domingo, 22 de maio de 2011

MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - ENTREVISTA Nº 319

BIOGRAFIA

Maria Cristina Ferrarez Bouzada, uma mineira com sensibilidade aguçada, residente em Brasília –DF, formada em Letras e pós-graduada em Planejamento e Administração em Recursos Humanos.
Gosta de repentes, canta e toca violão, declama poesias em salas de aula, interagindo com tantos jovens diferentes que passam ou já passaram por sua vida e que com certeza vão levando na lembrança, com muita admiração, a saudade da professora alegre e divertida que compartilhava seus conhecimentos com arte e naturalidade.
Quem quiser conhecer um pouco mais de suas poesias, visitem:
http://www.cristinaferrarez.wordpress.com/

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Lecionar, fazer longas caminhadas, participar de projetos do GDF na área da educação, muitas vezes com os alunos, viajar muito, dirigindo pelas longas estradas entre Brasília e este Brasil afora. Dirigir na estrada é o que mais gosto de fazer.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Na verdade nunca tive interesse literário, apenas arriscava algumas frases, ou declamava em salas de aula para melhor atrair a atenção dos alunos.
Não levo muito a sério este meu lado poético, nem o musical. Toco algumas canções pelo simples contato do som com a sensibilidade auditiva.
Gostava muito de declamar sem jamais passar para o papel, até que uma pessoa do meio literário me incentivou a mostrar o que eu escrevia e passou a gravar minhas poesias em um blog.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Bom, se nem queria registrar as poesias que declamava, imagine se vou ter um livro. Não penso em publicar livros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia?

MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Como já disse, em sala de aula, foi que tudo começou; apenas vêm na cabeça frases soltas, textos, ou então com o violão e com poucas notas dedilho frases voantes. Sou assim: pássaro voante, diriam alado, mas é voante mesmo.
Do nada as poesias me encontram e voam, voam, voam ao redor de mim e sigo assim a vida, voando, voando, voando pela imaginação e pelas estradas da vida.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Pablo Neruda, Gabriel Garcia Marques, Drummond, Nélida Pinõn, Clarice, Cecília e muitos outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores?

MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Que vão à luta em busca de seus sonhos sem deixar ninguém menosprezá-los. Acreditar em sonhos e ir atrás deles com muito riso nos lábios, porque a vida é maravilhosa e amo viver. Amar a vida é um belo começo, como já dizia algum escritor.

POESIAS

AMOR AMORA

Aparentemente, só me desliguei:
Onde encontrar a resposta que procuro?
Embriago-me pelos bosques repletos de amoreiras,
Cheiro delirante,
Amor quase fatal,
Amor genial.

Amor com roupagem nova,
Sensual e maduro, como a madura cor da amora,
Nos lábios cor de carmim, beijados pelo doce vento
Nas asas do meu silêncio.
Amor amora, amora amor
Onde mora a doce caverna de nossos sonhos azuis?

Você, sensivelmente, faz morada em mim.
O doce amor de agora,
Que se mistura com as águas dos rios.
Uva que se mistura nas amoras,
Eu e você, doce amor amora,
Sem demora, vem adoçar os lábios meus!

SOMENTE VOCÊ

Só você pensa assim
Na vida apagada,
Na solidão arregalada,
Nos fósforos queimados,
Nas velas acesas,
No bloco da esquina,
No café da tarde.
No chá das cinco.
Só você.
Cheira os meus cabelos
Chama-me de linda
E me presenteia o luar.

AS DOBRAS DE UM JOELHO

Deitada, encostada a cabeça no travesseiro
Observava o meu joelho dobrado.
Ia vagando sobre meu alazão
Cortava-me a curiosidade para
Saber o que estaria atrás da solidão.

PARA QUE EXISTEM CELAS

Para que existem celas
Se o homem é um ser racional?
A solidão é uma prisão amargurada.
Entope o peito e engasga
A batida do coração.
Cospe fogo com chamas selvagens,
Esnobando o romântico ladrão
De perdição…

ALMA AZUL

No centro de algum lugar
Diante da fumaça do trem,
Ouço conversas confusas
Sem atração, sem emoção.

Não sei por que o trem se foi.
Passou por Minas
E não me levou.
Fiquei saudosa do “Trem azul”
Que não me levou para o sul.

Ia rever os mineiros felizes,
Ouvir composições ao vivo
No centro de algum lugar.
O meu trem se foi
Não pude ouvir ao vivo “Lágrima do sul.”

FLORES EM SEGREDO

Gosto de flores,
Pois elas guardam segredos
Em suas montagens naturais,
Em suas posturas sazonais.
Recolhem-se em segredo.
Elas não mandam matar, roubar …
E nem mesmo apedrejar uma alma feminina
Que em galopante terror espera pela morte
De forma brutal.
As flores amam Sakineh, Rosa, Maria Madalena, Maria Aparecida, Silvia…
Amam as mulheres e homens de todos os Continentes.
As flores amam meus olhos,
Meus apertos,
Minhas ilusões e desilusões.

Amo as flores,
Pois pelos caminhos que elas nascem,
Vejo as borboletas dançando a dança da paz.
Elas são dançarinas.
Naturalmente bailarinas do ar.
Não de certos julgamentos arcaicos e maldosos do homem.

O MAR DA VIDA

Faz muito tempo que não ligo para o que penso,
Irrito-me, tento descobrir o porquê.
Talvez seja por minha alma vagante.
Só na imagem do espelho
Posso ver o verdadeiro lugar,
O palco de meu paradeiro,
Que seja picadeiro ou arquibancada,
Vivo mesmo em espumas cheirosas
Nesse perdido paraíso azul.

Não me sinto só
Sempre há um anjo por perto,
Nunca o vi, apenas sinto
Seu cheiro de rosa
Desenhando novos atalhos
Para eu tentar achar os ingredientes
Do meu perfume secreto.

terça-feira, 17 de maio de 2011

ALTAIR DE OLIVEIRA - ENTREVISTA Nº 318.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

ALTAIR DE OLIVEIRA - Eu trabalhei na infância e adolescência ajudando o meu pai na lavoura, quando me mudei para a cidade trabalhei primeiramente de "office-boy" e depois como técnico em telecomunicações em grandes empresas como Telemat, Siemens e Nokia. Nestas empresas eu tive a oportunidade de trabalhar e de morar em várias cidades do país (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, etc) e do exterior (Alemanha, EUA, Venezuela, Nicarágua, Bolívia). Mas a minha formação é na área de direito, contudo nunca exerci a advocacia.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

ALTAIR DE OLIVEIRA - Meu interesse literário surgiu na infância, através de leituras de autores como José Mauro de Vasconcelos, Manuel Antônio de Almeida, Castro Alves, Manuel Bandeira, Cecília Meireles. Mas veio também das histórias e causos que ouvia no eito da roça.Meu pai sempre trabalhava com pessoal vindo do nordeste que costumava cantar e declamar histórias de cordel enquanto trabalhava.Como brinquei pouco na infância, devido a ter começado a trabalhar muito cedo, esta poesia cantada me alentava e me permitia brincar mentalmente com as palavras.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

ALTAIR DE OLIVEIRA - Tenho 4 livros de poemas publicados:
"Fases" (poemas - 1982 - numa tiragem de 3 mil exemplares);
"Curtaversagem ou Vice-Versos" (poemas e contos - 1988 - numa tiragem de mil exemplares);
"O Embebedário Diverso" (Poemas - primeira edição em 1996 com mil exemplares e segunda edição em 2005 com mais 2 mil exemplares) e
"O Lento Alento" (poemas - 2008 - com uma tiragem de 2 mil exemplares).

Estes 2 últimos livros ainda tem exemplares disponíveis, os 2 primeiros estão esgotados. Além disso tenho poemas e contos publicados em algumas antologias esparsas. Nestes últimos anos tenho trabalhado num quinto livro de poemas que tem o título provisório de "As Provisões Provisórias" e estou trabalhando também em 2 textos de prosa, também com títulos provisórios de "A Menina e a Baleia" e "A Primeira Morte do Poeta Miúdo".

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

ALTAIR DE OLIVEIRA - Sinto que a vida é mesmo quem é responsável pelos "impactos que propiciam atmosferas poéticas", Mas veja bem, a poesia é um processo de leitura e há pessoas que são inaptas para fazer esta leitura. Costumo dizer que poesia é quando a palavra mostra as calcinhas, só que tem gente que não vê... Agora o meu processo de escrita poética eu considero como uma "tradução de espantos",porque tento escrever quando sinto algum espanto ou alumbramento ou indignação sobre o qual eu ainda não sei falar. Sobre o qual eu seu somente sentir, pois não está ainda no mundo das palavras. Tentando entender estes sentimentos é que eu busco as palavras com intuito de descrevê-lo e confesso que às vezes consigo ter sucesso nesta tradução. Outras vezes não... Tendo uma vez traduzido ou trazido esta "poesia" ao mundo das palavras, quando o poema é escrito, eu poderei ressenti-la e quem sabe retê-la ou entendê-la. E uma outra pessoa que ler este poema, se já tiver sentido esta mesma sensação de espanto e estupefação, irá reconhecê-la. E o poema então ir parecer-lhe que foi escrito por ele ou para ele. Há uma irmandade bonita entre autor e o leitor quando isto realmente acontece! Agora, escrever um sentimento sobre o qual se poderia normalmente falar não se produz poesia nenhuma nisto! Neste caso bastaria falar sobre ele e não precisaria escrevê-lo.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

ALTAIR DE OLIVEIRA - Admiro vários escritores, sobretudo aqueles que me tocam ou que me incomodam. Dos mais recentes eu citaria aqui Rubem Fonseca, Murilo Rubião, Sérgio Sant' Anna, Lourenço Mutarelli, Lobo Antunes, Philip Roth, Thomas Bernhard, outros. Porém eu admiro muito mais os poetas, sobretudo os grandes poetas ou que gastaram suas vidas na manutenção da poesia, porque ser poeta é um exercício um tanto quanto messiânico ou quixotesco. Pois, mais cedo ou mais tarde, aquele que escreve poesia irá perceber que não é o poeta quem vive da poesia e sim a poesia é quem sobrevive dos poetas. Estes nascem e morrem com função biológica de manter a poesia imortal, e não o contrário!Portanto, entre todos os poetas que admiro, eu vou citar apenas alguns brasileiros: Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Gilka Machado, Hilda Hilst, Paulo Leminski, Bruno Tolentino, Manoel de Barros, Geraldo Carneiro, etc.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

ALTAIR DE OLIVEIRA - Sinceramente eu não sei se saberia incentivar os novos poetas e peço desculpas por isto: acho a poesia uma arte precária demais para trazer algum lucro material para aqueles que tem tais pretensões. Mas eu ousaria aconselhar os que querem escrever poesia que primeiramente leiam poesia, se possível leiam muita poesia. E que leiam também depoimentos, entrevistas, ensaios e textos similares que foram escritos por grandes poetas. Isto porque irá primeiramente ajudar o pretendente a saber e entender o que é poesia antes de começar a fabricá-las. Depois ajudará ele a diluir eventuais influências que tiver tido de algum autor específico. E os aconselharia também a serem no mínimo honestos, ousados e originais, porque poesia é uma arte e um artista da palavra também precisa ter tais atributos. E lhes desejaria boa sorte!

POESIAS

SINTOMAS DE AUSÊNCIA TUA

Chove lá fora e é inverno no meu peito
A tua ausência desenha um mundo cinza
O teu contágio latente manifesta
Garimpo o teu perfume rarefeito...

Tudo em mim te cobra e te precisa.
Meu coração de válvula sangrenta
Me impregna na mente e me ordena:
“Te procurar feito louco entre as caras!”
Me põe na rua atropelando medos
Pra te encontrar no sul da madrugada
Nua de todo e qualquer que nos separe
Ardendo em febre e o amor preso entre os dedos.

Altair de Oliveira - In: “Curtaversagem ou Vice-versos”


LATÊNCIA

Queres mesmo saber, vou persistir
Suportar tempestades, vou ficar...
Quando o sol me bater, vou responder
Respirar todo ar que conquistar
Vou fazer meu calor me levantar
E seguir por aí e procurar
Cultivar o melhor que aparecer
Se doer, esperar a dor passar
Nunca mais desarmar o meu amor
Nem armar de morrer, nem me matar.

Altair de Oliveira – In: O Embebedário Diverso


CONFLUÊNCIA PASSIONAL

Imaginem rios que se querem
e se esperem presos pelo cheiro
se arrastem tortos pelo mundo
afagando o leito em desespero...

Imaginem rios que se gostem
e se encostem longos de desejo
e se encontrem prontos de ternura
se misturem cada vez mais beijo
e se deixem em êxtase de espuma
troquem águas, algas, mágoas, peixes...

Altair de Oliveira – In: O Embebedário Diverso


HERÓIS & DIAS AMENOS

Temos que a vida não dói.
- Viver é tudo que temos!
Ao menos somos os heróis
Da história que nos fazemos.
E, enquanto o tempo nos rói,
Tecemos planos de engenhos...
Vamos em busca de sonhos
Usando de asas e de remos.

Galgamos sobre o passado
Buscando os dias amenos
Tememos sobre o futuro
Que nem sabemos se temos
Jogamos os nossos melhores
Tentando ganhos pequenos
Treinamos poses de heróis
Da história que nós queremos!

Enfim, nós somos assim:
Restos de tudo que fomos
Mas sempre somos heróis
Da história que nos contamos
Nos cremos por maiorais
Que, ao certo, um dia seremos
Morremos sempre no fim...
- Fingimos que não sabemos!

Altair de Oliveira - In- O Lento Alento


RENEGADA QUEDA

À certa altura da vida,
onde degraus se degradam,
Eu decido ser de descida,
e, num impulso suicida,
saltar os meus sobressaltos
e descer ao ser que acovardo
tomar-lhe os sonhos que guarda,
usar-lhe as asas rasgadas
e tentar cair para o alto.

Altair de Oliveira - In- O Lento Alento

domingo, 8 de maio de 2011

MADALENA COSTA - ENTREVISTA Nº 317

PEQUENA BIOGRAFIA

Esteticista
Escritora
Autora de teatro.
Palestrante
Empresária.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

MADALENA COSTA - Sou esteticista e empresária

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

MADALENA COSTA - Escrevo desde menina. Sou uma leitora compulsiva.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

MADALENA COSTA - Duas obras :

CONTOS & BATOM ( livro e peça) 1ª.edição esgotada.
NÓS MULHERES VOL.8 coautora

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s)
capaz(es) de produzir literatura ?


MADALENA COSTA - O impacto que me arrebata e me impulsiona para produção literária é estar viva.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

MADALENA COSTA - Muitos...de linhas e temas variados. No entanto, eu diria que a obra de Lya Luft me impressiona bastante

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

MADALENA COSTA - Nunca, nunca mesmo desistam do sonho de ter sua obra publicada. E deixem que o caos que nasce dentro de você, faça nascer sua estrela bailarina.

CONTOS

UM HOMEM PRA CHAMAR DE MEU

Nesta casa da mãe Joana, chamada net, tem de tudo. Minha caixa de e-mails, meus depoimentos na página do Orkut, Badoo, Facebook e todas as mídias que aproveito para divulgar meus trabalhos e conhecer gente mais parecem uma caixa de Pandora.
Quando abro esta caixa, recebo elogios, críticas, declarações de amor, pedidos de casamento e perguntas inusitadas também. Já me acostumei. Sou uma mulher pública. Ossos do ofício.
Um e-mail me chamou a atenção por estes dias. Quem o enviou pareceu estar preocupado com minha situação amorosa. Esta pessoa alega que me acompanha há algum tempo aqui e observa que, apesar de eu ser uma mulher ativa, dinâmica, independente, de ter uma legião de fãs masculinos e uma boa aparência, nunca me viu com um homem, de fato e de verdade, então será que sou uma mulher difícil, complicada, exigente demais, chata ou não gosto de...
Vamos parar? Ops! Vamos começar. Devagar com a louça... Logicamente, não tenho a obrigação de dar explicações sobre minha vida amorosa a ninguém, mas decidi responder este questionamento aqui mesmo, para dar luz às perguntas e curiosidades de homens e mulheres que conhecem a profissional, esteticista, palestrante, empresária, comendadora, escritora, mas não conhecem sequer de longe a mulher. Então, vento que venta lá...venta cá.
Meu direito de resposta? Ei-lo!
Não, não estou “necessariamente” sozinha. Tenho um amor.
Mas o que é ter um amor?
É ter um objeto de propriedade e uso exclusivo chamado “meu”? Namorado, marido ou amante, e manipular este ser humano vinte e quatro horas com cobranças, ciúmes desnecessários, chantagens, golpes baixos e intromissões indevidas na sua vida pessoal?
Não, não acho que isto seja amor, ou amor sadio, inteligente mesclado de racionalidade.
Haverá quem me pergunte: é possível existir um amor assim racional e uma paixão sem sentimento de posse? Sem ter que ficar vigiando a cueca alheia o tempo todo? É possível, embora não seja fácil. Mas, eu vivo o “+ Amor”.
O + AMOR vem a ser um amor diferente, diferente do amor normal, cotidiano e infantil. Aquele amor, velho conhecido de muitos, que vivem com a desculpa de que, a partir da vivência dele, todos os nossos buracos serão tapados, todas as nossas inquietudes, nossas dores e todos os nossos temores mais íntimos estarão acabados. Ledo engano. Temos buracos que não acabam mais. Temos boca, olhos, vagina, ouvidos e ânus, fora o buraco interior, um saco sem fundo de reflexões e dúvidas. Como diria Lacan, psicanalista, ou Gikovate, um ardoroso defensor do conceito de + Amor e de quem herdei a ideia.
Respeitar o outro no que há de mais singular, ou seja, sua individualidade, e ainda ser feliz sem ter “um homem pra chamar de meu” é um desafio. E eu gosto de desafios. Minha vida é pautada por este postulado. Desafio. Apesar dos buracos.
Meu luxo, é saber que o objeto do meu amor também é esburacado como eu. Por isso, ele também respeita minha singularidade. Minha liberdade e individualidade.

By Madalena Costa

VAMPIRO

Amo de paixão as músicas da eterna musa do rock, Rita Lee. Desde muito cedo, adorava cantarolar “venha me beijar...meu doce vampiro”.
Aliás, textos, filmes, crônicas e prosas sobre vampiros sempre me chamavam a atenção. Eu achava as situações que descreviam este personagem exageradas, hilárias e até cômicas. Confesso, nunca me impressionei muito com o lado cruel da história. Só me interessava o glamour, a capa longa preta, aquela pele alva, aqueles dentes vermelhos e aquela pose toda.
Até que aconteceu comigo. Conheci um vampiro de carne, osso e músculos...Ah, muitos músculos. Um vampiro de lascar. Ele começou rondando minhas noites insones com promessas, escondendo seus dentes afiados atrás de um sorriso pronto, maneiras gentis e elogios exagerados. Pronto!Apaixonei-me. Caí como um patinho, digo, como uma “anta”. Isso sim.
Fui presa dele por anos. Até que resolvi acordar. Não me dei conta do quanto estava anêmica emocionalmente, fraca, fragilizada e sem um pingo de sangue. Nem de barata.
Tive que recorrer à minha coragem, convocar inúmeros amigos doadores de carinho e submeter-me a “trocentas” transfusões de valorização da minha vida.
Ufa! Escapei. Conselho se fosse realmente relevante e bom de verdade estaria à venda. Na padaria, no açougue, na farmácia, no shopping e até na internet.
Alerta?! Amiga, amigo. Se você conhecer um vampiro ou...uma vampira,
corra!!! Deixe para trás seu salto quinze, seu Versace, seu brilhantinho, seu barraco ou sua cesta básica. Mas corra, fuja, proteja-se! Mantenha-se forte e saudável.
Uma mulher com sangue.
Na veia!

By Madalena Costa

terça-feira, 3 de maio de 2011

EDUARDO TORNAGHI - ENTREVISTA Nº 316

BIOGRAFIA

Cheguei aqui em 1951, no RJ. Família grande, me ensinou a brincar com as artes. É o que tenho feito desde então. Nesse ínterim, me formei em Psicologia (que não pratico), fiz militância política, social e pedagógica, trabalhei com vendas, computadores (antes de haver comp. pessoal), teatro, televisão, fui empresário (fali todas as vezes que tentei) e, principalmente, dei aulas. Pra população de rua, em presídios, em acampamento de sem-terra, prostíbulo e nos endereços elegantes da elite e da classe média. Há quinze anos me juntei à Selma e, com ela, minha melhor obra: Kalu e Bibi, que você já deve ter visto no blog http://papopoetico.blogspot.com/

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

EDUARDO TORNAGHI - Agitação cultural em geral. Dou aula de interpretação, dirijo e coordeno grupos de cultura na periferia, milito no Mov. Humanos Direitos (Mhud), e principalmente, crio duas lindas filhas

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

EDUARDO TORNAGHI - De família. Cresci vendo todo mundo à minha volta lendo, literatura era conversa comum, brincávamos de "tirar versos", foi um espanto quando descobri que não era assim em todas as famílias.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

EDUARDO TORNAGHI - Só o "Matéria de Rascunho". Só fui me atrever a escrever de verdade há pouco tempo, uns 5 anos. Antes era só leitor. Cheguei a colaborar em revistas e jornais com artigos, mas sempre de uma forma fortuita.


SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir seus trabalhos poéticos ?

EDUARDO TORNAGHI - Isso não sei responder. Da solidão à euforia, tudo serve. Honestamente, o que me faz trabalhar mesmo é algum tipo de encomenda, senão não passa pro papel. O livro só saiu quando eu me encomendei e marquei uma data limite.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

EDUARDO TORNAGHI - Todos. Admiro a coragem de escrever. Gosto até de literatura ruim, sempre expressa uma alma. Pra não deixar de citar uns favoritos (todos eu não consigo), Guimarães Rosa, Mario de Andrade, Bandeira, Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Cervantes, Pessoa, Cortázar, Murilo Mendes, Cecilia, Hilda Hilst, Nelson Rodrigues, Borges, todos os russos, Lima Barreto, Joyce, Montaigne etc.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

EDUARDO TORNAGHI - Vai fundo! Se expressar demanda coragem, mais que se imagina, portanto escreva até chegar ao ponto em que seja natural tocar o mistério. A verdadeira expressão, a que vale realmente à pena, sempre nos provoca um certo medo e vergonha, já que revela. Antes disso ainda estamos arranhando a superfície. Enfrentar esse medo é que nos liberta.

POEMAS

MMC

MuriLeminskiano

Cada poema uma face
dentre as quase mais de mil
cada rosto um pé de alface
tomate alcaparra abio
Cada cara uma faceta
das tantas que a gente tem
óculo lente luneta
não decifram quem é quem
Já o poema que nasce
no que se viu ou ouviu
como um espelho se faz
alfarrábios ponto til

***

Hélas

Maria Fernanda
Ô vida engraçada
sem dor vale nada

***

I

Deixar correr pelo papel a mão

solta
sem ciência
sem direção

curtir mais
a cor da tinta
a curva da linha
o sentido do traço

Que
o sentido do troço
o ângulo do logos
o brilho da oclusão
Deixar pelo papel correr a mão

II

Deixar pelo papel a mão correr

e ver depois
se desenhos
ou palavras

se riscos
ou recados

Lembrar sempre
que desenhos são palavras
palavras são desenhos
e todos são riscos
todos são recados
Depois respirar fundo
mergulhar na inspiração
até calar a Babel
então ao expirar

Deixar correr a mão pelo papel

III

Deixar pelo correr a mão papel

e que a mágica se repita
mil e tantas e muitas vezes
até que a mão se solte
ligando-se assim à fonte
à cascata do aguadeiro
que generosa se derrama
levando o que é vivo a brilhar
até ser capaz
de passar a luz adiante
Deixa

***

Viva Odete Lara

Quem cansa não é a ladeira,
é a pressa.
Do lado de fora a primeira,
a outra, de dentro,
é que estressa.

Questão de saber:
a quem o cansaço interessa

***

Hedonismo

À minha frente à esquerda,
A minha frente, esquerda.
Imagem invertida,
apenas um duplo,
amor limitado,
coisa pouca.

Espelho só se pode beijar na boca

***

Pôr-de-sol

-em tempo de luz elétrica-

Vendo
Lendo
pela primeira velha vez
a mesma luz antiga

sente-se a lenda amiga
ancestral
desvanecer-se

antes verdades / visão ambígua
Urano negado em neon

***

Agrade
à grade

É tempo de
agradar
à grade

Tempo de
agradecer
à grade
Agro tempo
agora
Hora de
fugir do vadio
encarar o vazio
Nosso Tempo
Nossa chance

***

Pobres carentes

Alguns de comida
outros de caráter
muitos de carinho
todos de respeito
nós
cada um do seu jeito
todos iguais