sei que te devo uma carta, um verso, uma palavra.
Sei que estou te devendo.
Sei que estou.
Sei.

No fundo, tenho um certo temor do que escrever.
Hoje as palavras me assustam.
Não passo pela boca e pela pena o que me vai
por dentro.
Tu sabes o que me vai por dentro.
Tu sabes o que me vai por dentro?

II.

Corro o risco de não alcançar o objetivo.
Há algo de atávico nessa mania de buscar objetivos.
Não há objetivos hoje. Há apenas.
Queria te dizer que há algo de mar em nós.
Algo. Alga. Mar: infinito e curvo,
profundo e inconstante,
enchente e vazante.

Estou vazante, inconstante e profunda.
Há uma janela para um mundo que não me deixei penetrar,
tangenciei, curiosa e indolente.
E a janela se abriu, como um portal,
de interrogação em forma de poesia,
contestação em verso branco,
folha virgem, ansiando por um poema profano.
Do meu mar vi um outro tempo,
vastidão de dúvidas, senões, sentidos e música.
Pressinto escuridão e luz.
Duas portas.
Muitas portas e duas pernas.
Duas pernas e uma mente octópode.
Do outro lado, a fragilidade da poesia,
a paixão fugaz de um verso de areia.
Grão de sonho.
Sílica e lágrima.
É o mar: sílica e lágrima.
Dissolvo-me em sílica e lágrima e verso e saudade.

III.

Canta sempre, que a música me embala e me enleva!
Mas deixa teus dedos tocarem como lhes vierem os sentidos.
Sei que virão bem, virão carinhosos, delicados, atrevidos,
violentos, despudorados, quem sabe castos?
Mas que venham inteiros.
Eu sei essa coisa de vísceras, entranhas, sangue, nervos, carne.
Tenho caninos nos versos e na mente.
Loba, vampira e profana. Poeta.

Eu te mato e te faço o parto em cada verso.
Dou-te vida e agonia.
E tu anseias pela dor e pelo gozo.

Tu me fazes poesia.
E me sinto mais nua.
E gosto de me despir para teus olhos.
Um dia te surpreendo pudica,
noutro absolutamente devassa.
Mas sei que tu me sabes apenas poesia.

IV.

Preciso do teu grito, berro, ódio.
Preciso da adrenalina e do ópio,
da paz da lembrança e da agonia da espera.
Devo-te a adrenalina, o ópio, o beijo, o verso,
a estaca no peito, o nó na garganta,
a leveza da meninice, o peso da idade,
o gozo da fêmea,
o colo da mãe.
Não! Não devo nada, eu sugo!
Buraco negro,
que suga e devolve em poesia!

Não sei o que tu és,
mas me pego ouvindo música
e indo a ti em notas suaves e fragrâncias doces,
ao tempo em que me vejo em transe,
em sintonia cósmica com a perplexidade de nós.

Te quero por perto e à distância,
que matéria é ânsia e perda.
Não quero me acostumar a ti,
mas preciso te ler sempre por perto,
te sentir me observando,
captar teus medos e teus lapsos,
tuas meninices absolutamente infantis
e tuas verdades senis.

Caso pensado.
Toma lá, dá cá.

V.

Ousei me apagar do tempo,
e tu te aderiste, me foste receptor.
Hoje não tenho referência dimensional.
Tenho versos, reversos, inversos, anversos.
Tenho esses amontoados de palavras,
onde sou mais eu que eu mesma.
Tenho e dou e recebo mais.

Só sei que adoro dizer teu nome.

VI.

É isso o que somos um para o outro:
impossíveis, imprevisíveis, arrebatadores,
surpreendentes, instigantes, misteriosos,
irritantes, descartáveis e funda-mentais.

Nem o (a)mar consegue nos conter.
Somos dicotomia elementar.
Coisa básica, coisa quântica, exemplo do inexplicável.

Quero a palavra que nos nomeia.
Simples assim: quero.

Sei o que sentes, mas não direi,
a palavra vem adquirindo vontade própria,
evito contato mais íntimo com ela.

Sou pagã, herege, profana,
absolutamente atéia,
mas sei mais de deus que ele de si ou dos homens.
Sei mais de amor, que os amantes shakespeareanos.
Sei mais de ti, que tua mãe, teu pai e teu ego.
E nada sei.

Não te quero confortável.
Quero beber tua agonia, tua dor e tua poesia.
Quero teu suor, tua espera e teu sangue.

VII.

Se atrapalho sonetos friamente construídos,
até o último terceto,
tu os escreves avessos aos sentidos,
mergulhas neles e surfas na paixão que eles instigam.
Sorves a dor que eles descrevem,
gargarejas com as lágrimas que deles rolam,
sorris ao enxugares os olhos de mar.
E dás de comer aos tubarões...

VIII.

Eu conheço a criança e o velho,
o medíocre e o brilhante,
o homem e mulher que tu me és,
e não sei dizer qual gosto mais.

Mostro o tornozelo da dama da noite,
da senhora dos versos,
da deusa dos ventos,
da dona da saudade.
Abro-me e me fecho,
mostro e me escondo,
ouso e me retraio.
E te traio.
Mas grito teu nome,
que nem me lembro de cor.

IX.

Há o débito, confesso.
Porém não sei nem se pretendo pagar.
Quem sabe não prefira
esperar que me seja arrancado à força e com suavidade...
O teto que protege, a parede profanada, o chão que piso,
o peito que esfolo e que escrevo versos de distância e de insolência.
O corpo que acaricio e arranho,
o falo que não falo,
mas que ensino o caminho da paciência e da tortura.
As facas de dois gumes!
Facas de tatuar a loucura.

X.

Mas se tudo falhar, ainda há o mar.
E os olhos.
E a lua.
E os poemas.
Depois nos vestiremos de gente,
consumiremos abraços, carinhos
e coisinhas infantis.
Brincaremos com as palavras,
com a pele, a carne, a unha, o (a)mar.

XI.

Nua...
É assim que seria: nua.
Sei como seria te encontrar.
Coisa de bichos se reconhecendo:
olhar, como a mãe que acabou de parir,
que despe o filho suavemente,
que repara em cada dobra de seu corpo,
percebe o tom da pele, a textura,
o jeito dos olhinhos, o cheiro,
o contorno da boca, os dedinhos, as mãos, os pés...
Dissecaria - em silêncio cruel - cada pedacinho teu.
Saborearia cada movimento respiratório,
sentiria o teu batimento cardíaco.
Repararia se tens sopro no coração.
(coração de poeta tem suspiro).

Eu me sentiria divina.
Me sentiria mãe.
Me sentiria nua.
Me sentiria culpada.
Me sentiria livre.
Me sentiria velha.
Me sentiria menina.
Me sentiria responsável e inconseqüente.
Me sentiria segura e descontrolada.
Teria medo.

O que vomito em ti é tão meu,
que não caberia exibir nem mesmo a ti.
Se teus olhos me encarassem,
não conseguiria, talvez, sustentar meu olhar.
Saberia que me verias despida,
meu pudor me enrubesceria tanto,
que sangraria na tua frente.

Não se trata de mim.
Não dessa que sou, que tem a minha fisionomia.
Não dessa que tem meu corpo.
Mas estranhamente é a que tem meu cheiro,
meu sangue, meu suor e minha poesia.

“Poeta em pele de cordeiro"...

Eu te devoro todos os dias e tu deixas,
Tu gostas,
Tu esperas.

Tu estás espalhado em minha vida... Ou não!

XII.

Meu cheiro é só meu.
É mistura do que me consome e do que te apetece.
Teu cheiro é só teu.
Bom é esse nosso cheiro de coisa esquisita
e, ao mesmo tempo, tão familiar.
Esse ódio que nos batiza.
Essa louca vontade de doer e deixar escapar gemido.

Sim! Somos instintos despudorados,
pré-palavras escancaradas,
clandestinos num comboio.
E tu: meu neanderthal nouveau!

Eu quero esse arrepio!

...
Aquela, que te possui.

Rio, 16/08/07


INCONTÁVEIS E QUENTES MADRUGADAS

As incontáveis quentes madrugadas,
em busca da palavra nunca certa,
de nada adiantaram ser varadas,
dilacerando o sonho da poeta.

Nossos dragões: defesas desarmadas,
ante a ternura que esse olhar desperta,
de tantas chances tão bem camufladas,
nas sombras dos sonetos – dor secreta.

Enfim a perseguida rima rica,
teu nome, sussurrado no papel,
balbuciado em doses de quimera..

Covarde esse papel que não se arrisca,
só inscreve rocha, mar, estrela e céu,
pois rasgo-te, que o tempo não espera!


DOAÇÃO

(Para Selmo Vasconcellos)

Acima de todas as coisas,
das fogueiras, das veleidades,
um gesto inesperado,
um salto,
a mão de calmaria.

O mesmo par de olhos a observar estrelas,
e, apesar do brilho próprio,
reluz na madrugada das letras.

Guardião dos versos,
brota de rochas para aspergir fragrâncias.

Destino de magos,
teu nome engloba a imensidão do céu,
a proteção do elmo,
a imponência grave do violoncelo,
e a ligação dos sonhos, como um elo.

Em sua grandeza,
O universo sustenta astros,
os que iluminam e os que são iluminados.
No fim das contas,
apenas luz.


Re-volver

No peito-húmus,
um músculo ávido de palavras.
Revolver a terra,
adubo em gotas,
versos irrigados.

O verbo cala,
o solo seca,
racha-se a criança -
migalha de pão dormido.

Fome e chão,
pisa descalça
em brasas da indiferença.
Pele e sangue ressequidos,
aridez de lágrima,
espinho e barro
a maquiar a pele,
manchas de verde e amarelo.

Chora a pátria,
pétrea de matas pálidas,
alopécia de cores,
extensas clareiras.

Terra vermelha
coberta do pó,
rugas no mapa,
pistas de pouso -
Clan-destinos.

Onde o branco,
a pureza,
a promessa?

Traída a terra,
ouro de tolo,
sorriso de icterícia,
parcos dentes
de mastigar solidão.

Céu de anil,
nuvens sanitárias,
homem esquálido
a plantar pesticida.

Traída a terra,
clamor rouco e abafado,
fumaça dos charutos cubanos,
pendurados nas bocas patronais,
sem lei e sem letra.

Traída,
a terra lamenta por seus filhos,
amamentados de esmola,
de enteados cuspindo confeitos,
mordendo,
com presas de ouro,
o amanhã e a decência.

Traída a terra.
Punhal enterrado no seio,
mãe órfã de rebento raquítico.
Abre-se a fenda,
engole o que resta:
homem e praga,
riso e lágrima,
orgulho e carbono.

Num futuro fóssil,
tropical tupiniquim,
semear e colher...
Milagre!


O SEIO ESQUERDO

Aconteceu.
Ninguém espera
E, na primavera,
Foi-se o seio esquerdo.

Foi-se o toque,
Ficou a sensação fantasma
Foi-se o alimento,
Ficou o vazio no peito.

Como ser mulher, sem o seio esquerdo?
Como ser mãe, sem a mama esquerda?
Como ser profissional, sem o outro par?
Como se olhar no espelho nua?

O seio direito, encabulado,
Só e pendurado,
Emoldurando o luto
Do parceiro canhoto.

Está faltando o outro.
São dois.
Originalmente dois.
Há que ser dois.

Nunca mais seus dedos
Apertando a carne macia e rosada
Nunca mais sua boca
A brincar de trincar e arrepiar
Nunca mais a dança sensual
Dos pares no banho
E entre lençóis de cetim.

Há um imenso vazio
Bem maior que a mama
Que atinge camadas profundas
Da própria natureza fêmea.

Há a ausência constante
Lembrada todo o tempo
Pelo traço da cicatriz
Dessa ferida que não fecha.

Há a dor, os ductos, os lutos
Mágoa infiltrante, ingrata, infeliz.
Dias vividos sem perceber...
E para quê viver?

Olhos que nunca repararam,
Agora se recusam a olhar.
Não tem remédio.
Não tem escolha.

Tem alopécia, náusea e dor,
Tem quimioterapia.
Tem agonia,
Solidão de espinho e flor.

Tão falso o enchimento,
Disfarça a roupa,
Como peruca da alma,
Que dribla olhares piedosos
De mulher barbada de circo
Que extirpa seus próprios caroços.

Os dias arrastados, as horas contadas...
Quando volta ao normal?
Quando se acorda do pesadelo?
Ou tentar esquecê-lo?

É tão desigual, tão caolha!
Fica sem sentido, tão velha!
Um robusto, imponente, desejável,
Outro, um traço doente, indelével, lamentável.

Luta diária e desanimada
Para sobreviver.
Corpo sem jeito,
Mulher sem peito, que cala o grito
Tempo finito, seio bonito
Que se foi.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

TANIA DINIZ - ENTREVISTA

TANIA DINIZ

PEQUENA BIOGRAFIA

Graduada em Letras pela UFMG. Poeta, contista, haicaísta, editora, artista plástica por hobby, promotora cultural, professora de idiomas, editora-idealizadora do mural poético Mulheres Emergenπes, em 1989, publicação trimestral de circulação internacional que enfatiza o feminino (autores novos ao lado dos conhecidos) e onde realizou 04 Concursos Internacionais de Poesia com excelente acolhida do público.

Livros :

Contos: O Mágico de Nós (1988 / 2ª ed., 1989), Rituais (1997).

Poemas: Mulher EmBalada (1992), Bashô em Nós (co-autoria/ 1996), Relato de Viagem à Marmelada (1997), Flor do Quiabo (2001), entre outros.

Em 1998 é secretária, tradutora e intérprete na I Bienal Internacional de Poesia de BH, a convite da Secretaria de Cultura de MG.

Trabalhos publicados em diversas antologias, revistas e jornais nacionais e alguns estrangeiros.

Diversos trabalhos premiados em concursos literários no país e exterior.

www.mulheresemergentes.blogspot.com

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

TANIA DINIZ - Sou professora de idiomas, já trabalhei com o português, italiano, e atualmente tenho alguns alunos de francês e , em especial, espanhol.
Sou editora, além do Mulheres Emergentes, publico livros de autores novos ou não, com preços módicos, rs.E sucesso, diga-se de passagem. Os dois últimos na verdade, foram em comemoração ao aniversário do ME, 18 e 20 anos, foram resenhados na Europa.
Às vezes me apresento com meu grupo poético, Cia. Poética Estação Platina, em eventos e espaços culturais.
Sou mãe, esposa, dona-de-casa e também atuo em alguns projetos sociais, como o Projeto Portal.
Adoro inventar sonhos e realiza-los, ano passado organizei a I Mostra Mineira de Haicai ME, em homenagem ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil e aos 19 anos do ME. O sucesso foi tanto que se torno itinerante e tem visitados os espaços culturais aqui em BH, por enquanto, rs...

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

TANIA DINIZ - Desde que aprendi a ler, aos 6/7 anos, nunca mais parei, e acho que, acabar escrevendo foi um processo natural, depois de misturar ao aprendizado do meu curso de Letras.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

TANIA DINIZ - Fora do país não sei se chegarei a ter algo individual publicado um dia. Apenas participo de algumas antologias , por premiação, e de algumas revistas e jornais, virtuais e impressos. Por exemplo, na França, Portugal, Espanha,Itália, Argentina, Colômbia, USA, Áustria, Rep.Tcheca, Canadá,etc. No Brasil, tenho livros de contos, dos quais o de estréia , com duas edições, foi O MÁGICO DE NÓS, alguns pacotes poéticos e inúmeras Antologias.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

TANIA DINIZ - Tudo, sabe.
Ás vezes, um sonho, ao dormir...outras, um desejo, realizado ou não, uma cena vista, uma foto, um riso...ou uma dor.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

TANIA DINIZ - Não sei dizer de autores que mais admiro porque são muitos, entre poesia, contos, romances . Como gosto muito do realismo mágico, sempre me lembro de Gracia Marques, Isabel Allende,Cortazar, Borges, Murilo Rubião...

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

TANIA DINIZ - Aos novos, eu diria de terem persistência, estudar sempre, acreditar em si e no seu sonho, e ir atrás. Traçar seus objetivos e buscar os melhores meios de realiza-los, sem se deixar abater pelas inerentes dificuldades, filtrando as críticas, aproveitando que trazem de bom e buscando se aperfeiçoar, sem dó de si mesmo, rs.

Tânia Diniz com o cantor e compositor Paulinho Pedra Azul
haicais:

fogo-pagô fogo-pagô
rolinha rolando a tarde
noite chegou

***

na nuvem branca
alvo risco de fumaça.
avião que passa.

***

Brisa inusitada!
Entre céu e mar azuis
borboleta amarela.

***

pintassilgo!
o céu pinta consigo
a cor da manhã

***

POEMAS

- O sol da tarde
o boi invade,
guia a boiada.
E a vacaria
anuncia a noite
na ave-maria.

***

Mais te amava
sem saber que me deixavas.
Rompeu-me a alma em sustos.
( Até tu, Brutus?!)

***

Amou-me como um deus
amei-o como louca.
Paixão barroca !

***

Penélope

Espero.
Tal Penélope
teço a teia
de suspiro e saudade
em ponto meia.
Às noites de lua
entremeio
fios de paixão
brilhos de prazer
bordados em canção
eu, toda nua,
vestindo tua mão.
Pronto o manto
envolvo de encanto
loucos sonhos na cama,
a trama de quem ama.
Tal Penélope
na noite sem lua
sem teus passos na rua
desmancho, desfaço,
meus pontos, teu laço.
A solidão, não meço.
Amanhã, recomeço.

***

Reinos

Ter
formas de maçã
A surpresa
de textura e cor
da romã
Do caju,
sumarenta carnadura
Da goiaba de vez,
o frescor
Então,
apetitosa e nua
a fome acesa
em tua mesa,
ver, talvez,
o emergente calor
da tua carne dura.

***

Pintura

Me faço
Traço
Nanquim
na tua tela
Ponto, elipse,
Paralela
Me disfarço
Esfera
no trapézio
do papel
Danço
losango absurdo
na horizontal
triângulo essencial
ao teu pincel
Me dissolvo
Caravela caravela
em águas
de aquarela.

***

continhos:

Equilibrista

A malha colante no corpo esguio era azul celeste. A corda de prata, bem esticada, bem no alto de uma torre à outra, dava um ligeiro risco no céu.
Pé ante pé, como bailarino das estrelas, ele caminhava na vida por um fio. Os braços fortes levando a longa haste-da-fé como diáfanas asas que o faziam pairar ali.
E no ondular suave da corda, no vai e vem, de repente, um balanço inesperado - o povo aqui embaixo, narizes levantados, suspirou um contido OH! - ele estremeceu forte. E, meio desequilibrado, caiu em si.

*

Apenas

Emergindo da nuvem de magia que os envolvera, coração acalmado, mas ainda tonta de prazer, ela se foi.
Ele, ao despertar, não conseguia acreditar. E procurando uma prova no lençol, encontrou apenas um pêlo em sua garganta.

***

Vodu

A pele negra brilhava, suave convite ao amor. Olhos firmes, seios altos, boca larga, Os anéis do cabelo em riste, orgulho da cor, semeado de contas. O púbis altivo, cheiro e sabor.
Desejou-a tanto, na dança que, ao imaginá-la sua, fremente na lança, foi poderoso. E ela, ao longe, como enfeitiçada, sentiu-se trespassada por tanta paixão e, em pleno pátio da tribo, agonizou no chão.

***

Lavoura

(musicado por arlindo maciel)

Lavrador experiente, mãos calejadas, olhar agudo, lábios ressecados pelo clima. Da enxada, o duro cabo.
Todos os dias, ao som de violas e cheiro de mato, em cada aurora, semeava sonhos ali, onde a cada poente arava estrelas no corpo dela.

***

Jóia

Abriu a caixinha de jóias e tirou a lua cheia.
O quarto, crescente de luz, clareou tanto que as paredes se tornaram transparentes como cristal e ela se assustou. Prendeu logo a lua no cordão de ouro do pescoço e foi namorar. Toda iluminada.

***

Exótico

Ele gostava de deixar entre as páginas de seus livros e cadernos pequenas flores, folhas diferentes e até insetos que, desidratados pelo tempo, tornavam-se exóticas lembranças coloridas.
Atormentado pela saudade do amor desfeito, pegou a imagem dela em seu coração e colocou-a entre as folhas de seu missal poético.
Tempos mais tarde, ao reler seu poema predileto, virou a página e descobriu-a. Uma imagem sulcada por finas rugas, amarelada na poeira do tempo e que, apenas, exalou um perfume sutil como um suspiro de anjo.
Era uma lembrança desidratada pela dor de se sobreviver à ela.

***

Requinte

Sentia-se inspirado esta noite. Aprontou-se com apuro. O espelho devolveu-lhe a imagem perfeita em black-tie. Com um sorriso sensual, passou a mão pelos cabelos e, cantarolando, desceu as escadarias.
O imenso salão do castelo estava primorosamente arranjado, com flores e velas entre fugazes cortinas e espessos tapetes. A grande mesa ao centro, bem preparada.
Deixou a rubra taça sobre o aparador. Um gole lhe bastava.
Sentou-se no único lugar, a ele destinado, bem em frente à imensa salva de prata ao centro da mesa. E, ajeitando o guardanapo de linho branco, com elegante gesto, destampou-a.
Delicioso aroma flamejou-lhe as narinas. Maravilhou-se com o refinamento do cardápio. Entre perfeitas cerejas, cachos de uva, alguns dourados pêssegos afundados em ninhos de fios de ovos e salpicados fígados de pombos, estava a mais delicada iguaria que já lhe fora servida: esplêndida mulher jazia em repouso, apenas coberta a pele de marfim por seus cabelos de ébano.
Educadamente, secou os lábios de vinho e iniciou o ritual do banquete.
Com sábias mãos, percorreu o macio corpo, sentindo que seu calor atingia, assim, quase a elevada temperatura desejável. Envolveu os seios com mãos conhecedoras. Não resistiu, fugiu a todas as regras de etiqueta: provou-os com leves mordidas. E como a carnuda boca o tentasse também, lambeu-a e explorou-a por dentro.
Ao discreto pigarrear do mordomo que entrava, caiu em si. E, de faces coradas pelo deslize, ou talvez, pelo apetite, com finos gestos, tomou dos talheres de prata.
Abriu-lhe delicadamente o peito e devorou-lhe o coração, com tanta elegância que, sequer um pingo de sangue lhe comprometeu a bem aparada barba azul.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

CELIOMAR CARDOSO DE OLIVEIRA - ENTREVISTA

CELIOMAR CARDOSO DE OLIVEIRA

PEQUENA BIOGRAFIA

Celiomar Cardoso de Oliveira, é carioca nascido no suburbano bairro da Leopoldina, Parada de Lucas. Tem orgulho em fazer parte da SPJ ( Sociedade dos poetas Jandaienses ), onde foi calorosamente acolhido pelo seu presidente, o professor Lourenço Ildefonso da Silva e, pela sua vice-presidente a senhora Maria Índia da Rocha. Como todo menino do subúrbio, do fim dos anos sessenta e início dos anos setenta, o autor teve a felicidade de crescer num bairro onde as pessoas não estavam tão preocupadas com a questão da violência. Com esta preocupação a menos na cabeça, os pais permitiam que suas crianças brincassem livremente com seus amiguinhos nas ruas do bairro e das comunidades carentes. No decorrer dos anos este cenário foi mudando e, as crianças já não desfrutam da mesma liberdade; seus pais temem que elas sejam vítimas das balas perdidas, do aliciamento das suas crianças pelo trafico de drogas... ; o medo se instalou por toda a cidade, principalmente nas comunidades carentes. Falando especificamente do grande Irajá e Leopoldina; as repetidas notícias de violência têm apagado da memória dos seus moradores a bela contribuição cultural legada ao Estado do Rio de Janeiro. Foi a preocupação em resgatar a auto estima dos moradores desta grande região, que levou o autor a escrever o romance “o príncipe de Lucas - dos tupis aos sovietes”.

Meu perfil biográfico : site: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=52243

ENTREVISTA

Celiomar com a escritora Nathália Wigg
SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

CELIOMAR - Além de escrever que não é propriamente um trabalho para mim, pelo imenso prazer que esta atividade me proporciona, eu divido o meu tempo com a telecomunicação e a eletrônica... Estas são as minhas outras atividades as quais também me dão muito prazer... Gosto de tudo o que faço!

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

CELIOMAR - Meu amigo, no Brasil ou você descobre cedo que gosta de literatura ou a sua chance de vir a se interessar por esta nobre arte depois de adulto se torna muito remota... Isto porque, não temos uma cultura séria (nem por parte do governo, nem por parte dos pais e professores) voltada a despertar nas nossas crianças o interesse pela literatura... Portanto, eu como tantos outros, descobri o meu interesse pela literatura ainda bem criança, lendo gibis e tentando rimar alguns versos... O meu primeiro texto, que eu posso realmente chamar de poesia escrevi quando eu tinha 12 anos e se chama "O canto do pássaro engaiolado".

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

CELIOMAR - Bem, eu não sou um escritor novo, mas sou um novo escritor em termos de publicação das minhas obras... Atualmente no Brasil eu tenho um livro publicado e, se chama "O príncipe de Lucas - dos tupis aos sovietes". Este livro está publicado também em forma de e-book, para alcançar pessoas que estejam fora do país... Há ainda um trabalho sendo feito de tradução do mesmo para o idioma russo ou búlgaro ( isso ainda não está decidido). Além deste livro, tenho mais 41 textos que estão publicados em meu site http://celiomarcardoso.wordpress.com/ e também no site recanto das letras http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=52243

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

CELIOMAR - Os poetas somos criaturas dotadas de poderosos censores emocionais... A bem da verdade, todas as pessoas têm capacidade de se emocionar diante de alguns situações alegres ou tristes... Mas, apenas os poetas conseguem traduzir em palavras, belamente rimadas, as suas próprias emoções ou as emoções de outras pessoas que foram canalizadas até ele. Meu amigo, a fonte de tudo o que é belo na literatura é a emoção, misturada ao dom artístico, é claro!... Não há impacto maior que o estado emocional de um artista, para criar a atmosfera necessária capaz de empurrá-lo de encontro a sua criação... Assim, posso dizer que a emoção é a mola propulsora da arte!

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

CELIOMAR - Meu amigo... Eu adoro ler... Leio de tudo... Leio até bula de remédio...
Brincadeiras à parte, eu posso dizer com sinceridade que admiro cada pessoa que dedicou horas do dia ou da noite da sua vida. Abrindo, por um longo período, mão do convívio social com parentes e amigos em prol da realização do seu trabalho, que no final serve de ajuda ou entretenimento a tantos.
Não há nenhuma intenção filosófica nestas minhas palavras... Apenas constatação de fatos!... Contudo, dentre todos, confesso admiração pelos clássicos mestres brasileiros Machado de Assis, Jorge Amado, Aluísio Azevedo... Pelos estrangeiros Feodor Dostoievski, C. J. Koch, Vladmir Nabokov... E pelas minha amigas Regina Lyra, Nathalia Wigg, Francismara Pires.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

CELIOMAR - A que se encontra na página de dedicatória do meu livro. - Todos nós temos ao menos um sonho e o desejo de torná-lo realidade. Muitas vezes o maior empecilho para a realização deste sonho se encontra em nosso interior, por sermos os primeiros a duvidar da nossa própria capacidade. - Portanto amigo, jamais duvide da sua própria capacidade... A luta árdua torna a vitória mais saborosa!

POEMAS

A tua presença

Natural e inspirador é o teu sorriso
Alva tal qual noite de lua cheia
Trazendo no olhar a paz de um anjo
Assim se mostra minha menina
Leva consigo mistérios no coração
Indo ao centro do paraíso
Alerta às graças do espírito
Kümmel de amor para minha razão
Uma vez nascida a natureza encanta
De maneira plena jamais observada
Rica benção de luz e beleza
Inerente à magnitude de tal realeza
Agitas graciosa ondas celestiais
Vislumbre de amor, harmonia e paz.
Tudo em ti é carinho e inspira paixão
Colhes coração com o mel da sedução
Encanto de alma, de amor adornada.
Virtude dum sonho que a faz iluminada
Anjo sedutor de kochetchka disfarçada

Celiomar Cardoso de Oliveira
Publicado no Recanto das Letras em 07/03/2009
Código do texto: T1474689


O caminho dos anjos

Abri meu maior sorriso, não viste, onde estavas?
Nem sempre fui assim, confesso!
Aprendi com os anjos. Como?
Comecei a caminhar em nuvens rosadas, a seguir o caminho dos anjos
Rompi com o improvável... Com o desejar o impossível
Inventei meus próprios sonhos... Minhas realidades
Sobrevivi a dor, qual?... Uma qualquer!
Tente me seguir... Se quiser!
Ir aonde eu for... Entender meus anseios de homem... De mulher!
Nuvens rosadas existem.
Anjos também... Acaso não os consegue ver?
Para seguir-me no caminho das nuvens
Experimente o toque dos anjos
Respire o ar que respiro
Espelhe-se em meus atos... Insanos?... São atos!
Insista no amor... Sorria, não tema!
Reflita também a luz dos anjos
Andar em nuvens rosadas não é mau... Aprendi... Vale a pena!

Celiomar Cardoso de Oliveira
Publicado no Recanto das Letras em 09/05/2009
Código do texto: T1584736


Meu caminho

Faço o meu próprio destino
Caminhando , vivendo
Deixando marcas
Seguindo pegadas
Recolhendo cacos de felicidade
Pelos caminhos espalhados,
Esquecidos, desprezados
Por criaturas fortes, criaturas nobres,
Miseráveis criaturas... criaturas errantes
Que sorriram, que choraram, que viveram...
Simplesmente criaturas !
Com estes cacos
Monto meu próprio mosaico de felicidade
Pura vida , pura arte !
Uma felicidade montada aos pedaços
Retalhada... plena... retalhada
Plenamente retalhada
Uma arte de felicidade...
Uma felicidade meticulosamente montada
Diferente, elaborada... aos pedaços !
Nem por isto feia
Nem por isto triste
Nem por isto incompleta
Por ser felicidade... A melhor que existe
A felicidade que criei
A minha felicidade !

Celiomar Cardoso de Oliveira
Publicado no Recanto das Letras em 09/03/2009
Código do texto: T1477918


Apaixonada

Como poderei reter e sufocar
Dentro do meu peito, ao nascer
Cada grito de alegria e prazer
Que é este desejo louco de te amar?
Quisera poder controlar estas chamas
Que me consomem,
Tornam minhas noites sem fim.
Ah, como entender essa paixão
Sofrendo assim distante,
Sem ao menos ouvi-lo dizer
Que me amas?
Sou nada longe de ti !
Fico abatida, perco-me, vago por aí
Sem rumo, sem objetivo, sem horizonte.
Transformo- me em nômade, um ser errante
Veja meus dias, não mais são como os d’antes
Imploro-te !
Permita-me ouvir da tua voz doce
O convite
Para ficarmos juntos por toda noite
A tornarmos a ser
Os mais apaixonados amantes.

Celiomar Cardoso de Oliveira
Publicado no Recanto das Letras em 08/03/2009
Código do texto: T1475690


Desejos

Quisera... Ah, quem dera !
Nas manhãs floridas da primavera
Adornar teus cabelos com as flores do paraíso
Ah... Quem dera
Ao sol do meio dia contemplar
Todo o esplendor do teu encantador sorriso
Quisera ... Ah , quem dera !
Poder fixar-me às meninas dos teus olhos
Quando distraída imaginas minh’alma
Ah ... Quem dera
O provar do mel da tua boca
Seja-me tão real quanto o sorriso que o adorna
Quisera ... Ah , quem dera !
Embalar-me no colar atado a teu pescoço
Ser pingente, e entre teus seios repousar
Guardião da sorte em teu colo,
Sonhos de moço, desejos de homem,
Anseios de bebê a acalentar
Quisera ... Ah , quem dera !
Ser o solo em que pisas, e a teus pés proteger
Guia-la pelas mãos, e dos males a guardar
Pintar o mundo nas cores que te dá prazer
Ser o ar que respiras, e a teu interior habitar
Quisera ... Ah , quem dera !
Ser o espelho a tua linda figura refletir
Poder em suas generosas curvas deslizar
Achar abrigo em tuas coxas, fazê-la sorrir
Tomar teu corpo por inteiro...
Gozar... amar
Quisera ... Ah , quem dera !

sábado, 19 de dezembro de 2009

YONNE SANTIAGO - ENTREVISTA

YONNE SANTIAGO

BIOGRAFIA

Yonne Santiago Carneiro, Yonne Santiago, pseudônimos: Anita / Medeiros Albuquerque / Duda Lee. Radialista, escritora, produtora de eventos, divulgadora, copy-deskista e revisora, articuladora cultural. Nascida em Sampa a 07 / 04 / 1958. Registrada na U.B.E. (União Brasileira de Escritores - sócia nº 1854). Mora em Campo Limpo Paulista desde 1990.
Publicações: “Tesão Tecido em Poesia e Algodão” ( 82 / 83 ) – livro de poesia feito em tecido, edição do Autor, 3 tiragens ( 200 ex-libris no 1o Festival Nacional das Mulheres nas Artes / BR; 1000 exemplares lançamento oficial no Sesc-Fábrica Pompéia / SP e 500 exemplares para relançamento em outras cidades e estados como Santos, Rio de Janeiro, etc.)
Carona de Poesia nos livros: “Fêmea” de Nano, SP; “Respeitável Público”, 2a. ed., de Leila Míccolis, RJ; Antologia Internacional “First Poetry Year Book”, by Teresinka Pereira, Universidade do Colorado / EUA; “Forte Silêncio” de Saulo Mendonça, PB ( 2a. edição, poema de abertura ); contos publicados em revistas de circulação nacional; poesias publicadas em livros e jornais alternativos, no Brasil, Argentina, etc.

Alguns prêmios e participações: poema classificado, no 1º Concurso Vinícius de Morais de Poesia, publicado em antologia, SP, 1983, com o poema “7 Palavras”; medalha de bronze no Concurso de Poesia Falada, em São Lourenço, MG, 1984, com a poesia “Sintonia” que, por volta de 1990, teve seus direitos de uso adquiridos pelo neurolingüista prof. dr. Lair Ribeiro, no curso Sintonia; participações no Mapa Cultural Paulista, categoria Literatura – modalidade Poesia – Menção Honrosa na Fase Regional, 1999; categoria Literatura – modalidade Conto – Menção Honrosa na Fase Regional, 2001; categoria Literatura – modalidade Poesia – Premiada com o 3º Lugar na final da Fase Estadual, 2005 / 2006.

Atualmente possui textos on-line nos sites: www.blocosonline.com.br ( portal de literatura brasileira da escritora Leila Míccolis ); http://www.regina.celia.nom.br/yonne_anita.1.htm; www.sonetos.rg3.net ( nos links de poetas consagrados e de poemas eróticos ), http://www.yonnesantiago.blogspot.com; etc. Entre outros projetos, estão em preparo um e-book e/ou estante-contos – o infantil “Faz de Conta”, ilustrado por Lucy Attarian Cardoso e arte-finalizado por Anne/Nibelunga; e, o livro “Vestindo Sensações”, coletânea de poesia, crônicas e contos.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

YONNE SANTIAGO - Atualmente, e isso há alguns anos, estou vivendo um papel invertido, pois mais tenho exercido outras atividades do que propriamente escrito; sou revisora de textos em geral (entre literários e acadêmicos), o que inclui copydesk, formatação, análise, etc.; e, ainda, trabalho no serviço público em atividades culturais diversas, embora sempre tenha uma relação com o ato de escrever, ler, produzir cultura, o que me toma um tempo considerável.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

YONNE SANTIAGO - Aprendi a ler aos quatro anos de idade, começando por jornais e logo me interessando por livros, incentivada de início por meus pais, e assim, o interesse se manteve até hoje.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

YONNE SANTIAGO - Livro mesmo, por enquanto só publiquei um, produção independente, feito em pano, “Tesão Tecido em Poesia e Algodão”, e várias publicações esparsas (poesia, conto, crônica) em jornais, revistas, antologias e caronas poéticas, no Brasil, EUA e alguns países da América do Sul, além de textos on-line publicados em sites e blogs literários. Tenho alguns trabalhos preparados para publicação (um infantil, “Faz de Conta”; uma coletânea de escritos (contos, poesias, crônicas), “Vestindo Sensações”; dois romances inacabados, enfim, precisava de um dia de 72 horas para conseguir organizar melhor a produção e me dedicar mais à inspiração, pois as atividades como revisora e produtora cultural, embora tenham um lado prazeroso, exigem um tempo cerebral muito intenso e longo, além de prazos a cumprir, o que não consegui conciliar ainda como gostaria, para me dedicar mais à atividade da escrita. Tenho produzido, sim, mas pouco, quando comparo com outros tempos, e confesso, me faz falta produzir mais.

SELMO VASCONCELLOS -Qual(is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura?

YONNE SANTIAGO - Isso é muito variado. Exemplificando: meu filho certa vez me cobrou que eu ainda não havia escrito uma poesia pra ele: pronto, foi o meu start; vi, de outras feitas, anúncios de concursos literários, com temáticas que me interessavam desenvolver: pronto, fiz poesia, conto, crônica e participei; lendo um livro de curiosidades, me detive no significado emblemático das flores: isso me inspirou a escrever uma poesia; estar em contemplação na natureza, estar triste ou alegre, também me motivam a escrever; são situações variadas, além dos insights incontroláveis de inspiração, pura e simplesmente.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

YONNE SANTIAGO - Ah, são vários. Os que me tocam muito, entre os consagrados, entre vivos e os que já partiram dessa, em primeiro lugar Clarice Lispector; seguem-se Mário Quintana, Cecília Meireles, Drummond, Érico Veríssimo, Manuel Bandeira, Cláudio Willer, Leila Míccolis, Thereza Christina Rocque da Motta, Cairo Trindade, Reca Polletti, Ulisses Tavares, e muitos outros em uma ou outra obra específica publicada. Dos estrangeiros também são muitos, mas de momento me vêm Gérard de Nerval, Fernando Pessoa, André-Compte Sponville, Somerset Maugham, Arthur Rimbaud, Bertrand Russell, Roland Barthes, enfim, gosto de muita coisa, e de muitos autores e estilos e categorias, esses me vieram à mente agora.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

YONNE SANTIAGO - Leiam muito. Aprendam e apreendam nossa fantástica e linda língua portuguesa, o que, com a leitura, ajuda muito a aperfeiçoar; estudem, pelo menos até o ponto onde o ser humano atinge um desenvolvimento cerebral considerável para a formação do entendimento e desenvolver o espírito crítico analítico. Isso propicia o discernimento para futuras escolhas, em qualquer atividade que venha a apreciar para suas vidas, inclusive, a de escrever e poetar.

POEMAS

Sintonia

Estar sempre perto das invenções.
Gostar das coisas impossíveis e
Estar sempre aqui e agora.
Fertilizar corações
Adubar as razões
Amar as sementes e
Semear raízes caules folhas flores e frutos.
Solfejar palavras e gritar canções.
Lamber os dias as noites os sóis as luas
Varrer calçadas e ruas
Sonhar a vida e a morte
Romper os laços de azar e sorte
Vacinar todas as intrigas
Sorrir em paz a paz
Ironizar as brigas
Fermentar anseios e
Idolatrar as mãos amigas
Cismar as mesmas encimesmações
Renovar os foliões e
Perfurar atrizes nos seus atos mais tácitos ou sublimes.
Enfeitar as fantasias com seus crimes
Enfeitiçar feitiços alucinantes
Alucinar os céus mais deslumbrantes
E deslumbrar os ais
Dos pensamentos mais fulgurantes
Vencer os invencíveis medos em todos os instantes e
Amar amores... os mais significantes ...
Pois que todos são...
E estar sempre por perto nas horas das invenções.
. . . . . . .

Medalha de bronze no Concurso de Poesia Falada, em São Lourenço, MG, 1984, com a poesia “Sintonia” que, por volta de 1990, teve seus direitos de uso adquiridos pelo neurolingüista prof. dr. Lair Ribeiro, no curso Sintonia; participação no Mapa Cultural Paulista, categoria Literatura – Poesia – Menção Honrosa na Fase Regional, 1999


DIÁRIO DE UM ARCO-ÍRIS

Segunda-feira

Acordei com Drummond na cabeça.
Os ouvidos passarelavam, num silêncio: pra-lá-pra-cá,
e era o silêncio dos olhos que lhes dava a direção do som que,
de alguma forma poética, existia.
É possível que Bandeira fosse meu convidado pro café-com-pão.
Não me lembro. Esta breve lembrança já anoitecia.

Terça

Amanheci. E olhei paredes como primeiro ato;
talvez, brechtiniano.
Alguns sonhos aí se iniciavam: !parto do renascer!
E me senti feliz pelo "power-flower" do reinício.
Redundância e aquiescência do estar vivo.
Chovia na minha cabeça, água de verão
gostosa de banhar, até meu pulo "up".
Será isso o desejo do anoitecer? Mas, não sei.
Tenho insônia pois perdi um Rimbaud.

Quarta-feira

O telefone me abre os olhos e um sorriso.
Canto o reencontro vindo da sincronia; puro fato do existir.
Sublimei o primeiro ‘allegro’ da manhã, calçando as sapatilhas,
e já Satie me chamava pra dançar.
Alguns passos começamos a rabiscar no assoalho,
leve movimento adiado pela hora.
Já era tarde. Já é noite. "Nessun dorma".

Quinta e Sexta

Talvez sábado ou quem sabe domingo eu poderei refletir
essas quarenta e oito horas que ainda passarão.
Por mim. Em mim. Comigo.
Fizemos um pacto de recordação:
Sem falta. Ao crepúsculo. Ouço Bach.

Sábado e Domingo

Cumpri o número mágico ‘once more’, vez mais:
Namorei os Discursos Amorosos com meus olhos
e os Baobás com minhas mãos.
Missão curtida. Tão plena. Tão bela. Sagrada.
Russel e Clarice dormem comigo.

Yonne Santiago, 17/04/83


COMPROMISSO

Marquei com a palavra
às 22 horas.
Pedi que fosse pontual.
Mazela!:
Ela não veio.

Combinei com a frase
às vinte e duas e quinze.
Implorei que viesse.
Veio não. Foice:
e cortou a crase.

Convidei a sentença então:
- "Às dez e trinta.”
Fiquei só e inconsolável:
Acabou a tinta.

O Parágrafo me chamou
ao som das onze horas.
Britânico. Tirânico.
Na aurora, me consumou.

Yonne Santiago, 02/03/01


"Cegueira da Visão Florida"

Yonne Santiago, ago/2001

Vemos tudo e somos cegos
Santa teimosia!
Hortênsias nos enganam (caprichos)
Perdeu-se a primazia!
Ametístea ou Acônito? (confiança ou desconfiança)
É o Cardo da fantasia. (desgosto)

Temos Mil-Folhas no peito (coração cicatrizado)
Murta que resiste (coração forte)
e como Lírio, insiste (coração terno)
em ser Jacinto, refeito (coração alegre)

Nos fatos, surgiu Heliotrópio (aproximação)
Qual Lírio, Branco! - se iludia (pureza)
Botão-de-ouro! Esse malbendito ópio, (alegria)
Balsamina e Maravilha trazia. (fragilidade e tristeza)

Açafrão e Martírio? Malva. (incerteza, dor, penas)
Adônis chega e nos condena: (desgosto de amor)
Cravo-da-Índia, a nossa pena. (separação)
Adeus, Manjerona alva! (formosura)

Havia de mim Artemísia, havia Alfazema (fidelidade, carinho, respeito)
Angélica-dos-jardins despertava (inspiração)
(Eram em mim Bola-de-neve), (era Anis, era Anis!) (orgulho, promessa)
E com Begônia e Boa-noite eu amava (cordialidade, discrição)

(Embora também houvesse
Cravos e Orquídeas (ardor, ardor)
e os arroubos de um Jasmim, (amor voluptuoso)
quebrou-se Madressilva (laço)
quedou-se a Camomila (ligação afetuosa)
diante de Narciso (egoísmo, vaidade)
e Papoula se instalou (fraco ardor)
e Dália, disto, aconteceu (reconhecimento)
apagando o Girassol) (fascinação)

Camélia e Lírio-dos-Vales! (altivez, garridice)
Em mim, com Macela, se fez firmar (bravura)
Ah! eu Margarida, eu Margarida-dos-prados! (aspiração, coração simples)
Tinha um Amor-Perfeito pra lhe dar (pensamento afetuoso)

Mas faltou Mimosa em você e tudo se esfacelou (segurança)
E Perpétua, eis!, o que pôde sobrar como Hortelã (eterna saudade, memória)
Nem de mim, muito ficou, nem Miosótis (fiel recordação)
Nem o gosto da Lilás, que seria como um afã (amizade)

E uma Tulipa eu faço: (declaração)
Há uma Violeta que se aproxima (amor oculto)
E como Rosa me refaço (amor)
Tenho no peito agora um Alecrim (coração feliz)
Benzadeus este fim.


CHEIA DE NADA

Nada mais é meu.
nem as horas tenebrosas do acordar.
Nada mais.
nem afeto, desfeito,
neste instante-desfeito.
Nada mais.
nem a sequidão dos sonhos! – quem dirá eles! –
Sim.
Nada tenho de meu.
Ah! E ‘como’ precisava ter!

Nada, nada mais tenho.
nem um sabor tóxico qualquer.
nada.
nem uma vontade desejosa sequer.
nem desespero tenho de meu
nem por empréstimo o tenho.
Nada.

Um nada está a me perseguir
e mesmo esse nada
está decidido a desistir
para que nem isso eu tenha.

Nada mais é meu.
nem o terror das horas inúteis
nem o temor das horas vazias
Graça não há que me seja mais.

Desisto antes, do nada,
antes que ele, de mim desista.
mas até pra isso já é tarde.
nem esse abismado poder tenho mais.
Sim.
Estou cheia de nada, de nadas.
Absolutamente vazia por isto.

Nada mais é meu.
nem tudo o que não sinto é meu.
Ah! essa falta de poder.
Ah! este vazio poderoso que me toma
e domina tudo de mim.

Nem uma palavra, nem uma
sentença,
nem de vida, nem de morte.

nem um cheiro, acre ou doce,
sob o travesseiro
ficou de meu.
nem um sonho obsoleto ficou,
Nenhuma alegria emersa
nem tristeza imersa ou submersa
nada. nem isso.

Nada, nada mais tenho de meu.
nem os olhos do imaginar
Minha angústia é praça de
taba exterminada.

Cegos e loucos são os dias que me cercam.
E não me pertencem, por certo.
Nem as noites há como ver.
Escuridão intensa reluzente.
Só essa luz incômoda,
mostrando que nada mais é meu.
nem essa lágrima densa de cristal, petrificada
que teima em escorrer;
nem um pedaço dessa gota é meu.
Eis a dor de nada ter.
nem de ter como deter essa dor. Nem isso.

Não há mais nada de meu.

Yonne Santiago, 01/03/01

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

FABIANA BARROS - ENTREVISTA

FABIANA BARROS

PEQUENA BIOGRAFIA

Fabiana Barros é baiana, nascida na cidade de Salvador. É jornalista, atriz e escritora. Atuou no Domingão do Faustão, no programa Linha Direta, além de comerciais para tv e peças teatrais. Escreveu roteiros para televisão e cinema, as comédias Intimidade Violada e Rotina e os musicais infantis A Menina e o Beija-flor e O Menino Azul e a Rosa Falante, entre outros textos para teatro. É autora dos livros Contos & Encontros, As Aventuras de Lolly, a Menina de Cabelos Azulados, Os Permitinhos, O vôo de Bernardo, Os Tesouros de Kalina, 1,2,3... Obrigado e O Príncipe Que Queria Ser Sapo, O mundo mágico de Troglozinho e Os tesouros de Kalina traduzido, recentemente, para a língua inglesa. A menina que colhia SORRISOS que será lançado em 2010.

Participou dos livros Retratos de Mãe e Contemporaneidade. É colaboradora do Jornal Alto Madeira, página literária impressa e semanal Lítero-Cultural, na cidade de Porto Velho-RO. É colunista do jornal A Tribuna On-Line de Belo Horizonte, do Jornal Ecos, da Comunidade Maytê, do Roteiro de Lavras, do Arte Cult, do Casar On-Line, da revista Sinceridade e, também, do site da escritora Vânia Moreira Diniz.

Fabiana ministra palestras em escolas e universidades de todo o Brasil, onde compartilha, com as crianças e professores, a magia do seu processo de criativo e fala sobre a importância da leitura, dos livros para a formação de uma criança, de um cidadão.

A escritora também participou, recentemente, da Bienal do Livro de Salvador e Olinda.

A escritora baiana foi uma das palestrantes da Semana de Letras promovida pela Universidade Estácio de Sá do Rio de Janeiro. O título da palestra foi O Processo Criativo do Escritor, onde as histórias começam...

Fabiana deu uma palestra O Poder das Palavras na UNIVASF, Universidade do São Francisco, onde dividiu com os alunos do curso da terceira idade a força que os vocábulos podem ter de acordo com o seu uso e entonação.

A autora ganhou, em 2006, medalha de prata como contista no Concurso Nacional de Literatura promovido pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias- ABEPL.
Todas os livros de Fabiana Barros são educativos, falam de respeito a natureza, aos mais velhos, sobre higiene, boa alimentação, necessidade da prática de esportes e importância da família e amigos na vida das crianças, entre outros assuntos.

Fabiana Barros esteve recentemente na livraria Saraiva do Salvador Shopping, em sua cidade natal, para contar histórias para adultos e crianças. O grande objetivo da autora é despertar nos leitores entusiasmo pela vida.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

FABIANA BARROS - Dou aula em uma escola e faço palestras educativas.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

FABIANA BARROS - Meu pai me incentivou muito a ler. Ele me dava muitos livros, quando eu ainda era criança, e esta convivência com a Literatura despertou em mim uma VONTADE de traduzir meu mundo colorido e repleto de fantasia para as folhas de papel. Comecei escrevendo poesias e continuei minha jornada literária a aqui estou.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

FABIANA BARROS :

Contos e Encontros,
As aventuras de Lolly a menina de cabelos,
Os Permitinhos,
O vôo de Bernardo,
A fábula de vovô Cacanti,
1,2,3...Obrigado!
O príncipe que queria ser sapo,
O mundo mágico de Troglozinho e
Os tesouros de Kalina traduzido, recentemente, para a língua inglesa.
A menina que colhia SORRISOS que será lançado em 2010.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

FABIANA BARROS - Acredito MUITO no PODER de transformação que a Literatura tem e que ela pode ampliar o ângulo de percepção e sensibilidade do leitor, da criança. Ler é a melhor maneira de creSCER...

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

FABIANA BARROS - Clarice Lispector, Nélida Pinõn, Voltaire, Sêneca, Bertrand Russell, Baltasar Gracian, Irmãos Grimm, Sócrates, entre outros. São os meus preferidos.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

FABIANA BARROS - Ler muito e exercitar a sensibilidade olhando o mundo que os cerca, a natureza e todas suas riquezas e LIÇÕES. Assistir bons filmes, cultivar VALORES, pois somente assim poderão colocar, na folha de papel ou na tela de um computador, EMOÇÃO e SENTIMENTOS. Histórias que sensibilizarão os leitores, outros olhos e corações. Foco e persistência são dois ingredientes que não podem faltar também. ACREDITAR nos SONHOS sempre...

CONTOS

Conto infantil - Mundos e Sonhos

Quem um dia não sonhou com castelos encantados, livros mágicos e em ser um príncipe ou uma princesa?
A magia e o encantamento do mundo da fantasia colorem o imaginário de qualquer criança. E exercer a infância é continuar colorindo, com entusiasmo e esperança, a vida, a realidade.
A verdade de quem cria contos de fadas não se limita ao que é palpável, ao que se pode tocar com as mãos. Criar é encantar os sentidos com palavras. É aguçar a vontade de ler sem parar e de imaginar que além da linha do horizonte moram fadas e duendes. Seres mitológicos que adultos e crianças imaginam viver e exercer a arte da FELICIDADE. Ter coragem de se aventurar pelos caminhos mágicos da literatura faz de qualquer leitor, um herói, um eterno SONHADOR.

Sonhe a qualquer hora do dia e, quando as estrelas sorrirem para você no céu, devolva o mesmo sorriso com alegria, pois sorrindo para o espelho da vida ela te devolverá somente sorrisos e fantasias.

A arte de educar olhando nos olhos de uma criança

Como educar uma criança num mundo tão contraditório? Esta frase parece corriqueira demais? Quantas questões estão neste momento causando tormento e aflição nos educadores e pais? Vamos tentar respondê-las juntos?
Era uma vez um menino chamado Alexandre. Ele vivia triste, dormia em todas as aulas e quando despertava era para fazer bagunça e confusão. Na verdade o que Alexandre queria era chamar a atenção e mostrar para todos que ele estava vivo. Viver de improviso ele sabia muito. A professora não sabia como agir. Reclamava com ele, tirava o recreio, abaixava as notas e nada. Um belo dia, ao despertar em casa, Cecília ouviu uma voz que ela chamou de intuição que disse:
- O amor é o melhor e mais curto caminho para chegar ao coração de alguém. Tente olhar nos olhos do menino e encontrará o caminho.
Cecília ficou pensativa e resolveu ouvir a tal voz que fez a revelação. Foi para a escola mais cedo e ao chegar lá fez o que nunca antes tinha feito. Cumprimentou Alexandre primeiro, antes de falar com qualquer outro aluno, olhou nos olhos dele e disse com voz firme:
- Eu amo você, Alexandre e acredito em tudo que você faz.
O menino ficou com a boca aberta, os olhos brilhando e arregalados por alguns instantes que pareciam a eternidade e sorriu docemente. Deste dia em diante, Alexandre mudou de comportamento. Foi estimulado frequentemente com palavras de incentivo e confiança e passou a dançar a dança dos vitoriosos, dos que confiam na arte da vida e, acima de tudo, em si mesmo. As notas subiram, o comportamento mudou e o sorriso continuou colorindo e enfeitando o rosto de Alexandre como um enfeite, um adorno de Natal.
Invista no seu filho, no seu vizinho, nos seus amigos. Compartilhe amor e fé, sorrisos e ternura e faça deste mundo um lugar mais humanizado e FELIZ.

Pintando retratos...

O homem está sempre tentando pintar retratos de si mesmo, retocar a maquiagem, exagerar nos detalhes que, às vezes, fazem a diferença. Cobrir uma essência de uma magia que nem sempre é permitida e aceita por olhos alheios. Quantos medos e receios cobertos de desejos secretos... Ser discreto nem sempre é bom, talvez o melhor seja deixar registrado uma marca, um rastro, atitudes e vontades, como numa corrida em busca de um sonho, de uma fantasia, de uma ou mais verdades...
O ser humano consegue descobrir sua HUMANIDADE quando pratica uma felicidade espontânea, sem cifras, sem regras. Ela acontece, ela rejuvenesce, mesmo quando temos apenas 100 anos. O tempo somente respeita quem não se escraviza, quem não se curva diante dele. Quando o homem esquece a idade que tem e deixa de contar os anos que passam na sua frente é sinal que ele passou a viver de verdade, a provar sua humanidade em goles intensos. (A INTENSIDADE). Esta sim é uma qualidade que as pessoas não podem e nem devem perder durante a vida, mas se isto acontecer, volte e repita tudo de novo. Embora nada seja igual ao que foi antes, mas tentar é uma arte, uma vitória que colore a memória com devaneios e sonhos no meio da noite.
A beleza da vida e do momento que cada um vivi está no olhar, na maneira que o observador absorve seus instantes. Praticar a HUMANIDADE é o caminho mais curto para conhecer a tão cobiçada face da felicidade. Uns dizem que ela parece uma menina de oito anos, cheia de vida e cores, outros cochicham, como se fosse um segredo de Estado, que ela é furtiva, sorrateira e surpreendente e, os mais criativos e medrosos revelam, no cair da tarde, que ela tem muitos dentes e que sempre surpreende quem a procura. Coisas da vida, de uma curta viagem para os mais pessimistas e uma longa passagem para quem tem coragem de despi-la.
Filosofar, cortar quiabos ao amanhecer do dia, ouvir Beethoven e escrever versos e poesias é como viver duas vezes em apenas uma vida.
Uma brisa tocou o rosto do menino agora, quando ele ainda pensava ser uma semente. Ele mostrou os dentes e congelou risos, fantasias e uma vontade, um desejo de continuar sendo somente aquele minuto que agora já é passado. O tempo passa e congela retratos, primaveras, quimeras, olhares... Todo poema deveria ter tempo de validade, talvez assim o homem fosse capaz de compreender e absorver toda a emoção que o poeta quis dizer. Mas a vida também tem prazo de validade e os homens, até hoje, se prendem a detalhes tão fugazes, a preconceitos que cerceiam qualquer direito a liberdade. A liberdade da alma, aquela que sopra como a brisa, na beira do mar, levando e trazendo as ondas que vão banhar o corpo de um homem jovem. E, também, de um velho pescador que nem nos momentos de dor deixou de ter FÉ no dia seguinte...
Somos o que somos, porque imaginamos que um dia poderíamos SER. E só seremos mais do que somos hoje se carregarmos no bolso da alma e do coração uma canção para embalar as dores e os SORRISOS que ainda virão.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

EURÍDICE HESPANHOL - ENTREVISTA

EURÍDICE HESPANHOL

PEQUENA BIOGRAFIA

Eurídice Hespanhol - Mãe, professora, escritora. Natural de Santa Maria Madalerna. Possui premiações em poesia e contos, ativista cultural, fundadora e coordenadora do Movimento Poetas sem Fronteiras (prêmio ALAP de cultura 2008) e coordenadora dos Salões poéticos da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), quatro edições por ano, quatro anos de poesia. Trabalhos publicados em diversas antologias, autora do livro Lírios no Deserto, poesias, Oficina Editores ( lançado na Bienal 2009). Membro da UBE(União Brasileira de escritores), SEERJ(Sindicato dos escritores do Rio de Janeiro) e APPERJ(Associação profissional de poetas do Rio de Janeiro).
PRÊMIOS E DISTINÇÕES

1975 – Prêmio de Melhor Intérprete do III Festival de Poesia Falada De Santa Maria Madalena
1977- Prêmio III Concurso Madalense de Trovas – Tema sonho – Menção Honrosa.
1978 – Melhor poema do VI Festival de Poesia Falada de Santa Maria Madalena
1979- Terceiro melhor poema do Concurso nacional de poesia Sacra do Município de Cordeiro - RJ
1979 – Poema Classificado entre os dez melhores do VII Festival de Poesia Falada de Santa Maria Madalena.
Prêmio 2º lugar Concurso Nacional de Contos da Associação Atlética Banco do Brasil.- 1990-
Vencedor do Concurso Nacional de Poesia com estribilho da Associação Atlética Banco do Brasil –1990.
Segundo Lugar de Poesia no I Concurso nacional de Poesia da Associação Atlética banco do Brasil.- 1991
2004 - Diploma de Honra ao Mérito concedido pela Prefeitura Municipal de Santa Maria Madalena por serviços prestados a cultura e a arte daquele Município.-
2004 -Segundo melhor poema IV Festival de Poesia do Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro –
2005 - Menção Honrosa no V Festival de Poesia do SEERJ (Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro)
2005 - Menção Honrosa no X Concurso nacional de Poesia Francisco Igrejas promovido pela APPERJ (Associação Profissional no Estado do rio de janeiro. –
2007 -Segundo melhor poema do XII Concurso Nacional Francisco Igrejas.-
2007 - Prêmio de Interpretação do XII Concurso Nacional de Poesia Francisco Igrejas –
2007 -Troféu Francisco Igrejas de melhor Apperjiano classificado no Concurso.
2007 - Apresentação realizada na Primeira semana de Letras da Universidade Estácio de Sá, Campus Jacarepaguá sobre Pierre Menard, O Autor de Quixote, Jorge Luiz Borges e A Igreja do Diabo, Machado de Assis (Literatura comparada).

TRABALHOS ENVOLVENDO POESIA

1978 – Participou da equipe de Fundação da Seção da União Brasileira de Trovadores em Santa Maria Madalena.
2006 - Idealizou, projetou, coordena e apresenta os Salões poéticos da Associação Atlética Banco do Brasil –. Lagoa -(quatro edições por ano).
2007 - Idealizou organizou equipe, é fundadora e Diretora Geral do Movimento “Poetas sem Fronteiras” no Recreio dos Bandeirantes ( vencedor do Prêmio ALAP de cultura 2008).
2007 – 2008 -Autora dos projetos Poesia não tem idade, tem identidade e Livro de passaporte, realizados nos Salões Poéticos da AABB

Coletâneas e outros veículos onde estão publicado alguns trabalhos

Antologia de Poetas Madalenenses – 2001-
Coletânea do IV Festival de poesia do SEERJ-
Agenda Literária Anima - 2007-10-03
Perfil 2005 – APPERJ-
Perfil 2007 – APPERJ
Oficina Editores – 20 anos – APPERJ – 2005 –
Coletânea do V Festival de Poesia do SEERJ.
2008 - Agenda Literária Alucinante.
Coletânea Oficina Editores – caderno de poesia 33 – lançado na Bienal do livro 2007.
Coletânea do Movimento POVEB (Poesia, você está na barra). 2007 e 2008.
2009 - Antologia “O melhor da Bienal”
2009 – Agenda Literária “A pequena notável” - Oficina
Lírios no deserto – poesias – 86 p., Oficina Editores, Lançamento na Bienal 2009.

www.apperj.com.br/xt
http://www.letrados.zip.net
www.aabb-rio.com.br/revista
http://www.rondoniaovivo.com
http://www.midiaindependente.org
www.revistamalabia.com.ar/web
http://www.versoseacordes.blogspot.com
http://www.senha-proibida.spaces.live.com
www.oswaldogalotti.com.br/materias/read
www.overmundo.com.br/imprime_overblog
www.desfolhar.com/desfolhar01/equipe.html
http://orebate-selmovasconcellos.blogspot.com
www.joaodorio.com/Arquivo/2004/10.11/poetica.htm

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

EURÍDICE HESPANHOL - Sou mãe, professora e pratico o ato de incentivar pessoas a escreverem poesia.
Tenho alguns projetos de incentivo à criação Literária em andamento e outros já em execução.
Ah! Responder a entrevistas de amigos queridos como Selmo Vasconcelos, a quem agradeço sem parâmetros e “Sem Fronteiras”.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

EURÍDICE HESPANHOL - Não sei responder isso, escrever para mim é como ter um bicho ARTEiro que mora no íntimo do pensamento e luta vez por outra para sair pelos poros, além de dizer que poesia é transpiração amorosa...
Só me lembro de um poema que escrevi aos dez anos, mostrei pro meu pai e ele achou que eu tinha copiado de algum lugar. Fiquei triste e como ele morreu muito cedo, nunca perguntei a ele se ainda achava aquilo a meu respeito.
No meu orkut tem uma fotografia de quando ainda era muito pequena, falando poesia na escola, na minha querida terra de Santa Maria Madalena. (Esta em preto e branco que mandei no anexo).

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

EURÍDICE HESPANHOL - Tenho um livro publicado, poesias, Lírios no deserto, editado pela Oficina Editores. Lançado este ano na Bienal-Rio, onde tive a honra de ter o meu amigo Selmo no lançamento.
Participei de várias antologias e coletâneas.
Sempre adiei uma publicação solo, devo possuir material para, nem sei, alguns livros.
Gosto muito de colocar meus poemas na liberdade das rodadas poéticas dos Saraus do Rio. O poema falado exerce na estética da recepção, o papel de cobrir a carência do leitor de poesia.
O mercado editorial está para o poeta, assim como uma camisaria para vender peixes, é quase nulo.
Nos Saraus que coordeno, abrimos sempre espaço para autores alternativos. Somos abusados e teimosos, sonhadores e insanos. Mas escrever é a insanidade que me confere a lucidez das horas... (também digo isto no meu livro).

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura?

EURÍDICE HESPANHOL - Os impactos são os acontecimentos que invadem a alma do escritor. Desde um simples pássaro que pousa frente aos olhos até um fato que acomete a humanidade.
A Literatura é a voz de todos os sentimentos: da dor, da alegria, da busca, do encontro. É o sangue que corre na alma dos sonhadores e a agonia dos homens sangrando nos momentos de extrema realidade.
A literatura é o pulso e o não pulso, a morte e a vida, o renascimento sucessivo onde a palavra é retrato dos olhares do mundo e o escritor, o bom ladrão, o corruptor de si mesmo e dos incautos, sempre atento às visões de todos.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

EURÍDICE HESPANHOL - Mário Quintana, Manoel Bandeira, Neruda, Saramago, Gabriel Garcia Márquez, Cecília Meireles, Clarisse Lispector, Auta de Souza (apesar dos sonetos de tristeza), Willian Black (toda sua lucidez...), Florbela( todo seu amor, toda busca amorosa que seus versos fotografaram) e outras e outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

EURÍDICE HESPANHOL - Eu não me considero poeta, digo isto no meu livro, sou ladra das horas e das imagens. Prefiro ser isto...
É menos pesado, ser poeta deve ser muito pesado, muito pomposo e por vezes, sem graça...
Tenho este poema que fala sobre o que eu gostaria de dizer para quem pretende escrever poesia (nele eu digo para serem poetas. A palavra poeta, no contexto destes versos é a única que causaria o efeito que eu buscava. Mas, antes digo, é opção e escolha, ok?).
Escrever é preciso.

POEMAS

Escreva

Escreva um verso de amor,
escreva!
Invente poesia
Pra saudar o dia.
Cante sonetos,
mesmo que quebrados.
Seja Poeta doce ou alucinado,
lírico ou errante.
Ame,
de amor fugaz ou eterno.
Escreva!
Viaje aos reinos dos céus
ou desça aos porões do inferno,
mas seja Poeta!
Nunca desista do sonho.
Delire,
delírios de versos loucos,
misturados a amores insanos,
santos, bobos ou profanos.
Cante em versos,
qualquer que seja o canto.
Cante ao sol, à lua, ao vento.
Viva poesia,
da manhã suspirosa
à lágrima da tarde,
ao amor no final do dia.
Escreva!
Sobre o pão que alimenta,
sobre a água que dessedenta
e toda Santa Ceia!
Seja poeta sem medo!
Poeta de sorrisos,
poeta de dor,
poeta de paixões.
Ser poeta é parar o tempo
e decifrar na palavra,
a pressa do pensamento
no sopro da criação!

In metas palavras

Satisfação

Eu almoço sonetos,
de sobremesa uma trova.
Bebo tercetos,
lancho Haicais.
Derramo na xícara,
rimas de sonhos...
Sinto no rosto
a brisa leve de um
dodecassílabo inusitado...
Aborto todas as métricas,
dissimulo réplicas...
E à noite,
embriago-me,
com todos os goles
de versos livres,
da forma mais sã.

Porque poesia,
tem que ter todo dia
e ainda sobrar pro café da manhã

Eurídice Hespanhol
Editado no Livro Lírios no Deserto.

Eterna infância

Existe um mundo colorido,
na sola de nossas sandálias.
Um parque de aventuras,
eternamente preso a nossos sonhos.
Há um carrossel de felicidades,
nos portais de cada sala.
Uma porta aberta,
para entrar a paz.
Mora em nosso quarto,
a alegria da busca
e um alento livre,
no colo da cada mãe.

Nos olhos,
um horizonte:
doces aventuras...
Na alma,
uma criança solta,
entre nossas travessuras.
Na rua, uma bola
e um chão de estrelas.
No portão, um novo amigo
e um invento raro.
Na manhã,
beijos de sol
para um amor antigo.
E à tarde,
uma canção de amor
para um encontro caro...

Em sol para a vida.
Poema editado na Agenda Nexus,
Oficina Editores - 2008.

Liberdade

Liberdade é o mar que beija a areia,
O céu livre em espaço triunfal
A noite plena de estrelas, a lua derradeira,
O dia imenso de luz, o toque divinal

Liberdade é um sonho SEM FRONTEIRAS,
Um coração que pulsa, vibrando de emoção
Um amor intenso, rompendo barreiras,
vencendo os limites do próprio coração.

Liberdade é o amor que renuncia,
Em benefício de um outro amor igual
Um gesto simples que abafa o egoísmo,
Apaga o ódio, perdoa todo o mal.

Liberdade é enxergar além dos olhos,
Olhar o mundo com total compreensão
É ver a vida além da própria vida
E libertar-se de si mesmo,
Grilhão por grilhão!

Poema premiado no IV Festival do Sindicato dos Escritores do estado do Rio de Janeiro(SEERJ).

Desejo de mulher

Teu desejo é meu querer insano,
que invade meu corpo em suave ternura.
São mil pecados entre dois profanos
e em pleno ato, minha alma é pura...

Teus toques são tormenta sublime,
madrigais de beijos em prosseguimento,
êxtase, emoção, enlace que redime,
Cálice repleto, compartilhamento...

Meu corpo é primavera em plena florescência,
sob tuas mãos, libertas que não temem,...
Doação Divina, mel de efervescências,
mar do teu amor, praia do teu sêmen.

Este poema é em homenagem a todas as mulheres,
que através dos séculos, tiveram seus anseios, desejos e emoções descritos
pelo olhar masculino. Dedico-o a todos os homens que assim o fizeram sob a égide do amor e a todas as mulheres que lutaram para que suas vozes tivessem eco
Este poema está editado na agenda Anima- Oficina Editores –
2006.

A RAZÃO DO POEMA

Do que é feito o poema?
Barro de essência invisível?
Nuvem de tons arcoirizados?
Elementos dispersos,
Pelo poeta magnetizados?
Ou densa identidade
de expressão incontida?
O poema é amante,
Sentimento levitante
Viagem santa e atrevida
Pulso de um sonho em prece
Aborto, parto, nascente.
O poema é só palavra
E o poeta: inconseqüente...

Poema premiado no Concurso Francisco Igrejas (APPERJ), Associação Profissional de poetas no Estado do Rio de Janeiro – 2007.