terça-feira, 21 de setembro de 2010

VANDA FERREIRA - ENTREVISTA nº 265

VANDA FERREIRA

BIOGRAFIA

Vanda Ferreira, cujo apelido é Bugra, nasceu aos 04 de fevereiro de 1959, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil. É produtora de artes, ativista cultural e ambiental. Autora do movimento Pé de luxo (palestra) pela continuidade de vida.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

VANDA FERREIRA - A aposentadoria chegou prematuramente e adiantei o projeto que tinha para a melhor idade, qual seja dedicação às atividades artísticas, culturais e ambientais. No campo das artes atuo na literatura e artes visuais; Dedico-me ao ativismo cultural agregando assuntos ambientais, em especial sensibilização ecológica. Minha produção é comprometida com a continuidade de vida.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

VANDA FERREIRA - Quando adolescente, gostava de ouvir música envolvida pela letra; gostava de ler contos, deliciando da poesia nas entrelinhas. Gosto de palavras, eu as degusto. Apreciava ler anúncios de produtos de beleza. Meu despertar foi a descoberta da poesia, na prosa diária das pessoas, nos livros de contos, nos romances, na leitura que faço da natureza.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

VANDA FERREIRA - Publiquei oito livros: Eu e Você, um livrete de versos selecionados de poesias de minha autoria; Bugra Sarará, primeiro livro de poemas, uma coletânea, uma mistura de produção sem preocupação com o processo seletivo; No reino do arco-íris, versos e versos; O grito do Poeta, livrete de um longo poema que diz que “por amor morremos e por amor ressuscitamos”; Também publiquei “Amante da poeira vermelha”, outro livrete; este escrito especialmente para lançar no 1º Encontro internacional de poetas, realizado em Assunção/Paraguai; Depois publiquei mais dois livros de poesia, “Bugresia” e “Matutações” . Agora em 2010, publiquei “O Testamento”, romance em prosa poética. Além das diversas antologias regionais e nacionais, participei de “Os sete pecados capitais”, lançado em junho último, na feira de livros de Barcelos/Portugal. Tenho no prelo 11 livros, entre poesia, prosa, contos e crônica. No acaso, tentei criar e-book e organizei “Olhos bugrais/prosa e poesia” e “Roteiro da liberdade/poesia”, estes postei em meu blog wwwbugra.blogspot.com/

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

VANDA FERREIRA - Penso que o poeta tem uma antena especial de percepção sentimental e esta antena capta de todo o contexto ambiental, familiar, social, recreativo, etc, propiciando a criação por meio de inspiração; daí para a produção artística é uma questão de comprometimento e respeito pela arte poética. Não invocamos por poesia, a poesia nos convida para sua apresentação.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

VANDA FERREIRA - Gosto do simples, do vocabulário compreensível. As palavras difíceis devem ser reservadas para livros científicos, para assuntos específicos. Vejamos Cecilia Meirelles, quanta poesia!!! Na verdade admiro o escritor que produz sem vaidade, que escreve porque precisa escrever e não porque deseja. Assim foi Castro Alves, Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Tenho especial apreço por criações, pelo inédito, pela originalidade. Leio tudo e todos. Leio papeis que encontro pelo lixo, ou me entregam na rua, ou enviam em minha caixa de correio. Tenho conhecido poetas maravilhosos e desconhecidos.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

VANDA FERREIRA - Poetas são seres especiais, são mensageiros. Poetas são especialmente poderosos. Sua ferramenta é a palavra e deve ser usada com cuidado para a propagação do bem. Acredito que a construção de poema é construção de atitude, então pensemos: qual minha atitude? Particularmente, entendo que alguns dos poemas que escrevemos servem apenas de desabafo e não tem importância para se tornarem públicos. Se eu “pudesse” diria: seja verdadeiro e fará belíssimas poesias.

POEMAS

Lambeção

Este ar primaveril,
beijado por beija-flores,
perfuma versos,
tinge de verde-esperança,
rima coração e canção,
passarinho e ninho;
alegria, cantoria, folia, formação de família.

Este ar primaveril
refaz sucumbida morte,
valente desejo de semente;
processa desfolhamento
para plascentear ,
nutrir embriões no exposto útero
fecundado em lambeção de vento.


Entardecimento

Florido ramo de laranjeira
perfuma pensamentos;
rastro da revoada de passarinhos
emana poesia,
leveza de luar no entardecimento da montanha espiadora de mim.

Rãs cantoras,
chocalhos nas gargantas,
para a entranda não solitária da noite.

Saltam para despertar
os morcegos que repousam
no beco de meu peito.

Invasão do labirinto,
sinos de torre não vista,
escondida na história de um secreto caminho
na serra de pedra bruta,
antes da alvorada.


Umidade genuína

Chuva lava saudade,
alivia ardências,
encharca desejos,
aduba alegria;

Ressoa telhado,
alquimia de barro,
bronze zumbindo em dedos d'água.

Chuva instala umidade,
inunda a fé no mar aos pés de pomares, jardins e hortas.

No coração da terra pulsa promessas,
sagra futuro,
raiar de plenitudes.

Amanhecerá farturas.


PÃO

Sovo pão nos departamentos bucais;
sede da língua
fome dos dentes,
linguagem do paladar
amassa-pão,
Celeste massa!

Boca cheia cria levedada fantasia
ejeta picância à saliva
para fermentar rodeios
invasões na varanda do pensamento.

Mastigo lembranças,
imagináveis emoções
estacionadas em desconhecida alvorada;

Divagações na avenida do crânio
trânsito livre
logro do esmo
idéias viajeiras para passado,
futuro, histórias, personagens,
pessoas e lugares ,
antiga e atual mente;

Na cumbuca cerebral
fornalha assa-pães.

como pão,
untado de especiarias matinais
Trituração de sal, fel, mel
Roça e curral.

Digestão libera verdades...
sangria de conclusão.


Ciclo diário

Dia nasce de parto celeste.
Útero rasgado por filetes solares;
Manhã tem lisa, fresca,
Fina pele de pitanga verde.

Até entardecer:
Intensa adolescência,
Vespertina faixa etária
Brinca de passarinho, macaco,
Desabrochares de pétalas,
Aberturas para exibir duendes.

O dia anoitece,
Então adulto,
Encerra-se em supremacia
Das serpentes tatuadas pelo vento
Nos corpos das árvores


Aprendiz do bem

Aprendi com meu pai coisas importantes. Por exemplo olhar e ouvir, ouvir e sentir. Aprendi artes: macerar com o coração, fundir meu sangue com o verde florestal; Aprendi comer com os olhos e degustar as delícias dos cheiros, e, então, desenvolvi língua na testa, aflorada de paladar, para lamber paisagens. Aprendi com meu pai a leitura das tatuagens que mapeiam os troncos de velhas árvores e expus o coração revestindo-me os ossos para ouvir passarinhos.
Aprendi com meu pai que o mundo é gigante, seus olhos são o sol, sua boca leitos d'água, compartilha vida e é exemplo de gratidão.
Caminhei cores, trilhas do arco-íris, e descobri o ouro naquele tacho do horizonte celeste. Aprendi com meu pai a pregação de veemente amor santificador de paz que processa respeito pela terra, cobiça sentimental pela harmonia. E, aprendiz do bem, ensinei ao meu pai que vale a pena ensinar o bem.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ALICE GOMES - ENTREVISTA nº 264

ALICE GOMES

BIOGRAFIA

Nasci em Arapongas, no Paraná, em 20 de abril de 1956. Fui registrada como Alice Aparecida Gomes, mas gosto eventualmente de substituir o “Aparecida” por “De Mari”, que é o sobrenome da minha mãe. (A promessa é dela e o trauma é meu. É uma longa história). Sou a mais nova de sete filhos da minha mãe e mais três, por parte de pai. Tenho uma filha e três netas. Resido em Porto Velho, Rondônia.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - QUAIS AS SUAS OUTRAS ATIVIDADES, ALÉM DE ESCREVER?

ALICE GOMES - Sempre digo que sou contabilista por formação e poeta por predestinação. Atuei na área contábil por quase trinta anos e hoje trabalho no setor financeiro do Jornal Diário da Amazônia. Ou seja, levo uma vida bem medíocre, como a maioria dos poetas vivos.

SELMO VASCONCELLOS - COMO SURGIU SEU INTERESSE LITERÁRIO?

ALICE GOMES - No ventre de minha mãe, acho. Um dia desses, me pediram para descrever o que é a poesia para mim e não soube o que responder. Ela faz parte de mim, assim como minhas orelhas ou minhas bochechas. Trabalho para sobreviver e exerço o meu lado prático com muita competência, sem falsa modéstia, mas a cada vez que olho pra dentro de mim, ela está lá. É um outro eu, com quem gosto de conversar, às vezes. Hoje penso que seria poeta de qualquer maneira, mesmo que nunca escrevesse nenhum verso. Poesia é o meu modo de ver a vida.

SELMO VASCONCELLOS - QUANTOS E QUAIS SÃO SEUS LIVROS PUBLICADOS?

ALICE GOMES - Nunca publiquei livros, e até mesmo a exposição de alguns dos meus textos é algo bem recente. Sempre escrevi de mim pra mim, entende? Há alguns meses, o editor do jornal onde trabalho me ofereceu um espaço para publicar uma coluna (Cantinho da Alice), A proposta da coluna é que ela seja despretensiosa, não se iluda. Mas esse convite me proporcionou a oportunidade de experimentar outras formas de textos, como as crônicas, e também de exercitar a minha veia humorística.
Meu plano para livros sempre foi o de esperar a minha aposentadoria (faltam alguns meses!), para me dedicar exclusivamente à literatura. A pobreza faz dessas maldades com a gente, mas tem o seu lado bom, pois a quantidade de fatos vividos, sonhados, chorados e até amaldiçoados, durante toda a minha vida, me dará subsídios reais para deixar escrita a minha história, sem muito esforço. Tenho muito material guardado nas gavetas e na memória. Talvez não o tivesse tanto se a minha vida fosse diferente do que foi. Quanto a poesias, dentro de mim existem muitas rimas solitárias, esperando por seus pares, e eu sei onde eles estão É por isso que eu tenho certeza de que muitos livros virão.

SELMO VASCONCELLOS - QUAIS OS IMPACTOS QUE PROPICIAM ATMOSFERAS CAPAZES DE PRODUZIR POESIAS?

ALICE GOMES - Para escrever só preciso de tempo (despreocupação com outros afazeres) e privacidade. Dias chuvosos me fazem lembrar de outros dias chuvosos, felizes ou infelizes, mas também me fazem pensar no que dias chuvosos fazem no cotidiano de outras pessoas. E assim, se a poesia será melancólica ou se será sobre um tema social, depende do que me proponho a escrever no momento. Não quero dizer que dias chuvosos criem atmosfera para se produzir poesias, foi só um exemplo. Libertar a imaginação talvez seja o segredo.

SELMO VASCONCELLOS - QUAIS OS ESCRITORES QUE VOCÊ ADMIRA?

ALICE GOMES - Sempre gostei de ler. Já lia antes mesmo de entrar na escola, mas vou te confessar uma coisa: tenho péssima memória para relacionar o autor à obra. Também nunca tive paciência para ler romances longos e de escrita rebuscada, de modo que li muito pouco dos autores mais famosos, exceto aqueles de leitura obrigatória no colégio. Mas, se você me perguntar quais eram os temas dos livros que li, não sei te dizer, porque o meu olhar para os livros sempre foi direcionado para a construção das frases e não para a história.
Um que sou absolutamente apaixonada é Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), mas só o conheci aos trinta anos, acredita? Aliás, ele foi o responsável por eu ter ficado mais de dez anos sem ter coragem de escrever nada. Comparava meus poemas com os dele e jogava fora os meus, por vergonha.

SELMO VASCONCELLOS - QUAL MENSAGEM DE INCENTIVO VOCÊ DARIA PARA OS NOVOS POETAS?

ALICE GOMES - Tão importante quanto a inspiração é o vocabulário. Incorpore palavras novas, Um bom vocabulário dispensa palavras desnecessárias, além de deixar a mensagem mais precisa. Procure aprender o básico de concordância verbal e muito cuidado com a grafia correta. Não há nada mais deprimente para o leitor que uma boa ideia desperdiçada num português ruim.
Escreva sempre que puder. Qualquer coisa. Aprenda a brincar com as palavras, torne-se íntimo delas. Um bom exercício é construir várias frases diferentes para o mesmo conceito. Só a prática refinará o estilo. Não tenha vergonha de fazer poemas. As maiores obras dos grandes poetas da História com certeza não foram as primeiras que eles criaram. Só os mostre para outras pessoas quando sentir que não há mais nenhum retoque a fazer. E quando os mostrar, não se deixe abater por críticas desagradáveis. Talvez a falha esteja no leitor e não nos poemas. Se esta for a sua verdade, um dia eles encontrarão o leitor que os estava esperando. E mesmo que ninguém nunca os compreenda, ainda assim serão seus. Os poemas são fotografias da alma. Faça o seu álbum.
Não tenha pressa de publicar seus poemas. Um dia, quando você menos esperar, alguém como Selmo Vasconcellos cruzará a sua vida.

POEMAS

Difícil escolher quais dos meus filhos irão para o front. Por segurança, deixo alguns que você já conhece.

CALENDÁRIO MENTAL

Há pessoas que passam pela vida da gente
e a sacodem de um jeito, que revira a cabeça!
e se tem a certeza, que por mais que se tente,
nunca mais será a mesma.

Que explodem conceitos, que derrubam defesas,
que descobrem na mente o que a alma deseja
que convidam ao risco
e transformam pra sempre, o que estava previsto.

Quando tudo o que se lembra e se busca no tempo
é delas ‘antes ‘ ou ‘depois ‘
é aí que se atenta que passou o vendaval
mas dividiu-se em dois o calendário mental

Já é tarde demais para o que era antes
e as velhas verdades já ficaram pra trás
pois assim que se vão
já se perdeu o chão para a realidade

Ficam tão evidentes, tão distintas as duas vidas
que, no inconsciente, não se sabe mais qual
dos dois mundos se habita:
o que é morno e real
ou o que assusta e excita.

Há pessoas que passam pela vida da gente
e a transformam pra sempre.

LEMBRANÇAS

Quando se lembra de alguém muito querido
não só é de atos cometidos
mas dos “quase” também,
dos sonhos que se tinha e tem;
do que teria sido, pela possibilidade.
A realidade, às vezes, nem importa
das quimeras é que se recorda;
Das juras, das esperas, das loucuras inventadas,
do olho que brilhava, do coração acelerado.
Quando volta o passado,
não só traz o amado
mas outro de nós que lá estava
( o que contracenava)
E, se não houve, com a força que merecia,
que fique a lenda, o faz-de-conta, a fantasia.

CONIVÊNCIAS

Há quanto tempo você permite o que te aflige ?
- Quanto você resiste?
Há quanto tempo você acolhe o que te encolhe ?
- Quanto você engole ?
Há quanto tempo você suporta o que sufoca?
- Quanto você concorda?
Há quanto tempo você atura o que tortura ?
- Quanto você empurra?
Há quanto tempo você cobiça o que dormita ?
- Quanto você cochicha ?

Há quanto tempo? Há quanto tempo?
Há quanto tempo você releva?
- Represa ? - Resseca ?

Há quanto tempo ? Há quanto tempo ?
Há quanto tempo você deriva ?
- Hesita ? - Se estica ?

Há quanto tempo você delega o que espera ?
- Há quanto você tolera ?
Há quanto tempo você apanha o que derrama ?
- Há quanto você se acanha ?
Há quanto tempo você lamenta o que remenda ?
- Há quanto você agüenta ?
Há quanto tempo você disfarça o que esgarça ?
- Há quanto se agacha ?
Há quanto tempo você abafa o que te engasga ?
- Há quanto se arrasta ?

Há quanto tempo ? Há quanto tempo ?
Há quanto tempo você adula ?
- Segura ? - Enruga ?

Há quanto tempo ? Há quanto tempo ?
Há quanto tempo você não responde ?
- Se corrompe ? - Se esconde ?

Há quanto tempo ? Há TANTO tempo !

Quem se omite ( há tanto tempo) permite
Quem se esquiva (há tanto tempo) se priva
Quem se sujeita (há tanto tempo) aceita
Quem se presta ( há tanto tempo) atesta

Sacuda ( há quanto tempo) sacuda
sacuda o que você ajunta (há tanto tempo)
Acuda ( há quanto tempo) acuda
Acuda o que você afunda (há tanto tempo)
Assuma (Há quanto tempo) assuma
Assuma o que você resmunga (há tanto tempo)
Assuma ( há tanto tempo)
Assuma ( há tanto tempo)
Assuma
Assuma
Ass
Suma

CARTA PARA RUI

Era uma vez
um amigo, desses que muita gente tem,
de todas as horas, sempre ao lado
um amigo dedicado –

Era assim,
Eu tinha um amigo e ele era bem assim,
mas tinha qualquer coisa de errado
meio que desajustado –

Tinha bom senso de humor,
um tanto sonhador,
o olhar dividido
que eu nunca entendi –

Tinha um jeito carente,
uma angústia latente
por qualquer motivo
que eu nunca descobri –

Como se algo faltasse
e o desorientasse, sem que ele quisesse
Como se alguém o chamasse,
se alguém o tirasse de onde estivesse
e nunca era ali –

Era uma vez
um amigo, desses que você tem talvez,
e perde, mundo afora, põe de lado
um amigo dedicado –

Era assim
Eu tinha uma amigo e fiz com ele bem assim
Pois tinha qualquer coisa de errado
meio que desajustado –

Algumas cartas mandava
e sempre me cobrava
que eu não respondia
eu nunca escrevi –

Só eu sei como lamento
não ter tido tempo
de ouvir o que dizia
eu nunca pressenti –

Um dia tive notícia:
ajustou-se ao seu modo, o meu pobre amigo
e, dentre as suas relíquias,
na foto, um passado que eu tinha esquecido
e nunca mais o vi –

E foi assim:
esta é a história de um amigo que perdi
que tinha qualquer coisa errada
mas pra sempre ajustada –

“Bastava uma só palavra “

RAÍZES

Massacradas as tuas raízes
abertas nossas feridas
causadas por sonhos de paz
à espera das cicatrizes,
(que são dores esquecidas),
pra não ter que doer mais.

És um imenso e derivante veleiro
tua honra adormece
e nossa angústia é covarde.
Aquele orgulho de ser brasileiro
não por causa, mas apesar de
quase esmorece.

Se o teu brio emergisse
desse lago de hipocrisia
em que repousas, entorpecido
e se teu povo descobrisse
a força que tem, sendo unido
meu Brasil! que bom seria.

Brasil, Brasil! O que te espera?
se os teus olhos tão distantes
maravilham outras rotas
imersos em tuas quimeras.
e nós, indecisas gaivotas,
em descarnados vôos rasantes

É inevitável o naufrágio
que ronda o teu destino.
À deserção impelidos
por esse triste presságio
em nosso respeito tolhidos
neste total desatino

Se te nutres de indolência
e nós, de migalhas vivemos
o que esperarmos de ti?
Indaga, pois, a tua consciência:
Se não formos brasileiros aqui,
onde é que os seremos?

alice.diario@hotmail.com

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

SELENE ANTUNES - ENTREVISTA nº 263

SELENE DE LIMA MARIA ( SELENE ANTUNES )

BIOGRAFIA

Nasci e me criei no interior onde estudei até me formar no ginásio. Em seguida migrei para o Rio de Janeiro em 1965, cheguei a fazer vestibular para DIREITO mas terminei por interromper para me casar. Hoje me considero AUTODIDATA sou um grãozinho de areia em meio aos gigantes da LITERATURA bem sei.
Minha paixão pela poesia começou aos 15 anos quando só existia RÁDIO e minha mãe proibia que eu ouvisse, estão eu esperava ela dormir e ligava o RÁDIO baixinho para ouvir O PROGRAMA DE J. G. ARAÚJO JORGE e me apaixonei, daí comecei a escrever meus primeiros versos, toda vez que ela encontrava uma poesia minha escondida ela queimava. Hoje escrevo poesias, poemas, desenho e pinto, além de escrever histórias infantis, espero um dia poder publicar minhas poesias e minhas
histórias infantis levando uma mensagem proveitosa para as crianças que tanto amo.

ENTREVISTA


SELMO VASCONCELLOS - Quais suas atividades alem de escrever?

SELENE ANTUNES - Participo de encontros Poéticos e culturais, faço eventos em escolas, creches, igrejas ou praças com o meu PROJETO CULTURAL POESIA E PAIXÃO com a colaboração de amigos POETAS, MÚSICOS, ATORES, GRUPOS DE DANÇA etc.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

SELENE ANTUNES - Aos meus 15 anos comecei a escrever meus primeiros versos mas minha mãe me proibia, então eu esperava ela dormir e ligava o rádio bem baixinho para ouvir o PROGRAMA DO J. G. DE ARAÚJO JORGE e fiquei totalmente apaixonada e nunca mais deixei de escrever mesmo não tendo condições de publicar sempre fazia homenagens quando me pediam como também escrevia e presenteava alguém no dia do aniversário que ficava feliz com minha poesia e assim passava a novidade para outra pessoa que logo me pedia uma poesia de aniversário e até hoje faço homenagens para os amigos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais seus livros publicados?

SELENE ANTUNES - Livro solo somente um infanto juvenil: DESEJOS DE NATAL que felizmente foi bem aceito e algumas ESCOLAS já trabalharam meu livro com as crianças com um ótimo resultado.

Presente nas Antologias :

TALENTOS DA MAIOR IDADE (1998) - LITTERIS EDITORA

OS MELHORES DA LITERATURA (1998) - LITTERIS EDITORA

POEMAS E POETAS IX (1998) - LITTERIS EDITORA

10 VEZES LITERATURA (1999) - LITTERIS EDITORA

ANUÁRIO DE ESCRITORES (1999) - LITTERIS EDITORA

POETAS DEL MUNDO EM POESIAS (2008) - EDITORA GIBIM

POETAS DEL MUNDO VOLUME 2 (2008) - EDITORA GIBIM

LIVRO DE TODOS (2008) - CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO

A SHOW DE TALENTOS EM PROSA E VERSO (2010) - EDITORA SCORTECCI

CRISTAL DE TALENTOS (2010) - EDITORA SCORTECCI

ALIMENTO DA ALMA 4 (2010) - A SER LANÇADO

SELMO VASCONCELLOS - Quais impactos que propiciam atmosferas capazes de produzir poesias ?

SELENE ANTUNES - Creio que pela EMOÇÃO: sejam causadas por alegria ou por tristezas, por amor ou pela falta de amor, por felicidade ou por infelicidade, por solidão ou por fatos sociais. Geralmente ouço de alguns poetas que a maior influencia para fluir uma atmosfera e o desejo de escrever suas poesias é a solidão e a saudade, no meu caso creio que minha INSPIRAÇÃO vem da tristeza que as vezes sinto por ver tantas coisas e nada poder fazer como: uma criança morando nas ruas passando fome e sem ir a ESCOLA com todas as CRIANÇAS DEVERIAM, DIREITO GARANTIDO PELA CONSTITUIÇÃO.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

SELENE ANTUNES - Meu predileto sempre foi CASTRO ALVES embora eu goste de outro como Jorge Amado, Clarisse Lispector, Guimarães Rosa sem esquecer J. G. de Araújo Jorge etc.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

SELENE ANTUNES - Que nunca deixe ninguém tirar os teus sonhos, se desejar ser um escritor ou poeta não desista diante das dificuldades que encontrarem pela frente porque ser poeta é coisa de sonhador e precisamos ser persistentes e acreditar nos sonhos , não deixar de acreditar na vitória, vá em frente sempre desistir jamais.

POESIAS

COM APENAS UM BEIJO

Selene Antunes

Ah meu amado beija -me
E desperta em mim os desejos adormecidos
O seu amor é uma delícia única
Meu amor... o cheiro de sua pele
É uma suave fragrância
Que impregnou em mim
Como se fosse derramado
O mais raro e puro perfume e
Que me faz lembrar de ti
Em todos os momentos
Não importa
O decorrido tempo de ausência entre nós
Sei que com um beijo apenas
Despertarei para o amor
E tudo farei tenho um jeito de amar um homem
Tão especial sou capaz de fazer um simples beijo
Se transformar no maior dos prazeres
E tuas carícias acenderão as chamas do desejo
Sou capaz de deixá–lo APAIXONADO DESESPERADO
E SEM PALAVRAS, e fazer com que você jamais me esqueça
Vou fazer você sentir SAUDADES INTERMINÁVEIS
Neste encontro nos perderemos no tempo
Vivendo momentos EMBRIAGADOS DE AMOR E PAIXÃO.
Te farei meu querido sentir prazer
A cada vez que apenas lembrar do meu nome
Porque eu sei de verdade como amar um homem.

É MUITO BOM SER POETA

Selene Antunes

Brincadeira de escrever coisa de sonhador
Sonhando ser escritor escrevendo com amor
Assim o tempo passou e muita coisa mudou
Hoje falo sobre a dor e não mais sobre o amor.

Em tempos passados todos me proibiam
De falar de amor em minhas poesias
Mas depois de tanto sofrer eu só queria
Escrever poesias noite e de dia.

Como é bom ser poeta e ter um jardim florido
Exprimir os sentimentos adormecidos
Falar das paixões e dos amores proibidos
Da juventude nada pode ser esquecido.

E assim eu vou vivendo e não vendo o tempo passar
Escrevendo minhas memórias tenho muito que pensar
Amo ler e escrever e sempre vou poetar
Até o fim dos meus dias nada de parar.

O L H A R D E C R I S T O

Selene Antunes

Ah meu JESUS AMADO...para sempre irei segui-lo
Agradecida que sou por teu infinito amor
Pelos espinhos que te feriram eu sinto muito
Pelas chagas doloridas e pelo abandono e traição
Eu sinto muito MEU AMADO
E por isto te amarei para sempre com fidelidade e fé
Jamais o deixarei sentir a dor da solidão novamente
Eu estarei contigo eternamente
Porque te amo te adoro e sei que também me amas
Mesmo sendo a pecadora que sou sempre me perdoas
Tuas palavras e tuas pegadas fazem meu caminhar mais suave
JESUS AMADO de nada adiantou nos ensinar que só o AMOR constrói
Também pediu que amassemos uns aos outros
No entanto os homens vivem se odiando
JESUS disse: somos todos irmãos mas a discriminação reina entre nós
Vivenciamos EXCLUSÃO ESCRAVIDÃO E AINDA FALTA PÃO
Olho para a coroa de espinhos e sinto teus olhos a me fitar
Percebo em teu piedoso olhar um chamado para seguir-te
E apaixonada por ti, respondo...eis-me aqui SENHOR
Estarei sempre esperando por tua justiça e implorando
Para que sejas MISERICORDIOSO e venha em nosso socorro
Eu imploro acabe com a miséria e a fome do mundo
Faça de novo um milagre COM DOIS PÃES E ALGUNS PEIXES.

FELIZ VIVER...

SELENE ANTUNES

É ver a família unida
E os filhos a crescerem
Tristezas existem
Mas não por querer
Crer em Deus, partilhar
Dar e receber
Injustiças desemprego miséria
É fácil descrever
Um país rico
Tem de tudo a oferecer
Mas o homem egoísta
Põe tudo a perder
Desigualdade em tudo
Salário alimento e até pra morrer
O mundo já foi justo
Até a ganância aparecer
Amor, justiça e igualdade
É que fazem um país crescer.
Quando o homem acordar
E ver o estrago vai sofrer
Condoer com a pobreza e
Com a miséria estarrecer
Acordar e querer tudo mudar
Sem ter tempo a perder
Espero não ser tarde
Quando isto acontecer
Seria maravilhoso
Ouvir algum dia alguém dizer
Crianças de rua...
Um passado a esquecer
Acreditar ter esperanças
É o que faz o povo viver
Sobreviver às desgraças
Que a vida oferecer
Para o homem governar
Precisa-se: Inteligência e não poder
Força aos gananciosos
Dizer não precisamos aprender
Muita discriminação
Faz o país empobrecer
Se com justiça governar
Fica mais fácil vencer
Os obstáculos existem...
Mas basta alguém querer
Cuidar do povo com amor
Com justiça e saber
Emprego casa e comida
De fome ninguém mais vai morrer
E é só observar
Como o país vai crescer
O mal será esquecido
E feliz enfim vamos viver
Este é o futuro de um país
Que tem tudo pra vencer
Quando os que nos governam
Descobrirem que seu dever
É somente nos defender.

O FUTURO SE FAZ

Selene Antunes

Ter força e se impor
Saber onde está a razão
Definir a consciência
E o espírito de civilização
Ou todos seremos arrastados confundidos
Coatos e empurrados
Nos cumpre preparar hoje
O Brasil de amanhã
Ter uma boa memória
Para honrar suas origens
Saibamos dar ao nosso país
Conhecimentos em fatos concretos
Discutir é inútil
Com patriotas de vista curta
E de mentes distorcidas
O que o Brasil precisa é
Realidades práticas e definições
A mesmice já cansou e muito atrapalhou
Adquirir conhecimento e sabedoria
Pra não vivermos ao Deus dará
E aprender a escolher
Um destino adequado
Com saúde e educação, sem discriminação
Para nós eles só querem
Sofrimento e humilhação
Já um povo educado
Instruído e preparado
Terá sua própria história
Para um futuro vindouro
Conquistar um novo mundo
É a meta deste...povo

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

PAOLA VANNUCCI - ENTREVISTA nº 262

PAOLA VANNUCCI

BIOGRAFIA

Paola nasceu em São Paulo, em 28/08/1971, no Hospital Matarazzo. Filha de Erico Vannucci Mendes e Dirce de Paula e Silva Mendes. Lá foi criada e completou seus estudos. Iniciou a Faculdade de Administração em Finanças, mas não pôde concluir, pois não era sua vocação. Foi morar em Curitiba em 1996, onde teve suas duas filhas.

Hoje, aos 39 anos, trabalha com digitação, auxilia nos serviços escolares, terminou a faculdade de Pedagogia e escreve poesias, artigos de blog.

Participou do "1º Concurso Nacional de Poesia", em 1989, onde foi premiada com uma Menção Honrosa e de outros concursos.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

PAOLA VANNUCCI - Sou formada em Pedagogia, realizo trabalhos de digitações para escolas, faculdades e outras entidades ligadas a cultura e ensino. Realizo trabalhos voluntários dentro do Projeto Comunidade Escola da Prefeitura de Curitiba.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

PAOLA VANNUCCI - Aos 15 anos, no ano de 1987, comecei a escrever por me sentir muito “sozinha” devido ao falecimento do meu pai Érico Vannucci Mendes; a partir daquela data, percebi que a vida é um grande universo e eu, apenas um grão de areia que cresceria à medida que novas descobertas me impulsionassem, acelerando meu engrandecimento interior. Não posso deixar de falar sobre Tia Silva Vannucci Chiappori, uma grande mulher e incentivadora desta importante etapa de minha vida.
Desde então, não parei mais de escrever.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

PAOLA VANNUCCI - Meu projeto de lançamento de um livro solo está previsto para o próximo ano.
Atualmente tenho publicações poéticas em Antologias espalhadas por este Brasil:
* Antologia dos Poetas Virtuais, III e IV;
* Reflexões para o Bem Viver (Coletânea)
* Antologia Alimento da Alma I, III e IV:
* Antologia Beco dos Poetas, I e IV;
* Projeto Literário Delicatta V;
* Seleção Poética (I Congresso Nacional dos Poetas Virtuais)

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

PAOLA VANNUCCI - Sem dúvida alguma o que me impacta é o empático rs rs rs. Trocadilhos à parte, sou uma pessoa tocada pela empatia. Lugares, eventos, rostos, sofrimentos, desigualdades, amores, etc; tudo me afeta. Sou como uma película fotográfica exposta momentaneamente aos raios de luz - o mundo me atravessa e me deixa suas impressões.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

PAOLA VANNUCCI - Fernando Sabino; Fernando Pessoa; Neruda; Érico Veríssimo; Florbela Espanca ...

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

PAOLA VANNUCCI - O melhor conselho que eu posso dar a um novo poeta é: deixe fluir dentro de si sentimentos e permita aflorar as suas emoções. Todo poeta tem que estar atento ao seu redor e usar sua sabedoria para versejar suas idéias. Escrever, antes de qualquer coisa, é um desabafo da alma e uma constante evolução cultural e literal.

POESIAS

O circo

Há quem se dedique dentro de um circo sujo e promiscuo,
Há quem se sinta palhaço dentro dele.
Palhaços servem pra dar sabor à vida.
Palhaços servem para alegrar a triste trajetória.
Palhaços vivenciam sua própria desgraça.

Há quem diga que somos partes de um circo.
Somos palhaços da vida, quando,
Somos assaltados, e indefesos entregamos nossas riquezas.
Há quem diga que temos nossos direitos, mas,
São sempre cobrados nossos deveres?

Há quem quer ser o palhaço do circo, não enxergando a vida.
Creio que há passagens internas das quais todos devem decidir
Qual o caminho seguir.
A livre escolha faz do homem um sábio,
Faz do anão, sorridente,
Do palhaço, adjacente,
Da bailarina, eficiente.
Do domador, demente.

Somos palco ou bases?
Somos aplausos ou derrota?
Prefiro ser eu.
Há quem luta por direitos e deveres sem esmorecer.
Prefiro que os meus usem de sabedoria para ultrapassar barreiras.
Há quem chora na escuridão e se enclausura na parede,
Formando um triste quadro.

Paola Vannucci
13/07/2009

Berro de criança

Criança berra por comida
criança berra por decências
criança berra por AMOR

Crianças de hoje
nas estradas,
matando pra fumar pedra
craque,
crianças novas
vendendo corpo ao léu
por pedra
já para esquecer da vida
que ainda nem viveu.

Criança berra pra matar seu pai e mãe
para fumar pedra
cheirar pó

Sociedade peca
enclausurando nos calabouços
que só ensinam miséria
Criança berra nem sei mais por que.

Paola Vannucci
05/01/2009

Tornar-se-á

Quero beijar sua boca e abraçar seu corpo como,
Quem cruza almas freneticamente.
Quero ver o sol aquecendo,
A sombra apagando,
A lua enriquecendo.
Quero transar meu corpo ao seu,
Sentir seu agir,
Entornar corações.
Quero a sedução da madrugada,
Envolver-me a cada malhada.
Quero beijar novamente sua alma,
Para depois encher-me de vícios.
Gastar-me em suor,
Abraçar sua vida,
Viver seu riso,
Conduzi-lo a mim.
Quero nas tardes de inverno,
Enfurecer vulcões já mortos,
Para depois estremecer nas bases da erupção.
Quero que conheça meu coração,
Grande furor da minha vida.
Não tardará,
O meu querer tornar-se-á seu.

Paola Vannucci
16/05/2009

Sub’s

Submundo
Sub-raça
Subescola
Subalunos,

Onde ração dada,
Nem porcos comem.
Enquanto isso, trapos ofertados pelos ‘normais’,
São contentamentos delas.

Submundo,
Onde a lei que impera é a do mais forte.
Lei?
Que lei?
Se o que vejo são
Sorrisos nos rostos manchados pela vida.
Só porque, de vez em quando, recebem um pedaço de pão.
Seus olhos refletem desespero,
Ao mesmo tempo lacrimejam vida e esperança.
Quando observo na dança pura e delicada
Da criança febril.

Sub-raça,
Nada ali tem linhagem certa, se tem esperança.

Subescola,
Onde o governo joga restos nocivos,
Para todos desistirem de viver.

Subalunos,
Que sem condições alimentares,
Perdem gosto pelas ‘papinhas’ que lhes são servidas.

A fedentina é grande.
É preciso ter peito para atuar.
O amor que recebo é maior ainda.
Por isso sempre quero trabalhar.
Aprendizado constante.
Sem meias para calçar,
Não há espaço para dinheiro,
Apenas para dignidade.
Assim a era ‘sub’ se torna a
Mais importante.

Paola Vannucci
12/12/2009

Anjos e demônios

Quero jantar anjos e demônios
Para vomitar justiça que falta no mundo.
Quero mesclar cores e produzir sons do futuro.
Cantar como nas trovas antigas e viver um grande amor.
Sou como um poeta solitário,
Triste estou.
Podaram minhas asas, preciso voar.
Quero abraçar as alturas, roubando beijos
Do grande amor que não tive.
Meu choro não é suficiente para chegar aos seus ouvidos.
Oh! Trova sofrida.
Oh! Tristão que não me permite.
Seu par é Isolda e não, eu.
Continuo jantando anjos e demônios
Para ainda buscar justiça deste mundo frio.

Paola Vannucci
12/04/2009

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

VALDECK ALMEIDA DE JESUS - ENTREVISTA nº 261

VALDECK ALMEIDA DE JESUS

CURRÍCULO DO ESCRITOR

VALDECK ALMEIDA DE JESUS é jornalista, escritor, poeta e funcionário público federal. Nasceu a 15 de fevereiro de 1966 em Jequié-BA, onde viveu até aos seis anos de idade, quando foi residir na Fazenda Turmalina (região de Itagibá-BA), onde continuou a estudar em escola pública até os 12 anos de idade. Aluno exemplar, retornou a Jequié-BA para se matricular na 5ª série do primeiro grau, em escola pública. Ingressou nas Faculdades de Enfermagem e de Letras, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia em 1990; na Faculdade de Turismo, na Faculdade São Salvador, não concluindo os cursos. Reside em Salvador, desde fevereiro de 1993. Atualmente faz o curso de Jornalismo na Faculdade Social da Bahia.

Na capital, fez cursos de informática, teatro, relações humanas e fotografia. Fez, ainda, curso de espanhol durante dois meses em Madri (Espanha), Santa Elena de Uairen (Venezuela), Puerto Iguazu (Argentina), Ciudad del Este (Paraguay) e La Habana (Cuba) e de inglês por três anos em Salvador, complementado por curso intensivo de três meses em Nova York, Estados Unidos.

Prêmios Literários:

a) 1° Lugar no concurso sobre Paralisia Infantil, promovido pela Diretoria Regional de Saúde de Jequié-BA, em conjunto com o programa Mendes Show Dez, da Rádio Baiana de Jequié. Junho de 1982;
b) 2º Lugar no concurso de redação em homenagem ao segundo aniversário do jornal Sudoeste, de Jequié-BA, em julho de 1989;
c) Menção Honrosa em 1989 no 1° Concurso Nacional de Poesia, promovido pelo Instituto Internacional da Poesia, de Porto Alegre-RS;
d) Menção Honrosa no Concurso Literário Oswald de Andrade, promovido pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em 1990, na cidade de Jequié-BA;
e) Classificação no concurso literário Bahia de Todas as Letras, promovido pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus-Ba, no ano de 2007, com o conto “Eu e o Word”, com nota 7 (sete);
f) Classificação no concurso literário realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal da Bahia, com a crônica “Alice”, no ano de 2007, em Salvador-BA;
g) Destaque no XII Concurso de Poesias, Contos e Crônicas realizado em 2007 pela ALPAS XXI, em Cruz Alta-RS com o texto “Minha paixão por livros”;
h) Prêmio Luiz Mott de Cidadania 2008, pelo conjunto da obra, pela defesa dos direitos humanos e dos homossexuais, em indicação feita pelo Glich – Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual, de Feira de Santana-BA;
i) Medalha de agradecimento e homenagem por incentivar a leitura. Outorgante: Biblioteca Comunitária do Calabar e Avante – Educação e Mobilização Social. Premiação: agosto de 2009;
j) Medalha Hermano Gouveia Neto, por incentivo a leitura, no projeto Resgatando a Seliba 2009. Outorgante: Colégio Cecília, de Simões Filho-BA;
k) Nomeado Embaixador Universal da Paz, pelo Círculo dos Embaixadores da Paz da Suíça e França, em 20 de janeiro de 2010, em Genegra, Suíça.
l) Classificado no concurso “Água – Recurso Durável”, realizado pelo Teatro Vila Velha, com o poema “Rio das Contas”, publicado em cartão-postal e distribuído em Salvador-BA, em janeiro de 2010.
m) Homenageado pelo projeto Alma Brasileira, com diploma e medalha de honra ao mérito literário, por incentivar a literatura brasileira através de concursos, durante o Forum Social Mundial Temático - Bahia, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, em janeiro de 2010.

Trabalhos Diversos

a) Expositor, como escritor independente, na Bienal do Livro da Bahia, em 2005, 2007 e 2009;
b) Expositor no III Corredor Literário da Paulista, de 09 a 14 de outubro de 2007, em São Paulo-SP;
c) Participação no V Fórum Social Mundial, em Porto Alegre-RS, de 26 a 31 de janeiro de 2005; Palestrante, expositor e promotor de mesas de debate sobre literatura baiana, leitura e mercado editorial durante o Forum Social Mundial Temático da Bahia, de 28 a 31 de janeiro de 2010;
d) Participação, como organizador da Mostra de Arte e Cultura, no II Congresso Estadual do Sindjufe-BA, de 01 a 03.06.2007, no Hotel Sol Bahia Atlântico, em Salvador-BA;
e) Tem poemas publicados nos jornais de grande circulação da capital e do interior do estado da Bahia, além de jornais de Brasília-DF; Colaborador, desde 1985, do jornal A PROSA, de Brasília-DF;
f) Colaborador da revista cultural Art’Poesia, de Salvador-BA, editada por Carlos Alberto Barreto, que publica poemas de autores do mundo inteiro;
g) Palestra na ONG Vento em Popa, no bairro Jardim Gaivotas, em São Paulo-SP, em 2007, com o tema “Motivação através da leitura”;
h) Colunista dos sites www.zonamix.com.br, www.radarmix.com e www.portalvilas.com.br, desde março de 2006. Nestes e em outros sites, o escritor colabora sempre com matérias ligadas a cultura, literatura, arte, preconceito, discriminação e assuntos relacionados aos LGBT’s;
i) Verbete do “Dicionário de Escritores Baianos”, Secretaria de Cultura e Turismo, Salvador, 2006;
j) Membro da Federação Canadense de Poetas desde 2004;
k) Membro da Associação Artes e Letras (França) desde 2005;
l) Membro da União Brasileira de Escritores – UBE, desde março de 2006;
l1) Membro da Câmara Bahiana do Livro – CBaL, desde março de 2005;
m) Em 1987 participou da Diretoria Regional do Partido Comunista do Brasil e da União da Juventude Socialista - UJS, em Jequié-BA. Eleito o primeiro diretor de imprensa do Grêmio Estudantil Dinaelza Coqueiro, do Instituto de Educação Régis Pacheco, fundou o jornal Jornada Estudantil;
n) Fundador do fã-clube do Jean Wyllys (www.jeanwyllys.com). Site profissional de Valdeck Almeida: www.galinhapulando.com
O site Galinha Pulando apóia todos os eventos e movimentos de afirmação da cidadania, contra o racismo e, principalmente, contra a homofobia;
o) Colaborador do Café Literário de Camaçari-BA, evento realizado pela coordenação do PROLER – vários anos;
p) Participação na Feira do Livro Internacional de Paraty (FLIP), 2008;
q) Lançamento de três livros na Bienal Internacional de São Paulo, 2008;
r) Verbete no “Dicionário Biobibliográfico de Escritores Brasileiros”, Casa do Novo Autor, São Paulo-SP, 2009;
s) Membro Correspondente da Academia de Letras de Jequié;
s1) Membro da Academia de Cultura da Bahia;
t) Participante da "Mostra Poética: Cores das Letras no Brasil", realizado como atividade paralela do 4° Encontro Açoriano da Lusofonia, um dos mais expressivos eventos internacionais de fortalecimento da língua portuguesa no mundo, promovido pela Sociedade dos Poetas Advogados de Santa Catarina - SPA-SC, de 31 de março a 04 de abril de 2009, na Biblioteca da Escola Secundária de Lagoa, Açores, Portugal;
u) Palestra e oficina de poesias na Biblioteca Comunitária do Calabar, bairro remanescente de quilombo, em Salvador-BA;
v) Cônsul Honorífico da Real Academia de Letras, Ordem da Confraria dos Poetas;
x) Prefaciou os livros “Eu sou todo poema”, de Leandro de Assis; “Sonhos”, de Antonio Fagundes; “O homem que virou cerveja”, de Silas Correa; “Diário de Rafinha: as duas faces de um amor”, de Léo Dragone; apresentou o livro “Brincando de poesia”, de Adalberto Caldas Marques; “Uma viagem fascinante”, de Eulália Cristina Costa e Costa;
z) Participa do projeto “Fala Escritor”, idealizado pelo poeta Leandro de Assis, apresentado todo segundo sábado de cada mês no espaço Castro Alves, em um shopping de Salvador;
z1) Participação no Fórum Social Mundial Temático – Bahia 2010, com exposição e lançamento de livros, recitais e palestras.
z1) Participação no Fórum Social Mundial Temático – Bahia 2010, com exposição e lançamento de livros, recitais e palestras;
Z2) Verbete na Enciclopédia virtual da poesia lusófona contemporânea, organizada pelo Russo, naturalizado brasileiro Oleg Almeida (2009);
Z3) Correspondente da revista Cotoxó, de Jequié-BA;
Z4) Membro do movimento cultural Poetas del Mundo;
Currículo Lattes:
http:--lattes.cnpq.br-0857615247323241

Endereço:
Rua São Domingos Sávio, 155 – Edifício Gama – apartamento 401
40050-520 – Nazaré
Salvador-Bahia

OBS: Fazendo-se uma busca no Google pelo nome “Valdeck Almeida de Jesus” se encontra várias publicações.

ENTREVISTA


SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

VALDECK ALMEIDA DE JESUS - Sou funcionário público federal, agitador cultural, editor de um concurso de poesias, pai, irmão, amigo...

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

VALDECK ALMEIDA DE JESUS - Desde criança que gosto de leitura. Aos 12 anos comprei uma coleção de três livros de poesia e me apaixonei pelo tema. Deste então não parei mais. Tenho mais de 1000 poemas guardados esperando edição. Em 2005 criei um concurso literário que leva meu nome, o qual visa dar oportunidade a poetas do mundo inteiro que escrevam em português. Já foram mais de 600 escritores lançados do começo até agora.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

VALDECK ALMEIDA DE JESUS - Os livros que publiquei foram estes:

Livros publicados

Solo

“Heartache Poems. A Brazilian Gay Man Coming Out from the Closet[3]”, New York, USA: iUniverse, 2004; Este livro reúne poesias de desabafo, muitas delas dedicadas a mulheres,amigos, amores secretos, e relata a angústia de um adolescente perante os problemas existenciais;
“Feitiço Contra o Feiticeiro”, São Paulo-SP: Scortecci, 2005; Livro de poesias[4];
“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Scortecci, São Paulo-SP, 2005; Conta a história da família do escritor Valdeck Almeida de Jesus, que enfrentou a fome e a miséria por mais de vinte anos e venceu. 100% da renda do livro foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce;
“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden[5]”, Giz Editorial, São Paulo-SP, 2007; 20% da renda do livro foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce; Contracapa escrita por Lázaro Ramos;
“Valdeck é Prosa, Vanise é Poesia[6]”, Rio de Janeiro-RJ: Câmara Brasileira do Jovem Escritor, 2007;
“30 Anos de Poesia”, Rio de Janeiro-RJ: Câmara Brasileira do Jovem Escritor, 2008;
“Memories from Brazilian Hell: The Saga of Almeida Family in the Garden of Éden[7]”, Nova York (USA): iUniverse, 2008;
“Poemas de amor e outros temas[8]”, Nova York (USA): Blurb, 2009;
“30 Anos de Poesia[9]”, Pará de Minas-MG: Virtual Books, 2009;
“Armadilha – a verdadeira poesia brasileira[10]”, São Paulo-SP: Clube de Autores, 2009;
“Minha alma nua” (Série Notáveis Poetas Brasileiros), Porto Alegre-RS: Real Academia de Letras, 2009;
“Recortes de uma vida: Reflexões e pensamentos[11]”, Clube de Autores, São Paulo, 2010.

Outras obras independentes :

“Jamais Esquecerei do Brother Jean Wyllys”, Casa do Novo Autor, São Paulo-SP, 2005;
“Poemas Que Falam”, Casa no Novo Autor, São Paulo-SP, 2007;
Editor da “2ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Casa do Novo Autor, São Paulo-SP, 2007;
Editor da “3ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Giz Editorial, São Paulo-SP, 2008;
Editor da “4ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Giz Editorial, São Paulo-SP, 2009;
Editor do “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesias – 2009 – segunda seleção”, Virtual Books, Pará de Minas-MG, 2010;
Editor do “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Contos LGBTs”, em 2010;
Editor do livro “Abre a Boca Calabar”, resultado de um concurso de poesias com crianças da comunidade Calabar, ex-quilombo, em Salvador-BA, em janeiro de 2010;
Editor da “Antologia do Amor”, que reúne poetas do Brasil, Estados Unidos e China, em janeiro de 2010.
“Amor e Paixão”, Coleção Scrivere, São Paulo: Madio Editorial, 2010;
“A Kombi de prosa e poesia”, Pará de Minas-MG: Virtual Books, 2010.

Participação em antologias

“Poetas Brasileiros de Hoje –1984”, Rio de Janeiro-RJ: Shogun Arte, 1984;
“Transcendental”, Salvador: Editora Gráfica da Bahia, 1996;
“II Antologia Cultural: 500 Anos de Língua Portuguesa no Brasil”, Barra Bonita-SP: Clube de Letras, 2005;
“Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 14º volume[12]”, Rio de Janeiro-RJ: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2005;
“Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos 15º volume[13]”, Rio de Janeiro-RJ: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2005;
“Letras Libertas - Contos, Crônicas e Poesias - Vol 2”, Santa Catarina: Ilha das Letras, 2005;
“XV Concurso Internacional Literário de Verão”, São Paulo-SP: Agiraldo, 2005;
“Palavras que Falam”, São Paulo-SP: Scortecci, 2005;
“Todas as Formas de Amar”, São Paulo-SP: Casa do Novo Autor, 2005;
“O Amor na Literatura”, São Paulo-SP: Casa do Novo Autor, 2005;
“Livro de Ouro da Poesia Brasileira Contemporânea”, Rio de Janeiro-RJ: Câmara Brasileira do Jovem Escritor, 2005;
“VII Antologia Nau Literária”, São Paulo-SP: Komedi, 2005;
“Ensaios Poéticos”, Academia Virtual Brasileira de Letras, 2005;
“Poetry Vibes”, Ohio, USA: Poetry Vibes, 2005;
“Ação e Reação. Pequenos Contos”, São Paulo-SP: AVBL, 2005 (livro eletrônico);
“Ensaio Poético. Natureza. Vida”, São Paulo-SP: AVBL, 2005 (livro eletrônico);
“Meu País é Este”, São Paulo-SP: AVBL, 2005 (livro eletrônico);
“20 Anos de Poesia – Caderno 32[14]”, Rio de Janeiro-RJ: Oficina, 2005;
“Pérgula Literária – VII”, Rio de Janeiro-RJ: EVSA, 2005;
“Sangue, Suor e Lágrimas”, São Paulo-SP: Arnaldo Giraldo, 2006;
“Palavras Libertas”, Uberlândia-MG: Roma, 2007;
“Amor, Sublime Amor”, Rio de Janeiro-RJ: Litteris, 2006;
“XI Coletânea Komedi”, Campinas-SP: Komedi, 2007;
“Letras Intimistas”, Montevidéu (Uruguay): aBrace, 2007;
“Primavera de 2006 – Inverno de 2007”, Itabuna-Ilhéus-BA: Via Litterarum e Editus (UESC), 2007;
“Retratos Urbanos”, São Paulo-SP: Andross, 2008.
“Poemas e Outros Encantos: nova coletânea”, Teixeiras-MG: Edir Barbosa Editor, 2008;
“Elo de Palavras”, São Paulo-SP: Scortecci, 2008;
“Poesia do Brasil – volume 8”, Proyecto Cultural Sur – Brasil. Porto Alegre-RS: Grafite, 2008;
“Coletânea dos 44 melhores poemas de 2008”, 2º Concurso de poesia ABRACI. Rio de Janeiro-RJ: IMOS, 2008;
“Antologia Del Secchi – volume XVIII”. Org. Roberto de Castro Del’Secchi. Rio de Janeiro-RJ: DELSECCHI Editora, 2008;
“Livro de Todos: O Mistério do Texto Roubado[15]”, São Paulo-SP: Imprensa Oficial, 2008;
“Salvador: 460 anos de poesia”. Organizador Roberto Leal. Salvador-BA: Omnira, 2008;
“Poetas Del Mundo em Poesias”, Volume I. Campo Grande-MS: Gibim, 2008;
“Universo Paulistano. Contos, Crônicas e Poemas de Uma Cidade que Nunca Dorme”, Organizadores Edson Rossato e Carlos Francisco de Morais, São Paulo-SP: Andross, 2009;
“XIII Coletânea Komedi”. Campinas-SP: Komedi, 2009;
“Contos e Crônicas para Viagem”, Bruno Resende e Edir Barbosa (orgs.), Viçosa-MG:, Edir Barbosa Editor, 2009;
“O que é que a Bahia tem”, Rio de Janeiro-RJ: Litteris, 2009;
“Comendadores da Ordem do Dragão Dourado – Antologia Poética”, Porto Alegre-RS: Real Academia de Letras, 2009;
“Ecos Machadianos”, Salvador-BA: Bureau Gráfica e Editora, 2009;
“Latinidade poética”, São Paulo-SP: All Print Editora, 2009;
“IV Coletânea – Poesia, Crônica e Conto 2009”, Canoas-RS: Tecnicópias, 2009;
“Vozes de Aço – IV Antologia Poética de Diversos Autores”, Volta Redonda-RJ: PoeArt Editora, 2009;
“Antologia Alma Brasileira”, Praia Grande-SP: Folha da Baixada, 2009;
“Contos, Crônicas e Artigos”, Salvador-BA: Omnira, 2009;
“Antologia Cidade Literária”, Belém-PA: L&A Editores, 2009;
“Projeto Literário Delicata IV – Poesias, Contos, Crônicas”, São Paulo-SP: Scortecci, 2009;
“Livre Pensar Literário – Coletânea de escritores contemporâneos”, Viçosa-MG: Edir Barbosa Editor, 2010;
“Ecos Castroalvinos – Coletânea de Verso e Prosa”, Salvador-BA: ArtPoesia, 2010;
“Fala Escritor em Prosa e Verso”, Pará de Minas-MG: Virtual Books, 2010;
“Alma Brasileira – Edição Especial Dia das Mães”, Pará de Minas-MG: Virtual Books, 2010.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

VALDECK ALMEIDA DE JESUS - Eu escrevo quando me emociono. Pode ser uma notícia de assassinato, uma floresta devastada ou alguém passando fome. Escrevo também quando estou apaixonado, amando ou quando estou sozinho, em busca de um amor. Depende muito do impacto que a circunstância cause em mim.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

VALDECK ALMEIDA DE JESUS - Jean Wyllys, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Castro Alves, Leandro de Assis, Renata Rimet, Domingos Ailton, Léo Dragone, entre outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

VALDECK ALMEIDA DE JESUS - Insistir, escrever sobre o que gosta, não entrar na onda de tentar ser um Best Seller ou atingir vários públicos, pois o escritor nunca está completo ou formado, ele se exercita a cada dia, a cada palavra. E o restante, sucesso, dinheiro etc virão, como consequência.

POEMAS

1981

Fruto da sociedade

Nasce um ser implume
Do ventre da sociedade vem
Cresce frágil e sem jeito
Força pra viver não tem.

A sociedade não o ajuda
Alheia, deixa-o cambalear
Mas quando ele cai na estrada
É a primeira a lhe pisar.

Não ampara-o na amargura
Despreza-o na tristeza
Proteção só para o rico
Na "caridade" de sua "avareza".

Nasce o pobre coitado
Sem nenhuma formação
E o que se dá a ele?
Muito pouca informação.

Desvia-se do caminho "certo"
Parte rumo à perdição
E o que ganha o pobre infame?
Pau na cara, meu irmão.

1986

Paz Mundial

Abalou-se toda a Terra
Muitos temem nova guerra
Muitos fogem para as serras
Em busca da paz mundial.

Muitos gritam de alegria
Para esconder tristezas
Outros lutam pela vida
Para esconder fraquezas.

Todos temem os abalos
Que por certo surgirão
E procuram melhorar
Nossa estúpida ilusão.

Todos anseiam a paz
Paz para toda gente
Alguns choram em nome dela
Outros ficam bem contentes.

Esperando o grande dia
Todos ficam a brigar
Para conseguir um pedaço
Desta paz que não virá.

1999

Flores Voadoras

Pétalas rosas, azuis e brancas
Esvoaçam incautas pelo céu azul
Parecem pedacinhos de papel
Que o vento traz de norte a sul.

Transformam a vida em cor,
Volitam entre ruas e casas
Enfeitando o céu e os sonhos
Lindas, alegres, batem asas.

Pétalas voadoras, coloridas
Espalham alegria, espantam feridas
Não voam aqui as pétalas pretas

A poluição da natureza
Só acinzentam nossas vidas
Matam e extinguem as borboletas...

2007

Mata Atlântica

Eu era apenas um pontinho
.
Fui crescendo, crescendo...
...
Nasci, fui crescendo, crescendo...
... ... ...
Enfrentei chuvas, tempestades,
Temporais, sol forte, poeira.
Meu território foi invadido;
Meu terreno plano virou ladeira.
Depois de um viver sofrido.
Lutando com paciência,
Dignidade e inteligência,
Acabei forte, imponente.
Mas não por muito tempo.
Suportei tudo e fiquei mudo,
Incapaz de denunciar, gritar.
Deixei nas mãos dele tudo:
Minha vida, minha seiva.
Foi uma morte terrível, tétrica,
Nada pude contra a serra elétrica.

2008

Raízes

Talvez eu esteja atrasado
Por comer de mão
Por gostar de pão
Por me dar com a natureza

Talvez eu esteja atrasado
Por pedir bênção à mamãe
Por rezar ajoelhado
Por não me ver diminuído
Ao ser chamado de nordestino

Talvez eu esteja atrasado
Por ouvir música caipira
Por gostar de sertanejo
Por vestir minhas raízes

Talvez eu esteja atrasado
Por valorizar o candomblé
Por gostar de café preto
Por gostar de andar a pé.

Não importa, sei quem sou
De onde vim, pra onde vou
Filho de um povo sofrido e honesto,
Embora cansado de guerra,
Persisto na fé e dane-se o resto.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

LUIZ DE AQUINO - ENTREVISTA nº 260

LUIZ DE AQUINO
com os poetas Domício Proença Filho (da Academia Brasileira de Letras) e Gabriel Nascente (eleito, será empossado na Academia Goiana de Letras em outubro)

O escritor Luiz de Aquino merecidamente receberá o Título Honorífico de Cidadão Goianense, no dia 16, às 19h e 30 min na Câmara Municipal de Goiânia.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

LUIZ DE AQUINO - Depende da fase da vida. Escrevo desde menino, mas só comecei a publicar em jornais aos 22 anos e em livros, aos 33. Minhas outras atividades, respeitando a cronologia, foram cobrador, vendedor de livros de porta em porta, bancário (simultaneamente, professor), assistente administrativo em companhia telefônica, jornalista (repórter,repórter fotográfico, subeditor, editor setorial, editor executivo, editor geral, assessor de imprensa), novamente bancário até a aposentadoria, em 1995. Há cerca de quatro décadas, sou o que costumam chamar de ativista cultural.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

LUIZ DE AQUINO - Ah, não sei exatamente! Sei, por uma vaga lembrança, da alegria e da vaidade que tinha por ler corretamente aos quatro anos de idade. Foi nessa época que me tornei leitor de gibis, de histórias curtas e, aos poucos, cheguei aos livros, sem perder o interesse pelas revistas, fossem textos de ficção ou de notícias. No começo da adolescência, comecei a cometer poemas amorosos, tentando desvendar os mistérios da métrica e da rima. Por essa época, também, ou seja, no decorrer do antigo curso ginasial, comecei a criar contos e crônicas, sem levar em conta o que era uma coisa, o que era outra. Acho que até hoje tenho dificuldades para distinguir gêneros (rsrs).

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

LUIZ DE AQUINO - No país... Em Goiás! Goiás é meu país, com inevitáveis extensões a todos os sotaques e climas sob a língua portuguesa do Brasil. Da minha lavra direta, publiquei, a partir de 1978:
- O Cerco e outros casos (conto)
- Sinais da Madrugada (poesia)
- De Mãos dadas com a Lua (poesia)
- Canto de Amar (poesia)
- Menina dos Olhos (poesia)
- Isso de Nós (poesia)
- BEG - Nossa gente, nossa história (crônica)
- Razões da Semente (poesia)
- Deu no jornal (entrevistas)
- A noite dormiu mais cedo (conto)
- Sarau (poesia)
- O Cerco (edição revisada do livro de estreia)
- As uvas, teus mamilos tenros (poesia)
- Poemas de amor e Terra (poesia)
- José Luiz Bittencourt - Coletânea da Saudade (antologia - organizador e co-autor)
- Meia-Ponte do Rosário, Pirenópolis (crônica)
- De amor e pele (poesia)

A sair:
- Ah, Língua Brasileira!(crônica)

Em gestação:
algumas biografias que pedem urgência

Sou publicado em várias antologias, tanto em Goiás quanto em Minas, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro etc.

Como editor, assino alguns livros. Assino também várias "orelhas", prefácios, apresentações e comentários de contracapa em livros de contos, crônicas e poemas, além de ser citado em algumas obras de referência e mesmo romances.

No exterior, integro algumas antologias, como Poesia do Brasil - PCSUR, Vol. 3, organizada pelo poeta Ademir Bacca.

Em 1997, de 6 a 14 de abril, participei do Encontro de Poetas e Escritores de América Latina, EUA e Espanha em Jerusalém, Israel.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

LUIZ DE AQUINO - Ah, todos! Toda e qualquer ação sobre a Terra, ou sob ela, se vista por alguém de alma sensível e apreço e (ou) apego às letras é estímulo à poesia, como à arte em qualquer de suas linguagens.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

LUIZ DE AQUINO - Olha, talvez fosse mais fácil relatar os escritores muito conhecidos que eu não admire! Suponho que isso decorre da minha certeza de que é muito difícil alguém vir a ser conhecido como escritor sem que agregue muitos méritos, e estes começam na capacidade de observação do escritor, sua paixão pelo texto (a escrita, a gramática, a possibilidade de romper regras, a criatividade, a imagética, o "molho" e o "tempero" do texto, etc e tal...). Quando adolescente, "vestia" o clima e a têmpera de um Nelson Rodrigues e de um Manuel Bandeira com a mesma devoção. Deliciava-me com José Lins do Rego e Érico Veríssimo, com os goianos José Décio Filho, Bernardo Elis, José J. Veiga... Dos atuais, encantam-me Ruy Castro e os gaúchos Luiz Antônio de Assis Brasil e Luiz Fernando Veríssimo. Aqui em Goiás, atualmente, são muitos os poetas e prosadores de boa cepa e posso distingui-los em Gilberto Mendonça Teles e Maria Helena Chein (simbolicamente, para não cometer injustiças). Minas está cheia de grandes escribas, como sempre, tal como o Nordeste (que, neste caso, não pode sequer ser dividido em Estados). Ah, a carioca Lílian Maial é uma poetisa de densas imagens. Gosto dela!

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

LUIZ DE AQUINO - Escrever sempre.Ler muito. E conviver. Conviver com outros poetas, jovens e velhos, conviver com personagens, professores, crianças, mulheres modernas e liberadas, mulheres oprimidas, minorias em geral. A vida é um (rede) moinho, um caleidoscópio, uma tromba d'água, cachoeira sonora ou plácido lago de pacíficos cardumes. Ninguém tem uma regra, uma fórmula, uma análise sintética para nada, tudo é muito dinâmico. Mas é fundamental o encontro de gerações, a troca de informações e experiências.
Em suma: até os 40 anos, aprendemos com os mais velhos; a partir daí, aprendemos com os moços.

POESIAS

Nós, Poetas

Repositórios de insultos
e estímulos, ou de que mais apelidem
clamores de ouvintes,
de poetas,
de leitores.
Adormecemos em nós imagens novas,
palavras velhas,
excitações momentâneas, pedras
de se edificar o tempo
até porque o tempo
semente de suaves copas,
frondes grávidas de ternas sombras.

Somos seiva de fartas florestas,
pastos de estelares insetos,
fontes de dessendentar noctívagos.

Poetas somos alma eterna
e corpo vívido de encantar sereias,
domar demônios,
amansar angélicos fantasmas
de nossas não menos etéreas
fantasias do quotidiano.

(Talvez desvios das certezas falsas,
de condutas ditas certas.
Apesar dos dias).

(in Sarau, 2003)

Convite ao Cio

Brincava de olhar,
de rir, de tocar.
Brincava de amar
mas brincava de sexo
(sem querer, eu acho).

Tinha um cheiro, a menina;
um cheiro maneiro
feito pele morena, quente
e de pêlos miúdos.

Enfim,
era algo rápido
que sacudia o sangue
e me erguia o falo pulsante,
pensante (evidente) na concha molhada
e quente, também; e convidativa.

Ah, menina! Dá pra mim, vai!

(in As uvas, teus mamilos tenros, 2005)

Rio Quente e eu

Na minha terra existe um rio. Pequeno curso,
pequeno caudal que deságua límpido
nas turvas águas do Piracanjuba.

Corre alegre, borbulhante,
mantendo constante a água clara
a trinta e sete graus.

Persistente, meu pequeno Rio Quente!
Foi ele a imagem primeira
do que chamei de rio.

Mas não é ele, ainda,
um rio de verdade. É ribeirão;
e na cidade (pouco mais que vila),
o Córrego de Caldas,
miúdo e manso: hospitaleiro
para o banho, farto de lambaris
de ingênuas pescarias.

Rio mesmo é o Corumbá, violento e forte.
Vem do norte e reforça o Paranaíba,
que nasce em Minas.

Rios são assim, feito a vida. Tímidos
primeiro, crescentes depois.
E viram grandes quando grandes somos também
tal como grande nos parece o mundo.

Saudade de ser córrego:
hospitaleiro e manso.

(in Sarau, 2003)

A casa nasce das águas

A casa de Aninha, a casa grande
na beira da ponte,
dá a mão ao tempo e espera outro século.

Mas a casa está só.
Não há mais quem lhe varra o chão
e espane o pó das histórias.

O tacho de cobre não coze mais doces:
Aninha descansa em São Miguel.
Não mais as histórias dos becos nem livro de cordel.

Doce Ana doutros anos,
força e voz, tempo e tempero.

Foi-se Ana, a cordeleira, cordilheira feito humana,
canto e coro, coralina, voz menina, canto forte
cristalina voz poesia.

A casa nasce das águas
à beira da ponte, à beira do tempo.
A casa escura das águas.

Rio Vermelho resmunga.
Rio velho, triste...
Rabugento, o Rio Vermelho.

(in Sarau, 2003)

O íntimo

Chegarei no silêncio da espera
e abrirei a porta dos sonhos, estes nossos
que antecedem o encontro e o beijo.

Nossas línguas, cúmplices, assinam o pacto
inevitável e seguro de longos momentos
de prazer e delírio.

Vamos bailar ao ritmo das nossas estrofes
e levitar nossas peles eriçadas
ao chão dos anjos.

E eu te beijo, muito e sempre,
toda a pele, toda ela.

Vou te amar em desejo e sentimento,
deliciar-me de seus picos e vales cálidos
e embriagar-me do mel que colherei na fonte.

Entre nossas bocas e odores,
fremiremos de gozo pleno.
E já começamos a sonhar
o novo êxtase.

(in De Amor e Pele, 2009)

Preliminares

Alvo cetim lençóis
e almofadas de ervas
perfume, macios. Suspeito leito
a me embalar, luxúria.

A camisola nada oculta
e excita-me: são coxas peles
pelos mornos e úmidos
de mel licor aquecido.

Cheiro o vão virilha quente
e bebo o líquor que oferece
a carne leve, livre:
− Minha!

(in De Amor e Pele, 2009)

Bailarina

Corpo no ar, esguio e sólido
ciente de tudo o que lhe é de direito
e suave.

Corpo cuidado e saudável, ornado de vestes.
Base de concretas e delicadas
sapatilhas.

Cabeça dotada,
isenta de dores e trauma,
apta ao domínio do espaço.

Ágil, leva o corpo ao ritmo
e às magias da trilha melódica
e faz das artes casamento
íntegro, impecável, perfeito!

Por momentos eternos o baile acontece,
e tudo em volta se envolve
de encanto e leveza.

Os dias, as horas,
tudo o que vem depois e como foi antes,
volta à rotina, conduz a menina à dor do real.
É preciso sobreviver.

Mas para viver, há que ser arte!

(in Sarau, 2003)

Paz do dia

O sol acende o céu,
ascende ao céu
e faz cor nas coisas.

O sol faz dia,
faz luz do dia.
E nos faz maduros.

O sol nasce
e vai ao céu.
Morre cedo, o sol.

O sol faz noite
quando vai dormir.
Dorme cedo, o sol.

Nasce o sol todos os dias.
Passeia no céu dos meus olhos
e no céu dos astronautas.

Faz anos, o sol.
Mas não faz aniversário:
faz os nossos aniversários.

Quando assim, faz do dia
tempo certo de alegria,
paz, ternura e harmonia.

Patamar de esperança,
estação de fé, bonança,
trampolim para o futuro.

(in Sarau 2003)

É noite, fêmea!

Novamente noite e quente
como se perene fosse o tempo de verão.
Inverto as horas, durmo tardes. Em vigília
curto longas madrugadas.

Nas veias, líquido fino de âmbar, ou éter
álcool incidental no elixir dos deuses.
Convenço-me da fé que me mantém de pé
na espera certa do colo farto e cálido.

Não creio nas bocas quentes que me amam;
o amor não reconhece firma, nem afirma
lealdade à vestal boêmia.

Prefiro as águas a cair do céu,
pérfida lama a acolher-me ao léu
que o beijo falso de uma falsa fêmea.

(in De Amor e Pele, 2009)

Rimas e prosas; primas e rosas

Poesia, dor e saudade:
infante e ingênua, carente.
Dava-me sede e vontade,
tal um ardor diferente.

A pele em flor me chamava
estava firme e sedosa
Lembrava amor e cheirava
a cio, pecado e rosa.

Ah, poesia imaginada!
A mão agitada, a bronha −
mais uma transa frustrada
e suor molhando a fronha...

Nada! Tesão reprimido,
noites de rimas e prosas;
saudade é o choro incontido,
a lembrar primas e rosas.

(in De Amor e Pele, 2009)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

DIMAS MACEDO - ENTREVISTA nº 259

DIMAS MACEDO

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

DIMAS MACEDO - Sou professor de Direito e Procurador do Estado do Ceará. Exerço também as funções de editor independente.

No plano social, sou apaixonado pela militância política e pela busca da cidadania e da Justiça.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

DIMAS MACEDO - Eis um mistério para o qual não sei atinar. Acho que seria escritor de uma ou de outra maneira.

Vida e literatura em mim se confundem. Penso que sou um vocacionado para a palavra e que a literatura é o meu destino.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

DIMAS MACEDO - Já publiquei trinta e cinco livros, um deles em espanhol, que foi editado no México. A poesia, a crítica de literatura, a filosofia, a pesquisa jurídica: eis as minhas principais áreas de trabalho com a palavra.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

DIMAS MACEDO - O cheiro, as cores e o salitre da mulher amada. O mistério das coisas e dos seres. Os apelos da paisagem.
E a beleza deslumbrante da natureza

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

DIMAS MACEDO - Os clássicos da literatura, tais como Dostoievski, Tolstoi, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Fernando Pessoa,
Jorge Luis Borges. E outros grandes escritores que não aparece na mídia mas que vou descobrindo com o meu faro de crítico e de leitor compulsivo.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

DIMAS MACEDO - Que continuem acreditando na palavra ritimada e na palavra fundadora do belo. Só a arte é capaz de libertar a vida das suas amarras e das imbecilidades e coisas sem sentido do cotidiano.

POEMAS

Lua

A lua não pode se vestir de branco,
pois é de gelo o brilho dos seus olhos.
A lua é toda de marfim nos seios
e no umbigo a lua tem um cravo,
uma safira feita de desejos

A lua é plena e sutil, a lua é santa.
Santa e profana, a lua me arrebata.
E quando a noite chega em plenilúnio,
em plenitude a lua me embriaga:
chega bem perto do meu corpo e deita.

18.09.2008

Liberdade

Que liberdade é esta
em que as rosas do corpo
não florescem
e o coração atrofia
a cada instante?

E que descompasso é este
em que a estética do sonho
não existe
e os prazeres da vida
são as necessidades?

O mundo, meus amigos,
tornou-se uma fornalha de ídolos;
e o homem, meus senhores,
perdeu o senso da eternidade!

04.02.2009

Sombras

Mais do que sempre,
Mais Que Sempre sei
que a melhor poesia brasileira
é de Luis Antonio Cajazeira,
poema-enigma que não decifrei.

Pensei em Deus
e em tudo mais pensei:
na solidão do azul
e no mar eu naveguei.
Busquei então a paz
e na paz eu flutuei.

Se sou poeta,
de tudo mais eu sei
e tudo quanto sei
eu acho que já sou
a ressonância surda de um tambor:
farol-de-milha
de uns olhos que flertei.

E Mais Que Sempre
é o livro que guardei
por toda a vida
na minha prateleira,
porque Luis Antonio Cajazeira
é o poeta no qual me transformei.

19.06.2008

Girassol

Por tudo quanto sou,
de nada me arrependo.
Se vivo a minha vida,
divido com você.

E quando a luz do sol
de novo renascer,
você ressurgirá
nas flores que te dei.

Jamais imaginei
que eu fosse te encontrar,
quando morri por dentro
na hora do adeus.

Mas Deus me iluminou,
eu sei,
e mais do que ninguém
você foi a maior
estrela que brilhou.

Não pode haver final
no nosso amor:
a flor do girassol,
os grãos do entardecer,
o gosto da maçã,
cada manhã em nós,
cada canção no teu DNA.

Nascemos pra ficar
e não há porque partir.
Quando eu ouvi de ti:
- “Te amo, meu amor” -,
o meu valor maior
se levantou
por cima da paixão.

Fica portanto, em mim,
a tua gratidão
e em nós ficam também
os laços do amor
e a decisão final
de sermos o que for.

31.10.2007

Vontade

Amo o claro e o escuro
e os vinhos rosados
dos teus seios claros,
completamente claros e maduros,
completamente escuros
os teus seios raros.

Amo o brilho de teus olhos
e o barro de teus dedos.
Amo os teus vestidos de sol
e as rosas de amor
que me ofertavas.

Amo as tuas travas
que desato aos urros
e os elementos do sangue
e os beijos de sal
que me mandavas.

És potência e vontade
e eu sou a borboleta in vitro:
imperturbavelmente teu,
quando estou ao teu lado;
exclusivamente teu,
quando te beijo;
definitivamente teu,
completamente amado.

19.08.2008

Nervura

A nervura do caos
se instala nos ossos.
E o remorso do sonho
se infiltra na alma.

E se vivo em calma,
é porque não quero
me consumir pelas ruas.

Luas de tédio
habitam meu suplício.
Clamo por Deus no silêncio
e leio, assim meio sem pressa,
a geografia humana de Clarice.

Na estante ao lado,
Fernando Pessoa me magoa,
e Garcia Lorca me abraça,
com um suspiro de anjo
pelas costas.

Estou perdido e sem graça,
pois ser poeta
é ouvir um trovão
a cada milésimo de segundo.

Sigmund Freud!
Sigmund Freud!
Eis aqui um poeta
à beira da loucura.
Cura-me com teus signos
assim como Jung
me curou com seu manto.

Meu pranto,
Santa Teresinha,
vem de longe:
quero ser monge
e Cecília Meireles não aceita;
quero ser santo
e Manuel Bandeira não permite.

30.11.2007

terça-feira, 7 de setembro de 2010

JANE ROSSI - ENTREVISTA nº 258

JANE ROSSI

BIOGRAFIA

Jane Guilherme da Silva Rossi nasceu em Recife – PE, professora, escritora e poetisa. Passou sua infância em SP e quando casou foi viver em Guarulhos a cidade do seu coração, foi lá que realizou seus sonhos, viveu um grande amor e dessa união vieram três filhos e dois netos. Graduada em Letras, Português/Inglês e pós-graduada em Educação Especial. Professora de Português, Inglês e Libras, trabalha na rede de ensino na cidade de Guarulhos – SP.

Informações
1 – Dama Comendadora da Real Ordem do Mérito Cultural D. João VI de Portugal – FALASP( Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo)

2-Dama Comendadora pela Ordem " Maria Quitéria" titulo outorgado pela FALASP Maria Quitéria - Foi uma heroína da Independência Baiana que se alistou nas tropas revolucionárias para expulsar o exército português em 1823.

3 - Membro Correspondente Titular da Academia Itapirense de Letras e Artes - "AILA", Itapira, SP.

4 - Membro Correspondente Titular da Academia de Letras da Mantiqueira, Águas de Lindóia, SP.

5 - Membro Correspondente da Academia de Ciencias, Artes e Letras de Iguaba Grande - Região dos Lagos – RJ.
http://aaclig.fotoblog.uol.com.br

6 - Membro correspondente nº 1114 na Academia Brasileira de Poesia - Casa Raul de Leoni - Petrópolis - RJ.
http://www.rauldeleoni.org/academico_correspondente_jane_rossi.html

7 - Representante da FALASP em Guarulhos - Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo
http://www.falasp.com.br/

8 – Cônsul por Guarulhos no Movimento Poetas Del Mundo
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=4486

9 – Membro correspondente da Academia de Letras e Artes de Cabo Frio – RJ

10 – Site: Recanto das Letras
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=32905

11 –Certificado “ Destaque Brasil 2009 “ como reconhecimento profissional, em Taubaté –SP Homenagem oferecida pelo Colunista Social Raimundo Nonato.

12 –Certificado “ Mulheres Maravilhosas em 2010” – Taubaté – SP Homenagem oferecida pelo Colunista Social Raimundo Nonato

13 – Mentora e idealizadora do Projeto literário Antologia Alimento da Alma que hoje já se tornou uma coleção.

14 - E-mail de contato: janelibras@hotmail.com

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

JANE ROSSI - Além de escrever sou professora, leciono para alunos do ensino médio na rede Estadual, mentora e idealizadora do Projeto Antologia Alimento da Alma.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

JANE ROSSI - Desde criança vivia rabiscando meus versos e minhas histórias, sempre fui apaixonada por literatura.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

JANE ROSSI - Já participei de 28 antologias, tenho 1 livro solo “Amargura tem Cura?” Dois Livros em Dueto “Chuva de Emoções” vol.I e II um livro de poesia de autoajuda elaborado junto com a renomada escritora Monica Rosenberg. Sou idealizadora da Antologia Alimento da Alma vol. I – II – III e IV pela editora All Print.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

JANE ROSSI - Em minha vida tudo gera poesia. Alegria, tristeza, esperança, fé, me levam a escrever e registrar meus sentimentos.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

JANE ROSSI - Castro Alves e Mario Quintana são os meus preferidos.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

JANE ROSSI - Minha mensagem é que não existe nada melhor do que fazer do papel nosso melhor confidente, desabafar escrevendo, limpando a alma e acalmando as dores. Nós poetas levamos ao leitor palavras de consolo, de esperança e fé num mundo melhor. Hoje vivemos em um mundo de loucura, um mundo repleto de ira e revolta, um mundo frio em que as pessoas necessitam de palavras de carinho e incentivo, nada melhor do que a poesia para suprir as necessidades dos leitores que vivem na solidão. Ser poeta é ver o mundo iluminado mesmo estando na escuridão, ser poeta é sentir o perfume da flor mesmo com o peito cravado de dor.

POESIAS

Aí de mim

Relembrando a juventude
Vida em flor, só alegria
Na alma uma inquietude
Era um amor que eu queria

Olho no olho, paixão
Príncipe, sonho e ilusão
Matrimonio e flor do campo
Beija-flor, noite e pirilampo

O cupido me flechou
Eu amei e fui amada
Eu sonhei, ele sonhou
Amando na madrugada

Mas o relógio da vida
Apagou o meu jardim
Hoje sou vida sem vida
Na solidão, Aí de mim

Jane Rossi

“Nosso amor”

Rolei na cama vazia
E o sono não chegava
O cansaço sucumbia
De cansaço desmaiava

Sonhei com o livro da vida
Vi as páginas do passado
Cheia de sonhos, colorida
E nós dois enamorados

Mas as páginas do futuro
Ainda não estavam escritas
Fui desenhando arco-íris
Uma beleza infinita

Pincelei cores alegres
Desenhei jardins com flor
Fiz meu coração vermelho
Dentro dele o nosso amor.

Jane Rossi

“Esperança”

Sentei no banco da praça
A tristeza assolava
Os jovens e as crianças
Brincavam, riam e cantavam

No meio da multidão
Vi a esperança passando
Sai da minha solidão
Fui atrás dela chorando

Ela seguiu seu caminho
Eu chamei, mas não me olhou
Fiquei na estrada de espinho
A esperança evaporou...

Jane Rossi

“Lírios do Campo”

Olhai os lírios do Campo
E quem é o jardineiro?
É tudo obra do mestre
O nosso Deus verdadeiro

Olhai os lírios do Campo
Como nós, uma semente
Foi ele quem nos plantou
Rega e cuida diariamente

Olhai os lírios do Campo
Tem beleza, perfume e vigor
Regados? Por sua mão
Nutridos? Por seu favor

Vamos confiar em Cristo
Nossa vida a ele entregar
Pois ele é o jardineiro
Só ele pode nos guiar

Jane Rossi

Tatuagem

Hemisfério da alma
Metade da minha vida
Ar que respiro e acalma
Sabor da minha bebida

A mais doce melodia
A mais bela voz que ouvi
Era orquestra e sinfonia
Os toques de amor que senti

Desejo, sonho e magia
Porto seguro e guarida
Motivo das minhas poesias
Anestésico das feridas

Desenhei a tua imagem
Na poesia e na canção
E meu Poeta Coragem
Tatuei no coração

Jane Rossi

“Amor demais”

Alguém que sofre
Calada
Cheia de medos
Assustada
Alma ferida
Rasgada
Com boca seca
Salgada
O peito grita
Reclama
Saudade dói
Inflama
E os lábios trêmulos
Declama
Versos de amor
Pra quem ama
É amargura
Sem cura
É solidão
Clausura
É fim da linha
Tortura
Amor demais
Loucura

Jane Rossi

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

CELI LUZ - ENTREVISTA nº 257

CELI LUZ

BIOGRAFIA

Celi Luz nasceu no Rio de Janeiro, onde reside. Ficcionista, poeta com publicação de textos em prosa e verso, em diversas antologias e periódicos. Publicação no Jornal e na Revista Poesia Viva da Ed. UAPÊ. Prefaciou o livro flores & camisa de força de Adriano Soares. Ed. Itáquila. Autora do livro de poesia O SOL DA PALAVRA. Ed. Ibis Libris. 2009, com prefácio de Olga Savary. Participa de vários projetos e recitais de poesia. É associada à APPERJ (Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro) e ao POETAS DEL MUNDO. É professora de Língua Portuguesa da Rede Municipal do Rio de Janeiro, participa de vários projetos poéticos com oficinas, saraus e mostras de poesia.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

CELI LUZ - Sou professora de Língua Portuguesa da Rede Municipal do Rio de Janeiro, na Barra da Tijuca. Participo de vários projetos literários com a realização de oficinas, saraus e mostras de poesia para alunos. Participo de vários grupos poéticos da cidade do Rio de Janeiro.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

CELI LUZ - A literatura surgiu na minha vida muito cedo. Minha mãe contava histórias de santas e de princesas. Meu pai contava histórias de aventuras e causos do interior. Cedo pude ler Monteiro Lobato, Os Irmãos Ghrimm, Contos de Fada, Fábulas de Esopo e tantos outros da literatura clássica. Gostava de ler quadrinhos e revistas variadas. Sempre tive fome de ler. Comecei a escrever histórias infantis e poemetos ainda criança, e lia para os meus irmãos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País?

CELI LUZ - Fui contemplada em diversos Concursos Literários com publicação em várias coletâneas de poemas do Projeto Poesia na Escola, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Participei de mais de dez antologias e coletâneas, de prosa e de poesia, sendo uma em CD, de diversas editoras. O meu 1º livro solo – O SOL DA PALAVRA - foi publicado no ano de 2009, pela Editora Ibis Libris, com prefácio de Olga Savary.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s)
capaz(es) de produzir poesia?


CELI LUZ – A poesia flui naturalmente, quando me deparo com algo que mexe com a minha sensibilidade e me provoca. Pode ser o belo de uma obra de arte, ou o feio das injustiças e mazelas. Pode ser a traquinagem dos filhotes, o exemplo dos sábios, a mansidão ou a fúria da natureza. A provocação me impele a rabiscar alguns versos embrionários, que oportunamente serão lapidados e se tornarão poemas.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

CELI LUZ – Tenho admiração por tantos escritores de épocas e estilos diversos, que o espaço não caberia, mas vou destacar alguns.
Na prosa: Willian Faulkner, Virginia Woolf, Marguerite Duras, José Saramago, Herta Miller, Isabel Allende, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Autran Dourado, Nélida Piñon, Marina Colasanti, João Gilberto Noll, Milton Hatoun etc.
Na poesia: Fernando Pessoa, Eliot, Jorge Luis Borges, Olavo Bilac, Alfonso Guimarães, Cecília Meireles, Hilda Hilst, Vinícius, Drummond, João Cabral, Carlos Nejar, Manoel de Barros, Ferreira Gullar, Adélia Prado, Olga Savary, Affonso Romano de Sant`Anna, e tantos outros das novas gerações.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

CELI LUZ – A poesia é uma arte, e, como tal, requer amor e dedicação. É preciso conhecer os clássicos e os contemporâneos. É preciso adquirir os livros, ler e escrever sempre. Desconfie dos versos fáceis. Reescreva. Encontre o seu estilo.

POEMAS

AS HORAS

Lá, no alto da pedra
teu cabelo ao vento
encontro marcado.

De longe, a silhueta
de couro, a jaqueta
a gola de super-herói.

Como gata do mato no cio
garras felinas na encosta
parti para o nosso céu.

De repente, o azul se descortina
de repente, só eu e o azul
o choro da pedra no açoite do mar
minhas horas atrasadas.

ESTRELA

No berçário de estrelas ele diz seus versos
e o universo o aplaude.
Doce violino como aura do poeta
acompanha sua boca e o brilho dos olhos.
A melodia das palavras sobrevoa
leve como o pólen e pousa
e (en)canta com sua voz de vinho.
Plateia-colibri paira no ar
respiração suspensa, gole por gole
onde as palavras têm asas
onde nascem as estrelas.

FEITIÇO DA LUA

Leques da palmeira no salão da lua
cavalheiro estende a mão.
Para nós, um violão se faz
uma luz se faz.
O que importa, se o dia vai raiar?
É agora,
ou será tarde demais.

ENCONTRO

Carro estrada acima
para levar a tarde.
Desmaia o branco
na casa da colina.
No milharal, se perde
entre os braços
do vento.

INVERSO

o que seria
do outro lado
para quem subia
nuances verdejantes
onde não havia
via
o verde florescia
sem para onde
uma quina de escada
nada via
os degraus subia

os degraus subia
nada via
uma quina de escada
sem para onde
o verde florescia
onde não havia
via
nuances verdejantes
para quem subia
do outro lado
o que seria

SEM ESTRESSE

Move-se no azul
a balada das manhãs
além do agito da cidade.
Explode sementes
e chuva de beijos
em harmonia com a Mãe Terra.
Prenhe de versos
abelha de flores silvestres
de quero-queros
de amigos sinceros.