quarta-feira, 9 de junho de 2010

LINALDO GUEDES DE AQUINO - ENTREVISTA

LINALDO GUEDES DE AQUINO

CURRICULUM VITAE

FORMAÇÃO ACADÊMICA:
Escola Estadual de 1º Grau Dr: José Medeiros Vieira, João Pessoa/PB (conclusão do ensino fundamental), dezembro de 1982;
Escola Estadual Professor Pedro Augusto Porto Caminha, João Pessoa/PB (conclusão do ensino médio), dezembro de 1985;
Curso Superior de Licenciatura em Letras, da Universidade Federal de Campina Grande, Campus de Cajazeiras, em 1987/1988 (sem conclusão);
Curso Superior de Bacharelado em Comunicação Social, da Universidade Federal da Paraíba, campus de João Pessoa, 1990-1992 (sem conclusão);
Curso Superior de Licenciatura em Letras pela Universidade Estadual Vale do Acaraí, iniciado em agosto de 2006 (em conclusão).

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL:
Repórter Político do jornal O Momento, abril a julho de 1991;
Repórter Político do jornal Correio da Paraíba, de julho a outubro de 1991;
Locutor da Rádio Líder FM de Santa Rita, de outubro de 1991 a julho de 1992;
Repórter Político de A União de julho de 1992 a julho de 1993;
Repórter de Política de O Norte, agosto de 1993;
Chefe de Reportagem de A União, de setembro de 1993 a março de 1995;
Editor da revista Ponto de Cem Réis (encarte do jornal A União) – de 1994 a 1995;
Redator da TV Tambaú, de março a junho de 1995;
Editor Assistente da revista Bastidores – junho a agosto de 1995;
Repórter, Chefe de Reportagem e Editor Adjunto de A União, de novembro de 1995 a novembro de 2000;
Locutor do programa Mesa de Redação da Rádio Tabajara FM, entre 2001 e 2003;
Digitação e diagramação do livro “Crimes que abalaram a Paraíba – Volume II”, de Severino Ramos, Editora Idéia, 1995, João Pessoa/PB;
Edição do livro “A Paraíba nos 500 anos do Brasil – Volume I”, William Costa e Nelson Coelho (orgs), Editora A União, 2000, João Pessoa/PB;
Edição do livro “Concurso Literário da API”, versão 1999/2000, Editora A União/API, João Pessoa/PB, 2000;
Coordenador de Jornalismo da Secretaria Extraordinária de Comunicação Institucional do Estado de 2000 a 2007;
Editor do Correio das Artes (suplemento literário do jornal A União) desde 2003;
Editoria do caderno de Cultura do Jornal A União desde 2003;
Produtor e apresentador do programa Onda Literária, da Tabajara FM, de fevereiro a outubro de 2007.
Professor de Literatura do ensino médio no Colégio Millenium, em João Pessoa, desde agosto de 2008;
Professor de Literatura do Cursinho Pró-Saúde desde 25 de setembro de 2008;

LIVROS LANÇADOS:
“Os zumbis também escutam blues e outros poemas” (livro de poemas), Editora Textoarte, João Pessoa/PB, 1998;
Coletânea de Poesia: 50 anos do Correio das Artes (org.) - Editora Universitária/UFPB, João Pessoa/PB, 1999;
Coletânea de Contos: 50 anos do Correio das Artes (org.) - Editora A União, João Pessoa/PB, 1999;
“Augusto dos Anjos” (plaquete) – Coleção Paraíba Nomes do Século, Série Histórica, nº 38, Editora A União, João Pessoa/PB, 2000;
“Diálogos” (org) – Seleção de entrevistas publicadas no Correio das Artes do jornal A União em 2003, Editora Aboio, João Pessoa/PB, 2004;
“Intervalo Lírico” (livro de poemas) – Editora Dinâmica, Coleção Tamarindo, João Pessoa/PB, 2005;

PARTICIPAÇÕES EM OUTROS LIVROS E REVISTAS LITERÁRIAS:
“Jomard Muniz de Brito: aulas de arte moderna na prisão” (reportagem) – in “O Jogo da Verdade: Revolução de 64 – 30 anos depois”, Nonato Guedes, José Octávio, Sebastião Barbosa, Carla Mary S. de Oliveira e Evandro Nóbrega (orgs), Editora A União, João Pessoa/PB, 1994;
“Cajazeirenses e cajazeirados” (perfil) – in “Cajazeirenses e cajazeirados”, Lúcia Rolim (org), Editora A União, João Pessoa/PB, 1998;
“”Pós-moderno” (poema) – in “Nordestes”, Fundação Joaquim Nabuco/Sesc de São Paulo, 2000;
Verbete na Enciclopédia de Literatura Brasileira, Volume I, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, Ministério da Cultura/Global Editora/Fundação Biblioteca Nacional, São Paulo, 2001;
“Augusto dos Anjos, o cronista” (ensaio) – in “A Paraíba nos 500 anos do Brasil – Volume II”, William Costa e Nelson Coelho (orgs), Editora A União, 2001;
“Elegia em tom biográfico” (prefácio) – in “Augusto dos Anjos: uma biografia”, Fernando Melo, Editora Idéia, João Pessoa/PB, 2001;
“Augusto dos Anjos e a antecipação da humanidade futura” (ensaio) – in Revista da Academia Paraibana de Letras, nº 17, Dezembro/01, Secretaria de Educação, João Pessoa/PB, 2001;
“Duas ou três coisas que eu (ainda) não sabia sobre Juarez da Gama Batista” (artigo) – in Revista da Academia Paraibana de Letras, nº 18, jan/jun 2002, Secretaria de Educação do Estado;
“Um terraço para Natan” (coord.) – de José Nunes, Editora A União/Associação Paraibana de Imprensa, João Pessoa/PB, 2003;
“Noll e as fronteiras literárias” (resenha) – in Revista Acauã, Fortaleza/João Pessoa, junho de 2004;
“Para Bentinho não botar defeito” (resenha) – in “Cornália”, de José Edmilson Rodrigues e Irani Medeiros, Editora Universitária/UFPB, 2004;
“Concerto erótico em tom de revival” (orelha) – in “Preces e orgasmos dos desvalidos”, Dora Limeira, Manufatura, João Pessoa/PB, 2005;
“Lamparina” (poema) – in “Segunda divisão”, de Clara Arregucy, Editora Lamparina, Rio de Janeiro/RJ, 2005;
“Ciúmes” e “Carrossel do Silêncio” (poemas) – in Sopa de Poesia, Ano I, nº 2, Salvador/Bahia, junho de 2005;
“Mimésis” (poema) – in “Corpo e Alma em verso e prosa, coletânea de autores blogueiros, Euza Noronha (org), Gass Editora, São Paulo/SP, 2006;
“Bosco Barreto: um mandato à serviço da Cidade Liberdade” (artigo) – in “História e debate na Assembléia Legislativa – Volume II”, coleção Perfis Parlamentares da Assembléia Legislativa do Estado da Paraíba, José Octávio de Arruda Melo (org.), Sal da Terra Editora, João Pessoa/PB, 2006;
“Rascunho” e “Hipótese” (poemas) – in “Literatura – Revista do Escritor Brasileiro”, Ano XV, Maio/Out 2006, nº 32, Fortaleza/CE, RDS Editora, 2006;
“Um thriller da ficção brasileira” (prefácio) – in “Contos Cruéis”, Rinaldo de Fernandes (org.), Geração Editorial, São Paulo/SP, 2006;
“Matraga” (poema) – in “Quartas Histórias”, Rinaldo de Fernandes (org.), Garamond Editora, Rio de Janeiro/RJ, 2006;
“Sérgio de Castro Pinto no reino da poesia infantil” e “Jamais sucumbi ao apelo visual do concretismo” (entrevistas com Sérgio de Castro Pinto) – in “A casa e seus arredores”, Sérgio de Castro Pinto, Manufatura, João Pessoa/PB, 2006;
“Pintura” (poema) – in Revista Polichinelo, nº 7, Out.2006, Belém/PA, 2006;
“Abismo”, “Artifício” e “A flor e o espinho” (poemas) – in “Poesia Sempre”, nº 24, Ano 13, Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro/RJ, 2006;
“A morada segura de um jovem poeta” (prefácio) in “Sem lugar”, de Vamberto Spinelli Júnior, Editora Universitária, 2007;
“Xérox” (música em parceria com Pádua Belmont), in “Retorno”, CD de Pádua Belmont, PB Produções Artísticas, 2008;
Poemas e textos publicados nos sites: Cronópios, Crônicas Cariocas, Germina, Blocos On Line, Nordestes, Zunái e Jornal de Poesia;
Página na web: http://linaldoguedes.blog.uol.com.br

DIPLOMAS, SEMINÁRIOS, EVENTOS, CURSOS E CERTIFICADOS:
Curso de Comunicação em Rádio-Jornalismo, 15 a 24 de maio de 1987, numa promoção de Associação Cajazeirense de Imprensa (ACI), Cajazeiras/PB, 1987;
Projeção – Vídeo com palestra sobre A fotografia na Escola Média/ Exp. Pesquisa, Departamento de Artes/Nudoc da Universidade Federal da Paraíba, 1990;
Curso de Radialismo em Rádio e Televisão, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Rádio e Televisão do Estado da Paraíba, promoção do Sindicato dos Radialistas e Escola Técnica Federal da Paraíba, mar/90 a out/91;
Seminário sobre Reforma da Legislação Eleitoral e Partidária, promovido pela Assembléia Legislativa do Estado, 1992;
Seminário Alternativas para o Desenvolvimento Paraibano, Assembléia Legislativa do Estado, 1992;
Integrante da Comissão Julgadora da categoria Poesia no Concurso Talento 98, promovido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, Instituto Nacional do Seguro Social e Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social, 1998;
Jurado do VIII Festival Sertanejo de Poesia, promovido pela Acauã Produções Culturais e Casa de Cultura Antônio Nóbrega, Aparecida/PB, dezembro de 2000;
Participação no Encontros de Interrogação, promovido pelo Itaú Cultural, em São Paulo, novembro de 2004;
Participação na Bienal Nacional do Livro da Paraíba – in Mesa Redonda “Jornalismo cultural na Paraíba”, João Pessoa/PB, 20 a 28/05/2006;
Participação na VII Bienal Internacional do Livro do Ceará – in Mesa Redonda “Mil e uma revistas – Encontro de Periódicos Literários”, Fortaleza/CE, 18 a 27/08/2006;
Participação no Colóquio Rumos Literatura - Edição João Pessoa, promovido pelo Itaú Cultural, nos dias 26 e 27 de maio de 2007 – in Mesa Redonda “Poesia e outros códigos”;
Participação no 4º Festival Recifense de Literatura, in Mesa Redonda “Autor e Editor – Caminhos Cruzados”, no dia 24 de agosto de 2007, na Livraria Cultura, no Recife;
Participação no XII Festival Nacional de Artes (Fenart) – in Mesa Redonda “Os bastidores da vida literária”, João Pessoa/PB, 18 a 26 de abril de 2008;
Participação no evento Cartografia Web Literária – in Mesa Redonda “Apreciação e crítica dos conteúdos de literatura veiculados na Internet”, promovido pelo site Cronópios e pelo Sesc Consolação (SP), São Paulo/SP, no dia 15 de agosto de 2008;

PRÊMIOS:
Os Melhores de 1995 – Conferido pela MAOP Pesquisa e Publicidade, Cajazeiras/PB, 1995;
Troféu Destaque em Literatura – Conferido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba, em 1998;
Troféu Destaque em Literatura – Conferido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba, em 2000;
1º Festival Literário de Cajazeiras – promovido pelo Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Campina Grande, campus de Cajazeiras, julho de 2004;
Mérito cultural – conferido pela Fundação Casa de José Américo de Almeida Filho, pela criação do troféu Correio das Artes, em 2006;
Destaque – Conferido pelo Baile dos Artistas ao Correio das Artes, pelos 60 anos do suplemento, em 2007;

OUTRAS ATIVIDADES:
Integrante e criador do Movimento Literário Poecodebar, surgido em João Pessoa no ano de 1990;
Criação do LiterArte Musical, evento literário, em João Pessoa, em agosto de 2005;
Diretor de Cultura da Associação Paraibana de Imprensa desde 2003;
Integrante do Conselho Editorial do site de Literatura e Arte Cronópios, de São Paulo: http://www.cronopios.com.br;

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

LINALDO GUEDES - Sou jornalista por profissão. Atuo na imprensa paraibana desde 1991, um ano após entrar no curso de comunicação. Minha especialidade é jornalismo cultural, mas no momento estou ocupando a Diretoria de Jornalismo da Secretaria de Comunicação do Governo do Estado.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

LINALDO GUEDES - Começou muito cedo. Ainda por volta dos 12 anos, comecei a escrever um jornal manuscrito com informações sobre o que acontecia na minha família (tenho uma família grande, com nove irmãos e muitos primos, então, sempre tinha história boa pra contar. O jornal só circulava dentro de casa, claro, mas junto com informações da família, eu aproveitava para excercitar a crítica literária, comentando livros e autores que eu lia. Mas só vim a me encantar com a poesia de forma mais disciplinada após a leitura do livro “Corpo”, de Carlos Drummond. Foi na época, também, que escrevi meus primeiros versos. Tinha 15 anos, então.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

LINALDO GUEDES - Publiquei dois livros de poemas – Os zumbis também escutam blues e Intervalo Lírico – uma plaquete sobre Augusto dos Anjos e organizei um livro – Diálogos – em conjunto com Astier Basílio, com reunião de entrevistas publicadas no suplemento Correio das Artes, e antologias de contos e poemas (em conjunto com os escritores Claudio Limeira e Yó Limeira), em comemoração aos 50 anos do Correio das Artes. Além disso, participei de algumas antologias de poemas, livros de ensaios jornalísticos e até antologia de blogueiros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

LINALDO GUEDES - O impacto maior em minha poesia é a vida propriamente dita. Sou um poeta cuja essência maior vem de minhas experiências de vida, transformadas em versos. Claro que procuro trabalhar a linguagem, mas a inspiração vem mesmo da vida e de minhas observações em torno das pessoas. Aliás, repito o que alguém já disse: é preciso inspiração até para atravessar a rua.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

LINALDO GUEDES - Poetas admiro Carlos Drummond, Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos, Augusto de Campos, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Garcia Lorca.
Escritores, sou fã de Machado de Assis, Dostoewski e Graciliano Ramos.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

LINALDO GUEDES - Leiam muito. Muito mesmo. E nunca pensem que já atingiram a maturidade poética. Somos sempre aprendizes nas letras. Cada poema novo, é uma nova experiência.

POEMAS


Lamparina

querosene
consumindo-se
na consumação do fogo

lembra o canto das cigarras
na boca da noite

quando era light imaginar seu cruzar de pernas.


Mater

quando olho nos olhos de minha mãe
vejo as peraltices da infância tardia
com um arrazoado de conselhos alheios
e uma cumplicidade do futuro que dormia

quando olho nos olhos de minha mãe
sinto a fé de uma reza que não tem fim
a oração daquela nossa senhora minha
suplicando com um jeito assim assim

quando olho os olhos tristes de minha mãe
arrisco caminhar na memória da cidade
arrisco benzer-me no cristo que é só imagem

porque preciso construir minha tosca alegria
com os cacos da alma e o amor sofrido que resiste
nos olhos tristes de minha querida mãe.


Gêmeos

Para Lenilda (minha doce e pequena irmã)

foi minha irmã
minha doce e pequena irmã
com os olhos da ressaca que não bebeu
que acusou: você tem dupla personalidade!

olhei de um lado e de outro
mas não acusei o golpe

como fazer entendê-la
que estive em vários lugares ao mesmo tempo
dancei castanhola na espanha e recitei
sonetos de camões em lisboa sem sair de cajazeiras

mas também escutei pancada por pancada
a sucessividade dos segundos sem graça
feito um augusto sem anjos mórbidos,
não saí do boteco, tomando minha cachaça

como ela vai ver o ir e vir de minhas retinas
olhando ao longe e ao perto para o colo das meninas
querendo repousar minha quimera em mais de um
pensando apenas em deixar de ser um zumbi comum

como explicar, à minha doce e inocente irmã,
que as flores do mal povoam meu jardim
que bebo absinto, trago erva e não trago nada no peito
além da vontade de estar além de mim

como escrever poemas, minha pequena irmã,
quando não estou amando loucamente
por isso tenho que sempre ter um amor guardado no peito
e outro repousando no espinho do meu leito

como lhe sugerir que as fábulas mortas
são apenas leituras la fontaines
que a vida se abre na janela do seu quarto
enquanto outra nasce em uma mesa qualquer de parto

como sonhar junto com minha doce e profana irmã
deitado, ao lado de freud, num mentecapto divã
quando sou paz, sou calmaria e tempestade
quando sou loucura e a agonizante busca da felicidade

não, minha irmã
não, minha doce e pequena irmã
não, minha doce, pequena e inocente irmã
não, minha doce, pequena, inocente e profana irmã

não tenho dupla personalidade
e nem tenho heterônimos, apesar do amor a pessoa

tenho apenas a certeza de que não posso ser ilha
enquanto os barcos acenam ao longe todos os dias
cheio de corsários e damas de seios redondos
fazendo o convite para o mar que se divide
entre o atlântico e minha pacífica monotonia.


Amém

amor quando chega
não faz toc, toc, toc

simplesmente derruba a porta
invade nossa aorta

transforma o amador
na coisa sagrada

depois, ora pelo santo espírito insano
para que todo dia, todo ano

a oração se repita
com suor, sexo e libido.


Metáforas para um duelo no vazio

é quando você está quieta
enroscada no próprio umbigo
feito uma concha
- manto sagrado em saga profana –

e eu, emboscado na selva
escura de sua pele
feito um eunuco, perdido
nas fronteiras do absurdo

é quando duelamos em silêncio
em busca de nossos próprios ardis
que criamos ciladas para nossos próprios pés
enquantos mãos e bocas engendram armadilhas
- ilhas de solidão, protegidas pela carícia da dor.

2 comentários:

Ricardo Mainieri disse...

Linaldo, estive aí por Jampa em 2006.
Conheci Lau Siqueira, André Ricardo, Mariano, Dôra Limeira, Ronaldo Monte e tantas boas pessoas da cultura local.
Falaram-me de vc., mas, infelizmente, não pude ir num certo bar em Tambaú, onde tinha um projeto legal de literatura.
No entanto, estou sendo apresentado a sua ótima poesia.
O prazer é todo meu.

Abraço.

Ricardo Mainieri

Carmen Regina Dias disse...

Linaldo, agora sou fã, admiradora
dos teus escritos.
Gêmeos
Para Lenilda (minha doce e pequena irmã)... é do caramba.
Todos os poemas postados entraram/
por inteiro em meu peito sedento
por mares geminiamente aos pares.

A D O R E I !!!!
E teu trabalho na comunicação e na
arte me fazem crer que Venus
era gemeos, incansávelmente bela
em seu labor artístico.

Parabéns por tua obra, caríssimo,
gostaria de conhecer mais, por favor, ler artigos, livro, poemas
pra lá e pra cá, pra mim faz
uma grande diferença ter te vislumbrado nas páginas do nsso
amantíssimo frater Sel
mo Vasconcellos.

Saludos, meu precioso e ins
pirado irmão.