
Zunir Pereira Andrade Filho, pseudônimo Zunir Andrade, nasceu em Buri, pequena cidade da região sul de São Paulo, no dia 26 de fevereiro do ano de 1947. É artista plástico, aposentado do Banco do Brasil, músico, percussionista, com curso superior em Educação Física e outros cursos extracurriculares. Seu pai era músico e sua mãe dona-de-casa.
No final do ano do seu nascimento, seu pai mudou-se com a família para Itararé-SP, contratado para participar de uma orquestra da cidade e lá Zunir passou toda a sua infância e mocidade. Cumpriu todo o destino de menino pobre de cidade do interior, que pode-se resumir em: estudar no Grupo Escolar Tomé Teixeira, jogar futebol no campinho do aterro da Estação da Sorocabana, ir ao cinema na sessão do traçado do Cine São José, comprar gibis na Livraria do Jorge Chueri, tocar repique na banda e nadar no rio Caiçara. Numa outra fase, piqueniques no Rio Verde, "brincadeiras-dançantes" no Clube Atlético Fronteira (onde seu pai tocava seu saxofone), flertar nas quermesses da Festa de São Pedro, jogar basquete na Praça de Esportes e tomar cuba-libres no Bar do Calixtrato.
Enquanto fazia o curso ginasial, trabalhou numa pequena farmácia, fazendo entregas e outros pequenos serviços e, depois, num escritório de contabilidade como contínuo.
Ao concluir a Escola Superior de Educação Física de Itapetininga, foi passar um final de semana no Rio de Janeiro. Porém, mudou os seus planos e ficou morando durante
três anos na Cidade Maravilhosa, trabalhando numa empresa de transportes de propriedade de uma família de amigos de Itararé.
Retornou para Itararé em 1978. Foi proprietário de uma floricultura, e participava como percussionista, de um regional chamado "Grupo Sereno", que se apresentava em bares e restaurantes da cidade. Na época, também escrevia para um jornal da cidade ( O Guarani ), onde comparecia semanalmente com uma crônica, um "causo" ou um conto, que foram reunidos no livro que se chamou "Coisas da Vila e outras estórias", publicado em 1982. No início dos anos 80, participou da fundação da Escola de Samba Acadêmicos da Fronteira, de Itararé, onde foi membro da bateria e compôs, como letrista, alguns de seus sambas-enredos. Nessa época, já trabalhava no Banco do Brasil, onde ingressara em 1979. Em 1982, casou-se com Eliete, com quem vive até hoje.

Em meados de 1996, já afastado da música e do jornal, foi transferido para a cidade de Ponta Grossa, onde aposentou-se dois anos depois.
Por volta do ano de 2001, acredita o artista, é que resolveu iniciar seus estudos de desenho e pintura. Depois de uns dois anos, estudando sozinho, passou a freqüentar o ateliê da professora e artista plástica Rosane Santos, onde permaneceu até 2006. No ano de 2007 também fez curso de pintura com Hélio de Jesus, pintor curitibano e em 2008 / 2009, com a pintora hiper-realista Astrid Jonker.
Durante esses anos, ou seja, desde 2005, participou de 31 eventos, contando exposições coletivas, individuais e Salões de Artes, tendo recebido vários prêmios, dos quais destaca o Salão de Artes Unimed Ponta Grossa (de âmbito nacional) onde foi premiado por duas vezes.
Zunir atualmente dedica-se a arte de pintar, com temas variados, pinta marinas, paisagens, natureza morta, etc.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quem é e o que faz Zunir Andrade dentro e fora das artes plásticas ?
ZUNIR ANDRADE - Dentro das artes, sou apenas um pintor. Eu até prefiro ser chamado de pintor em vez de artista plástico porque a única coisa que sei fazer, no campo das artes visuais, é pintar usando a técnica do óleo sobre tela.. No meu ponto de vista, o artista plástico é aquele profissional que, tendo ou não formação acadêmica, está capacitado para as diversas formas de expressão, como a escultura, a gravura, o entalhe, a pintura com aquarela e outras tintas, bem como o uso dos diversos materiais alternativos. Eu só sei mesmo é pintar com a tinta óleo..
Fora das artes, sou um homem comum que valoriza ( e muito) a família, que sempre teve - e manteve - muitos amigos, apaixonado pelas coisas que faz, que adora música, literatura, esportes e um bom vinho. Fui bancário e hoje estou aposentado, mas faço um "bico" encordoando raquetes de tênis. Sou espírita e participo sempre de atividades filantrópicas de assistencialismo.
SELMO VASCONCELLOS - Quando e como você descobriu sua vocação para às artes plásticas ?

ZUNIR ANDRADE - Demorei muito para descobrir a vocação. Durante toda a minha vida ouvi falarem muito do "dom". Do dom para a pintura, para o desenho, para a música, para o teatro... enfim que era preciso ter o dom para se expressar artisticamente. Então , eu, como muita gente que conheço, pensava que "ter o dom" era , por exemplo, executar com perfeição um desenho , no primeiro contato com o grafite. Me lembro que na minha infância e mocidade, quando tentei desenhar, os resultados foram horríveis e me fizeram desistir. Mas sempre gostei da arte, em todas as suas formas, principalmente da pintura. Acho que foi no ano 2000 ou 2001, um amigo pintor daqui de Ponta Grossa, com quem eu sempre conversava sobre pintura, perguntou porque eu não tentava pintar. Como eu declarasse não ter o tal do dom, ele me falou que não era bem assim. Disse que também era uma questão de estudos e me indicou uns livros. Resolvi topar o desafio e comecei a estudar em casa. Quando vi que a coisa poderia decolar, procurei a ajuda de uma professora, com quem permaneci uns 3 anos estudando. Veja só quanto eu demorei para descobrir a vocação: pintei o meu primeiro quadro no ano de 2004, aos 57 anos de idade. A minha primeira exposição ocorreu no ano seguinte e, como foi muito bem recebida, o que me motivou bastante e me fez continuar pintando, expondo e vendendo os meus trabalhos.
SELMO VASCONCELLOS - Onde e quando você expôs seus trabalhos ?

ZUNIR ANDRADE - Tenho feito, desde 2005, uma média de 2 exposições individuais por ano, além das coletivas e dos Salões de Artes do município e da região. Para falar das principais, citaria a do Premium Vila Velha Hotel (2011), a da Caixa Econômica Federal (2010), a Mostra Itinerante do SESI/SENAI P.Grossa (2010), a da Câmara Municipal de Itararé-SP (2009), a do SESC Ponta Grossa (2008) e a da Molduraria Obra Primma, também em 2008. Além deste tipo de eventos, mantenho, de forma permanente, trabalhos expostos para venda em dois restaurantes da cidade.
SELMO VASCONCELLOS - Quais as figuras marcantes do universo das artes plásticas que exerceram de certa forma influências em sua vida como artista plástico ?

ZUNIR ANDRADE - Vários pintores me influenciaram, mas falarei dos mais marcantes. O primeiro foi Jorge Chueri, pintor impressionista da minha Itararé, meu amigo desde que eu tinha uns 15 anos. O meu primeiro contato com a pintura foi quando, ainda menino, conheci os trabalhos dele que me impressionaram bastante, pelo seu colorido vibrante e pela luz que ele conseguia nas suas paisagens. Acho que daí veio o meu gosto pelas paisagens. Um pouco mais tarde, conheci, através do cinema, a pintura de Van Gogh. Foi num filme sobre a vida dele que se chamava "Agonia e Êxtase", se não me engano, interpretado por Kirk Douglas. Me marcou muito, tanto a pintura dele como a forma com que ele viveu e se entregou à arte, mesmo sem conseguir vender as suas obras. Finalmente - e para ficar só com três pintores - eu conheci e me encantei com as marinhas do paranaense Fernando Calderari, que tem um desenho perfeito, enfatiza o céu e trabalha o azul com maestria.
SELMO VASCONCELLOS - A pintura que você faz pode ser inserida dentro de qual estilo ?

ZUNIR ANDRADE - O meu estilo de pintar poderia ser chamado figurativo-acadêmico-realista, uma vez que nas paisagens, marinhas e naturezas-mortas, que são os meus temas preferidos, eu busco o maior realismo possível.
SELMO VASCONCELLOS - Qual é o seu grande objetivo no momento ?

ZUNIR ANDRADE - Não sei se posso dizer que seja um grande objetivo, mas eu quero continuar pintando e, com experiências, pesquisas e estudos, ir aperfeiçoando o meu trabalho. Pretendo continuar registrando a paisagem da região, também chamada "Região dos Campos Gerais" que, pela beleza da sua topografia e da constante presença das araucarias, que transporto para as telas com bons resultados. Também, pretendo visitar novamente o litoral , na região de Morretes e Guaratuba, para fazer fotos que me permitiriam a execução de uma série de marinhas, para uma boa exposição em meados do ano que vem.

12 comentários:
Quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Cora Coralina
Beijos e o meu carinho...M@ria
BELEZA ISSO, APLAUSOS MIL!!!
ABRAÇOS!!!
PEDRO CAMPOS (ITABERÁ)
Camarada Zunir, com quem aprendi a ser boêmio, um cara grande de tamanho, de caráter e de talento, sou fã dele, inicou-me nas lidas boêmia no tempo do Clube Atlético Fronteita de Itararé.Quem diria que o veria aqui, com meu amigo Selmo. Abraços, zunir, lo nga vida. Um dia, quem sabe, vc faça a capa de um livro meu... silas, poetinha - www.artistasdeitarare.blogspot.com/
Ficou ótima, Selmo! Gostei muito da organização texto/fotos. Coisa de primeira. Grato. Abração!
Parabéns pelo seu trabalho, Zunir. Sou grande admirador de suas obras.
Meus sinceros parabéns meu amigo Zunir.Um artista do seu kilate,não
poderia ficar sem mostrar o seu tra-balho, através de uma entrevista como esta.
espero ver em breve, os seus próximos trabalhos.
Abraço.
Selmo, sempre de parabéns por divulgar a cultura de um modo geral.
Zunir, gostei muito da sua entrevista e conheci um pouco mais sobre você. Apesar de mantermos amizade na internet há alguns anos, sempre vamos conhecendo melhor quem está do outro lado. Você sabe que sempre admirei as suas obras, a sua trajetória nas artes plásticas.
Gosto muito das paisagens que você compõe com as araucárias, que resultam nesse espetáculo natural da região.
Parabéns!
Denise Moraes.
É muito bom sentir a literatura e a arte em nossas veias,porque o que o poeta é o mundo nunca saberá..mais os que vivem a poesia sempre serão capazes de sentirnos..
Parabéns por teu trabalho
Parabéns Zunir!O sucesso merecido dos meus amigos me deixa muito feliz e você merece ser reconhecido cada vez mais, pelas maravilhas que Deus te permite oferecer aos nossos olhos. Admiro muito a forma com que você apresenta o teu trabalho,fazendo com que a arte seja exaltada mas o artista Zunir mantém a mesma simplicidade de sempre!
Eliane Franco
OS MEUS AGRADECIMENTOS A TODOS QUE , COM SUA PRESENÇA, DEIXARAM AQUI AQUELA LUZ E AQUELA ENERGIA QUE SÓ AS PALAVRAS DE AMIGOS SABEM TRANSMITIR.
E VIVA A ARTE NOSSA DE CADA DIA!
UM GRANDE ABRAÇO!
ZUNIR ANDRADE
O meu agradecimento a todos que, com a sua passagem por aqui, deixaram aquela luz e aquela energia que somente as palavras amigas sabem transmitir.
Valeu, gente!
Um abração.
Zunir Andrade
Zunir
sua vida e o modo de ver as coisas são realmente uma inspiração para todos nós..parabéns!!!! desejamos um 2012 repleto de cores e sabores
um grande abraço - Marta, André e Bernardo
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