terça-feira, 30 de março de 2010

LÚCIA NOBRE - ENTREVISTA

LÚCIA NOBRE

PEQUENA BIOGRAFIA

Lúcia Nobre, escritora / poeta, milita na literatura erótica do novo milênio. Participa dos movimentos de poesia a partir da década de 1980.
Autora de Folhetos Eróticos – poemas / Paris; Floresta dos leões – textos e poemas / Rio; O Bom trepador, com desenhos do Apicius / Rio . Série de cartões Papai Noel Erótico – Rio.
Seus poemas constam das antologias – Sociedade dos Poetas Vivos – Volume X, SEXUS Volume XIII, Volúpia / Prazer; Anima – APERJ e inúmeras outras.
Poeta selecionada para Tribuna de Poesia da Feira Literária Internacional de Paraty.
Faz performances de seus poemas nos espaços culturais da cidade.
Já foi intitulada Libertina Libertária, Beat pós-moderna e Bukoviski de saias.
Lança este ano EROTICA I – Poemas.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?


LÚCIA NOBRE - Revisão de textos e apresentações performáticas.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

LÚCIA NOBRE - Precocemente na infância. Escrevia histórias inspiradas em Tarzan e poemas que recitava no colégio.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

LÚCIA NOBRE - Três. Folhetos Eróticos – poemas / Paris; Floresta dos leões – textos e poemas / Rio; O Bom trepador, com desenhos do Apicius / Rio.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

LÚCIA NOBRE - A Paixão em seus diversos objetos.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

LÚCIA NOBRE
- Dostoievski, Tchecov, Sartre, Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Gabriel Garcia Marquez, Jorge Luis Borges, Guimarães Rosa, Clarice Lispector... impossível nomear todos os amados.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?


LÚCIA NOBRE - Acreditar em sua poesia e saber que “Poeta come versos e ta com a barriga cheia“, como digo em um poema de minha adolescência.

POESIAS

O VISITANTE DA NOITE

a meu muso Eduardo Moniz Vianna

O visitante trouxe
O perfume das flores
Negras de sua barba
A maciez das pétalas
De suas mãos
A rosa púrpura
De seu ciúme
A rigidez da haste
Das folhas de seu desejo
Deixou-me úmida
Da seiva de seus beijos
E perdeu-se
Na noite dos jardins


ELUSKA

à Elizabeth Nobre de Souza

minha amada mãe
in memoriam


A mãe no CTI ela nos bares ligando orelhões correndo visitas gritando pra mãe na máquina pra voltar a mãe cada dia mais gelada ela nos bares velando quando acabou fez tudo muito discreto sem cerimônia cortejo logo voltou pro bar atrás das lágrimas viu os amigos chegarem depois partirem só ficou aquele a levou pra cama tocou-a manso num suave despertar deu vinho o que mais amava logo o desejo em dor não a fez vir à tona foi lá no profundo da cacimba escura no quintal a mãe chamando ela livre solta com Petronila a louca no meio do capinzal o desejo se embrenhando na mata densa o sapo seria de celulóide verde água na esteira com outros companheiros o desejo voa quintal medo dos cocos na cabeça banho frio chupando água dos cabelos escondido gostoso sentada no vaso encantada nas árvores refletidas nas poças d'água do banheiro e longe muito mais longe que Deus que o inferno da infância o imenso nó na garganta engulho os seios da mãe a pele tenra seu cheiro doce o desejo soluços grunhidos perda e salvação.


MAS A MINHA MAIOR PAIXÃO FOI O TÉDIO

Viro preciosa vadia vagando pelos dias da paixão leva meu tempo inteiro em tramas de sedução renegando obsessões cotidianas queridas o mato crescendo corredores do apartamento meia-mãe-bruxa muito à Bovary aqui deste trapézio de onde salto mortal para os suplícios da dúvida e euforias allumeuses caindo de cio.


POUR TOI SEULE

Molemente romântica
Insensata exata
como convém
Uma garrafa de bom vinho
e dois Irish Coffees
às três da matina
Mais uma vez
não tentei os dardos
em Windsor Castle
nem no Lord Jim
Mas deu Vilma T em flor
Farenheit nos anais
da anti-psicanálise
E aquela briga choca
sem couvert
me deixa solta
Nora Nora
na casa de bonecas
da Rainha Mary
Vertigo sob cobertas
Vê pour toi me acaricio
Me sussurro delícias
Me faço gozos
Me gemo orgasmos
Pour toi
Seule


O BOM TREPADOR

Da Arte da Trepada ou do Bem-fazer na Cama
( alguns dos 69 haicais que constam do livro)

Bom trepador
não é naïf
pau em riste

Bom trepador
pau alado
namorado

Bom trepador
mil bocas e mão
Sherazade do tesão

Bom trepador
vinho tinto champanhe ou licor
o néctar do amor

Bom trepador
na Kama
Sutra

Bom trepador
dedos de fada
língua safada

Bom trepador
sem posse nem grilhão
só curtição

Bom trepador
Yin ou yang
puro sangue

Bom trepador
segreda coisas obscenas
como poemas

Bom trepador
no circo vira fera
come o domador

Bom trepador
bruxo na inquisição
levou um papa à perdição

Bom trepador
nem bom nem trepa
é poeta

segunda-feira, 29 de março de 2010

SAMANTHA ABREU - ENTREVISTA

SAMANTHA ABREU

BIOGRAFIA

Samantha Abreu é de Londrina (PR), onde estudou Letras e estuda Marketing. Já tem 30 anos e não se lembra mais quando foi que caiu nas graças da literatura. Tem um livro na gaveta, já foi publicada em antologias, sites e revistas literárias. Escreve os blogues Haute Intimité, a série Mulheres sob Descontrole e é uma das garotas dos Versos de Falópio. Além disso, tem um projeto de vídeo poemas no Youtube.

Haute Intimité: http://samanthaabreu.blogspot.com/
Mulheres sob Descontrole: http://mulheressobdescontrole.blogspot.com/
Versos de Falópio: http://versosdefalopio.blogspot.com/
Canal no Youtube: http://www.youtube.com/saabreu


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

SAMANTHA ABREU - Costumo brincar com isso, pois quando se trata de trabalho, de vida profissional, eu digo que me divido em duas pessoas completamente diferentes. É uma vida dupla, de fato. Para fins financeiros, sem deixar de gostar disso também, é claro, trabalho como gerente de callcenter. Uma loucura, correria total e adrenalina o tempo todo. Paralelo a isso, estudei Letras, na universidade estadual de Londrina (onde nasci e vivo até hoje), e agora faço faculdade de marketing. Depois, para fins passionais, como costumo dizer, me envolvo até o pescoço com literatura. Participo de eventos literários, de saraus e procuro, na medida do impossível, participar de todos os programas e projetos relacionados à cultura e à literatura que encontro pela frente.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

SAMANTHA ABREU - Não sei dizer com exatidão em que momento aconteceu. Lembro apenas que me dei conta muito cedo de que havia comigo algo relacionado à escrita. Desde pequena escrevia cartas e textos parecidos com crônicas. Depois, quando comecei a cursar a faculdade de letras, senti de verdade e com mais capacidade de entendimento que eu tinha algo a dizer através de textos. Estudar teoria literária foi muito importante e determinante para que eu pudesse dar o passo inicial na produção, ainda tímida, de pequenos contos e algumas poesias. Na mesma época, participei de dois concursos literários nacionais pela empresa para a qual trabalho, e esses concursos ofereciam oficinas preparatórias de criação. Nessas oficinas, recebi em Londrina e tive oportunidade de trocar idéias e experiências interessantíssimas com gente como Marçal Aquino, Alice Ruiz, Cintia Moscovich, Marcelino Freire, Frederico Barbosa, Nelson de Oliveira, João Silvério Trevisan e outros. O contato com essa gente me despertou uma fascinação ainda maior pela literatura, pela poesia, pela capacidade de expressão textual. Fui vencedora dos dois concursos, um em primeiro lugar e outro em segundo. Foi a partir daí que, definitivamente, não consegui mais parar. E a internet também ajudou muito no contato, na divulgação e relacionamento com gente que, assim como eu, também estava muito a fim de escrever e ler coisas novas.


SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?


SAMANTHA ABREU - Meu livro, que já está pra se dividir em dois, ainda está na gaveta, quase pronto e esperando pra ser publicado. Tenho textos integrando duas antologias nacionais, escrevo meu blogue ‘Haute Intimité’ há seis anos e estou em alguns sites e revistas web literárias como Germina, Escritoras Suicidas, Minguante, Lasanha, etc. Além disso, tenho texto também na edição nº20 da Revista Coyote.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia?

SAMANTHA ABREU - Acho que todos. E, embora possa parecer clichê, sinto mais dificuldade (o que não quer dizer impossibilidade) de produção quando as coisas estão rotineiramente sob controle e em uma constância confortável. Quero dizer com isso que sinto mais facilidade quando possuo qualquer tipo de incômodo latente.
No entanto, percebi em mim uma veia cômica com idéias que apareciam independente do cenário. O que fiz foi separar bem as coisas e criei uma série chamada ‘Mulheres sob Descontrole’. É nela que me divirto tentando satirizar as dúvidas, anseios e loucuras das mulheres que conheço, das que observo e das que tenho dentro de mim.
Mas, talvez por possuir uma temática relativamente intimista, normalmente as fases tranqüilas não me trazem boas atmosferas de produção. Só que isso não é regra, é claro. A poesia acontece por vontade própria... o que a gente faz depois é aparar as arestas, desenhar um lado, apagar outro e por aí vai.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?


SAMANTHA ABREU
- Os que eu admiro são muitos... é claro que temos os indiscutivelmente invejáveis como Drummond e Clarice, minha musa maior. Também gosto muito da literatura beat e da poesia brasileira de Adélia Prado, Ana C., Hilda Hilst. Procuro ler muita literatura contemporânea e posso dizer que existe, sem dúvida, muita coisa boa sendo produzida. Além disso, minha cidade tem uma produção intensa e de ótima qualidade, o que me mantém constantemente em contato com produção moderna e com quem está produzindo isso tudo.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

SAMANTHA ABREU - Tenho pra falar o que falo pra mim mesma: poesia é um exercício quase diário. E não está ligada apenas à produção, mas, principalmente, à assimilação. Por isso é tão importante ler, ler, ler muita poesia, seja em verso ou em prosa. Mesmo quando se tem o que dizer, a linguagem é o que define a poética. E essa linguagem, nós adquirimos através do constante contato com ela. Assim, é necessário conhecer tudo o que for possível, buscar diferentes formas de expressão, até que se construa a própria. Digo também que não se faça poesia por dinheiro, pois o risco de frustração será grande. Como qualquer arte genuína, no Brasil principalmente, deve-se fazer por paixão, por necessidade e esforço. Clarice disse que é transpiração. Pois é, transpirar exige esforço e entrega intensa, daquelas em que não se cogita desistir nunca.

POEMAS

Miss Mulherzinha

Percebo que, afinal,
sou apenas uma mulherzinha
cheia de pequenos
detalhes.

Uma Miss Dalloway
simulando uma festa de vida,
mas amando
o desejo de morte.
Mulherzinha do tipo que não se nota.

E você procura tanto
pelas ruas
a desgraça de um bom drama,
que não me suporto mais ser.

Arreganho, pois, a alma, depois
das pernas,
e te mostro como um bom drama
se traveste de hábitos.


Pequenas Mortes

De tudo o que me resta e que não seja
amor,
seja
o portão de partida
despedida,
de pequenas causas diárias.
Eu sangro momentos,
derreto venenos,
e morro nos cotidianos fins.
Ainda prefiro
a mortalha
envolvendo
afazeres não entranhados.
Quero a devastação
irreversível
de qualquer pequena vida
vã.


Universo Particular

Existe um universo particular ainda desconhecido.
Podem-se saber algumas cores e dores, sem esperar com isso qualquer tipo de segurança que garanta autodomínio. A ribanceira depois da curva é sempre inesperada.
Desse mundo, até agora não se sabe se redondo, se planície ou pra que lado se deve ir. A única certeza é de que no limite da razão, ainda somos perdoáveis. Mas a um passo depois da linha, não.


O Avesso

A pele lisa, o cabelo solto, o sorriso esticado.
Sou toda ostentação da ventura.
Minhas próprias formas de me aconchegar em máscaras.
A conversa proposta,
a gargalhada dissimulada,
a satisfação inventada.

Sou toda arquitetura:
com sacada, paisagem e brisa.
Sou a brisa,
o copo gelado,
o arrepio dos pelos.
Aqui fora, claridade.

Mas o avesso está coberto de sangue.


De febres e guerras

Uma carne exposta para que ele acaricie. É assim que sinto quando, meticulosamente, ele me despe de todas as peles e me toma por todas as raízes e nervos.
Vamos construir um palácio, ele diz, vamos mudar pra Veneza, vamos rir pelas ruas, dormir embriagados. Vou te arrancar todas as dermes, todas as noites, vou te tirar as máscaras, te deixar como és, ele diz. Faremos baderna em igrejas, gritaremos palavrões da janela, levaremos os cachorros da rua pro nosso apartamento. Vou lhe fazer um filho e uma tela expressionista.
Eu ainda não entendi se é loucura ou arrebatamento. Meus pés suam, não consigo correr sem cair e ele me alcança, me retoma aos beijos. Ele me mantém no laço ardido do amor e ódio, do bem e do mal. Esse amor é filho da guerra, eu digo, somos inimigos. Ele ri, toma calmamente outro gole, me pega pelo braço e me arrasta até o quarto mais próximo. Ali entendo como sou sempre o país mais fraco. Terrorista, eu grito. Ele me lambe todos os vãos, me morde as sobras, me engole. Nossa febre é vida, meu amor, ele sussurra me arrancando a orelha.
Fadigamos abraçados por alguns minutos, depois levantamos e saímos rindo pela rua, chutando pedrinhas e falando obscenidades para que as velhotas de portão nos escutem.

sábado, 27 de março de 2010

RAYMOND BATH ( Montignies-sur- Sambre, Bélgica ) - ENTREVISTA

RAYMOND BATH

Montignies-sur-Sambre / Bélgica

ENTRETIEN / ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – QUELLES SONT VOS AUTRES ACTIVITES, OUTRE ECRIRE?

SELMO VASCONCELLOS - QUAIS SÃO SUAS OUTRAS ATIVIDADES, ALÉM DE ESCREVER?

RAYMOND BATH - Je suis retraité depuis plusieurs années déjà, après avoir occupé le poste d’unité de ventes dans une grande entreprise verrière. Physiquement diminué par l’âge et ses infirmités, je reste intellectuellement actif comme conseiller culturel bénévole du collège échevinal de ma commune, Montignies-sur-Sambre.

RAYMOND BATH - Sou aposentado já há vários anos,após ter ocupado o posto de unidade de vendas numa grande empresa de fabricação de vidros. Fisicamente debilitado pela idade e por algumas doenças, continuo intelectualmente ativo como conselheiro cultural benemerente do colégio municipal de minha comunidade, Montignies-sur-Sambre.

SELMO VASCONCELLOS – COMMENT EST NE VOTRE INTERET LITTERAIRE?

SELMO VASCONCELLOS - COMO NASCEU SEU INTERESSE LITERÁRIO?

RAYMOND BATH – Dès l’école primaire, je recitais volontiers des fables de La Fontaine et des poèmes de Maurice Carême ( qui devait être, 25 ans plus tard, mon “parrain” à la SABAM, Société de Droits d’Auteurs, 70-77, rue d’Arlon, 1040-Bruxelles ). J’ai été initié à la poésie symboliste ( et à l’ésotérisme ) par Roger Desaise. C’est son épouse, et aussi Sabine Olivier et Max Rose ( mes premiers éditeurs ) qui m’ont introduit aux Biennales Internationales de Poésie ( à Knokke, Flandre Orientale ) où J’ai lié connaissance avec maints écrivains de toutes nationalités et de toutes cultures.

J’ajouterai que, dès mon enfance, ma mère a encouragé mon goût pour la littérature, et mon père pour les matières scientifiques.

J’ai eu la chance inouïe de rencontrer et d’épouser MARIA VALERIA, musicienne et compositrice, véritable dentellière musicale sur poèmes.

MARIA VALERIA
RAYMOND BATH - Desde a escola primária eu gostava de declamar fábulas de La Fontaine e poemas de Maurice Carême (que tornou-se, 25 anos mais tarde, meu “padrinho” na SABAM, Sociedade de Direitos Autorais, 70-77, Rua d'Arlon, 1040 – Bruxelas). Fui iniciado na poesia simbolista (e no esoterismo) por Roger Desaise. Foi sua esposa, e também Sabine Olivier e Max Rose (meus primeiros editores), que me introduziram nas Bienais Internacionais de Poesia (em Knokke, Flandre Oriental), onde travei conhecimento com muitos escritores de todas as nacionalidades e culturas.

Acrescentaria que, desde minha infância, minha mãe alimentou meu gosto pela literatura e meu pai pelas matérias científicas.

Tive a sorte singular de encontrar e casar-me com MARIA VALÉRIA, música e compositora, verdadeira artesã musical sobre poemas.

SELMO VASCONCELLOS – COMBIEN ET QUELS SONT VOS LIVRES PUBLIES DEDANS ET DEHORS VOTRE PAYS?


SELMO VASCONCELLOS - QUANTOS E QUAIS SÃO SEUS LIVROS PUBLICADOS DENTRO E FORA DO SEU PAÍS?


RAYMOND BATH – Je ne pourrais dire combien j’ai écrit d’ouvrages et d’articles depuis 50 ans.
A partir de 1968, j’ai laissé le soin de les comptabiliser à la SABAM. Dieu seul sait s’il me reste assez de temps à vivre pour publier mes centaines de pages inédites.

Des exemplaires de chacun de mes livres ont été déposés à la Bibliothèque Royale de Belgique ( 4, Bd. De l’Empereur, 1000 – bruxelles ). Nombre de mes écrits se trouvent aussi à l’Université Harvarc aux U.S.A., au Musée Marceau Constantin ( Chalet des 4 Abeilles, 84390 – Sant Christol, France ), au Germanishes National Museum, 1, Kormarkt, Nürnberg, Deutschland ) et ailleurs. J’ai collaboré à une cinquantaine de revues de différentes nationalités. J’ai envoyé de la correspondance et de la documentation vers les 6 continents.

En 1968, j’ai créé, à cote des Grans Prix de Wallonie, les Grands Prix Interlinguistiques Raymond Bath, ainsi que la revue “Poémas”. J’ai été redacteur en chef des revues “Falaises”, “Le Dénominateur Commun”, “Poésie et Chansons”, Les Cahiers d’Action d’Art en Belgique. J’ai reçu un acxcueil particulièrement chaleureux au Brésil.

RAYMOND BATH - Eu não poderia dizer quanto já escrevi de obras e artigos em 50 anos. A partir de 1968, deixei de lado a preocupação em compatibilizá-los à SABAM. Somente Deus sabe se me resta tempo suficiente a viver para publicar minhas centenas de páginas inéditas.

Os exemplares de cada um de meus livros foram depositados na Biblioteca Real da Bélgica (4, Bd de L'Empereur, 1000- Bruxelas). Muitos dos meus escritos se encontram também na Universidade Harvard nos Estados Unidos, no Museu Marceau Constantin (Challet des Abeilles, 84390 – Saint Christol, France), no Museu Nacional Alemão (1, Kormarkt, Nürnberg, Deutschland) e em outros locais. Colaborei com cerca de cinquenta revistas de diferentes nacionalidades. Já enviei correspondências e documentação para os seis continentes.

Em 1968 criei, junto aos Grande Prêmios de Wallonie, os Grandes Prêmios Interlinguísticos Raymond Bath, bem como a revista “Poémas”. Fui redator-chefe das revistas “Falaises”, “Le Dénominateur Comun”, “Poésie et Chansons”, “Les Cahiers d'Action d'Art en Belgique”. Recebi uma acolhida particularmente calorosa no Brasil.

SELMO VASCONCELLOS – QUELS SONT LES IMPACTS QUE PRODUISENT LES ATHMOSPHERES CAPABLES DE PRODUIRE LA LITTERATURE?

SELMO VASCONCELLOS - QUAIS SÃO OS IMPACTOS QUE PRODUZEM AS ATMOSFERAS CAPAZES DE PRODUZIR A LITERATURA?

RAYMOND BATH – N’importe quel évènement, circonstance, situation, expérience, athomosphère, souvenir qu’il soit agréable ou non, même des rêves ou des cauchemars dans l avie physique, affective, spirituelle, personelle ou collective d’un auteur peuvent devenir, après filtrage et idéalisation, matières à littérature.

Au temps de mon adolescence ( 16 – 19 anos ), alors que je souffrais encore des traumatismes, psychiques de la Second Guerre Mondiale, j’ai subi, comme beaucoup d’autres de ma génération, l’influence du fameux quatuor existentialiste : Jean-Paul Sartre, André Malraux, Antoine de Saint-Exupéry et Marcel Camus, lesquels prônaient le courage, l’exploit, l’héroïsme, la solidarité et, en définitive, le goüt de l avie, en réponse à un ordre de choses cruel, incohérent, absurd.

A partir de 20 ans, j’ai évolué vers une autre mentalité, une autre spiritualité. Je me suis lié d’amitié avec des artistes de race noire, tant Sud-Aléricains qu’Africains ( parmi ces derniers Léopold Sedar Senghor ). En échangeant des imnformations sur nos folklores respectifs, nous nous sommes mutuellment étonnés des ressemblances frappantes, en dépit des variantes locales, entre le vaudou et les pratiques “magiques” toujours en cours en plusieurs endroits de Flandre et de Wallonie. L’intrusion du paranormal, du surnaturel dans la avie ordinaire ne peut pas être valablement constestée malgré les tromperies de charlatans illusionistes.

Ma commune natale, Gilly, dans l’entité de Charleroi, 3eville en importance de la Belgique, est un lieu exceptionnel. Il a des origines qui remontent à la nuit des temps. Son bois de Soleilmont était un centre d’adoration de Bélénos, divinité solaire, avant de ceder la place à une abbaye célèbre. Certains historiens et philologues supposent, non sains raison, que les Celtes ( en grec = keltoï ) ont pour lointains ancêtres le Chaldéens ( dont l’un des dieux principaux est Bel ), peres de toutes les pratiques magiques et divinatoires.

En empruntant le fond à des recites locaux et familiaux, j’ai écrit “Les Pendus de Sainte-Eulalie” dont le succès fut immédiat. Celuici à incite le poete ítalo-belge Remo-Tito Pozzetti à me proposer comme delegue national de L’Académie Internationale de Lutèce, Paris, alors présidée par le grand peintre provençal Marceau Constantin. Mon second roman “Réquiem pour une Sorcière” intéressa la talentueuse poétesse Irene de Saint-Christol, directrice de la Section des Grandes Savants, qui m’instala dans le Comitê Directeur International de la dite Academie., ce qui me permit d’approcher des célébrités du monde scientifique telles que les profeseurs Pierre Lépine, Jean Bernard, Etienne Wolff, et mom compatriote Jules Duchesne avec lequel j’entrai immédiatement en synpathie.

Par moment, il règne en Belgique une athomosphère déplaisante entretenue par la querelle linguistique entre Flamands et Wallons.

Quoi qu’on en dise, 80% des Belges n’entrent pas dans cette dispute qui profite surtout à des séparatistes ambitieux. J’ai rencontré de bons amis parmi des écrivains flamand de grand renom tels qu’Eugène Mattelaer, Elie Rodenbach et Nyla De Maesschalck. Il est vrai que je suis de pèreflamand et de mère wallonne, ce qui est aussi le cas de mon épouse Maria Valeria ( dont le no d’état-civil est Nelly Speybrouck ).

Etre Flamand, être Wallon est un sentiment qui dépend rarement, en Belgique, d’une lignée ancestrale. C’est un sentiment d’appartenance culturelle. C’est ce qui fait, même si cela paraît étrange, que ma femme et moi, nous nous sentons Wallons.

Cette situation m’a inspire “La Belgitude” que j’ai dédiée à Leurs Altesses Royales, Ducs de Brabant, Philippe et Mathilde, qui l’ont agréée.

RAYMOND BATH - Qualquer acontecimento, circunstância, situação, experiência, atmosfera, lembranças, agradáveis ou não, mesmo sonhos ou pesadelos na vida física, afetiva, espiritual, pessoal ou coletiva de um autor podem tornar-se, após filtragem e idealização, matérias literárias.

Na minha adolescência (16-19 anos), quando ainda sofria traumatismos físicos da Segunda Guerra Mundial, senti, como muitos outros da minha geração, a influência do famoso quarteto existencialista: Jean-Paul Sartre, André Malraux, Antoine de Saint-Éxupery e Marcel Camus, os quais exaltavam a coragem, a proeza, o heroísmo, a solidariedade, e, em definitivo, o gosto pela vida, em resposta à uma ordem de coisas cruel, incoerente, absurda.

A partir dos 20 anos evoluí para uma outra mentalidade, uma outra espiritualidade. Criei laços de amizade com artistas da raça negra, tanto sul-americanos quanto africanos (entre esses últimos, Léopold Sedar Senghor). Trocando informações sobre nossos respectivos folclores, nós nos surpreendemos mutuamente com as semelhanças tocantes, não obstante as variantes locais, entre o vudu e as práticas “mágicas” sempre em curso em diversos locais de Flandre e de Wallonie. A intrusão do paranormal, do sobrenatural na vida cotidiana não pode ser validamente contestada, apesar dos enganos de charlatães ilusionistas.

Minha cidade natal, Gilly, na região de Charleroi, terceira cidade em importância na Bélgica, é um lugar excepcional. Suas origens remontam à noite dos tempos. Seu bosque de Soleilmont era um centro de adoração de Bélénos, divindade solar, antes de ceder lugar à uma famosa abadia. Certos historiadores e filólogos supoem, não sem razão, que os Celtas (em grego = keltoï) tem por antigos ancestrais os Caldenses (dos quais um dos deuses principais é Bel), pais de todas as práticas mágicas e adivinhatórias.

Tendo como fundo as histórias locais e familiares, escrevi “Les Pendus de Sainte-Eulalie”, cujo sucesso foi imediato. Isto levou o poeta ítalo-belga Remo-Tito Pozzetti a me indicar como delegado nacional da Academia Internacional de Lutèce, em Paris, então presidida pelo grande pintor provençal Marceau Constantin. Meu segundo romance,”Requien pour une Sorcière”, interessou a talentosa poetisa Irène de Saint-Christol, diretora da Seção de Grandes Sábios, que me colocou no Comitê Diretor Internacional daquela Academia. Isto me permitiu aproximar-me de celebridades do mundo científico como os professores Pierre Lépine, Jean Bernard, Etienne Wolff, e meu compatriota Jules Duchesne, pelo qual senti imediata simpatia.

No momento, reina na Bélgica uma atmosfera desagradável devida à querela linguística entre Flamands e Wallons. Independente do que se diga, 80% dos belgas não entrem nessa disputa, que interessa somente a separatistas ambiciosos. Encontrei bons amigos entre escritores flamands de grande renome, como Eugène Mattelaer, Elie Rodenbach e Nyla De Maesschalc. Na verdade, sou descendente de pai flamand e de mãe wallone, e é o caso também de minha esposa Maria Valéria (cujo nome de solteira é Nelly Sperybrouck).

Ser Flamand ou ser Wallon, é um sentimento que depende raramente, na Bélgica, de uma linha ancestral. É um sentimento sobretudo cultural. Mesmo que pareça estranho, é isso que faz minha mulher e eu nos sentirmos Wallons.

Esta situação me inspirou “La Belgitude”, que dediquei a Suas Altezas Reais, Duques de Brabant, Philippe e Mathilde, que o aprovaram.

SELMO VASCONCELLOS – QUELS SONT LES ECRIVAINS QUE VOUS ADMIREZ?


SELMO VASCONCELLOS - QUAIS SÃO OS ESCRITORES QUE ADMIRA?


RAYMOND BATH – J’en admire tellement que je ne pourrais vous dire ceux que j’admire le plus. Tous les genres littéraires m’intéressent.

Je dois vous dire, cependant, que les philosophes, les érdudits et les savants retiennent particulièrement mon attention. Parce que je dois me limiter, j’en citerai quelques-uns seulement.
De Teilhard de Chardin, je retiens l’idée d’”hominisation”. Après avoir redécouvert Alfred Russel Wallace, ami et rival de Charles Darwin, j’ai inversé “L’Evolution créatrice” de Bérgson en “Création évolutive”. Unissant dans une vision nouvelle la psychanalyse de Freud, le rapport espace-temps d’Einstein, les bouleversements terrestres de Veilikovsky, j’ai compris autrement la Bible, et j’ai redige “A la Recherche de Dieu”.

Au départ, en poésie, j’ai eu pour initiateurs Maurice Carême en ce qui touche “la magie de la réalité”, et Roger Desaise en ce qui touche “la sur-réalité ou réalité fantastique”.

Je ne voudrais pas taire ma dette de reconnaissance à mes illustrateurs, tous artistes prestigieux : Georges Aglane de Nivelles, Marceau Constantin, Willi et Manuela Kruse, Salvatore Gucciardo qui m’ont parfois inspire quelques “morceaux de bravoure”.

Je remercie de tout coeur, pour l’aide qu’il mon apportée, mes nombreux amis que je ne pourais citer tous. Je nommerai, à titre d’exemples, Jean Grassin, René Varennes, Mariinha Motta, Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Selmo Vasconcellos...

RAYMOND BATH - São tantos os que admiro que eu não poderia dizer-lhes os que mais admiro. Todos os gêneros literários me interessam.

Devo dizer, porém, que os filósofos, os eruditos e os sábios detêm, particularmente, minha atenção. Por que devo me limitar, citarei alguns, somente:

De Teillard de Chardin, eu conservo a ideia da “hominização”. Após ter redescoberto Alfred Russel Wallace, amigo e rival de Charles Darwin, eu inverti a “Evolução Criadora” de Bergson em “Criação Evolutiva”. Unindo numa nova visão a psicanálise de Freud, a relação espaço-tempo de Einstein, as desordens terrestres de Veilikovsky, compreendi então a Bíblia e escrevi “À procura de Deus”.

Na poesia, tive como iniciadores Maurice Carême no que toca à “magia da realidade”, e Roger Desaise no que tange à'supra-realidade ou realidade fantástica”.

Eu não poderia calar minha dívida de reconhecimento aos meus ilustradores, todos artistas prestigiados: Georges Aglane de Nivelles, Marceau Constantin, Willi e Manuela Kruse, Salvatore Gucciardo, que algumas vezes me inspiraram “pedaços de bravura”.

Agradeço de todo coração, pela ajuda que me deram, meus numerosos amigos que não poderia citar todos. Nomearei, a título de exemplo, Jean Grassin, René Varennes, Mariinha Motta, Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Selmo Vasconcellos...

SELMO VASCONCELLOS – QUEL SONT LES MESSAGES QUE VOUS DONNERIEZ AUX NOVEAUX POETES?

SELMO VASCONCELLOS - QUAIS SÃO AS MENSAGENS QUE DARIA AOS NOVOS POETAS?

RAYMOND BATH – Il m’est difficile de donner des conseils qui vaille pour tous, vu les différences de tempéraments. Il est bon de regarder de tous les cotes pour s’en instruire et en tirer des méditations. Il faut regarder le mal en face, en prenant garde de ne pas se laisser séduire, ayant pris la décision de mieux le connaître uniquement dans le but de mieux le combattre.

En dehors de la violence physique, il y a la lutte en paroles tempérées par des règles morales.
Au commencement de tout, il y a la Parole.En choisant ses termes, elle est convaincante, elle determine l’action efficace. Pour ne pas infliger des blessures trop graves, trop profondes, elle peut avoir recours ( c’est un procede de “bonne guerre” ) à l’ironie, à la plaisanterie, à l’humour bon enfant. Faut-il pour autant se réserver à la poésie de combat ? Ils ne passeront jamis de mode les beaux sentiments, les délicatesses de language, l’exaltation de la beauté idéale. La poésie cérébrale touche rarement le coeur; elle est lassante; elle est passée de mode.

Peut-être faut-il prendre au sérieux une prophétie que l’on attribue à Malraux; “Le XXI siècle sera religieux ou ne sera pas!”. Encore faut-il la comprendre intelligemment, de la manière le plus large afin qu’elle soit universellement acceptable.

RAYMOND BATH - Para mim é difícil dar conselhos que valham para todos, consideradas as diferenças de temperamentos. É bom olhar para todos os lados para se instruir e para meditar sobre o que se vê. É preciso olhar o mal de frente, tomando cuidado de não se deixar seduzir, tomando a decisão de melhor conhecê-lo unicamente com o objetivo de melhor combatê-lo. Fora da violência física, há a luta em palavras temperadas por regras morais.

No princípio de tudo, há a Palavra. Escolhendo seus termos, ela é convincente, ela determina a ação eficaz. Para não causar feridas graves demais, profundas demais, ela pode recorrer (é um procedimento de “boa guerra”) à ironia, ao elogio, ao humor de bom menino. É preciso, para isso, se apegar à poesia de combate? Jamais sairão de moda os bons sentimentos, a delicadeza da linguagem, a exaltação da beleza ideal. A poesia cerebral raramente toca o coração; ela é cansativa;ela está ultrapassada.

Talvez seja necessário levar a sério uma profecia que se atribui à Malraux:”O século XXI será religioso ou não existirá!” É preciso ainda compreendê-la inteligentemente, de maneira mais ampla, para que ela seja universalmente aceita.

POEMAS

1

À Yvonne Chapel

à la recherche des grands mystères,
j'ai parcouru des pays immenses
et traversé toutes les mers,
mais je n'ai pas trouvé
le rocher solitaire
où le vent vient aiguiser
sa longue patience
avant de tailler
au coeur misérable du désert
une seule rose des sables...

(Poema para Yvonne Chapel)

à procura de grandes mistérios,
percorri países imensos
e atravessei todos os mares,
mas não encontrei
o rochedo solitário
onde o vento vem afiar
sua longa paciência
antes de podar
no coração miserável do deserto
uma única rosa das areias..

2

A Marcelle Roger

Je pense um mot,
je le chante,
et le voici qui se mue en Parole!

Ailes et pétales,
la Parole
émouvante,
légère
comme un oiseau de cristal,

s'envole,
floconne et se fond
dans un Non-Être
plus profond que le Réel.

Moi-même,
un jour, peut-être...

(para Marcelle Roger)

Eu penso uma palavra,
eu a canto,
e eis que se transforma em Palavra!

Asas e pétalas,
a Palavra comovente,
leve como um pássaro de cristal,

voa,
transforma-se em floco e se apoia
em um Não-Ser
mais profundo que o Real.

Eu mesmo,
um dia, talvez...

3

Mauvais chanteur
a du talent chez les sourds.

Méchant diseur
est prince au royaume du silence.

A contempler des astres morts,
nul se risque d'être ébloui.

Avaleur de feu
ne se brüle pas la langue.

Um mau cantor
tem talento entre os surdos.

Um péssimo orador
é um príncipe no reinado do silêncio.

A contemplar astros mortos,
nada se arrisca a ser ofuscado.

Um devorador de fogo
não queima a língua.

4

En langage de source,
la Vérité fut d'avance écrite
sur les feuilles savantes
de trois arbres élévés.

L'une après l'autre,
quand Dieu soufflera son automne,
elles tomberont
dans les cous infaillible du Temps,
et s'en iront à grand murmure
au fil prophétisé
de l'Histoire.

Em linguagem de fonte,
a Verdade foi primeiramente escrita
sobre as sábias folhas
de três árvores educadas.

Uma após outra,
quando Deus soprar seu outono,
elas tombarão
no curso infalível do Tempo,
e num grande murmúrio irão embora
no fio profetizado
da História.

5

Parfois, je me dis que je n'ai jamais vécu mes tendres années,
que le monde me fut tout de suite imposé comme un phénomène sérieux,
que j'ai connu l'âge adulte sans préambule,
comme tous les gosses quand ils sont trop différents des autres.

Comment se fait-il que j'y pense aujoud'hui?

Sans doute parce qu'une petite fille
joue au balon avec son chien, là-bas, sur le trottoir d'en face.

Et si le contraire était vrai?

Si je n'étais jamais sorti de mon enfance,
isolé tel que je le suis, depuis mes premiers songes,
dans un rêve tout éveillé?

Às vezes me digo que jamais vivi meus tenros anos,
que o mundo me foi subitamente imposto como um fenômeno sério,
que conheci a idade adulta sem preâmbulos,
como todos os meninos que são tão diferentes dos outros.

Porque penso nisso hoje?

Sem dúvida porque uma menina
brinca de bola com seu cachorro, lá embaixo, na calçada em frente.

E se o contrário fosse verdade?

Se eu nunca tivesse saído da minha infância,
isolado tal qual sou, desde meus primeiros sonhos,
num sonho totalmente desperto?

Tradução : Neusa Zanirato
Formação profissional: Graduação em Letras pela Unesp / Campus Assis, nas disciplinas de Francês e Italiano.
Professora das duas línguas na escola de idiomas Wizard há 5 anos. Traduziu livros para a editora Larousse do Brasil e participou como revisora na elaboração da gramática Francês + Fácil, também da Larousse.
Ministrou curso de Français des Affaires para funcionários de empresa francesa sediada em São Paulo.
Faz traduções ou versões de livros e textos em qualquer desses idiomas, bem como revisão de livros e textos em português, francês e italiano. Trabalha como tradutora para grandes editoras multinacionais, tendo diversos títulos publicados no Brasil.
Maiores informações : http://franceseitaliano.blogspot.com/

quinta-feira, 25 de março de 2010

NELI MARIA VIEIRA - ENTREVISTA

NELI MARIA VIEIRA

PEQUENA BIOGRAFIA

Neli Maria Vieira nasceu em Santa Catarina a 24/12/1958, vive em São Paulo desde os quatro anos de idade. Reside atualmente na cidade de Santo André.

Artista Plástica, foi integrante do-Crhomo 4 grupo de Artes de S.A

-Participou de coletivas de Arte

- Salões de Arte Contemporânea - Oficinas de arte e oficinas literárias -Saraus na Casa da Palavra

-Diversas premiações. Criou o Primeiro Cenário Inista Brasileiro para o Teatro Municipal S.A

- Participou de Grupos de Estudos Teatrais fez diversos cenários para o Colégio Arbos e Singular.

- Livros publicados no Brasil, Espanha e coletânea literária – Itália

-Premio - Encarte de poesias do Jornal Painel em SBC-Prêmio – de interpretação - Concurso ABIC de Poesias

-Capa do livro de poesias –Teresinka Pereira – USA

-Poetisa por um ano do Programa -Tribuna Livre Radio abc-locutor Ronaldo Linares

-Obra selecionada para Out Door artístico em SCS

-Mostras Internacionais - Ricoleta Buenos Aires, Museu do kemi Finlândia

Museu de Arte Moderna- Pescara Itália e mostra - Dorré França

-É Integrante do Movimento de Arte de Vanguarda I.N .I –( Itália) – e do Grupo Inizil –( Brasil) – do grupo literário Taba de Corumbê – Mauá

- Representou o Brasil no Congresso de Arte Comparada – na Universidade G.d’Annunzio (Itália )

–Ilustradora do jornal -A Voz

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades além de escrever?

NELI MARIA VIEIRA - Artista Plástica, Cenógrafa - Capista e ilustradora - desde outubro de 2007 ilustro semanalmente para o Jornal - A Voz. Sou Analista de relacionamentos por sobrevivência ,e fotografa por paixão.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

NELI MARIA VIEIRA - Surgiu na Escola. Eu lia muitos gibis - Fantasma ( era o meu preferido) ,depois ganhou força nos anos 60 através das belas letras de canções da Jovem Guarda - Roberto , Beatles, Elvis creio que disso surgiu minha percepção poética .Assim fui me dedicando as Oficinas literárias- A primeira foi - Loucura e Desrazão.(sobre os poetas malditos ) - desde então participei assiduamente tanto das oficinas quanto dos Saraus. O que resultou numa produção de 6 livros que aguardam publicação.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do país?

NELI MARIA VIEIRA – :
Livro -Signos Infinitesimais publicado em Madri- Espanha- Editora Grafe Koine

Livro -Corazza a história de muitas vidas - publicado no Brasil-Editora Writers

Participação -Antologia Poética - Os Novos Velhos Rumos da Poesias –Editora Mariposa

Coletânea de textos - Bertozzi Che sei –publicado por Ângelus Novus Edizioni - Pescara Itália

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m ) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura

NELI MARIA VIEIRA - Creio que para um escritor todos os impactos propiciam atmosferas capazes de produção literária , mas creio também que todos precisam de um momento a sós com essa produção , no meu caso essa troca de amor,entre a poesia e o meu EU poeta atinge o seu ápice na madrugada.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

NELI MARIA VIEIRA - Em minha opinião essa é a pergunta mais difícil de uma entrevista. Normalmente pergunta-se qual o filme preferido, a música , o ator, o autor. Em muitas respostas vejo apenas modismo, ou exibicionismo.
O mundo me oferece riquezas demais, escolher autores é escolher diamantes- entre diamantes, por isso vou ser bem franca : Admiro o autor que marca meu momento, tornando-o especial e esses momentos contam a minha história, então tenho a lembrança do primeiro livro que ganhei, “ Poetas Românticos Brasileiros” o livro que precisei reler – Wolfgang Goethe ( Os sofrimentos do jovem Werther) Jorge Amado-depois Nietzsche Guimarães Rosa e Aristides com o mulher azul e a dois minutos atrás Patrícia Neme com seu poema TANTO - enfim...Admiro muitos e muitos autores porém, nem todas as suas obras.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você Daria aos novos poetas?

NELI MARIA VIEIRA - Se por um momento sentir –se poeta, seja para sempre poeta. Esse ‘ ser para sempre’ implica em aprender enquanto vive, e viver intensamente poemando.

E-mail
montbler@yahoo.com.br

Blogs
http://www.neliarte.nafoto.net/ - (Ilustrações)

http://www.arteneli.nafoto.net/ - (exposições I.N.I)

http://blog-tantofaz.blogspost.com/ - ( Poesias)

http://revistainibrasil.blig.ig.com.br/ -(Acontecimentos I.N.I
nacional e internacional)

http://www.geocities.com/SoHo/Gallery/1519/ - ( Grupo INIZIL)

http://www.inism.it/ - (Site do Inismo)

POESIAS
A voz que dança

Quero um corpo
para dançar
celebrar a vida
rodopiar
sentir a música
ver Deus
dentro de Deus
fazendo amor

Quero um rito
um transe
um êxtase
para fluir, libertar
a mulher, a Lilith
este arquipélago
de essências
e ópio
dar um salto
além do agora
com fúria, belezas e risos
assim
nascer e morrer
tal qual
uma flecha de luz

Quero um corpo
para dançar, dançar
rodopiar
enroscar-me
ser serpente
derramar-me
feito - chuva
nas bocas
nos corpos
ao som dos tambores.

Quero um sonho
um beijo louco
na boca de Deus
que chega com fúria
rodopia e dança comigo
nas nuvens
um príncipe do céu
viajante alado
com asas
de gigante albatroz.

Quero uma dança eterna
muitas vozes
e vida envolta
numa reblina azul
onde raios de sol
brinquem
o tempo todo.

Revolta

As palavras
gritam em minha mente.
O suor
corre pelo rosto
com pressa
de tocar o chão.

Por Deus!
Calem as palavras
apaguem a lua
fechem a noite
quero dormir.

Noto o descontentamento
da primavera.
Hoje, chover
é um mau hábito.
O sol a terra o tempo
estão doentes.

Calem as letras!

Impeçam o nascer do dia
as novas guerras
vêm de velhas discórdias.
Não posso sorrir
enquanto meninos inocentes
dormem em camas de lama
e vestem sangue.
Enquanto homens falam
sem nada dizer.
Tentando me fazer crer
que são pontos do destino
viver - matar - morrer.

Cretinos! Dementes!
Por favor!
Calem as palavras

Quero voltar
Para antes do ventre.

Estou

Estou

Estou sombra
não sou ela.

Estou saudade
lágrima transformada
planta enraizada na água
pássaro na janela

Estou

Estou névoa
não sou ela.

Estou silêncio
total ausência
estrela apagada
noite sem lua
reza sem vela

Estou

Estou garoa
não sou ela.

Estou tristeza
na invenção de um sonho
caminho lento
passos sem dono
chão de cores belas

Estou

Flores
caindo das árvores
a chuva varrendo
os rios engolindo
o mar desfazendo

Estou flor
não sou ela.

No canto

Aqui estou
à espera das horas
dos sinais do novo
do tudo assentado
sobre o nada
da presunção de quem ri
da divina dança do por vir

Aqui estou.
Sentada no canto da sala
esperando ver
a leveza dos
ritos selvagens
os pregadores de penitências
e deuses que se envergonham
de serem o que não são.

Aqui
onde encontro meus velhos amigos
anjo-diabo que me carrega consigo
e a bem-aventurada liberdade
que não deixa haver
existência sem tempo futuro
sem sonhos que ainda não vi
sem voo sem flechas sem sol.

Aqui estou.
Sentada sobre velhas lembranças
com a presunção de um meio riso na cara
a faixa de poeta no peito
e o eterno desejo de fugir e recompor-me.
Com vontade de bem e mal na bagagem
arrastando passos na alma - passos de uma dança
que não sai - talvez nem exista
e fica - fica sempre para depois.

Aqui estou.
Sentada no canto da sala
sem ser grande nem pequena
nem louca ou talvez seja
(posso debater a respeito)
porém não sei falta algo
talvez tempo. Não sei!
aqui parada calada
em paz apenas sem pressa de voar
brincando montando desmontando
este eterno jogo
de sair e voltar.

terça-feira, 23 de março de 2010

NICODEMOS SENA - ENTREVISTA

NICODEMOS SENA

DADOS BIOGRÁFICOS

NICODEMOS SENA nasceu no dia 8 de julho de 1958, em Santarém, Pará, Amazônia brasileira, passando parte de sua infância entre índios e caboclos do rio Maró, na região de fronteira entre os estados do Pará e Amazonas. Dessa experiência – que marcou para sempre a sensibilidade do escritor identificado com a terra e as gentes amazônicas – extrairia a matéria-prima com que comporia os seus romances.
Em 1977, vai para São Paulo, formando-se em Jornalismo, pela PUC (Pontifícia Universidade Católica), e em Direito, pela USP (Universidade de São Paulo).
Repórter e Redator em órgãos da imprensa de São Paulo. Durante o ano de 2000, retorna ao Pará, exercendo o cargo de Diretor de Redação de “A Província do Pará”.
Em 1999, faz sua estreia literária com o romance “A espera do nunca mais – uma saga amazônica” (Editora Cejup, Belém, 876 pág.).
A crítica recebe “A espera do nunca mais” com entusiasmo. No Pará, proclamou Vicente Salles: “Com A Espera do Nunca Mais, pela primeira vez temos, na ficção, o caboclo como agente da história, o índio que se destribalizou, que vive entre dois universos que se opõem e se excluem”. (“O caboclo como agente da história”. A Província do Pará. Belém, 15 mar. 2000).
No Rio de Janeiro, escreveu Olga Savary: “É uma alegria quando nos deparamos com um livro como A Espera do Nunca Mais, esta extraordinária saga amazônica, narrada com sedução, seriedade, poesia. Forma e estilo são impecáveis nessa estréia, que nem estréia parece, de tão madura. Uma lição de literatura e brasilidade”. (“Amazonense faz boa ficção com ‘anos de chumbo’ e choques entre culturas”. O Globo. Caderno Prosa & Verso. Rio de Janeiro, 3 mar. 2001).
Em São Paulo, escreveu Oscar D’Ambrosio: “A Espera do Nunca Mais desafia e devora o leitor desde o início. Feito sucuriju, abre sua bocarra e obriga a penetrar num universo denso. Não adianta resistir. Uma vez dentro da boca deste livro-serpente, o destino é conhecer os seus interstícios plenos de um fazer artístico solidamente urdido, elaborado com mãos de mestre”. (“Uma extensa e densa aula de Amazônia”. Jornal da Tarde. Caderno de Sábado. São Paulo, 20 maio 2000).
Em 2000, “A espera do nunca mais” conquista o Prêmio Lima Barreto/Brasil 500 Anos, da União Brasileira de Escritores (UBE/Rio de Janeiro). Em 9 de novembro do mesmo ano, profere a palestra “Mito e imaginação no romanceiro amazônico” (na Academia Paraense de Letras). E, em 14 de outubro, a palestra “O romance e o processo de criação” (na Faculdade de Letras da UFPA na cidade de Castanhal).
Em 2001, é um dos escritores convidados pela IV Feira Pan-Amazônica do Livro (Belém).
Em 2002, Nicodemos Sena aparece no ‘Dossier Amazónico’ publicado na revista literária portuguesa “Construções Portuárias” (nº01), no qual foi incluído um trecho do seu segundo romance A noite é dos pássaros, ao lado de importantes escritores da Amazônia, entre os quais Max Martins, João de Jesus Paes Loureiro, Vicente Franz Cecim, Age de Carvalho, Benedicto Monteiro e Benedito Nunes.
Em 2003, “A noite é dos pássaros” é publicado em forma de folhetim, em dezoito episódios semanais, de 3 de abril a 31 de julho, no jornal “O Estado do Tapajós” (Santarém do Pará) e na revista eletrônica portuguesa “TriploV”. Ainda em 2003, “A noite é dos pássaros” é publicado em formato livro (Editora Cejup, 136 pág.). No mesmo ano fragmentos de “A noite é dos pássaros” são publicados nas revistas “Palavra em Mutação” (nº02) e “Storm-Magazine”, ambas de Portugal.
Ainda em 2003, “A noite é dos pássaros” conquista o prêmio Lúcio Cardoso, da Academia Mineira de Letras, e, em 2004, Menção Honrosa no prêmio José Lins do Rego, da União Brasileira de Escritores (UBE/Rio de Janeiro).
Em outubro de 2003, Nicodemos Sena participa, como escritor convidado, do II Simpósio Multidisciplinar promovido pela UNIFAI/Centro Universitário Assunção, em São Paulo, onde profere palestra sobre o tema “A função da literatura em face da ética e as novas tecnologias”.
Os romances de Nicodemos Sena mereceram comentários em grandes jornais do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Goiânia, Brasília e Belém do Pará (“O Globo”, “O Estado de São Paulo”, “Jornal da Tarde”, “Estado de Minas”, “Hoje em Dia”, “A Tarde”, “O Liberal”, “A Província do Pará”, “O Diário do Pará”, “Jornal Opção”, “Caderno Brasília” etc) e da cidade do Porto, em Portugal (“O Primeiro de Janeiro”).
Sobre a ficção de Nicodemos Sena já se manifestaram importantes críticos e escritores brasileiros, entre os quais Antonio Olinto, Olga Savary, Nelly Novaes Coelho, Oscar D’Ambrosio, Antonio Carlos Secchin, Dirce Lorimier Fernandes, Ronaldo Cagiano, Adelto Gonçalves, Acyr Castro, Manoel Hygino dos Santos, Carlos Herculano Lopes, Nelson Hoffmann, Caio Porfírio Carneiro, Carlos Nejar, Tanussi Cardoso, Vicente Salles, Benedicto Monteiro, Ildefonso Guimarães, Aluysio Mendonça Sampaio, Edivaldo de Jesus Teixeira, Antonio Possidonio Sampaio, Clauder Arcanjo, Bruno Zeni e Enéas Athanázio.
Nicodemos Sena é nome reconhecido fora da Amazônia, tornando-se verbete na “Enciclopédia de Literatura Brasileira”, direção de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (edição conjunta da Global Editora, Fundação Biblioteca Nacional, DNL, Academia Brasileira de Letras, 2ª edição, 2001).
Por seu estilo vigoroso e a temática inspirada na vida das populações marginalizadas da Amazônia (indígenas e caboclos), Nicodemos Sena já foi comparado a grandes ficcionistas brasileiros, como Graciliano Ramos, João Ubaldo Ribeiro, Mário de Andrade e Érico Veríssimo, e a importantes ficcionistas latino-americanos, como o paraguaio Augusto Roa Bastos e o peruano José María Arguedas.
Mais de 6 mil sítios na Internet reproduzem trechos e capítulos dos romances de Nicodemos Sena.
Em 2009, foi lançado “A mulher, o homem e o cão” (Ed. LetraSelvagem, SP, 152 pág., Taubaté-SP), novo romance de Nicodemos Sena, incluído entre as “78 DICAS” do Guia da FOLHA, suplemento do jornal “Folha de São Paulo” (29/05/2009).
Ainda em 2009, foi convidado ao II Salão do Livro de Santarém, sua cidade natal.
Nicodemos Sena reside, atualmente, em Taubaté (SP).
Telefone: (12) 3635-3769 ** E-mail: nicosena@uol.com.br

ENTREVISTA

SELMO NASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

NICODEMOS SENA - Fui fisgado pela literatura ao ler, aos 13 anos de idade, o romance “Ressurreição”, de Machado de Assis. Nessa época, as espinhas começavam a despontar em meu rosto e os livros tornaram-se o meu “esconderijo”. Li tudo da pequena biblioteca do meu tio Olindo Neves, professor de português em Santarém, município do oeste do Pará, onde nasci e vivi até 1977. Neste ano, vim para São Paulo estudar e trabalhar... e sofrer no primeiro ano como operário da indústria têxtil, sem nunca desistir do meu sonho de ser um dia escritor. Imagina! Ser escritor num país como o Brasil, onde não se dá nenhum valor ao pensamento que brota do povo! Se eu soubesse que aos 51 anos o sonho de ser um “escritor brasileiro”, assim como Tolstói foi um “escritor russo”, poderia ter se transformado num pesadelo... Pois, com o golpe militar de l964, que entregou o Brasil ao grande capital, nuvens de vorazes ‘gafanhotos’ começaram a roer a nossa Amazônia e muitos se acanalharam e passaram a se envergonhar de serem brasileiros.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

NICODEMOS SENA - Depois de “Ressurreição”, vieram “Os miseráveis”, de Vitor Hugo, Camilo Castelo Branco e os “românticos” brasileiros. O Machado de Assis das “Memórias póstumas de Brás Cubas” e de “Dom Casmurro” foi uma descoberta, mas “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, foi um murro na cabeça. Enfim, a literatura dava um salto qualitativo, da revolta piedosa para a fria razão, sem nenhum prejuízo para a Arte. O ódio ao Soldado Amarelo e a resignação de Sinhá Vitória produziram um clarão no meu entendimento. Como se um raio me partisse ao meio, compreendi o sentimento do homem corajoso e sensível mas forçado a se amesquinhar num ambiente hostil. Entretanto, salto maior aconteceu aos 19 anos de idade, já em São Paulo, quando conheci os atormentados e delirantes personagens de Dostoiévski, o qual é erroneamente chamado por muitos de um “escritor realista”, pois é o autor de maior imaginação que eu já li, que vai além da descrição desse mundo visível e palpável tão conhecido por todos. Sem dar-lhe o crédito, muitos escritores se inspiram nele. “Metamorfose” de Kafka, por exemplo, é como que o desenvolvimento de um dos tenebrosos delírios do tísico Hipolit, personagem de “O idiota”. Maurice Maeterlinck deve ter lido “Notas do subsolo” para colocar “O pássaro azul” como título de sua famosa peça. O engraçado é que estes autores e outros que beberam em Dostoiévski são considerados em geral autores de textos fantásticos ou absurdos, o que prova que imaginação e “realidade”, e a própria vida, caminham juntas. Também admiro muito o “Dom Quixote”, de Cervantes, que fundou a narrativa moderna, e “Guerra e Paz”, de Leon Tolstói, o grande épico russo, mas é em Dostoiévski, outro russo genial, que encontro, em estado quase puro, no vazio das situações e no silêncio das personagens, os mesmos arquétipos que me acompanham desde a infância e que aparecem em meus livros, como, por exemplo, o do índio velho sentado na beira de um rio sem nome e sem nenhuma importância, fumando o seu cachimbo e coçando os culhões, com os olhos perdidos no nada, de onde vozes e vultos, que só ele ouve e enxerga, conversam com ele numa linguagem que a humanidade já esqueceu: a linguagem dos anjos e dos demônios, e dos loucos. É este homem que aparece no começo do “A espera do nunca mais”, meu primeiro romance, e reaparece como narrador de “A mulher, o homem e o cão”, na mais absoluta solidão, e põe-se a narrar a sua incompreensível história a um ouvinte que pode bem ser você ou eu ou todos nós juntos, ou o próprio velho ou “ninguém”.

SELMO VASCONCELLOS - Você está escrevendo um novo livro?

NICODEMOS SENA - Escrevo um romance enorme, pois só realizei um quarto do plano e já tem 200 páginas. O título provisório desse livro é a resposta que Ulisses dá ao Ciclope: “Meu nome é ninguém”. A história do homem obrigado a apagar os seus próprios passos e a esconder a sua identidade a fim de escapar não apenas do tirano que ele vê à sua frente, mas daquele que está dentro de si mesmo e quer controlar a sua mente. E nesse ponto de fuga desesperado encontram-se tanto o homem primitivo, que aparece nas lendas e mitos da minha terra amazônica, que vive isolado e solitário mas em perfeita paz consigo próprio e com o mundo, como também o homem “moderno” ou “pós-moderno” fragmentado e esquizofrênico. Como vês, a literatura dos livros, que descobri aos 13 anos, fez-se tomar consciência de que a verdadeira literatura nasce bem antes nas narrativas orais do nosso povo, que até hoje me nutrem.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores?

NICODEMOS SENA - Leia. Leia. E releia... Nos livros e principalmente na Vida. Ouça mais do que fale. Aprenda a ouvir o silêncio. Afaste-se do burburinho do mundo sensível. Aprenda a distinguir a Voz entre as tantas vozes, pois às vezes o que parece ser a mais lúcida realidade não passa de fantasmagoria. Desconfie sempre da “realidade” e nunca se envergonhe de sonhar, pois é dentro do sonho que você pode encontrar o “centro do mundo”, o “seu” centro,
onde você se sentirá seguro e nada poderá atingi-lo.

Trecho do romance recém-publicado "A Mulher, o Homem e o Cão"

AGORA, que me vê sozinho, devo parecer infeliz, mas nem sempre foi assim; tempo houve em que a mulher, eu e o menino – e também o cão, que apareceu depois – fomos felizes, até que uma coisa estranha aconteceu. Que coisa? O senhor quer saber? Eu lhe conto, pois não houve um só dia nesses anos todos em que não tenha contado essa história para mim mesmo, mil vezes; há coisas que ainda procuro entender.
Era bem cedo, a mata se espreguiçava com os primeiros alvores da manhã, e o sol – que, como o senhor sabe, tem uma língua esponjosa – já lambia coisas e pessoas, pessoas e coisas, pois aqui tudo dá no mesmo. Peguei as ferramentas e o farnel com alimentos e disse à mulher:
– Fica na cabana até que eu volte, e não desce para o rio.
Tive de repreender o cão, que se apresentava faceiro para acompanhar-me; de uns tempos para cá, deixava o animal com a mulher. Temia não apenas os rebojos, que subiam do fundo do rio e me faziam pensar em monstros aquáticos, mas já a própria fonte das águas, de onde brotam a vida e a morte, a saúde e a enfermidade.
– Não desce para o rio, não sabes nadar! – tornei a dizer, em vão, logo se verá, pois, a partir de certa manhã, alguma coisa se alterou no comportamento da mulher, deixando-me desconfiado – e não era para menos, pois, atraída sabe lá por quê, mal saí, ela desceu para o rio.
– Marido, tudo estava tão quieto – disse-me ela depois. – Diante das águas claras do rio me despi, em grande conflito, pois me lembrei das tuas palavras: “Não desce para o rio”. O cão, que havia me seguido, acomodava-se com a cabeça sobre as patas, atento aos meus movimentos; fiquei constrangida, pois era como se estivesses ali, na vigilante figura do animal. Eu quis voltar para casa, mas acabei entrando no rio, e arrepiei-me toda quando a minha pele aquecida tocou a água fria; parecia que alguém além do cão me vigiava. Encobri a vergonha com as mãos e, em vez de sair para terra, agachei-me até que os seios roçaram a água. Por instantes, estive assim, paralisada, até que, mais tranqüila, com a nudez protegida, olhei para a outra margem e tive de novo a sensação de que alguém, sabe-se lá quem e de que ponto, me espionava. Tornei a lembrar das tuas palavras: “Fica na cabana até que eu volte”. Tive medo. Sentindo-me leve, como que fora do mundo, o corpo dentro d’água, quis me levantar, mas não consegui, o medo se transformou em terror ao lembrar de que não sabia nadar. A minha cabeça rodopiou e os olhos giraram para um ponto do rio, onde então avistei, dentro da névoa que ainda pairava sobre as águas, a coisa mais esquisita do mundo. Eram uns olhinhos negros e brilhantes, visguentos e viperinos, primitivos e sagazes, que me espreitavam. Fiz o sinal da cruz e balbuciei um “ai Jesus!” e, sentindo que ia desmaiar, tive, nesse justo momento, a visão plena da coisa que se escondia na névoa. Era uma criatura vermelha, de pele escamosa, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas.
– Salve, minha princesa e senhora! – disse a criatura à mulher, através de uma das cabeças.
Sua voz era doce e melodiosa, e pareceu-lhe bem familiar.
– Salve princesa vestida de sol, que traz a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça – continuou a criatura, por meio de outra cabeça, que se ergueu mais que as outras sobre a linha d’água.
– Marido, queria que visses, quietude tão plena reinava, como se tudo em volta dormisse, e a claridade do dia adquiriu uma tonalidade mortiça, noturna, mas noite não era, e sim dia! Então olhei para mim. Conforme disse a criatura, princesa eu era, ou pelo menos parecia ser, isso podia ver. Não estava mais nua, vestimentas e jóias de princesa adornavam o meu corpo, sete divinas sentenças ao meu cinto prendiam-se. “Salve, minha deusa, pois divina podes vir a ser, só depende de ti”, prosseguiu a criatura, movendo-se para perto de mim. Percebi o movimento, mas (incrível!) não temi. Mirei nos olhos de uma das sete cabeças da fera e foi como se através deles pudesse enxergar um mundo que jamais pude ver. “Creia-me, não sou tão feio como me pintam”, continuou a criatura, como que adivinhando a minha inquietação. Pois tais seres, marido, não conseguem penetrar os pensamentos internos do coração, desde que estes pertencem somente a Deus, mas podem, por meio de sinais procedentes do ser humano, conjeturar mais astutamente que a mais sábia das criaturas sobre o que há ou acontecerá em nossa mente. “Como saber que falas a verdade?”, indaguei. “A palavra é a verdade, não está escrito? Essa é a maior mentira do universo, pois a verdade não se revela em palavras”, ele me respondeu. “Creio nas Sagradas Escrituras”, retorqui. “A verdade, mulher, é inexprimível, mas há um lugar onde ela se mostra em plenitude”, disse a criatura.
– Que lugar é esse?
– É o mundo submerso, onde a morte e as trevas são belas.
– Deus vive lá?
– Lá vive Deus, mas em todos os lugares também.
– Será isso possível?! Pois está escrito: “Deus é a luz e não há nele treva nenhuma”.
– Lá, o bem e o mal não existem.
– Mas há um bem, que procede de Deus, e um mal, que parte do Diabo.
– Ora, princesa, como diz o ditado: é a intenção que faz a ação. O bem e o mal só existem de acordo com os benefícios ou prejuízos que trazem aos homens. O que é bom para um pode ser mau para outro. A natureza está além do bem e do mal, ignora essa concepção egoísta, um antolho que atravanca a mente dos homens e está na origem das diversas religiões. A crença de que existem, além da essência dos seres, dois fatores diametralmente opostos, é a principal causa dos desacertos terrestres, e torna-se um meio de tranqüilizar e de justificar todas as manifestações, o obstáculo fundamental à possibilidade que aparece em alguns de aperfeiçoarem sua parte essencial – disse a criatura.
– Se for assim, qualquer coisa pode ser justificada, até safadezas. Não compreendo tais assuntos, sei apenas que creio em Deus e no bem.
– Ó princesa, não te amofines com tais ninharias, também creio em Deus, tanto é que o renego; conduzir-te-ei ao mundo das bem-aventuranças – disse-me com voz ciciada a criatura. Sentindo-me amolecida, eu disse:
– Quero conhecer esse mundo.
– Vinde então, princesa minha, e salve a alegria! E que esta seja festejada unicamente pela satisfação de festejá-la, e que a vida, esta venturosa donzela, seja celebrada unicamente pela alegria da celebração, e que a morte, tão bondosa quanto injuriada, seja bendita, pelo amor ao recomeço que ela representa. Vinde comigo, princesa!
– O mundo ao qual te referes está muito longe? Preciso voltar antes do meu marido.
– Quem, minha princesa, vai ao mundo submerso, dificilmente retorna.
– Como estás aqui?
– Mas é como se não estivesse, pois deste mundo não sou; se vieres comigo, arrisca-te a deixar de sê-lo.
– Então não poderei voltar para meu marido?
– É bom que voltes, para transmitires o que te foi revelado, mas tua alma pode ficar lá no fundo, pois muitos viajaram para aquém da infância e não regressaram.
– Não compreendo...
– Pois bem, pensa: quem, tendo deixado este mundo, desejaria retornar? Quem assim estivesse, lá ficaria.
– Continuo sem compreender...
– Se fores à terra sem retorno e não discutires os seus ritos, compreenderás todas as coisas que ao homem não foi dado conhecer.
– Então partamos!
– Queres mesmo ir? És capaz de assumir por ti mesma a responsabilidade de fazer a perigosa jornada na escuridão?
– Acho que estou preparada.
– Não temes a minha grotesca figura?
– Confesso que a primeira impressão não me foi das melhores, mas já me acostumei.
– Sou o arauto da morte, ainda assim não me temes?
– Por que temeria? Na vida, a morte é absolutamente certa.
– É um bom começo. No mundo dos mortos encontrarás vida em abundância, mas verás coisas inimagináveis, e insidiosas criaturas tentarão barrar teu caminho; todavia, mal nenhum te sucederá se compreenderes que o ser e o não-ser, a vida e a morte, a beleza e a feiúra, o bem e o mal não passam de rochas que esmagam os viajantes, mas pelas quais os corajosos sempre passam.
Então, senhor, a mulher disse, com voz trêmula:
– Não percamos tempo!
E a criatura: – É só voar!
– Voar?! Mas não tenho asas! – admirou-se a mulher.
– E como chegaste até este ermo?
– Meu marido trouxe-me de canoa.
– Engano teu, vieste voando.
– Não é possível!
– Então te olha no espelho do rio – ordenou-lhe a figura.
Ela obedeceu e, estupefata, enxergou refletida nas águas em vez de mulher uma águia.
– É o que sempre foste – disse a figura. – Pois está escrito: “E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente”.
– Mas... e as asas? Não as vejo! – exclamou ela, mirando-se nas águas. – Um pássaro sem asas não voa! – completou.
– Quem te disse? Asas são como brotos que nascem na mente, por isso um bicho como o homem, que não tem asas, pode voar. No mundo submerso verás homens com asas na cabeça.
– Por que perdi minhas asas?
– Para que não fugisses dos que te queriam aprisionar.
– Como aconteceu isso?
– Foi nos tempos antigos, muito antigos, quando os homens tinham terrível medo das águias.
– Conta-me essa história?
– Não tens pressa em chegar ao mundo inferior?
– Podias contar brevemente...
– Se assim queres, eu conto.
E então, através de suas sete cabeças, que se revezaram na tarefa, a criatura contou que nos tempos antigos, muito antigos, uma águia gigantesca ameaçava os homens. A ave de rapina devorou a irmã do pai dos dois poderosos ancestrais dos homens. Estes foram criados pelo pai debaixo das águas de um grande rio, a fim de se tornarem homens fortes, capazes de matar a ave temida e vingar a morte da tia. Escondidos numa armação de madeira, os meninos ficavam apenas com os rostos de fora. De cinco em cinco dias a mãe vinha vê-los e trazia bolinhos e outras guloseimas para eles, e assim se tornaram gigantes. Naqueles tempos, os homens eram pequenos e fracos; apenas os dois meninos cresceram como gigantes, porém os homens da aldeia nada sabiam a seu respeito. Quando ficaram homens, o pai os levou para a aldeia, mas todos lá se amedrontaram com os homens tão grandes. Então o pai fez uma casa enorme de troncos de palmeira, onde os dois jovens passaram a morar. Em seguida, falou sobre a ave de rapina que havia devorado sua irmã. Então os filhos partiram atrás da ave, a fim de vingar a morte da tia. Lá longe, na borda do grande cerrado, havia uma árvore cujos ramos abrigavam o ninho da águia gigantesca, cujas garras eram como grossos troncos de árvore; a cavidade de sua boca parecia-se com a fauce do tapir, suas plumas lembravam folhas de bananeira e os olhos eram de um tamanho aterrorizador. A ave arrebatava os homens pelos ares e em seguida os devorava, de modo que eles, temerosos, não mais se arriscavam fora da aldeia. Então os jovens gigantes, armados de machado e lança, foram até a árvore onde estava o ninho e feriram a águia e arrancaram-lhe as asas.
– Naquele mundo – concluiu a criatura – havia apenas o sol, noite não havia. Os homens, que enxergavam apenas com os olhos da cara, as asas da mente não viam.
– Tornarei a ver minhas asas? – perguntou a mulher.
– Elas só podem ser vistas à noite – respondeu a criatura.
– Mas nem de noite as vejo!
– É que só conheces a curta noite do sono; a eterna noite do mundo interior, de onde os animais vieram, apagou-se de tua memória, pois no esquecimento é que os homens se refugiam da loucura.
– Quero conhecer a noite eterna.
– Então vira de costas e fecha os olhos – ordenou a criatura.
Ela obedeceu, e a fera lançou de suas sete bocas, atrás da mulher, água como um rio, para que pela corrente a fizesse arrebatar. E então, senhor, aconteceu o que eu temia: no rebojo que se formou com a água expelida pela boca da criatura, a mulher foi tragada. Quando deu por si, estava do outro lado, não apenas do rio, mas de uma espécie de véu transparente que os separava – a ela e à fera, em cujo dorso ia sentada – do mundo de onde tinha vindo. Só então pôde ver que o monstro possuía duas enormes asas e seu corpo era diferente de tudo que ela conhecia, parecendo feito de matéria diversa da nossa. Sua forma animalesca e terrível contrastava com o encanto de seus movimentos. Da voz e do olhar fluíam halos de beleza que, segundo a mulher, palavra alguma seria capaz de descrever. Pela primeira vez, ela sentiu o perfume de flor, oloroso e entontecedor, que se desprendia da criatura e deixava-a incrivelmente tranqüila no dorso da fera, que se movia nas profundezas.
– Marido, se eu não tivesse olhado pela última vez para a terra e avistado o cão, o que me fez lembrar da minha condição de mulher, costela de Adão, não mais haveria passado nem futuro, mas só o presente contínuo e eterno. Do outro lado do véu, vi o cão agitado; andava de um lado para outro, entrava e saía d’água e se detinha sempre num mesmo ponto da praia, como que cheirando e lambendo algo, gania e latia, mas eu não podia ouvi-lo, parecendo tudo tão próximo e ao mesmo tempo tão distante. Coitado do cão, que eu havia deixado. “Posso levar o cachorro?”, perguntei à criatura. “Não”. “Por que não?”. “No mundo para onde vamos, o cão já foi homem; antes de voltar ao que era, precisa cumprir sua missão na Terra”, explicou-me a criatura. “É um bom cão, eu e meu marido gostamos muito dele”, disse eu, resignada. “Eu sei, teu filho também gostava”. “Como sabes que tive um filho?!”. “A Terra me pertence, sei de tudo o que nela acontece”, disse-me a criatura. Atravessamos uma região sombria, onde fazia muito frio. Eu ia encolhida no lombo da criatura, animal nenhum havia ali, mas apenas musgos, lianas, samambaias e outras plantas, que murmuravam entre si. Um calafrio percorreu meu corpo. Lembrando de ti, ó marido, no mato àquela hora, perguntei: “Chegaremos logo ao mundo submerso?”. “Acalma-te, voltarás antes dele”, tranqüilizou-me a criatura.
Então, senhor, a mulher tornou a pensar no cão, e, toda vez que pensava nele, lembrava do filho que havia partido.
– O filho que nunca mais poderás conceber – disse-lhe a criatura, adivinhando os seus pensamentos.
Lembrando do filho, ela chorou. Lágrimas de sangue chorou a mulher. Em sonho ou em vigília ruminava a sua dor.

segunda-feira, 22 de março de 2010

DANAE G. PAPASTRATOU ( ATENAS, GRÉCIA ) - ENTREVISTA

DANAE G. PAPASTRATOU

-DANAE G. PAPASTRATOU, born in Patras, Grece, now lives in Athenas, she studied Law, French Literature and Journalism in Athens and in Paris, France, PH.D. and LITT. D. She knows the languages english, french, italian, spanish, portuguese and greek ( ancient and modern ). Hás been worked in the Press, as reporter, columnist and translator.
-DANAE G. PAPASTRATOU, nascida em Patras, Grécia, agora vive em Atenas. Estudou Direito, Literatura Francesa e Jornalismo em Atenas e Paris, França. Possui Ph.D. e Pós-Doutorado. Conhece as línguas: inglesa, francesa, italiana, espanhola, portuguesa e grega (antiga e moderna). Já trabalhou na imprensa como repórter, colunista e tradutora.

-Has 35 books in her credit, edited, poetry, short stories, travel impressions, essays reviews, translations. Many of her articles have been published in journals greek or abroad. Also she hás translated and edited the books of the Japanese Poets : Kazuyosi Ikeda and Takashi Arima, of the American William Davey and of the Pakistani Wazir Agha etc.
-Possui trinta e cinco livros com seus créditos, publicações, poesias, contos, relatos de viagens, ensaios, revisões e traduções. Vários outros artigos foram publicados em jornais gregos e no exterior. Também já traduziu e editou os livros dos poetas japoneses Kazuyoshi Ikeda e Takashi Arima, do americano William Davey e do paquistanês Wazir Agha, entre outros.

-Has received 100 Awards, from Greece or Abroad. Participated also in Congresses, such as of W.A.A.C. in Maebashi, Japan where received the “doctorate of Literature”, also receveid the Golden Krown in the Congress in England of the “United Poets Laureate International”, also in Piza, Italy was first among 1200 in G.Gronchi Poets participated. In Paris, France received the Ist Prize de l’Instutut Académique de Paris etc. In Athens received Ist Prize from the “Association Hellénique des Journalistes et Ecrivains du Tourisme”. Last year received the Prize”Ioulias Latridis” from the “Society of Literary Translators” etc. Awards also from l’academie Lutèce de Paris, des “Jeunesses Culturelles” tde Belgium, du Musée Faltaits, de “Ordem Brasileiro de Cordel” etc. etc.
-Já recebeu cem prêmios na Grécia e no exterior. Também já participou de Congressos, como o W.A.A.C. em Maebashi, Japão, onde recebeu o “Doutorado em Literatura”; recebeu a “Coroa de Ouro” no Congresso Inglês da “Uniãos dos Poetas Laureados Internacionais”; também em Piza, Itália, foi a primeira entre mil e duzentos participantes no “Poetas G. Gronchi”. Em Paris, França, recebeu o primeiro prêmio do “Institut Académique de Paris”. Em Atenas recebeu o primeiro prêmio da “Association Hellénique des Journalistes et Ecrivains du Tourisme”. Ano passado recebeu o prêmio “Iolias Latridis” da Sociedade de Tradutores de Literatura. Também recebeu prêmios da “L’Académie Lutèce de Paris”, da “Jeunesses Culturelles” na Bélgica, do “Musée Faltaits”, da Ordem Brasileira de Cordel etc.

-Her Works have been translated in the languages: english, french, italian, spanish, german, portuguese, danish, indian, papanese, chinese, urdu ( of Pakistan ), guzarati ( Indian ), benghli ( Indian ), romanian etc.
-Seus trabalhos foram traduzidos para as línguas: inglesa, francesa, italiana, espanhola, alemã, portuguesa, dinamarquesa, japonesa, chinesa, urdu (do Paquistão), guzarati (Índia), benghli (Índia), romena etc.

-Memberships : in the “Society of Greek Authors”, the Society of Literary Translators, Union Internationale dês Critiques Literaires, Association Hellénique dês Journalistes du Tourisme, also of F.I.J.E.T. , of the WAAC – World Academy of Arts and Culture, de l’Academia Ferdinandia de Catania etc. She is also Vice-President of the “Group of Writrs of Hilioupolis”.
-Ela é membra: da Sociedade dos Autores Gregos, da Sociedade os Tradutores Literários, “Union Internacionale dês Critiques Literaires”, “Association Hellénique des Journalistes et Ecrivains du Tourisme”, também da F.I.J.E.T., da WAAC- World Academy Arts and Culture, da “L’academia Ferdinandia de Catania” etc. Também é Vice-Presidente do Grupo de Escritores de Heliópolis.

-He Works have been taught in the University of Toronto, Canada and also D.P. had for 10 years a literary collaboration with the University de Aix-en-Provence in France.
-Seus trabalhos foram lecionados na Universidade de Toronto, Canadá, e também participou com contribuições literárias por dez anos na Universidade de “Aix-en-Provence”, na França.

-For her Works have written the writers, crities etc. G.H. Aufrèrre, Renée Jacquin, Paolo Stomeo, Jean-Paul Mestas, V. Rotolo, Carla Craus, Li Zhi, Suresh Chandra Duivendi, Javisder Singh, Manoranjan Das, D. Siatopoulos, K. Valetas, D. Stamelos, I.M. Panayiotopoulos, Zitsaia A. Fouriotis, M. Stafylas, K. Sardellis, Nicos anogis, Nico spanias, Angeliki Stergiou, G. vrellis, G. Voiklis, Vassilis Vitsaxis, I. Koutsoheras etc.
-Para os seus trabalhos colaboraram os seguintes escritores e críticos: G.H. Aufrèrre, Renée Jacquin, Paolo Stomeo, Jean-Paul Mestas, V. Rotolo, Carla Craus, Li Zhi, Suresh Chandra Duivendi, Javisder Singh, Manoranjan Das, D. Siatopoulos, K. Valetas, D. Stamelos, I.M. Panayiotopoulos, Zitsaia A. Fouriotis, M. Stafylas, K. Sardellis, Nicos anogis, Nico Spanias, Angeliki Stergiou, G. vrellis, G. Voiklis, Vassilis Vitsaxis, I. Koutsoheras etc.

INTERVIEW / ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - What are your other activities besides writing?
DANAE -I have been working as journalist, columnist, chief-editor.
Other activities : painting, travels, gardening, etc.
SELMO VASCONCELLOS - Quais são suas atividades além de escrever?
DANAE – Tenho trabalhado como jornalista, colunista, editora-chefe e realizo outras atividades como pintura, viagens, jardinagem etc.

SELMO VASCONCELLOS - How did you start being interested in literature?
DANAE – In our house, we had a big library – at present I have 7 libraries – so I started to read Literature in the age of 7 years, Books from Homer to the French novelists. I wrote my first short story in the age of 12 years. For a Magazine for young people, awarded by the first Prize.
SELMO VASCONCELLOS - Como você começou a se interessar por literatura?
DANAE – Na minha casa, nós tínhamos uma grande biblioteca – atualmente tenho sete bibliotecas – então comecei a ler com sete anos de idade. Lia livros que iam de Homero a romances franceses. Escrevi meu primeiro conto aos doze anos de idade para uma revista destinada a jovens e também recebi meu primeiro prêmio.

SELMO VASCONCELLOS - How many and wich are your published books in and outside you country?
DANAE – My published Books are in general 50. The 35 are from my own writings. The other 15 are translated from texts of other-foreign mostly – writers here a short list : ( most are exhausted )
*Travels with the Polar ( reportages de voyage ) 1978
*À Vol d’oiseau. Poesie et essais in french. 1979
*We will see in Philippoi – short stories – 1981
*Without periphrasis – Poetry – 1981-2
*Diadromes – 30 articles about greek or foreign countries – 1989
*Anichnefisis – ( Searchings ) essays – 1992
*In the wings of the winds – Poetry in greek and english language – 2000
*Human Horizonts – Polyglot – multilingual Poetry in 12 languages – 1996.
*Greek Poetry today – Anthology of 85 contemporary Greek Poets, edited in 1994-5, in Aligarh, Índia.
*Anthology of Indian Poetry – with 55 modern poets from Índia, 2000
*Agora – Anthology, Greek- Italian, edited in Italy, in 2005.
Etc. etc. Books for Children, articles etc.
*Also – the edition of the Magazine “Perigramma”, since 1985
-Also, translations from the Poets- Writers : Takashi Arima ( Japan ), William Davey ( USA ), Kazuyisi Ikeda ( Japan ), Wazir Agha ( Pakistan ), Jean-Paul Mestas ( France ), Baldev Mirza ( Índia ), H. Tulsi ( Índia ), Zhang Zhi ( China ), Choi Lae Seung ( China ), Esther Gress ( Danemark ), ( and I was included in her Anthology, also in 30 other Anthologies )
-In 2000, hás edited in Beijing-China my book “Light of Aegean Sea” in chinese language, by the professor Li Chi.
-In 2009 has edited in New Delhi- índia, my poetic book “Greek Garden” in enmglish language, by the Sanbum Editions.
-Recently, in 2009, hás edited the new edition : “D. Papastratou- Thirty years of Literary March”, including Reviews about my books.
-There are and 49 published numbers until now of my Magazine “Perigramma” edited from 1985.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais são seus livros publicados dentro e fora de seu país?
DANAE – Meus livros publicados estão em torno de cinqüenta. Trinta e cinco foram escritos por mim mesma. Os outros quinze são traduções de textos de outros escritores, a maioria é estrangeiro. Aqui uma pequena lista:
-Travels with the Polar - Reportagens de viagens - 1978
-À Vol d’oiseau - Poesias e Ensaios em francês - 1979
-We will see in Philippoi – Conto – 1981
-Without periphrasis – Poesias – 1981-2
-Diadromes – 30 Artigos sobre a Grécia e países estrangeiros – 1989
-Anichnefisis – (Pesquisas) Ensaios – 1992
-In the wings of the winds – Poesias em grego e inglês – 2000
-Human Horizonts – Polyglot – Poesias em 12 idiomas – 1996.
-Greek Poetry Today – Antologia de 85 poetas gregos contemporâneos, editado em 1994-5, em Aligarh, Índia.
-Anthology of Indian Poetry – com 55 poetas modernos da Índia, 2000
-Agora – Antologia, Greco- Italiana, editada na Itália, em 2005.
-Livros infantis, artigos etc.
-Editora da Revista “Perigramma”, desde 1985
-Também, traduções para os Poetas e Escritores: Takashi Arima (Japão), William Davey (EUA), Kazuyisi Ikeda (Japão), Wazir Agha (Paquistão), Jean-Paul Mestas (França), Baldev Mirza (Índia), H. Tulsi (Índia), Zhang Zhi (China), Choi Lae Seung (China), Esther Gress (Dinamarca), (também fui incluída na Antologia desta escritora, e também em 30 outras Antologias)
- Em 2000 editei em Beijing, China, meu livro “Light os Aegean Sea” em chinês com a professora Li Chi.
- Em 2009 editei em Nova-Delhi, Índia, meu livro de poesias “Greek Garden” em inglês pela editora Sanbum.
- Recentemente, em 2009, fiz a nova edição do: ”D. Papastratou – Trinta anos de marcha literária”, incluindo revisões de meus livros.
- Há 49 publicações, até agora, da minha revista “Perigramma”, editada desde 1985.

SELMO VASCONCELLOS - What are the impacts/effects that help to creat a perfect atmosphere to produce literature?
DANAE – I don’t need a special atmosphere. I can write in na office, but even in a ship or in a train.
SELMO VASCONCELLOS - Quais são os impactos/efeitos que ajudam a crias uma perfeita atmosfera para produzir literatura?
DANAE – Eu não preciso de uma atmosfera especial. Consigo escrever num escritório ou até mesmo num navio ou trem.

SELMO VASCONCELLOS - Which are the writers that you admire the most?
DANAE – They are the novelists French and Russian.
I simpathize mostly the russian Anton Tchekhov (Chekhov ) and the norvegian Henry Ibsen. From the Greks are : Homer, and the Lyrics poets of ancient Greece. From the contemporary are : Nikos Kazantzakis ( I wrote about him, also for others ), and the Poets : Palamas, Kavafys, Nobel Elytis, Nobel Seferis, Ritsos etc etc.
SELMO VASCONCELLOS - Quem são os escritores que você mais admira?
DANAE – São os romancistas franceses e russos. Eu simpatizo muito com o russo Anton Tchekhov (Chekhov ) e também com Henry Ibsen. Os gregos são: Homero e os poetas líricos da Grécia antiga. Entre os contemporâneos estão: Nikos Kazantzakis (Já escrevi sobre ele e também sobre outros), e os poetas: Palamas, Kavafys, Nobel Elytis, Nobel Seferis, Ritsos etc.

SELMO VASCONCELLOS - What incouraging message would you give to others writers?
DANAE – Work, work, work and rad continuossly.
Before all : Humanism, Messages for Love, Peace and Solidarity.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem encorajadora você daria aos outros escritores?
DANAE – Trabalhe, trabalhe, trabalhe e continue incansavelmente. Por fim: Humanismo, mensagens de amor, paz e solidariedade.

POETRIES / POESIAS

LIGHT OF THE AEGEAN

Such a reflection
of ancient broken stones,
interrupted by the winds,
interpreted by the waves,
light of white from the sun
even through eyelids closed,
one can see the universe
becoming young again and again
exactly like
the First Day
created by God.
White splendour of the Aegean,
a joy of light and shadow,
where the old stones,
in their engraved epigrams
speak eternal truths
of Beauty and Peace,
Humanism and Brotherhood-
just what is meant by
real Human spirit,
through the centuries
through the continents,
true human conscience.
I hear in a shell
all the echo of the universe.

LUZ DE UM EGEU

Certa reflexão
De pedras anciãs partidas
Interrompida pelos ventos,
Interrompida pelas ondas,
Uma luz branca do Sol
Mesmo com os olhos fechados,
Consegue-se ver o universo
Ficando jovem outra vez
Exatamente como
O Primeiro Dia
Criado por Deus.
Esplendor branco do Egeu,
A alegria da luz e da sombra,
Onde as pedras antigas,
Em seus epigramas gravados,
Dizem verdades eternas
De Beleza e Paz,
Humanismo e Irmandade-
Só que quer ser dito pelo
Real espírito Humano,
Através dos séculos,
Através dos continentes,
Verdadeira consciência humana.
Eu escuto em uma concha
Todo o eco do universo.

OUR TOWER OF BABEL

Spirit of Union towards the sky,
human optimism the colour of vanity,
our hands to the chaos of the universe.
A new page for Humanity...
I feel your thought
I feel your pain
I can breathe your scent.
We can all' see our perspiration
over the ages.
We build and rebuild
in the hope of reaching the Divine
with the dream of reaching God,
but nothing.
The Tower of Babel
a non-existent vision for Humanity,
but good enough for us,
to forever continue the effort,
to keep hope alive.
The only gift of Pandora.

NOSSA TORRE DE BABEL

Espírito de União em direção ao céu,
Otimismo humano, a cor da vaidade,
Nossas mãos para o caos do universo.
Uma nova página para a Humanidade...
Eu sinto seus pensamentos
Sinto sua dor
Posso respirar sua fragrância.
Todos nós podemos ver nossas perspirações
Através da idade.
Nós construímos e reconstruímos
Na esperança de alcançar o Divino
Com o sonho de alcançar Deus,
Mas nada.
A Torre de Babel,
Uma falsa visão da Humanidade
Mas boa o suficiente pra nós,
Para continuar sempre o esforço,
De manter viva a esperança.
O único presente de Pandora.

"WE WILL BECOME MUCH BETTER
THAN YOU"


"We will become much better than you,"
Declared the ancient youths in their wisdom,
"We will become much worse than you,"
Insinuate -without confessing it-
Some of today's youths in their folly.
In the landslip of values and ideals,
Looking at utopias and distant visions,
They do not nourish but the hidden hope,
To live stealthily, at the cost of others,
Away from toils but also from the furies,
Always absent and shunning work.
But the persecuted Mind sometimes avenges itself
And sooner or later crushes the rotten matter,
Which, devastated from the instincts and arrogance.
Hardly ever recovers,
Because rough is the Uphill Road and Narrow the Gate

“NÓS SEREMOS BEM MELHOR QUE VOCÊ”

“Nós seremos bem melhor que você,”
Declarou os jovens anciões em seus conhecimentos,
“Nós seremos muito pior que você,”
Insinuou – sem confessar –
Alguns dos jovens de hoje em suas insensatez.
No desmoronamento de valores e ideais,
Procurando por utopias e visões distantes
Eles não nutrem nada, a não ser esperanças escondidas,
De viver furtivamente, a custa de outros,
Longe de laços, mas também de fúrias,
Sempre ausentes e entregues ao ostracismo.
Mas a mente perseguida às vezes se vinga
E mais cedo ou mais tarde esmaga uma questão podre,
Que, devastada pelo instinto e arrogância,
Raramente se recupera.
Porque tortuosa é a estrada morro acima e estreito o portão.

*Thank you and my Greetings to Gentle Brazilian People
Also my Best wishes to the excellent Mr. Selmo Vasconcellos ( Poet and Editor ) and the writers : Mrs Maria Aparecida de Barros, Mrs Djanira Pio and the poet Ilma Fontes also the musician Valdir Ramos.
Danae Papastratou, 23 /01 / 2010.
*Obrigada e lembranças ao gentil povo brasileiro.
Também muito abrigada ao excelente Senhor Selmo Vasconcellos (Poeta e Editor) e às escritoras: Maria Aparecida de Barros, Djanira Pio, à poeta Ilma fontes e também ao músico Valdir Ramos.
Danae Papastratou, 23/01/2010.

Tradutor :
FABRÍCIO KENJI HIRANO, 28 anos.
São Paulo, SP, Brasil.
Formado em Propaganda e Marketing.