sábado, 15 de maio de 2010

WILSON GUANAIS - ENTREVISTA

WILSON GUANAIS

BIOGRAFIA

(Bastos, SP - 1972) publicou os livros: Cemitério de Navios (2005), Súbito (2006), Um poema pra Loba (2007), Longe Assim... (2008) e O aço, o ninho & outras fragilidades (2009). Organizou as coletâneas: Grande Encontro (1999), Angular (2004), Estações (2006) e Simbiose (2010).

Participação em mais de 100 antologias e coletâneas (CBJE, Igaçaba, Artez, virArte, Prêmio Escriba, Meireles Editorial, Asabeça e outros).

Vários textos incluídos em:

XXI POETAS DE HOJE EM DIA(NTE)
organizado por Priscila Lopes e Aline Gallina
Florianópolis: Letras Contemporâneas,2009.

Trilhas – Org. Euza Noronha.

Livro da tribo – Agenda, SP

Saciedade dos poetas vivos – Blocos, RJ

Agendas virArte – org. Edinara Leão, RS

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

WILSON GUANAIS - Sou pintor, escultor, fotógrafo e escravo.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

WILSON GUANAIS - Foi na infância, nos primeiros anos de escola, eu estava na biblioteca folheando os livros quando a forma de um texto chamou a minha atenção, era um soneto do poeta Guilherme de Almeida, eu ainda não sabia nada sobre poesia nem o que era um soneto, naquele momento descobri que a beleza estava nas palavras e não nas ilustrações que recheavam o livro aberto em minhas mãos trêmulas.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

WILSON GUANAIS - Cemitério de Navios (2005)
Súbito (2006)
Um poema pra Loba (2007)
Longe Assim... (2008)
O aço, o ninho & outras fragilidades (2009).

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

WILSON GUANAIS - No meu caso é o exercício constante, estou sempre rabiscando algo, não consigo parar, não posso parar, eu sou assim.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

WILSON GUANAIS - Tem muita poesia de qualidade circulando na internet, fiz uma lista enorme de autores (as) que admiro, visito suas páginas com certa regularidade, trocamos informações, poemas avulsos, livros e as vezes estabelecemos parcerias, penso que seria injusto citar um ou outro.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

WILSON GUANAIS - Viva!

POESIAS

Simples

Sou estas palavras
onde me encaixo
com tudo
que tenho

Com estas palavras
organizo hortas
e chuvas
de granizo.

sobre nada

breve
é o
silêncio

entre
um
poema

e outro

silêncio.

Poética

Tem que ser
de improviso
sem nenhuma
razão
de existir

Pedra lascada
do instante
inútil absurdo
abstrato

Se mastigo
demais
o poema acaba
engolido.

Incursão

Todo dia à noite vem mostrar
a verdade por trás do azul
a não-cor do céu
sai dos cantos escuros
do quarto e debaixo da cama
onde o corpo aquece o cobertor
e o universo
expandindo em nossa viagem
dentro do inevitável.

Projeto

um dia
eu quebro
o inquebrável

: a casca
do indizível.

Ainda assim...

clareira
aberta
no tempo
fogo
aceso
no escuro

clareira
acesa
no escuro
fogo
aberto
no tempo

: aceso
o fogo
aberta
a clareira

: o tempo
escuro
a chama
inútil.

Modalidade

eu também
não sei
voar


estou
sacudindo
as
Asas

: porque
Elas
existem.

Sem pressa

sou poeta
de um poema
inacabado

: ainda
espero
o inesperado.

Plenitude

meu corpo
procura
o seu

seu corpo
procura
o meu

: Nós
somos um
no outro

os dois
endereços
de Tudo.

Simples assim...

quando
Você me olha
eu sinto
que Você
me enxerga

quando
Você me abraça
eu sinto
que Você
me Abraça

quando
Você me beija
eu sinto
que Você
me Beija

quando
Você me deixa
eu sinto
que Você
permanece...

Vasto

vamos ficar
assim
um instante
agarradinhos
acolhidos
um no outro

enquanto
o tempo
nos devora

nosso Amor
alimenta Deus

4 comentários:

Wilson Guanais disse...

grato,
abraço.

Carmen Regina Dias disse...

Wilson Guanais

Tua entrevista é tudo de bom que eu esperava ler antes de me recolher

pra caminha.
Amanhã é meu aniversário e ler tua entrevista e teus poemas super sacais é umpresente maravilhoso.

Pego este pra mim, coloco nele meus laços e ademã...
Qualquer hora ainda dou a sorte
de encontrar a obra poética deste
escravo por aqui, internéticamente colocados.

"Sem pressa

sou poeta
de um poema
inacabado

: ainda
espero
o inesperado." Wilson Guanais

Ufa! Parabéns, por ter me tocado
tão significativamente
a alma.
Também sou escrava.

Glauber vieira disse...

Gosto muito da poesia do Guanais, que eu conheci através de uma publicação do Prêmio Missões (Roque Gonzales-RS).

Bela iniciativa do Selmo, divulgar a literatura de bons autores!

Anônimo disse...

Gostei da entrevista, Wilson.
Sobretudo das poesias, que mostram um poeta que está a vontade com o seu objeto de trabalho.
Também sou poeta e escravo em oito horas de serviço público.
A aposentadoria me libertará...(rs)

Abraço e tudibom!

Ricardo Mainieri