quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ELISABETH SOUZA CRUZ - ENTREVISTA Nº 276

MINI BIOGRAFIA

Escritora e poetisa.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

ELISABETH SOUZA CRUZ – Eu faço curso de Comunicação Social para a área de Jornalismo. Já atuo no radialismo, edito uma coluna sobre trovas no jornal A Voz da Serra, aqui da cidade de Nova Friburgo/RJ. Fora do âmbito literário, eu atuo, entre outras atividades, na área de produção de doces.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

ELISABETH SOUZA CRUZ – Desde muito jovem desenvolvi o gosto pela arte de escrever. Tirava boas notas em redação. Sempre fui aplicada com as letras e os números só me atraiam para contar as linhas dos meus textos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

ELISABETH SOUZA CRUZ – Tenho um livro de crônicas pronto para editar, intitulado “Vamos Caçar Cometas” – uma ideia que começou a partir de um diário que fiz sobre a passagem do Cometa de Halley. Depois gostei do assunto e me transformei em caçadora de cometas, relatando episódios de vigílias. Nesse livro há também a reunião de crônicas do cotidiano. Já elaboro um segundo livro que eu defino como acadêmico-poético, pois são resumos das matérias da faculdade em forma de poemas.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

ELISABETH SOUZA CRUZ - O dia-a-dia é o canteiro onde colho minhas escritas. Eu costumo dizer que não sou poeta, mas a poesia ronda os meus escritos. A inspiração vem dos episódios mais simples e coisa alguma escapa às minhas considerações. Meus textos costumam mesclar efeitos poéticos, reflexões e doses de humorismo.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

ELISABETH SOUZA CRUZ – Antes de tudo, eu admiro quem se põe a escrever. Cada um tem o seu estilo e o Universo chega a ser pequeno para tanta diversidade. Meus preferidos são muitos, até porque eu não me prendo ao “ autor em si”, eu busco sempre o algo escrito, os achados, um poema que me desperte, uma crônica bem elaborada, etc. Mas falo em Manoel Bandeira, Mário Quintana, Luiz Fernando Veríssimo, Miguel Russowsky (grande sonetista contemporâneo), O próprio Selmo Vasconcellos é um expoente literário e a ele dou os parabéns, porque tão importante quanto compor é trabalhar em prol da difusão da poesia e o Selmo tem essa dualidade: ao mesmo tempo em que produz, expande; ao mesmo tempo em que nos encanta com sua obra, abre espaço para os outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

ELISABETH SOUZA CRUZ – Escrever muito! Lápis e papel na mão! Quanto mais se escreve, mais se aprende a escrever bonito. Estudar a Língua Portuguesa, ter domínio da gramática, intimidade com o seu uso. Há poetas que se recusam a elaborar o poema depois da inspiração primeira, alegando cortar o elo com o divino, mas o nosso dever , como literários, é rever, repensar até que tenhamos atingido um estado de satisfação entre o sentimento e a articulação das palavras. A Poesia é um dom e escrever bem é uma arte.

POESIAS

Missão Terrestre

Não vim ao mundo para um breve passo,
trouxe roteiro e amor dentro da mala...
Deus me mandou... e me estendeu Seu braço,
deu-me os conselhos e eu sei bem da fala...

Deus me disse assim: - “- Pega o teu espaço,
usando... o amor, o teu traje de gala...
Prossegue o bom destino que eu te traço
e faz teu rumo, azul, em alta escala!!”

E muito atenta à fala do bom Deus,
estou na Terra e... esses caminhos meus
são adornados pelo verbo amar...

Porque eu tenho uma Rosa que viceja,
não pego o lugar de quem quer que seja...
eu me assumo e... conquisto o meu lugar!


Segredo

Viver a vida é parte de um mistério
na encenação da qual somos atores,
sem ter ensaio, sem qualquer critério,
misto de sombra e luzes multicores...

E nesta vida há sempre um revertério,
um dissabor, espinhos entre as flores...
Mas há segredos, sempre há um refrigério,
há muita luz atrás dos bastidores!

Então... comece a desvendar segredos,
descubra o sol brilhando entre os seus medos...
e ante a tristeza não se entregue ao léu!

Ouvir estrelas no breu da tormenta
é o grande alento de quem se alimenta
do Pão da Vida... o Pão que vem do céu!


Amor de Extremos

O nosso Amor é um mar cheio de extremos...
Mar perigoso de navegação...
Às vezes... temo e abandonar os remos
parece a diretriz... a solução.

Eu me amedronto, mas, ante o que temos,
dou meia volta... vejo a salvação
nos tempos de prazer... tantos... supremos,
e eu sigo em frente, atrás dessa emoção...

O nosso Amor é uma cumplicidade...
é todo feito de diversidade....
é guerra... é fogo... é paz... é rebeldia...

É plantação... estio com fartura,
É sensatez vestida de loucura...
É breu... é noite... é Sol de meia dia!!!


Bacharel

Não entristeço a folha de papel
que ela merece uma canção feliz...
Então, eu pego um sonho, o meu batel,
mudo o roteiro e inverto a diretriz!!!!

Meu sonho é diplomado... é um bacharel
contorna os desenganos com seu giz...
Conhecedor da vida, em seu farnel,
tem sempre uma ilusão... pedindo bis...

Meu sonho... faz a vez de um navegante,
pega a alegria, o seu farol constante,
e adentra os mares onde houver tristeza...

Eu sei que o mar nem sempre é meu amigo,
mas eu me exponho às ondas do perigo,
porque a esperança é sempre uma certeza!


Dia de Resgate

O caos, a fome, o medo, a frustração...
e os trinta e três guerreiros no combate...
dia após dia... a espera... a indecisão
da vida, por um fio, em xeque-mate!

Uma Esperança vence a escuridão,
porque o mineiro bom, jamais se abate
e enfrenta a fúria da Mineração
para esperar o Dia de Resgate!

O Chile comprovou a sua fibra
e o mundo, em energias, todo vibra
para trazer à Luz esses guerreiros!

E o Atacama emerge para a história
e escreve no deserto a trajetória
da inesquecível saga dos Mineiros!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

REGINA VIEIRA - ENTREVISTA Nº 275

PEQUENA BIOGRAFIA


Escritora, poeta, ensaísta, crítica literária, tradutora, revisora. Professora e Administradora de imóveis.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

REGINA VIEIRA - Trabalho numa administradora de imóveis, faço traduções e revisões e dou aulas.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

REGINA VIEIRA - Desde muito jovem, gosto de ler e comecei a rabiscar aos 15 anos

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

REGINA VIEIRA - Tenho oito livros :

Sentimentogramas (poesia),
Revivências(poesia)
Reflexões em verso (poesia)
Bernardio, o imprevisível (romance)
A prosa à luz da poesia (ensaio0
Boitempo: autobiografia e memória em CDA (ensaio)
Inventivas verossimilhantes (contos)
Subfundamentos da escrita (crítica literária)

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

REGINA VIEIRA - De repente, surge no espírito

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

REGINA VIEIRA - Carlos Drummond de Andrade, Isabel Allende, Baudelaire, etc.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

REGINA VIEIRA - Continuem lendo e escrevendo, vale à pena. A emoção é a recompensa maior.

POESIAS

CANSAÇO

Não pensei de ficar tão cansada
Nesta ainda de pouca idade
A vida exagerou com seus tributos
Passei pelos roseirais, esbarrei em espinhos
E distraída me descuidei daqueles frutos
Cuja seiva energizaria minha existência

Estou cansada e sequer me conformo
Com este peso que me fecha os olhos
Quando tantas experiências exigiam
Que forças eu tivesse, para desempenhá-las

Mas o sono me vence, o cansaço me domina
E minhas pálpebras descem pesadas,
Sem outra alternativa, melhor fechá-las!


UM AMIGO SE FAZ PRESENTE

Este ano não fez calor e mal choveu
Mas uma ameaça de chuva foi constante
Ao redor e bem perto de mim
Não que chovesse muito ou esparsante
Mas um amigo.... Ah, um amigo....
Qual figura é mais possante
Que o gesto desprevenido, por instante
Esquecido, de um amigo que em visita
Deixa comigo, perto de mim seu guarda-chuva

E este guarda-chuva bem do meu lado
É, quem sabe, um guardião ou um soldado
Guarda-chuvas têm missão de proteger

Quem sabe, a amizade o fez esquecer
Pendurado numa cadeira do meu lado
Este objeto simples, mal amado
Que nos abriga da chuva em dia frio

E este guarda-chuva se fez habitual
Como outro, é um objeto de escritório
Embora – não sei- nele haja algo notório
Em prol de uma selada literária amizade

Ao esquecer o seu guarda-chuva
Talvez meu amigo se fizesse presente
E nunca, em nenhum dia esquecido
Pois o guardião de uma chuva forte
Tem na proteção e na sempre presença
Algo parecido,
Com um bom e certo amigo!


HORA DA SABEDORIA

Meio-dia: Hora de rezar
Meia-noite: As bonecas desencantam
Longe, os pássaros nos encantam
Não é de tristeza o seu cantar.

Meio-dia, meia-noite, horas obscuras
no grande relógio da vida
na atmosfera nebulosa do saber
que sempre buscando saber mais
perde-se na hora, no tempo, que sempre sem tempo
um dia nos fez nascer, para no outro,
nos deixar morrer.

Meio-dia: sol alto, calor a agasalhar
Meia-noite: penumbra, silêncio, sonhar

Dois extremos tem o tempo desde o tempo
em que sem hora se vivia

Meio-dia, meia-noite, que fantasia!
Por que saber a hora, se apenas em nós
no interior do eu é que estão a noite ou o dia!

Meio-dia, meia noite: dois ponteiros colados
apontando para o infinito
que também só dentro de nós
se revela ou feio ou bonito.

Continua o mistério, que nunca se elucidou
Pois se é mistério, nada o esclarecerá

Meio-dia, meia-noite, falem filósofos, magos ou deuses
Nós, homens, quem de Vocês ouvirá
Essa verdade que ad aeternum niguém saberá
e o mais belo é esse não saber e buscar
Na meia-noite, no meio-dia, o tudo ou o nada
que ninguém sabe se ainda vai achar!


CANTO DE UMA CIDADE

Todos amam o Rio de Janeiro
Todos se encantam pela cidade
e por este povo cheio de humanidade
mas sofrendo as ameaças do bombardeio
que de norte a sul dissemina
o coração do carioca, que brasileiro
se dói, se consome, se arruína

E se pergunta: Por que tal chacina
espalha no ar o carvão da areia
que barrando o imenso oceano
desmistifica tantos encantos
de um povo, que de tiros ameaçado,
prefere na dor ficar calado
achando que a justiça já o esqueceu

Parece faltar resistência
aos homens e aos céus clemência
para devolver a este Rio de Janeiro
o rufar alegre de seu pandeiro
sentimento feliz, graça eterna
de ser tudo, sendo brasileiro

Quando dormirão sossegadas
as famílias cariocas que lutam
por seu constante ganha-pão
O que elas querem nem é isso não
é paz, beleza e segurança
O carioca sempre será criança
dentro de si pulsa forte um coração


MUTAÇÕES

Perdi no tempo todo tempo
Momentos de imaginação
Perdi no tempo todo tempero
do amor sibilado em canção

Quem sou eu, hoje, diferente
de mim, n´outro tempo de vida
Quem sou, eu, hoje tão distante
de uma folha escrita ou lida?

Tudo muda, eu também mudei
Nesta mudança, eu me perdi
O mundo que, agora, vivo
Sequer foi o que construí

Tudo agora me é tão estranho
que no estranho, sinto a falta
daquele mundo menos sólido,
porém, mais louco e peralta.

Tudo, tudo passa e passando,
vivendo ou se transformando
nosso ser, frágil, vai cedendo
a esse mundo que, esmaecendo,
vai nossa vida transformando.

O que, então, fazer nessa mudança
para onde a vida, inesperada, converge
Sorrir, aceitar, acatar passivo o lago
do qual a imagem do destino emerge?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

CÉLIA JARDIM - ENTREVISTA Nº 274

BIOGRAFIA

Nasci na cidade de Matutina, interior de Minas Gerais, de onde saí ainda jovem para morar na capital, Belo Horizonte, onde estou há mais de trinta anos.
Minha paixão pela poesia começou na infância e muito jovem eu comecei a escrever, mas somente há aproximadamente oito anos, comecei a guardar o que escrevia e eu me arrependo de ter jogado fora cada pedacinho de papel onde rabisquei algo, porque hoje eu sei que uma inspiração nunca se repete.
Já participei de treze antologias, ganhei um concurso na net, algumas menções honrosas e no ano de 2008 tive a honra de participar do Calendário da Casa dos Artistas, no Rio, fazendo a abertura com o meu poema, ABRAÇO.
Sou membro efetivo da AVBL (Academia Virtual Brasileira de Letras), da AVSPE (ACADEMIA VIRTUAL SALA DOS POETAS E ESCRITORES) e da ABRALI
(ACADEMIA BRASILEIRA DE LITERATURA)
Em resumo, eu preciso me alimentar de poesia, tanto quanto necessito do meu feijão com arroz!

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

CÉLIA JARDIM - Eu sou aposentada pela Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, mas como sou dona de casa, tenho uma extensa lista de atividades que preenchem bem o meu dia a dia. Gosto muito de ler e nas horas vagas esta é a uma atividade que realmente me dá prazer.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

CÉLIA JARDIM - O meu interesse, na verdade, surgiu na infância. Aluna da escola primária, eu tinha uma grande facilidade para decorar textos e adorava recitá-los. Sempre muito requisitada pelos professores para recitar algum poema, fui me encantando cada vez mais pela poesia e nunca consegui me apartar dela. Devo este gosto as minhas professoras do primário.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

CÉLIA JARDIM - Ainda não tive a oportunidade de publicar um livro, tenho sim, participações em algumas antologias, num total de 13 (treze) obras.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

CÉLIA JARDIM - Todos, ou quase todos. A poesia não escolhe um momento para nascer, assim como também nós não o escolhemos para criá-la. Ela simplesmente aflora e aquele é o momento.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

CELIA JARDIM - Nossa, são muitos, incontáveis eu diria, mas tenho uma predileção por Florbela Espanca e Mário Quintana, me inspiram muito, isto sem citar grandes poetas contemporâneos, que embora não tenham ainda o seu devido reconhecimento, eu tiro o chapéu!

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

CÉLIA JARDIM - Que não menosprezem os seus textos, porque com certeza, alguém os apreciarão, assim como nós apreciamos tantos textos que sequer conhecemos a autoria, talvez porque, quem os escreveu não valorizou a sua própria arte. Não importa o que ou sobre o que você escreve, é a sua obra e cada poeta é único!

POESIAS

AMOR BANDIDO

Este amor que eu sinto por você me fez assim
um ser completamente sem noção
esqueci as normas da vida
não sigo um manual de instrução

Quando me toma em seus braços eu esqueço o mundo
não existe pecado, nem contravenção
só um desejo que me cala as palavras
e nosso prazer é minha absolvição

Só em seu corpo eu encontro as bênçãos
para a minha alma se elevar
em sua boca morrem as minhas preces
quando o seu desejo vem me saciar

Que amor é este eu não sei
que me deixa assim em estado de graça
se for pecado ou contravenção, não importa
sinto-me perdoada quando me abraça

O seu jeito de me desejar é único
o meu desejo de me entregar a ti é inegável
e a cada vez que nos amamos
sinto a paz mais desejada

Se for pecado tanto amor
porque Deus assim o fez
se eu só me sinto quase santa
quando peco outra vez

Te amo


PAI... CUIDA DE MIM!

Pai, dá-me a sabedoria do justo
nos meus momentos de fraqueza
que eu saiba vencer a força do bruto
com palavras amenas, benfazejas

Conceda-me luz e paciência
ante os gritos dos insensatos
que eu não ceda a prepotência
e a maldade dos seus atos

Não me permita jamais
revidar com brutalidade
eu sei que eu farei bem mais
servindo-me da bondade

Eu quero apenas ter a coragem
de mostrar ao pobre valente
que estamos aqui de passagem
e que a vida finda num repente

Cuida de mim, meu Pai amado
que nesta vida eu seja sempre luz
que onde eu encontrar um revoltado
eu saiba lhe ajudar a suportar a sua cruz

Guia, pois Pai, os meus passos
fazendo-me um instrumento em vossas mãos
e que quando eu alcançar os teus braços
eu possa dizer que amei a todos como irmãos

Sem temer o vosso olhar
sem temer mostrar a minha face
na certeza que eu soube caminhar
no caminho que para mim traçastes


É UMA PENA

É realmente uma pena, meu amor,
que fiques a matar o nosso amor a cada dia,
transformando o que poderia ser magia,
em um antecipado desespero e dor...

Porque viver cheio de interrogações,
querendo as respostas que não podes ter,
perdes muito, inclusive as emoções,
que o hoje está a te oferecer...

Não somos donos do destino,
nem mesmo dos nossos sentimentos,
então se aquiete deste desatino
e viva o melhor destes momentos...

Viva comigo tudo que puder agora,
sem pensar se amanhã posso ir embora,
não fiques nesta ânsia de prever o futuro,
quando o presente é transparente e puro...

Hoje me tens e isto deve te bastar,
por mais que tenhas receio do amanhã,
importa que hoje eu te quero amar
e que eu não te faça uma promessa vã...

Hoje eu digo, te amo, porque eu te amo
e somente nisso deves apostar,
de nada vale o teu reclamo,
o futuro tu não podes abreviar...

Deixe que o nosso amor viva o hoje e aconteça,
sem inventar um futuro para nós dois,
para existir o amanhã é preciso que anoiteça,
não deixe para me desejar e amar depois...

O tempo é nosso eterno companheiro
e por mais que teimes em driblá-lo agora,
somente tu sofrerás nesta hora,
não sendo feliz por inteiro...

Não me espere no futuro sem me dar o teu presente,
é o que me ofereces agora que permanecerá
e se temes que eu não seja tua eternamente,
eu digo, esta resposta somente o tempo te dará...

Por que te aprisionas a fantasias,
quando podemos viver um amor de verdade,
hoje eu sou hoje a realidade dos teus dias,
porque apressarmos a eternidade?


HOMEM DE MINHA ALMA

Homem de minha alma
a ti consagro todo o meu amor
entregando-te na tua palma
tudo o que eu tenho de maior valor

Beijo-te intensa e demoradamente
sorvendo o gosto dos lábios teus
neles eu sinto verdadeiramente
a doce fonte que sacia os desejos meus

Homem de minha alma
embriaga-te em meu corpo sem receio
a tua sede de amor é o que me acalma
faça de mim o teu copo cheio

Sejas a minha ardente fantasia
ouse e seja o mais lascivo que puder
eu serei a fonte de toda a tua estesia
que sonhaste existir em uma mulher

E eu cavalgarei pelo teu corpo em chama
saciando a tua e a minha loucura
e que este desejo que em nós inflama
atinja a mais alta temperatura

E quando o fogo da paixão abrandar
fique ainda em nós o calor mais terno
que num simples gesto de abraçar
sintamos protegidos de qualquer inverno

Que seja sempre plena a nossa entrega
no afeto mais puro que se possa ter
na grandeza de um amor que não se nega
depois do ato de se pertencer


ME ABRACE MAMÃE

Eu queria ser outra vez pequena
nos seus braços me sentir protegida
pois tenho medo de tudo que me acena
e me sinto uma criança perdida

Porque o tempo nos faz depressa crescer
e nos tira dos seus braços logo cedo
não nos avisa que irá nos doer
enfrentar a vida e os nossos medos

Como eu queria voltar no tempo
ter o seu colo um pouco mais
sem a pressa de viver este momento
onde eu vejo o que a vida faz

Porque eu não cresci devagarinho
e não aprendi primeiro com os seus sinais
assim eu saberia qual seria hoje o meu caminho
pena que agora já sou grande demais

Agora mamãe, o que eu faço
compreendo que quem precisa de colo é você
eu te envolvo ternamente em meu abraço
mas você já não compreende o porquê

O tempo inverte o papel e ensina
hoje é você a minha menininha
um dia esta será também a minha sina
agora a vez de cuidar e proteger é minha

Eu luto para ser forte e esforço eu não meço
jamais deixarei que se sinta sozinha
mas em silêncio, com medo eu te peço
dá-me sua força, me abrace minha mãezinha


MINHA CRUZ

Vida, porque me ofereces
tantos cálices de amargura?
Ignoras as minhas preces
e mais e mais me torturas!

Porque me castigas tanto,
deixando-me embriagar na dor?
Aprecias tanto assim o meu pranto
para me causar somente o dissabor?

Eu quero carregar a minha cruz,
mas não ponha mais peso sobre ela,
estou longe de me parecer com Jesus,
se pudesse eu te pediria livrar-me dela!

Se tens ainda mais um cálice para me ofertar,
dá-me também a força para não o renegar
e que a minha fé seja ainda o suficiente
para eu não desanimar e seguir em frente

Cura-me assim desta minha embriaguês,
permita-me levar um sorriso na face,
para que eu não diga uma única vez,
Pai afasta de mim este cálice!

Não me deixes sentir incapaz,
de carregar os fardos que são meus,
eu sei que somente encontrarei a paz,
quando a minha cruz eu entregar nas mãos de Deus!

domingo, 24 de outubro de 2010

CLEYSON GOMES - ENTREVISTA Nº 273

RESQUÍCIO BIOGRÁFICO OU RESÍDUOS DE MIM

Poeta de múltiplas facetas, dono de uma poesia às vezes coberta de lirismo, outras vezes até “antipoética”, Cleyson Gomes revela em seus poemas – temperados de ironia, sarcasmo, filosofia, humanismo, humor, erotismo etc, etc, etc – o “sentimento-do-existir”, o “sentimento-de-sentir-o-mundo” sem sentimentalismos, mas com “sentimentos-seja-lá-quais-forem”.

No livro “Como e por que me fiz escritor”, O. G. Rêgo de Carvalho diz que “o autor não pode ter piedade de si mesmo, tem que se expor a nu, nem que seja para o ridículo, mas tem que se expor”. 2004 é o ano em que Cleyson Gomes, pela primeira vez, se expõe como poeta ao público: conquistou o primeiro lugar do Concurso de Poesias realizado pela Universidade Estadual do Piauí - UESPI (campus Clóvis Moura) com o poema "Soneto à Eliza (tormentos byronianos)".

“Poemas cuaze sobre poezias” é o seu livro de estréia – obra classificada em primeiro lugar na categoria Poesia do Concurso Literário Novos Autores, promovido pela Prefeitura de Teresina, através da Fundação cultural Monsenhor Chaves em 2008. Em 2010, foi homenageado pelo tradicional e importante sarau literário de Teresina, o “Sarau Ágora”. Também é músico e cursou História e Letras/Português na UESPI. É autor do livreto “Dedo na Ferida”, livrinho artesanal que é vendido de mão em mão por onde passa. É piauiense de nascença e candango por teimosia. Ah, Cleyson Gomes adora fígado acebolado.

CONTATO:
Tel: (86) 8847-3529
Email: cleysongomes82@gmail.com

UMA PITADA A MAIS DE POESIA:
www.saladapoeticalia.blogspot.com

Obs.: fotos por Ana Danielle

ENTREVISTA

VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

CLEYSON GOMES - Sou músico, professor de língua portuguesa e literatura (nas horas vagas), namorado-amigo-amante-marido e companheiro cósmico da Ana Danielle e pai da Hannah Lis.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

CLEYSON GOMES - Aos doze anos de idade, quando li o livro de poemas "Saga da terra" do poeta piauiense Luiz Rocha. Apesar de não ter entendido quase nada, senti. Esse livro foi o caminho que me levou aos outros poetas piauienses, como: Torquato Neto, Mário Faustino etc.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

CLEYSON GOMES - Tenho dois livros em fase de publicação: "Poemas Cuaze Sobre Poezias" e "BRAsILHA - impressões poéticas de um olhar à primeira vista". O primeiro, é o resultado de um concurso literário chamado Novos Autores, promovido pela Prefeitura Municipal de Teresina, através da Fundação Cultural Monsenhor Chaves. Participei desse concurso e acabei conquistando o 1º lugar na categoria Poesia e como prêmio a publicação da obra (mil exemplares). Já o segundo livro, é fruto de uma viagem que fiz à Brasília em junho deste ano. Confesso: me apaixonei pela cidade! Brasília virou minha musa inspiradora - pra não dizer "correlato objetivo" -, e o resultado dessa inspiração deu luz ao livro. Inclusive o poeta Nicolas Behr escreveu uma pequena-grande crítica que sairá no "pré-fácil" do livro. Acho que até o final do mês de outubro deste ano o "BRAsILHA - impressões poéticas de um olhar à primeira vista" estará disponível no www.clubedeautores.com.br.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

CLEYSON GOMES - A "consciência de incompletude" (incompletude no sentido de uma eterna falta de um "não-sei-o-quê") e o vazio existencial, sem dúvida, pra mim como poeta, são o impacto e o pacto que impulsionam a materialização da poesia. O vazio existencial é mais perturbador, causado pelas infinitas ações/reações que a nossa existência nos oferece cotidianamente. Esse papo tá meio filosófico, mas no fundo, no fundo, é fisiológico (risos).

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

CLEYSON GOMES - Mário Faustino, Paulo Machado, Willekens Van Dorth, O. G. Rêgo de Carvalho, H. Dobal, Keula Araújo, Roberto Piva, Clarice Lispector, Carlos Drummond, Manoel de Barros, Ferreira Gullar, Arnaldo Antunes, Hilda Hilst, Augusto dos Anjos, Mário Chamie, Érico Veríssimo, Cruz e Sousa, Álvares de Azevedo, Cora Coralina, Paulo Leminski, Dalton Trevisan, Nicolas Behr, Mário Quintana, Chacal, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Mário de Andrade, Gregório de Matos, Florbela Espanca, Pablo Neruda, José Saramago, Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa e os heterônimos, Byron, Sam Savage, Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Virginia Woolf, Émile Zola, James Joyce, Jean Cocteau, Allen Ginsberg, Faulkner, Antonin Artaud, Emily Dickinson, Jack Kerouac, Rilke, William Blake, Edgar Allan Poe, Giordano Bruno, Umberto Eco, Eça de Queiroz, Marquês de Sade, William Burroughs, Camões, Nietzsche, Jean-Paul Sartre, Mallarmé, Ezra Pound. Sei que devo ter esquecido de algum, mas pode ter certeza, todos deixaram marcas em mim.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

CLEYSON GOMES - Diria que, primeiramente, mesmo que seja difícil, acreditar em sua poesia e apresentá-la ao público. Sabemos que o "novo", na maioria das vezes, causa estranhamento, principalmente porque o "novo" carrega o peso de ser comparado com o "velho", mas sabemos também que é inevitável barrar o "novo", pois o "novo" sempre vem (já dizia Belchior). O poeta do século XXI só fica às margens se quiser. A internet é uma ferramenta importantíssima pra quem deseja publicar seus livros. Um bom exemplo é o site clubedeautores.com.br, onde o autor pode publicar seu trabalho sem precisar mendigar atrás das editoras convencionais. Essa história de "marginal" pertence à outra geração que, sem dúvida, não faz/fez parte da nossa, da minha. Pelo menos de mim. Não me preocupo se irão ou não gostar do que escrevo. Sei de uma coisa: existe público pra tudo. O compromisso com a poesia é o que faz o poeta se diferenciar dos demais poetas e esse compromisso verdadeiramente poético, não deixa de certa forma de ser um compromisso sincero com o público que nos lê.

POEMAS

(SEM TÍTULO)

já amadureci
o bastante
para me tornar podre.


(SEM TÍTULO)

Minha superficialidade poética
não é aquela da "tábula rasa",
é ainda mais superficial e simples
como um desenho no céu
numa nuvem que passa.


O POUSO DA BORBOLETA

Uma borboleta
Pousou na vidraça da minha janela
Articulou as asas
Num movimento câmera-lenta
Estilhaçando as cores da cortina
Que estavam desbotadas de inveja.

Não mais era uma borboleta,
E sim A Borboleta. A Borboleta!

Meus olhos fitavam a borboleta,
Acariciavam-na,
Perdiam-se, languidamente, em suas antenas de condão.

Pouco a pouco as flores da cortina enchiam-se
De rosas, violetas... cores fortes, cores livres.
A poeira tornara-se pólen.

A vidraça tornara-se a transparência do inalcançável
No vôo de retirada
Da borboleta.


NOS RASTROS DE EROS

A pureza suave cativante de tuas formas
instiga minha libido nua

Os seios nus
palpitantes de desejo...
sem pudor tua nudez revela-se num ensejo...

Oh, meu amor
o meu amor transcende o erótico
pousando no pornô
sentir o sentimento, nesse momento
não dá

O prazer pelo prazer
agora é o que se vê

Tuas ancas largas
tua pele pálida...

Tu sabes
que às vezes
uma dose de si
numa relação
é só pro gozo sentir

Tu sabes também
que nesse momento
cada um só quer o instante
porque Amar é pra sempre
e a gente não tá a fim de eternizar.


DEZ HAIKAIS

Patativa

Poeta popular
pula a cerca da gramática
sem medo de "errar".


A gosto

Eu gosto do gosto
do teu gostoso gostar
com gosto gostoso.


A fome

O faminto come,
no tormento da miséria,
o vazio da fome.


Reler

O livro só vive
quando alguém que também vive
vive lendo o livro.


Sampa (superlotação)

Me vem um pavor
quando todos chegam juntos
e entram no metrô.


Ninfomaníaca

Sou fêmea no cio
buscando saciar a fome
nos braços dos homens.


Preliminares

A língua minguante
passa no céu do teu corpo
levando-te ao gozo.


Palidez

Tuas formas palpáveis...
pálida pele jasmim...
gozos inefáveis.


Jambo

Suculentos lábios
entreabertos pro prazer
no cruzar de pernas.



Oral

No ato de lamber
vem desejo de chupar
feito picolé.

sábado, 23 de outubro de 2010

LENA FERREIRA - ENTREVISTA Nº 272

AUTOBIOGRAFIA

Marilene Ferreira de Oliveira, assina suas obras como Lena Ferreira é nascida em 08 de julho de 1968, Rio de Janeiro, mãe de dois meninos poetinhas, meu orgulho, casada e aprendiz da vida. ADORO sorrir. Penso que sorrir convida a felicidade a se instalar na nossa alma.

Escrever, pra mim, é como respirar. Entrei no ORKUT em 2006 com o único propósito de aperfeiçoar meus conhecimentos poéticos. Ganhei a alcunha de MÁQUINA DE VERSOS por conta da compulsão que me move em produzir poemas em larga escala e sem a qual não me sinto EU. Não me incomodo mais quando ouço essa expressão, como antes acontecia, pois entendo que cada 'escrevinhador' tem o seu processo cri(ativo) e eu procuro respeitar o de cada um. ADORO desafios, busco sempre o aprendizado técnico mas não limito-me a ele. Gosto mesmo é de repousar as mãos no teclado e deixar meus dedos 'falarem'...E eles me contam cada coisa...Compor em parceria pra mim é MÁGICO pois é o entrelace de almas em sintonia fina e NÃO TEM PREÇO.Criei um blog há pouco,www.versossintonicos.blogpot.com onde estão postadas todas essas pérolas que venho compondo com alguns poetamigos, além de outro com versos sereníssimos, www.serenissima-lenaferreira.blogspot.com , este já existente há tempos. Também, uma comunidade orkutiana, pequenina, chamada SERENÍSSIMA, onde todos são bem vindos mas confesso: fico mais nas comunidades parceiras do que nela própria..Em setembro, fundamos uma comunidade voltada à ARTE, abrangente. Música, poesia e o mais. Chama-se TROVART e o 'carro-chefe' é EDIÇÃO DE VÍDEO POESIAS, elaboradas pelo talentosíssimo músico-poeta Axills, onde as poesias dos poetamigos são declamados por ele, Axills, Raquel Ordones, por mim e por todo aquele que desejar fazê-lo. Tem sido uma experiência motivadora e aglutinadora também. Penso que não só a poesia mas a humanidade precisa de cumplicidade e contamos com isso por lá. No mais, respiro poesia. Sem ela, sou nada, nada mesmo..

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

LENA FERREIRA - Ativista cultural, divulgo novos autores (poetas) e artistas ( música e teatro), além de exercer trabalho voluntário na comunidade com crianças de 7 a 12 anos, de incentivo a leitura e elaboração de textos. ( oficina literária)

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

LENA FERREIRA - Sempre gostei muito de ler. Qualquer tipo de literatura mas me primeiro contato com poesia foi aos 13 anos quando me caiu às mãos OS LUSÍADAS de Camões. Talvez, por isso, o meu vício pelas rimas. Já na época de normalista, fui muito incentivada por minha mestra Leda Martins a quem sempre mostrava meus rabiscos. Devo a ela o fato de não ter engavetado meus escritos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

LENA FERREIRA - Não tenho livros meus publicados. Participei em 2009 da Antologia À Flor da Pele, organizado por Soninha Porto, dona da Comunidade de mesmo nome.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

LENA FERREIRA - Creio que tudo pode se transformar em poesia. Qualquer situação. Costumo me inspirar em frases, imagens, conversas com amigos virtuais ou não...A vida já nos é inspiração, seja ela triste, alegre...É vida, é poesia.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

LENA FERREIRA - Camões, por ter sido o primeiro contato. Florbela Espanca, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, Fernando Pessoa, Drummond, Leminsk...Não sigo estilos. Sigo o que me emociona, o que me toca a alma. Há também, na rede, uma gama de novos poetas os quais tenho sempre muito prazer em ler.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

LENA FERREIRA - Escreva! Escreva, sempre. E não se deixe esmorecer por comentários negativos. O que mais tenho visto, principalmente no mundo virtual, são poetas novos, cheios de talento que são desmotivados por comentários depreciativos de pessoas que nem sempre tem a capacidade técnica para tal e nem um milímetro de sensibilidade.

POEMAS

TRANSCENDENTE
(Lena Ferreira)

Tão perto
que te sinto em mim
mapeando os contornos
explorando a geografia
adentrando cavernas
escalando montes
bebendo em rios
expelindo lavas
e repousando
- breve instante -
nos vales perfumados
por suor, saliva e prazer

Tão perto...


STAND BY
(Lena Ferreira)

Meu mar é traiçoeiro, traiçoeiro
navega-me nas horas imprecisas
banhando de sal, a alma e a língua
afogando meu pensar; minha razão

Ondas e mais ondas espumantes
turvam a visão; enxergo nada, nada
braçadas são inúteis nessa hora
melhor por-me à deriva em espera

Quem dera ser só brisa, eternamente
beijando à tardinha os seus cabelos
ou mesmo vento morno à noitinha
embalando o seu sono, mansamente

Mas mar e mar e mar agigantado
faminto em ânsias, caudaloso e quente
nauseia-me em açoite, noite e dia
em amar, amar, amar e sem medidas...


IMPERATIVO
(Lena Ferreira)

Maldigo
a quem apresentou-me
esse verbo maldito..

Logo a mim que, reticente,
conjugava-o no futuro.

(hoje, choro um pretérito imperfeito...)

Meu peito
é descompasso dioturno
A alma
sangra em gotas; lenta
mente

Os olhos vagam
pela madrugada
A boca aflita
sem saliva, trava
A pele é frenesi
em arrepios

- o corpo todo
exala duras marcas -

...imperativo
que me faça esquecer-te...


TÃO LUA
(Lena Ferreira)

Tão lua eu, tão lua
derramada noite afora
convencendo estrelas tantas
com sorriso de espera

Nu em nuvens, o céu me abraça
e consola meu cansaço
de vagar inutilmente
procurando por remanso

Agredi o universo
maldizendo o colo terno
por temer o pouso certo
por, quem sabe, não saber
dividí-lo com cometas
rodeantes em rebrilho
ofuscantes ao negrume
que carrego; carga inútil

Tão lua eu, tão lua...

Sem poder ouvir a sonata
que embalava sonhos, todos
posto nua, mais que nua,
a alma inteira e ingrata
implorando por perdão..


EM GOLE
(Lena Ferreira)

Engole esse choro e segue; linda!
transforma o cristal em pedra bruta
reavalie tua indevida conduta
auto-piedade? rastejar? vá à vida!

Engole o choro a seco ou com água
faça o que for preciso; algo faça
dos olhos, tire a cortina de fumaça
do peito, seque o poço de mágoa

Engole, em gole, o pranto; inteiro
que seja esse o último certeiro
que não desfiles mais melancolia

Engole o choro; é passo primeiro
para enxergar as cores da alegria
pintada com pincéis-poesia

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Thiers R - ENTREVISTA Nº 271

BIOGRAFIA

Thiers R. de Andrade > Thiers R

“..Ora quem sou...?
sou o lixo que se veste de duque
distrai o povo, abstrai o tempo
inflama a garganta
e cospe na palidez da vida
resquícios de sonhos..”

Nome artístico – Thiers R >( de Rimbaud)..
Nome – Thiers R de Andrade
Bacharelado em Português/Literatura
Mestrado: Sociologia das comunidades carentes
Trab /campo realizado em Codó/MA/Brasil
Trabalho atual: Professor
Português/Literatura em escolas da zona oeste ( RJ)

Necessidade ( interna) de fazer um doutorado....

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

Thiers R - Como já disse, além de escrever dou aulas para alunos da rede pública.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

Thiers R - Meu interesse surgiu dentro de casa quando ainda era criança, sempre convivi com livros.
Comecei a escrever poesias com 14/15 anos. Naturalmente acabei por jogá-las no lixo, mas ao fazer trabalho político passei a escrever poemas de cunho social a partir dos 19 anos e não parei mais.
Portanto escrevo a 8 anos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

Thiers R - Não publiquei livros, apenas estou em algumas antologias e muitos e-books, em um mini livro da ABRACI. Até hoje a necessidade que o poetas sentem de participar de livros ainda não bateu à minha porta. Possuo 5 livros completos de poesias e um de contos (todos registrados no IBN).
Em andamento 1 romance surreal feito em parceria, possível/ será editado em 2011.
Titulo – COTIDIANOS ( Rascunhos&Diálogos)
Lancei um ebook ( meu) – Perfume Escasso que poderá ser adquirido no site: www.foconospoetas.com
Possuo um blog onde escrevo quase regularmente,
www.thiersr.blogspot.com/

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

Thiers R - Não existe impacto algum para escrever, eu apenas jogo as palavras e elas se juntam, quando vejo o poema está pronto, o que não me impede de fazer correções quando acho necessário. Posso escrever 3 a 4 poemas seguidos ou escrever 5 num dia. Posso passar uma semana sem escrever nada, mas em geral sou compulsivo...

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

Thiers R - Tenho receio de esquecer alguns porque são muitos, mas aí vai uma pequena listagem.
Berthold Brecht, Edgard Allan Poe, Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire, Charles Bukowski, Fernando Pessoa, Antonin Artaud, W. Blake, Allen Ginsberg, Clarice Lispector, Carlos Drummond, Mário Faustino, Ana C., Augusto dos Anjos, Maiakovski e Manoel de Barros. Naturalmente gosto de muitos outros; alguns menos conhecidos e outros famosos, mas penso que não devo me estender.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

Thiers R - Se uma força interna puxar tua mão, não duvide, perca a razão. As razões vivem na atmosfera que te cerca e o prazer que sentes nas palavra é teu gole de veneno.
Tome-o e delire, porque os delírios é o que nos resta.
Entre trapos, silêncios e mentiras, vive o poeta.

POEMAS

VERSOS QUE PERTENCEM AO AR
Thiers R >

Astuto, corto
verbos da garganta
descubro faces
mil faces inaudíveis
enrolo desejos
semi cobertos
tumu lar mente
cobiço
dúvida permanente
penumbra in consistente
resíduo de conceitos
pré conceitos
vem
rompe a casca e defeca
vem
corta a corrente do mal
dormência inerte
sangra pulsos
vem
in conveniente
molhada
coberta de libido
em curto circuito
ligo todas as tomadas
abro torneiras
busco- te aberta como flor do mal
a fome esmurra
o lampejo traduz-se
no lábio mordido
na boca seca
sangrando momento in vulgar
‘ sob versos que pertencem ao ar ’


EM CANTO DE OBOÉ
Thiers R >

Talvez porque não me pertençam
tristezas fazem-me bem
tristezas
paralisadas
en’canto direito da nuvem
nostálgica gargalhada
histérica
nua
chora
o canto
do oboé
segundo dormido
na alça caída
tristeza solene
no ar
um peito nu
meu peito
que em mim
provocam
sorrisos


PERFUME ESCASSO
Thiers R >

Em fases como a lua
sorri canino
andei absinto
bebi loucura
doei paixão
tosse-me o pulmão
desejos ferem-me
na palidez da noite escassa
tateio teu corpo
a braço lençóis
desalinho a’lma
in decente fogo
escravidão vermelha
esvai-se
o’laço apertado corrói
sou nada
vazio escarrado
cuspe
catarro
sangue co’agulado
onde abraço apenas
o perfume insolente
que na cama restou


ESTÉRIL IMPROVISAÇÃO
Thiers R>

O nada invade paredes
crucifica papéis
penetra na alma como fuligem tóxica

sei das tardes onde se esvaem os delírios
absurdos de meu ser

na cama/regaço não há espaço
somente o sol indulgente
o azul é desejo de todos – não o meu

a felicidade cria-se de pequenas bobagens

se acaso eu fosse cineasta
diria com mais clareza (através de imagens)
o dia nasceu alegre, mas o calor sufocante
atravessou esferas como soco em camera lenta

amo dias grafiteiros, ramificados nos cinzas
amo o acerto da chuva fabricada por sons

calam-se os pássaros ante a beleza

a gota se rompe
atravessa a linha do tempo e faz música sem pretensão

amo a palidez mágica do indecifrável
nela me encontro, porque talvez
seja mais louca que meus desejos
mais feroz que minha agonia
mais instável que minha lucidez

sento-me na palavra,
armo combates desenhados com lanças

mais um pecado, fagulha de sangue cospe pólvora
assim acompanho o filme onde a guerra acontece.


AUSCHWITZ’Z’Z’Z’Z
Thiers R >

Defeca o nazismo
n’olho triste da agonia
mais uma flor abatida
mais um suspiro caído
“...o trabalho liberta....”
sangra o sonho entre ratos
“...o trabalho liberta..”
a tosse seca
o monóxido
o gás
a fadiga
jaz o semblante
pousa a mosca e rouba
...mais um sorriso se perde..
“...o trabalho liberta...”
entre ossos
dorme o livro
poeira de sentimentos
vergonha de existência
farpa que arranha
penetra e inflama
instantes de felicidade..

O poema acima foi feito quando voltei do campo de concentração. As imagens bateram forte.

Selmo todos estes 5 poemas foram escritos entre 2009 e 2010.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ROSANA BANHAROLI - ENTREVISTA Nº 270

BIOGRAFIA

Nasci e moro em Santo André. Sou divorciada, mãe de duas filhas maravilhosas. Uma casada e feliz (Virginia) ao lado de meu novo filho (Paulo César) e outra solteira (Ligia), também feliz ao lado do namorado(Bruno), ambas em ascensão profissional(eu babo por elas). Em casa, somos eu, a Ligia, minha mãe (Tereza) e o Magoo, nosso gato vaquinha. Formada em jornalismo desde 82, já trabalhei na grande imprensa (DGABC), em assessoria de imprensa, jornal empresarial, como colunista e editora em revista de artes e humanidades, coordenadora em revista de difusão cultural e, hoje aos cinqüenta, mas não aposentada coordeno palestras dentro do projeto: Vozes da Globalização, identidades e gêneros em coparceria de duas profissionais, com formações em História, Oralidade e Literatura junto ‘a Casa da Palavra (equipamento cultural da PMSA). Publico, mensalmente em caderno literário, on line. Também, atuo como conselheira de Literatura, representante da sociedade civil, no CMCSA (2008/2010), participo do Fórum de Cultura da Livraria e Editora Alpharrabio e, realizo trabalhos de revisão de textos e recuperação de móveis.

ENTREVISTA


SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

ROSANA BANHAROLI – Realizo projetos culturais, faço mediações, apresento saraus e eventos de pequeno porte de Literatura. Procuro sempre fazer difusão de novos artistas e estou em processo de finalização de criação da ONG Cultural, Sagarana junto à escritora e historiadora Vanessa Molnar , além de estar sempre aprendendo Literatura nas formas de leitura e escrita.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

ROSANA BANHAROLI – Fui apresentada à Literatura aos 7 anos, quando ganhei uma coleção de Contos de Fada (tenho até hoje), de meus pais (Tereza e Alfeo). Deste momento..., livros pela sala, quarto, cozinha, bolsa...Lembro –me que comecei a andar sozinha de ônibus, quando eles não estavam tão à mão e tinha de ir encontrá-los até a biblioteca municipal, Nair Lacerda. No período de adolescência, resolvi-me poeta, ofício logo abandonado pela escolha do jornalismo. Ainda neste período ganhei alguns concursos de redação. Fator este determinante na escolha profissional. Sempre irrequieta frente ao modus operandi das pessoas e do mundo. Ideologia e garra próprios da idade, mas que hoje ainda carrego, em menor grau e participação, mas trago a certeza de algumas poucas conquistas e sempre que posso sou participativa. Minha garganta não grita mais, mas fala muito. Renasci para a criação, mais poemas e poucos contos, crônicas, críticas depois que sofri depressão causada por estresse e abandonado o jornalismo diário. E, logo de cara e muito cara de pau, nesta nova fase, me matriculei na oficina de criação literária de João Silvério Trevisan (2007). Era tudo do que precisa, novo estímulo e, como resultado vários prêmios em poesia, antologias, pessoas interessantes e que fazem da Literatura parte importante em suas vidas e vice e versa. Enfim, renasci através de Amélia Ben, meu pseudônimo.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

ROSANA BANHAROLI – Participo em antologias impressas: Amigos do Livro/Flipoços; O Pensador IV da Academia Itapemense de Letras; Eu amo Vinhedo, da Secretaria de Cultura de Vinhedo; Prêmio Literário Cidade Poesia, da Associação dos Escritores de Bragança Paulista; Uma viagem pra Pasárgada, Litteris; Festa Surpresa, de Porto Seguro, Taba Editora; Prêmio Valdeck de Almeida. Em e-book (Unifamma); calendário poético (Cabeça Ativa); agenda literária (Litteris); Revista Cultura (Espírito Santo); jornal da Oficina Verso & Prosa (Paraná) - todos selecionados através de concursos literários e, ainda publicada em vários sites, blogs (Garganta da Serpente, Trapiches, Maria Joaquina, Casa da Palavra...), revistas (Drogaria São Paulo...) e cadernos literários (edições Pragmatha).
Ainda não tenho publicação individual, pois sinto que é necessário um pouco mais de técnica(oficinas de criação) e o difícil patrocínio para editoração, lançamento e divulgação.
Concordo com Otávio Paz, quando ele afirma que o poeta é a antena do mundo e, portanto me obrigo a um trabalho de produção de textos responsável: projeto, conteúdo e forma. Então, sem pressa de assinar.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

ROSANA BANHAROLI – Produzo poesia quando ela me chama. Normalmente são cenas cotidianas. São documentários, uma música, um sarau, um livro, uma palavra, uma atitude, um lixo...segmentos pela e da vida e curiosidade pela morte.
Certa vez, ao apresentar um evento, com finalistas em poesia, eu disse que se ela estava presente ali é porque o universo estava pronto para recebê-la. Então quando ela me chama, sou seu instrumento. E, como me sinto bem em sê-lo. Mas, deixo claro que não se trata de um processo hegemônico. Ela grita, sim. Mas me permite eternizá-la através de minhas palavras, opção textual e técnica. Sofremos e festejamos juntas. Somos parte de um todo e é ele (todo) que falamos e a quem falamos, demarcamos nosso espaço, nosso tempo, nosso sentimento, nossa opinião.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

ROSANA BANHAROLI – Escritores? Puxa para que lê muito, são muitos. São clássicos e contemporâneos. Machado de Assis, Coetzee, Clarice Lispector, Márcia Denser, Hilda Hilst, Orides Fontela, Marcelino Freire, Florbela Espanca, Mario Quintana, Manoel de Barro, Mia Couto...Poesia e prosa, sempre e, sempre mesmo minha eleita: Olga Savary. Dia desses, fui apresentada a Marilene Felinto, As mulheres do Tijucopapo. Uau!
Como sou minhoca , nasci e fiquei aqui em Santo André, prestigio muiiito os escritores publicados da região: Vanessa Molnar (Crônicas de uma Tara Gentil); Adilson Alchuy (Anjo Azul); Zhô Bertholini; Jurema Barreto de Souza (Policromia); Dalila Teles Veras; Beth Barait Alvim (minha madrinha literária); Edson Bueno de Camargo, Hildebrando Pafundi; José Geraldo Neres (Outros Silêncios) e, os publicados não tão perto: Simone Pedersen, Geraldo Trombin, Cris Dakinis, Nathalia Wigg, e a nossa saudosa Heloisa Galves. Selmo, sacanagem! Admiro tantos...

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

ROSANA BANHAROLI – Uma dica aos que escrevem e pretendem viver de Literatura? São várias: ter senso crítico; ler, estudar, exercitar muito, sem pressa de publicar, pois temos que ter consciência de que a Literatura é a arte máxima entre as artes e que como pretensos autores temos o dever de respeitá-la. Temos que trabalhar a humildade antes de nos apresentarmos como escritores, e muito senso de contemporaneidade para não cairmos no erro fatal de criarmos o que já foi criado. Como? Construindo e descontruindo e sempre e para sempre insistindo no novo. E, como Literatura, também é mercadoria devemos ceder ‘a tentação de promessas de algumas editoras (e não são poucas) que facilitam a publicação sem nenhum critério.

POEMAS

Êxtase sem desculpas

Imagino-a nua na rua
De meus sonhos
&, secretamente,desejo
decifrar seu corpo:
Vesti-la de malícia
& em seguida
Despi-la de pudores

Quero aquecer a solidão
Prisioneiro em suas curvas

Paixão solta em labaredas
Faminto, libertar
A masmorra de seu ventre
Em movimentos nervosos

Esparrar pecados &
Me deitar sobre eles
Entregar a vida sem
Resgate &
Já, quase sem alma
Salvar as cinzas.


Momento poético

As letras palpitam
Na linha do infinito

Algumas salvam-se
em palavras


Recomeço

Minha casa ficou doente
Sua pele descama
A cada estação
& seus pés se misturam
À poeira.

Minha alma ficou magra
Se comprime
A cada lágrima
& meu corpo cresce
Em memórias.

O pânico teria vencido
Se o tempo atrasasse
E os pássaros e as flores
Esquecessem de nós.
Chegaram a tempo:
É primavera!


Um poema

Nas noites sem mortes
O pulsar das palavras
Faz a vida tremer
São segredos do ventre
Gritando por liberdade


Para sempre juntos

debruçada no tempo
criei monumento
ao prazer herdado
a mim dado
&
num lapso
do momento
cimentei-me
junto a ele

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

EDVALDO ROSA - ENTREVISTA Nº 269

BIOGRAFIA

Eu sou um poeta saindo das primeiras letras, embora venha participando de várias atividades poéticas, tanto na net quanto fora dela!

Dentro da net tenho presença em vários sites de poesias e grupos, em cirandas, duetos, etc.

Mantenho um site de poesias, para o qual convido a todos para que façam uma visita no seguinte link:

www.sacpaixao.net

Mantenho um grupo de poesias no Yahoo Grupos no seguinte link:

http://br.groups.yahoo.com/group/Sac_Paixao_Poesias

Comecei a publicar minhas poesias em jornais e revistas de circulação interna nas empresas que trabalhei destacando-se:

- Jornal HZS (hospital Zona sul) em 1983 n° 02, 03

- NV (Noticias Villares) em 1986 n° 15;

Revistas de poesias:

- O Berro (Grupo AJA - Academia Juvenil de Artes, da biblioteca Monteiro Lobato) em 1983/1984 n° 8,10, 13,

Jornal de Poesias:
- O Arte_Fato ano 2 n° 9 setembro de 2005 Editado pelo poeta Santiago Dias.

Tenho participado de antologias poéticas, destacando-se:

- Escritores Brasileiros Editora Crisalis RJ 1985
- Escritores Brasileiros II Editora Crisalis RJ 1985
- Asas e Vôos Editora Guemanisse RJ 2006
- 2° antologia poética da AVBL - Editora AVBL - 2006
- Antologia Escritores Brasileiros e Autores em Língua Portuguesa - RB Editora - 6° Edição 2008
-Antologia Delicatta III – Scortecci Editora, 2008 – Coordenação Luiza Moreira
- Antologia literária Internacional - Dois mil e Esperança
1° Edição - 2009 - Curitiba - PR - Abrali Edições
- Antologia Literária Internacional - Pangeia, A Literatura unindo continentes - 2009 - Curitiba - PR - Abrali Edições
-Cronistas, Contistas e Poetas Contemporâneos – Série Safira, Projeto Cultural Delicatta – Coordenada por Luiza Moreira. - Scortecci Editora - 2010
-Coletânea Especial II e III – Antologia Beco dos Poetas – São Paulo - 2010

Livro solo:

Caminhando com as Borboletas - Edição do autor, Edições AVBL - 2009 - Bauru – SP

Lançado no Itaú Cultural e na Bienal do Livro de São Paulo de 2010, pelo Projeto Literário Delicatta, sob a coordenação de Luiza Moreira.

Lançado na Bienal do Livro do Paraná, em outubro de 2010 pela Abrali Edições Internacionais, sob a coordenação de Celso Brasil.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

EDVALDO ROSA - Como profissão e meio de subsistência, trabalho em empresa de transporte em São Paulo, Capital. Onde o contato direto com o publico, possibilita um melhor entendimento da alma humana, que a meu ver deixa-se á mostra em seu comportamento, mesmo nos mais corriqueiros.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

EDVALDO ROSA - Considero que existem duas etapas em meu processo de amadurecimento em direção á lide literária.
No principio fui acometido pela necessidade de expressar-me e a escrita foi o meio utilizado, mas neste principio embrionário, não considero ter encontrado um valor literário nestes primeiros escritos.
Com o passar do tempo, acrescido de inúmeras leituras, encontros com pessoas ligadas ao meio literário, fui tomando gosto pela expressão de minha individualidade que a escrita propiciou...
Como em vários aspectos da vida, precisamos adquirir competências para desempenhar com propriedade nossas metas venho procurando dar um caráter literário ao que escrevo.
A palavra é um signo, uma ferramenta, que tem um valor próprio, e entendendo isso, procuro fazer uso daquelas que mais que refletir a mim mesmo, digam algo para meus possíveis leitores.
Assim, o interesse literário se estabeleceu.
É um esforço gigantesco para transmitir ás pessoas o fruto de meus pensamentos, de meus sentimentos, que podem ou não ser consoantes com os pensamentos e sentimentos dos meus leitores. Mas, que de qualquer forma é um testemunho de uma vivência e, portanto funcionam como crônicas de um tempo.
Peço permissão para agradecer de público a presença de algumas pessoas que com seu carisma e amizade, constituem um grande incentivo ao meu trabalho e também motivos de alegria por alimentarem o meu interesse literário:

Luiza Moreira, do Projeto Cultural Delicatta, que abriu as portas de duas Bienais de São Paulo, consecutivas, para minhas poesias.

Celso Brasil, que levou o meu livro “Caminhando com as Borboletas” á Bienal do Livro de Curitiba,

Denise Severgnini, do Rio Grande do Sul pelo apoio.

Luli Coutinho, de São Paulo, que me insere em seus projetos literários.

Glória Salles, pela companhia na estrada das letras, com muito respeito e amizade.

E Marilene Taubner, batalhadora incansável pela cultura em Uránia São Paulo.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

EDVALDO ROSA - Pode ser uma lista?

- Escritores Brasileiros Editora Crisalis RJ 1985
- Escritores Brasileiros II Editora Crisalis RJ 1985
- Asas e Vôos Editora Guemanisse RJ 2006
- 2° antologia poética da AVBL - Editora AVBL - 2006
- Antologia Escritores Brasileiros e Autores em Língua Portuguesa - RB Editora - 6° Edição 2008
-Antologia Delicatta III – Scortecci Editora, 2008 – Coordenação Luiza Moreira
- Antologia literária Internacional - Dois mil e Esperança
1° Edição - 2009 - Curitiba - PR - Abrali Edições
- Antologia Literária Internacional - Pangeia, A Literatura unindo continentes - 2009- Curitiba - PR - Abrali Edições
-Cronistas, Contistas e Poetas Contemporâneos – Série Safira, Projeto Cultural Delicatta – Coordenada por Luiza Moreira. - Scortecci Editora - 2010
-Coletânea Especial II e III – Antologia Beco dos Poetas – São Paulo - 2010

Livro solo:

Caminhando com as Borboletas - Edição do autor, Edições AVBL - 2009 - Bauru – SP

Lançado no Itaú Cultural e na Bienal do Livro de São Paulo de 2010, pelo Projeto Literário Delicatta, sob a coordenação de Luiza Moreira.

Lançado na Bienal do Livro do Paraná, em outubro de 2010 pela Abrali Edições Internacionais, sob a coordenação de Celso Brasil.

E-books:

Em meu site www.sacpaixao.net , na seção de e-books tenho a participação em 26 e-books diferentes, todos com acesso livre para cópias pelos interessados, sendo o e-book
“Me banho na luz de teu olhar” o meu e-book solo.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz (es) de produzir poesia ?

EDVALDO ROSA - Impacto é um termo interessante para definir ou qualificar um instante ou o momento em que a poesia se produz!
Permita-me discorrer sobre a afirmação implícita na pergunta do amigo, que considera a poesia como um produto:
Penso que a poesia é sentida e não propriamente produzida.
O poema sim é produto, pois pode ser estruturado, construído com fins e propósitos, enquanto a poesia é um algo mais que se percebe intimamente ligado com o poema...
O poema seria a meu ver uma flor, a poesia o seu perfume.
Enquanto coisa concreta, poema/rosa, belo ou feio produz empatia ou não, cativa...
Enquanto a poesia é abstrata, multifacetada, plural, consoante ou não com a sua audiência/leitor. A poesia desperta e potencializa sensibilidades adormecidas...
Quando não o faz, denota uma falta de sintonia.
Em síntese, o que me impacta é a vida!
O que me traz uma atmosfera poética é o ser humano em suas diversas dimensões de ser!
A produção poética é antes uma percepção, em principio individual, em dado momento e em dada circunstância.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

EDVALDO ROSA - Na poesia encanta-me Castro Alves. No conto, Ligia Fagundes Teles, no romance Cervantes, na filosofia Santo Agostinho.

Na net, permita-me indicar três presenças que apresentam um grande valor literário sob a minha ótica:

Na poesia romântica, Raimundo Palmeira, de Maceió, que traz em seu livro “Maresias” uma interessante abordagem da vida, em poesias.

Na crônica da vida, José Roberto de Assumpção, de Curitiba, que extrai do cotidiano as matérias primas de sua produção literária, em crônicas espetaculares.

Na filosofia, Jacó Filho, que em seu livro “Quinta Colônia” traz uma nova visão sobre a vida e sobre os destinos da humanidade!

E algumas presenças femininas, dentro da net, com uma poética admirável:

Luli Coutinho em www.lulicoutinho.com São Paulo

Marilene Taubner com seu livro “Sabor Pitanga” – Urânia – São Paulo

Glória Sales e sua poética em http://poetisagloriasalles.blogspot.com
E Denise Severgnini em http://www.denisesevergnini.recantodasletras.com.br
- SP

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

EDVALDO ROSA - Em principio não posso deixar de frisar as dificuldades que cada autor novo irá encontrar em seu caminho, mas é preciso que não esmoreçam e não desistam.
Por encarar a lide de escriba um dom, penso que não podemos desperdiçá-lo, mas sim, fortificá-lo, exercitando, escrevendo muito. Devemos procurar sempre aprimorar os diversos aspectos da escrita duma forma que atenda ás nossas necessidades individuais sem prejuízo de entendimento das outras pessoas, que são o alvo primordial do escritor.
Estar sempre antenado com a realidade que nos cerca, para entendê-la e assim expô-la sob os nossos pontos de vista.
Fazer um trabalho sério e comprometido, procurando disseminar valores positivos e que imponham aos leitores uma busca por engrandecimento.
Mesmo em se abordando aspectos negativos em nossa sociedade ou em nossos comportamentos nunca deixar de assinalar possíveis pontos para melhorias...
Ouvir mais, falar de menos, pois a opinião dos outros pode trazer em si algum progresso para nossa atividade.
Mas quando falar ou escrever, acreditar no que se esta a expor!
Nunca temer dar a cara a tapas!
As recompensas materiais e monetárias talvez demorem muito para serem alcançadas, mas eu creio que nós que escrevemos somos muito importantes no sentido de que estamos criando e recriando, colaborando com a formação da consciência coletiva da humanidade.
Em outras palavras, somos responsáveis pela emancipação da raça humana de suas correntes de atraso e escravidão, subserviência á valores menores...
Cada novo autor é uma esperança de renovação e progressos!
Se os caminhos da escrita parecer difícil de trilhar, quase impossível, por falta de apoio e de audiência, não devemos nunca esmorecer e nem desistir, se escrever for a nossa verdade, como o Padre Vieira em um de seus sermões, procuremos os peixes... Em algum lugar e em algum tempo eles estarão a nos ler, a nos escutar!

POESIAS

AMO VOCÊ TANTO, TANTO...

Quero sentir o teu perfume,
em todo o meu corpo...
Quero respirá-lo contigo!
Quero senti-lo quente, como o teu corpo,
colado junto comigo!
Calor que roubo sem pudores,
em nossas noites de amor e de desejos...
Quero estar contigo a sós,
tão a sós como se estivesse só, só comigo!
Ou como se você estivesse só, só contigo!
Como se juntos, fossemos um só ser!
Quero você tanto, tanto,
que vivo o seu viver!
Que choro as tuas dores, como se minhas fossem...
Que sinto nos lábios o sal em tuas lágrimas,
e banho meu peito com teu pranto!
Amo você tanto, tanto,
que suas alegrias produzem os meus sorrisos...
Que sinto o que sente o teu peito,
que bate em um só ritmo, com o meu coração...
Amo você tanto, tanto, que não sinto solidão!
Pois eu tenho você sempre comigo,
dentro da alma,
dentro do coração!
Abrasando o sangue de minhas veias,
iluminando os meus caminhos,
mostrando-me para os passos as direções...


PALAVRAS INESPERADAS...

Tuas palavras derramaram mel,
sobre os meus sentidos,
um tanto amargurados,
com o fel destilado,
pelo passar pela vida cotidiana!
Palavras quentes...
- Com um tanto de calor do coração,
com outro tanto de calor d'alma!
Palavras calmas...
Exatas palavras, inesperadas!
- Caricias soltas no tempo...
Sem viéis e sem pregas!
Palavras que levarei comigo,
não mais palavras, bem mais que palavras,
pelos caminhos, pelas estradas...
Sempre haverá em mim, ecos deste momento,
nas memórias de minhas memórias,
nas saudades de meus sentidos saudosos...
Sentidos que adoçaste hoje,
que apaziguaste agora,
com estas tuas palavras inesperadas,
que estilhaçaram as tristezas,
que trazia comigo,grudadas em meus sentidos,
do mundo lá fora!


NADA MAIS É COMO ANTES...

Meu amor, você trouxe a primavera,
Em pleno outono em minha vida!
Transformou as cores de morte,
Em cores alegres e vivas...
E em pleno silêncio, em meus sentidos,
Fez ecoar a mais bela e doce melodia!
Transformou longas noites em dias,
Frio e solidão em calor e companhia!
E me ensinou a viver...
As minhas janelas antes fechadas e sisudas,
Hoje esbanjam sorridentes, os seus mais brancos dentes...
A minha casa antes tão soturna,
Esta despudoradamente despida, mostrando sua pele alva...
Até a minha cama, antes reduto de um corpo somente,
Agora é um leito, macio e quente,
Onde nós vivemos o amor que sonhamos,
Onde sonhamos o amor que viveremos loucamente!
Nada mais é como antes...
E nem sei mais nada sobre antigamente!
Você e o seu amor é o começo de tudo!
De minha nova vida,
De minhas novas estradas,
De minhas novas caminhadas,
De meu destino!
E esta chama por ti em mim ateada,
Este calor que dela emana,
Não morrerá nunca,
Mesmo que se apague a chama,
Mesmo que nossas matérias tenham sido queimadas...
Meu amor, o nosso amor é eterno...
Mesmo nascido dentro do peito dos filhos do barro,
Do pó que voltará um dia ao pó,
O nosso amor é maior...
Esta em nossas almas...
E como nada é como antes,
Nós em nosso amor alcançaremos as estrelas!
E delas, um novo destino, após...


MEU AMOR, HOJE É O TEU DIA...

Meu amor, hoje é o teu dia,
Na medida em que você é a minha flor!
Na medida em que é a minha cor,
-toda a cor em minha vida!
Flor em corpo de mulher!
Hoje também é o teu dia,
Na forma que me falas, como és...
No som que tua boca emana,
Emancipado de tuas entranhas,
De pessoa e de mulher!
Hoje eu te reverencio,
Pois você é tudo, todo o meu caminho!
Que percorro, amaneirando as pisadas dos pés...
Meu amor, você é toda poesias...
Com rimas caras e raras até!
Com imagens apreendidas por minhas retinas,
Imagens tão doces,
De menina, que por mim, se faz mulher!
Amada, amada minha,
Hoje é o teu dia,
Pois você é toda a poesia,
Que em minha vida posso perceber...
E as outras, todas elas, que não percebi ainda,
São poesias-sementes, que adormecidas,
Esperam a hora certa de despertar!
E para aqueles que dizem que um só ser,
Não pode encarnar todas e tantas poesias que há,
Direi apenas, e tão somente,
Que se não houvesse amor entre a gente,
Que se tu não caminhasses ao meu lado,
Qualquer dia poderia ser o da poesia,
Eu andaria morto e todo poema não vicejaria em mim,
Seriam sementes mortas, postas no lajedo,
Cujo sol da vida houvesse ressecado!


PAZ...

Para termos paz no coração,
Para vivermos em paz a vida,
Abrimos mais o coração da gente,
Amamos mais!
Bem queremos sem medo ou temor!
Sorvemos do amor,
Da forma que ele se faz!
Dando a mão às mãos sofridas,
Oferecendo braços, como apoio, como abraços!
Companhia a quem mal caminha,
Ouvidos a quem ainda tem voz!
Somos sempre nós...
Somos sempre abertos, escancarados,
A todos que estão cansados,
A tantos que estão tão sós...
A paz se fará por si só,
Sem necessidades de aparatos!
A paz se fará pelos atos
De cada um de nós!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

FABIO RAMOS DOS SANTOS - ENTREVISTA nº268

BIOGRAFIA

Fabio Ramos dos Santos é escritor poeta, músico, empresário do ramo financeiro. Nasceu em Lages, na Serra de Santa Catarina, em 04 de novembro de 1980, residente hoje na cidade de Chapecó, no oeste do estado desde 2007. Filho de Carlino dos Santos e Solineti Ramos dos Santos, casado com Uiara Tártaro, com a qual tem YASMINN TÁRTARO RAMOS de apenas 3 meses, iniciou sua carreira artística aos oito anos na música na cidade de Rio dos Cedros, no Vale Europeu de Santa Catarina.

Fabio esteve sempre em contato com a arte e a cultura européia, sempre presente em movimentos sociais, esporte, cultura e lazer na cidade em que cresceu, Fabio passando por diversas situações, usou papel e caneta para fazer um verdadeiro amigo, um refúgio para suas lamentações, medos, sonhos, desejos. Bastante contraditório por estudar e trabalhar no setor das exatas, Fabio fez da música e da poesia algo muito forte em sua vida.

A princípio seus textos eram apenas rascunhos de papel escondidos, até que amigos e amigas começaram a ler e gostar dos textos, e então começaram a transmitir os mesmos, tornando Fabio conhecido por belos poemas. Em 1996 Fabio conheceu o escritor Pomerano Cícero Pedro de Mello, que incentivou e mostrou os primeiros caminhos para tornar-se um bom escritor. Neste tempo a mídia local do Vale, começou a apoiar seu trabalho e depois de muito tempo utilizando diversos meios para divulgar suas obras, Fabio então é reconhecido e tem textos espalhados por todo o Brasil, por diversos meio.
Em 2007 participou da Antologia, Coletânea de Poemas, Crônicas e Contos, “ELDORADO” , Volume IV, pelo Celeiro dos Escritores, e logo em seguida participou da Antologia de Poesia e Prosa de Escritores Contemporâneos “Amor & Paixão”, Volume I, também pelo Celeiro dos Escritores e neste ano sente-se honrado e realizado por participar da Antologia “Poesia do Brasil”, e principalmente do Congresso de Poesia, que se faz como um marco na carreira e na História de sua vida. Fabio Ramos, também faz parte do Poetas Del Mundo, é integrante do PORTAL POETAS DO BRASIL, participou da coletânea Poetas do Brasil I em 2010 lançada na Bienal de SP em 2010, Membro da Academia de Letras de BOITUVA – SP, Membro da Rede de Escritores de Coquimbo – Portugal.

Também está trabalhando no projeto de Fundação da Academia de Letras de SC, e da FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE ARTE.

FABIO RAMOS, POETA CATARINENSE

E-MAIL: fabioramospoetasc@gmail.com
MSN: fabioramospoetasc@hotmail.com
Skype: fabioramospoetasc

ORKUT
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?rl=mp&uid=10545105640141413211

Visite as páginas, deixe seu recado, e ajude a divulgar este Poeta...
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/fabioramos
Poetas Del Mundo
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=6438

Blog: POETAS DO BRASIL
http://poetasdobrasil.blogspot.com/2010/03/fabio-ramos-fabio-ramos-dos-santos-e.html

PORTAL DO POETA BRASILEIRO
http://www.poetasbrasileiros.com.br

YOUTUBE
http://www.youtube.com/user/FABIORAMOSPOETASC

MEMBRO DA REDE DE ESCRITORES DE COQUIMBO - PORTUGAL

http://reddeescritoresdecoquimbo.com/profile/FABIORAMOS

MEMBRO DA ACADEMIA DE LETRAS DE BOITUVA – SP- Posse dia 20/11/2010.

**Livros nacionais e internacionais
**Participação em eventos nacionais e internacionais de Poesias
**Poeta Del Mundo
**Lançamento livros na Bienal de SP em agosto de 2010
**Congresso Brasileiro e encontro internacional de Arte em outubro de 2010
**Varal Literário na Suíça - Julho 2010
**Congresso Universal de Poetas no México em Agosto de 2010.

ENTREVISTA
Fabio com a poetíssima Sandra Almeida, de Cacoal, RO.
SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

FABIO RAMOS DOS SANTOS - Além de escrever, sou empresário do ramo Financeiro.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

FABIO RAMOS DOS SANTOS - Comecei na arte aos 8 anos, na música, o que pratico até hoje e já dei aula também, e então com 16 anos fiz meus primeiros rabiscos e de repente os amigos começaram a ler e espalhar e gostaram do meu trabalho e acabou acontecendo de escrever mais e mais, e “do nada” fui reconhecido pelo meu trabalho e hoje estou ai, atuante.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

FABIO RAMOS DOS SANTOS - São 4 antologias, uma agenda literária, e 1 livro solo em fase de acabamento, em anexo encaminhei fotos dos 4 livros prontos para você, a agenda literária chegará dia 25/11 e o livro solo ainda não tenho data prevista de término.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

FABIO RAMOS DOS SANTOS - Realmente acredito que seja algo da Alma, escrever é um DOM, nasce com a gente, simplesmente acontece, são várias coisas que me fazem escrever um poema, do nada surge uma idéia, ou ouvir uma palavra, presenciar alguma situação faz com que eu escreva algo, mas sem dúvida que nas situações extremas de emoção fazem com que eu escreva.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

FABIO RAMOS DOS SANTOS - Paulo Coelho, William Shakespeare, Camões, Drummond.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

FABIO RAMOS DOS SANTOS - Jamais desistam de seus sonhos, acreditem, planejem, façam.

Hoje se analisarmos SELMO, está muito mais “fácil” para conseguir um lugarzinho ao sol, tecnologia, redes sociais, e-mails, sites, nos aproximam de escritores que em outras épocas talvez jamais fossemos conhecer. Hoje mesmo meu trabalho, se não fosse pela mídia eletrônica, eu poderia apenas se conhecido pelas pessoas a minha volta, e hoje é o contrário, sou conhecido mundialmente, e muitas pessoas na cidade onde eu moro nem sabem que meu trabalho existe.

Cultura no BRASIL é difícil, poesia então é um pouco mais difícil, todas as pessoas vivem a poesia na alma o tempo todo, porque sofrem, amam, choram, pedem acalento, mas pergunte a população quantos livros de poesias leram na vida? Agora põe um funk pra ver se um monte de gente não conhece, não que funk não seja arte, mas na essência é uma baixaria.

POEMAS

Amor na Eternidade

Se minha vida não fosse regada pelo brilho distante de teus olhos,
Pelas emoções e sensações que aprendi a sentir
Talvez, minha vida não tivesse sentido

Se não fosse tua existência, minha alma seria um nada, resumido ao medo, a solidão,
Ao frio de noites sem o calor de teu amor, de teu corpo, de tua alma
Se você não existisse, o mundo seria um nada, e o universo um inútil
Se você não existisse eu jamais saberia o que é amar de verdade

E o mundo
Ah, se o mundo eu pudesse entender,
Não haveria razões pra sonhar, tão pouco lutar pelo incerto
Se eu pudesse entender as pessoas, não saberia o que é o incompreensível
Por isso buscar e viver o amor, sentir emoções, sensações,
Fazer a vida valer a pena,
E, viver em um mundo que não entendo, para viver a simplicidade de ser feliz

Se tuas mãos eu tocar, saiba que sinto coragem em ti ao teu lado
Se te sorrir, saiba que sou verdadeiro
Se te abraço sentes meu corpo estremecer e,
Responder que tua pele junto a minha é química
Se eu chorar, saiba que em teus braços busco acalento
Porque pra mim és porto seguro
Porque meu Chorar é lindo, onde cada lágrima que rola no meu rosto
É uma palavra dita por um sentimento calado

És essência de viver, em minha força, em mim criança ou homem
Se teu corpo tocar, e deixar que minhas mãos trafeguem
É porque meu corpo pede o seu, te deseja e,
Me condena a sentir teu toque, teu gosto, tua pele.

Ah se em teus olhos pudesse mergulhar e viajar em sonhos.
Em teus braços buscar o acalento,
Se eu beijar você, sinta o vulcão que explode em mim,
O ofegar de minha emoção
O estremecer de meu corpo que pede o seu
E quando por teu corpo meus lábios correrem é porque te desejo

Queria apenas tocar-te a sedosa pele, e teu cheiro contemplar meu mundo singelo.
Viver seus sonhos, e deles realizar os meus
Porque sentir você comigo em uma única alma, fará entender que
É pela eternidade que este sentir permanecerá
Por entender que um amor dura por toda a eternidade


Fragmentos da Alma

Sonhos...
Ilusões do querer
Vida inconsciente
Vive no presente, fazendo sofrer

Sonhos que vem e vão
Pessoas que chegam, outras que partem
Amores que morrem outros que nascem
E no correr deste vai e vem
Entre chegadas e partidas
O que resta são feridas
Migalhas do que se foi

Fragmentos que restam
Restos que movem
Restos que ferem
Restos de momentos e lembranças
Ou, apenas restos de sonhos
Que jamais saíram da ilusão

Restos de um nada
Pairando no ar
Vagando um coração
Molhando um olhar
Fazendo viver
Uma alma que sangrou e partiu


Se falo de amor

Se falo de amor, não é porque saiba o que ele é
Mas porque o amo, e o amo por isso
Porque, quem ama não sabe o que ama
Nem sabe porque ama,
Muito menos quem é o amor

Talvez seja esquizofrenia
Pois, se o amo sem saber o que é
Como sei que o sinto?
Como saber que é ele?
Não sei,
Apenas o amo, imagino, sonho...
Deixo que em minha alma se alastre
E se faça presente em mim
Único, pleno, dominante

Porque...
Já não vale reagir,
Tão pouco adianta, é forte, muito forte,
É inútil tentar
O coração é frágil, inocente, indefeso
Um dependente deste amor tão distante
Que me persegue, me condena
E, me aprisiona....
Em tua ausência
Em tua falta, longe do seu toque
Do seu beijo, do seu cheiro
Do aconchego dos teus braços

O vazio, o frio e a solidão
Companheiros inseparáveis
São tomados por pensamentos exultantes
Viagens de brando sentimento
Perdido no ar, solitário
Na ilusão de sua própria existência
De suas próprias razões
No seu próprio existir...

Ah!!! Amor,
Se o amo,
Se te sinto, sem saber quem tu és,
Porque não vens ao meu encontro?
E, me revela quem tu és.


Yasminn

Amor eterno, incomparável, verdadeiro em toda a essência
Sem medir, nem pedir nada em troca
Meu tudo, meu nada, minha vida, minha alma
Intenso sentir e viver, como se só bastasse você viver
Na imensidão de extremos, de sensações e emoções sem explicação
No mistério e na dádiva de tua existência, o verdadeiro e eterno

Teu EU em meu EU, desmedido e desvairado, inocente
Ancorado em meu peito, em meu existir, que sem TI não existe
Raro, puro, complexo, verdadeiro, brincalhão, incomum
Tão nobre sentir, sem ao menos te ter, e ao te ver, jamais esquecer
A viver e entender, que o meu mundo é você, meu eterno viver
Risonho mundo em teu sorrir belo e viril
O teu sorrir meu EU por completo, em tua felicidade o fim de HISTÓRIAS

Rasgado em teu choro as lágrimas me ferem
Acalento em tua lágrima que eu meu peito seca
Minha vida, minha FILHA, meu tudo, meu EU
Olhar em silêncio expressa o AMOR, em palavras caladas
Sentir em TI, a dádiva e sonho de um verdadeiro Amor

sábado, 16 de outubro de 2010

HILDEBRANDO PAFUNDI - ENTREVISTA nº267

BIOGRAFIA

Hildebrando Pafundi é escritor, jornalista, contista e cronista. Nasceu em São Paulo, Capital, em 26 de outubro de 1939, mas mora em santo André – SP, cidade que faz parte do Grande ABC, desde 1942. Filho de Antonio Pafundi e Carolina dos Anjos Pafundi. Iniciou carreira jornalística em 1963, como colunista do extinto jornal Folha do Povo, que tinha como diretor o falecido escritor e jornalista Paulo Zingg, que foi um dos fundadores da Academia de Letras da Grande São Paulo.

Nesse jornal e em outros manteve colunas paralelas à função de repórter, publicando seus primeiros contos e crônicas, além de resenhas de livros e entrevistas com escritores como Jorge Amado, Lygia Fagundes Telles, Maria de Lordes Teixeira, Ignácio de Loyola Brandão, entre outros. Colaborou também nos jornais A Ação e Tribuna Popular ( ambos extintos ), Folha do ABC e na antiga revista Expressão, que recentemente voltou a circular nas regiões do ABC e Baixada Santista.

Posteriormente trabalhou em três diferentes oportunidades no Diário do Grande ABC, onde iniciou a carreira profissional de jornalista em 1968, como repórter, exercendo também os cargos de chefe de reportagem e editor. Em 1970 foi contratado também pela antiga Sucursal ABC dos jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde, onde permaneceu por mais de vinte anos, trabalhando como repórter e fotógrafo. Depois da sua demissão e do fechamento da sucursal do Estadão, foi contratado pela Gazeta do ABCD, onde trabalhou em duas diferentes oportunidades como repórter e editor, além de ser o jornalista e responsável.

Foi assessor de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e do Sindicato dos Empresários Gráficos do Grande ABC e Baixada Santista. Exerceu essa atividade também no Consórcio Intermunicipal Grande ABC, uma ONG mista que congrega os sete municípios dessa região de 1996 até 2007, sendo editor do informativo Grande ABC, órgão oficial da entidade. Mas quando foi demitido, sem motivo, em 2007, já estava aposentado como jornalista desde o ano 2000.

Desde a década de 1990 atua como animador cultural em saraus literários da Casa da Palavra, onde funciona a Escola Livre de Literatura de Santo André; grupo da Academia Popular de Letras, em São Caetano do Sul, grupo Taba de Corumbê, em Mauá; Movimento Médico Cafezinho Literário (MMCL), que realiza eventos em diversas cidades do Estado de São Paulo; ministra oficinas de contos e profere palestras em faculdades, escolas estaduais, municipais e particulares primárias, infantis e de ensino médio.

Prêmios e livros publicados - A primeira participação de Hildebrando Pafundi em livro ocorreu no ano 2000, quando o conto de sua autoria, Promessa de Vingança, classificado entre os dez primeiros colocados, em concurso literário do ano anterior, promovido pela Academia de Letras da Grande São Paulo foi incluído na coletânea dos melhores, publicada pela Scortecci Editora.

Outro conto de sua autoria, A Greve dos Coveiros, foi premiado entre os três melhores no Concurso de Poesia Professora Marly Cerqueira Lima, Rio de Janeiro / 2002, incluindo no livro individual, Tramas & dramas da vida urbana (contos) / 2004. Ainda em 2002, participou do livro coletivo: Guido Poianas – Retratos da Cidade, biografia e crítica desse artista plástico.

No ano seguinte, o conto de sua autoria, Uma Noite em São Paulo, recebeu o Prêmio Edição, no IV Concurso Grande Nomes da Literatura, sendo incluído na antologia publicada pela Phoenix Editora, com esse título em novembro de 2003.

Em 26 de novembro d 2004, depois de lançar o livro Tramas & dramas da vida urbana, Hildebrando Pafundi foi empossado na Academia de Letras da Grande São Paulo, Cadeira 21, que tem como patrono o romancista José Lins do Rego e teve como primeiro ocupante o saudoso bispo emérito e diocesano de Santo André, Dom Jorge Marcos de Oliveira, que era cronista e poeta. O autor já participou em cerca de 15 antologias coletâneas de crônicas e contos, sendo a maior parte premiados em concursos. Outros livros individuais de sua autoria: No Ritmo Sensual da Dança (contos) / 2006; Cotidiano e Imaginário do Ano 2000 (diário) / 2007; Janela da Liberdade e Outras Histórias (infantil) / 2008; Tramas e dramas da vida urbana (contos), segunda edição ampliada / 2010.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

HILDEBRANDO PAFUNDI – Embora eu esteja aposentado como jornalista desde ano 2000, só parei de trabalhar nessa profissão em 2007, e atualmente escrevo semanalmente uma crônica e notícias culturais na coluna, Esquina Descontraída, no site www.clqueabc.com.br . Além dessa atividade, eu costumo visitar com certa freqüência, a convite de professores, escolas estaduais, faculdades e também estabelecimentos educacionais infantis para proferir palestras sobre literatura e contar histórias. Como sou membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, da União Brasileira de Escritores (UBE-SP) e de alguns grupos culturais e literários, também participo de saraus e ministro cursos de literatura e oficinas de contos e crônicas.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

HILDEBRANDO PAFUNDI – Desde a infância, quando já sabia ler e comecei a freqüentar as matinês de cinema para assistir os filmes do Tarzan, e logo depois, descobri as histórias em quadrinhos desse meu herói da época. Mais tarde ganhei um livro do autor e criador do Tarzan, Edgar Rice Burroughs. Não parei mais de ler. Quando eu estava com 14 anos, meu pai me arrumou emprego numa farmácia, pois desejava que eu fosse medico, e esse seria um bom começo. Aí comecei a ler bulas de medicamentos, aprendi a ler as complicadas letras de médicos nas receitas e a manipular remédios. Mas não deu certo a idéia do meu pai, e depois que ele faleceu comecei a estudar no antigo curso Normal e trabalhar em escritórios de industrias metalúrgicas. Como algumas dessas empresas possuíam um jornal interno, passei a publicar minhas crônicas e contos, que já escrevia, mas estavam engavetados. Em seguida, a partir de 1963, comecei a colaborar com jornais e revistas culturais, e cinco anos depois, fiz um teste e fui contratado como repórter pelo Diário do Grande ABC. Em 1970 fui contratado também pelo jornal o Estado de São Paulo como repórter e fotografo, onde permaneci mais de vinte anos. Em 2000 participei do primeiro livro, uma antologia de contos; e em 2004 publiquei primeiro livro individual.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

HILDEBRANDO PAFUNDI – Além de minha participação em mais de 15 antologias e/ou coletâneas de contos e crônicas, já publiquei quatro livros individuais de minha autoria: Tramas & dramas da vida urbana (contos) / 2004; No Ritmo Sensual da Dança (contos) / 2006; Cotidiano e Imaginário do Ano 2000 (diário) / 2007; Janela da Liberdade e Outras Histórias (infantil) / 2008; e segunda edição ampliada de Tramas & dramas da vida urbana (contos) / 2010, lançado na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 20 de agosto deste ano. Inéditos: Antes que falhe a memória (crônicas), Barzinho Sórdido (contos), alem de um infanto-juvenil, sem título.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

HILDEBRANDO PAFUNDI – Qualquer conversa alheia, cena do cotidiano, dentro de um ônibus, trem, metrô, avião ou navio; um acidente de carro com morte, uma criança brincando, uma briga de namorados num bar; um casal dançando num clube ou na balada, e ate algumas notícias de jornal; sonhos... São muitos os impactos que propiciam atmosfera para escrever um conto, uma crônica ou até um romance. Mas é preciso saber construir o cenário, os personagens, diálogos, uma frase para iniciar, que prenda a atenção do leitor logo no início e o segure até o final, que pode ser surpreendente ou não. Cada escritor tem sua técnica e seu estilo.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

HILDEBRANDO PAFUNDI – São muitos os autores que admiro, que já li e alguns que conheci pessoalmente, a começar por Jorge Amado, que na década de 1960 cheguei a entrevistar, quando ele vinha a São Paulo para lançamento de novos livros. Outros que entrevistei e também gosto são Lygia Fagundes Telles, Ignácio de Loyola Brandão, além outros que apenas li, como Marcelino Freire, Rubem Braga, Dalton Trevisan, Fernando Sabino, Érico Veríssimo, João Antonio, Walcir Carrasco, Cecília Meirelles, Luiz Fernando Veríssimo e muitos outros. Isso para citar apenas alguns brasileiros. A lista é longa. Na minha biblioteca particular tenho cerca de cinco mil livros, grande parte deles são de contos, crônicas e romances, muitos de poesias alguns de ensaios de filosofia. Antes que alguém pergunte se já li todos, explico: Muitos desses livros, eu já li, outros ainda estou lendo; e tem um bom numero na fila de espera para futura leitura, além daqueles só utilizados para pesquisas.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

HILDEBRANDO PAFUNDI – Sempre que me fazem essa pergunta, eu digo que quem pretende escrever precisa ler muito e bons autores de vários gêneros literários. Estudar bastante, participar de oficinas literárias e de concursos. Já conheci alguns iniciantes, que diziam não gostar de ler para não ser influenciado e depois acusado de imitador. Besteira. Os que pensam assim, não vão adiante. Os poucos que conheci, que pensavam dessa maneira, já desistiram.

CONTOS

1-Gatos & Ratos

A noite surgiu negra e tenebrosa, enquanto o negro gato dormia, no quarto branco, onde havia um rato preto e uma ratazana branca.

O rato preto gostou da rata branca. Ela também gostou do parceiro pretinho, prova que entre os ratos não existe preconceito racial de cor, como costuma ocorrer em alguns países, entre os seres humanos.

Mas os grunhidos de amor dos ratos, parecidos com os de um casal de javalis, acordaram o gato preto, que miou contra a noite sem estrelas.

Miado grosso, porém carinhoso, chamando a companheira, a bonita gata branca, que estava no cio.

Depois de um delicioso ato sexual, o gata e a gata, que também não tinham preconceito de cor, jantaram o casal de ratos.


2-O Prédio Mais Alto do Mundo

Aquele homem, que desde quando era menino, sempre gostara de construir prédios de papelão e de madeira, acabou se diplomando em engenharia civil, e agora sonhava com a grandeza e a beleza de grandes áreas urbanas.

Seu nome era Paulo Silveira, porem, ficou mais conhecido pelo apelido de Engenheiro Urbano, que teve origem por causa de suas avançadas idéias e seus pomposos projetos arquitetônicos.

Grande edifício desejava construir para tentar atingir o céu. Seria o maior do universo, três vezes superior ao Word Trade Center, nos Estados Unidos, que já virou pó.

O mundo já estava cheio de arranha-céus, mas nenhum deles conseguia sequer fazer cócegas no azul infinito.

Mas com o gigantesco prédio o engenheiro havia sonhado. Ambicioso projeto arquitetônico elaborou, com todo capricho e segurança que exigia a construção, esmerando nos mínimos detalhes.

Esqueceu, no entanto, de um pequeno detalhe: necessitava de alvará para esse enorme prédio ser erguido, algo que não conseguira na Prefeitura. Não era permitido construir prédios tão altos na naquela cidade.

Mesmo assim, sentiu-se feliz, quando foi autorizado a construir modesta casa para morar. Era o que mais necessitava no momento.


3-Janela da Liberdade

Tudo que ele mais desejava: a liberdade para voar como um pássaro no céu azul, as arvores para trepar e pegar fruta no pé, o vento para fazer subir a pipa, a praia para tomar sol, o jogo de bola no campinho, enfim. Tudo que sua mente infantil podia imaginar estava do outro lado da janela, que se encontrava fechada.

Estava preso em seu quarto.

Mas o menino, que tinha o nome de Júlio, não desanimava e sonhava com uma saída, um pequeno o buraco por onde seu corpo franzino pudesse passar. Porem, não dispunha de ferramenta para abrir esta fresta.

Se conseguisse, levaria junto o pássaro e o cachorro, que também gostavam de liberdade e estavam presos no mesmo quarto, pelo de dentro da enigmática janela.

O cachorro não latia e o pássaro não cantava. Pareciam pensativos, sonhadores, exatamente como o menino.

Usando vários lápis coloridos e a cartolina branca, que a mãe deixara no quarto, antes de sair para o trabalho, Júlio tomou uma sábia decisão: desenhar bonita paisagem com arvores frutíferas, sol e céu azulado.

Desta forma, imagina, conquistaria a tão sonhada liberdade. Desenhou a estrada em forma de S esticado, símbolo dessa liberdade.

O menino Júlio e seu cachorro Mimoso pulam a janela e seguem pela estrada, e o pássaro também aproveita a oportunidade: foge da gaiola de arame, que estava com a portinhola aberta e sai voando sobre essa linda paisagem, emoldurada pelas arvores e suas sombras protetoras.

Os três estavam agora felizes naquele bonito desenho, que conseguia reunir pedaços de três vidas prisioneiras, que foram feitas para liberdade.

CRÔNICAS

1-Dança de Salão

Todo ano em janeiro ou fevereiro passo por um exame medico, geral preventivo, o chamado check-up. No ultimo, o medico disse que a minha pressão arterial está ótima, mas o colesterol encontrava-se um pouco alto. Recomendou que evitasse alimentos gordurosos e doces, e que no lugar de açúcar usasse adoçante. E mais: fazer caminhadas.

Mas ao invés de simplesmente caminhar por ruas e parques, o que já faço normalmente, resolvi unir o útil ao agradável e iniciei um curso de dança de salão. Comecei indo fazer essas aulas aos sábados e depois durante outros dias da semana. Em pouco tempo já estava freqüentando os salões de baile de diversos clubes.

Fui informado pelos mais entendidos que a dança é indicada para todas as idades, como forma de diversão, sendo eficaz também no combate ao estresses. Além disso, nos ajuda a conhecer novas pessoas, facilita o convívio social e o encontro de um novo amor; proporciona prazer e substitui a ginástica convencional, pois além dos exercícios físicos normais, temos sempre entre os braços uma linda dama.

2-Cronistas do Estadão

Como ainda estou organizando meus livros, depois de mais uma mudança de residência, um deles me chama a atenção. Foi caso do volume cronistas do Estadão, organizado e editado por Moacir Amâncio em 1991.

No inicio da apresentação, Moacir escreve: “A crônica, oficialmente não existe. Mas como ocorre com as bruxas, há sempre alguém disposto a testemunhar que já a viu – e nas mais diferentes formas. Pode aparecer disfarçada em comentário sobre a cena política, ou como um recorte da infância”. Pode aparecer também disfarçada em comentários sobre o cotidiano, ou poema em prosa, entre outras formas, como por exemplo um diário de anotações.

O volume que estou lendo reúne crônicas de trinta autores, publicadas no jornal o Estadão de São Paulo ao longo de 100 anos. A primeira é de Raul Pompéia e foi publicada em 08-03-1892, quando eu nem pensava em nascer, e a ultima é de Raquel de Queiroz, em 11-01-1991, quando eu já trabalhava no Estadão como repórter.

Entre essas duas extremidades, aparecem crônicas de Vicente de Carvalho, Olavo Bilac, Euclides da Cunha, Amadeu Amaral, Rui Barbosa, Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Érico Veríssimo, Oswald de Andrade, Alfredo Mesquita, Afonso Schmidt, Cecília Meirelles, Carlos Drummond de Andrade, Vivaldo Coaracy, Guilherme de Almeida, Lygia Fagundes Telles, Luís Martins, Gustavo Corção, Caio Fernando Abreu, João Antônio, Raul Drewnick, Fernando Sabino, Ariovaldo Bonas, Augusto Nunes, Luís Fernando Veríssimo, Rubem Braga, Osmar Freitas Jr., e Paulo Francis.