
Maria Cristina Ferrarez Bouzada, uma mineira com sensibilidade aguçada, residente em Brasília –DF, formada em Letras e pós-graduada em Planejamento e Administração em Recursos Humanos.
Gosta de repentes, canta e toca violão, declama poesias em salas de aula, interagindo com tantos jovens diferentes que passam ou já passaram por sua vida e que com certeza vão levando na lembrança, com muita admiração, a saudade da professora alegre e divertida que compartilhava seus conhecimentos com arte e naturalidade.
Quem quiser conhecer um pouco mais de suas poesias, visitem:
http://www.cristinaferrarez.wordpress.com/
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?
MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Lecionar, fazer longas caminhadas, participar de projetos do GDF na área da educação, muitas vezes com os alunos, viajar muito, dirigindo pelas longas estradas entre Brasília e este Brasil afora. Dirigir na estrada é o que mais gosto de fazer.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?
MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Na verdade nunca tive interesse literário, apenas arriscava algumas frases, ou declamava em salas de aula para melhor atrair a atenção dos alunos.
Não levo muito a sério este meu lado poético, nem o musical. Toco algumas canções pelo simples contato do som com a sensibilidade auditiva.
Gostava muito de declamar sem jamais passar para o papel, até que uma pessoa do meio literário me incentivou a mostrar o que eu escrevia e passou a gravar minhas poesias em um blog.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?
MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Bom, se nem queria registrar as poesias que declamava, imagine se vou ter um livro. Não penso em publicar livros.
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia?
MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Como já disse, em sala de aula, foi que tudo começou; apenas vêm na cabeça frases soltas, textos, ou então com o violão e com poucas notas dedilho frases voantes. Sou assim: pássaro voante, diriam alado, mas é voante mesmo.
Do nada as poesias me encontram e voam, voam, voam ao redor de mim e sigo assim a vida, voando, voando, voando pela imaginação e pelas estradas da vida.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?
MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Pablo Neruda, Gabriel Garcia Marques, Drummond, Nélida Pinõn, Clarice, Cecília e muitos outros.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores?
MARIA CRISTINA FERRAREZ BOUZADA - Que vão à luta em busca de seus sonhos sem deixar ninguém menosprezá-los. Acreditar em sonhos e ir atrás deles com muito riso nos lábios, porque a vida é maravilhosa e amo viver. Amar a vida é um belo começo, como já dizia algum escritor.
POESIAS

AMOR AMORA
Aparentemente, só me desliguei:
Onde encontrar a resposta que procuro?
Embriago-me pelos bosques repletos de amoreiras,
Cheiro delirante,
Amor quase fatal,
Amor genial.
Amor com roupagem nova,
Sensual e maduro, como a madura cor da amora,
Nos lábios cor de carmim, beijados pelo doce vento
Nas asas do meu silêncio.
Amor amora, amora amor
Onde mora a doce caverna de nossos sonhos azuis?
Você, sensivelmente, faz morada em mim.
O doce amor de agora,
Que se mistura com as águas dos rios.
Uva que se mistura nas amoras,
Eu e você, doce amor amora,
Sem demora, vem adoçar os lábios meus!
SOMENTE VOCÊ
Só você pensa assim
Na vida apagada,
Na solidão arregalada,
Nos fósforos queimados,
Nas velas acesas,
No bloco da esquina,
No café da tarde.
No chá das cinco.
Só você.
Cheira os meus cabelos
Chama-me de linda
E me presenteia o luar.
AS DOBRAS DE UM JOELHO
Deitada, encostada a cabeça no travesseiro
Observava o meu joelho dobrado.
Ia vagando sobre meu alazão
Cortava-me a curiosidade para
Saber o que estaria atrás da solidão.
PARA QUE EXISTEM CELAS
Para que existem celas
Se o homem é um ser racional?
A solidão é uma prisão amargurada.
Entope o peito e engasga
A batida do coração.
Cospe fogo com chamas selvagens,
Esnobando o romântico ladrão
De perdição…
ALMA AZUL
No centro de algum lugar
Diante da fumaça do trem,
Ouço conversas confusas
Sem atração, sem emoção.
Não sei por que o trem se foi.
Passou por Minas
E não me levou.
Fiquei saudosa do “Trem azul”
Que não me levou para o sul.
Ia rever os mineiros felizes,
Ouvir composições ao vivo
No centro de algum lugar.
O meu trem se foi
Não pude ouvir ao vivo “Lágrima do sul.”
FLORES EM SEGREDO
Gosto de flores,
Pois elas guardam segredos
Em suas montagens naturais,
Em suas posturas sazonais.
Recolhem-se em segredo.
Elas não mandam matar, roubar …
E nem mesmo apedrejar uma alma feminina
Que em galopante terror espera pela morte
De forma brutal.
As flores amam Sakineh, Rosa, Maria Madalena, Maria Aparecida, Silvia…
Amam as mulheres e homens de todos os Continentes.
As flores amam meus olhos,
Meus apertos,
Minhas ilusões e desilusões.
Amo as flores,
Pois pelos caminhos que elas nascem,
Vejo as borboletas dançando a dança da paz.
Elas são dançarinas.
Naturalmente bailarinas do ar.
Não de certos julgamentos arcaicos e maldosos do homem.
O MAR DA VIDA
Faz muito tempo que não ligo para o que penso,
Irrito-me, tento descobrir o porquê.
Talvez seja por minha alma vagante.
Só na imagem do espelho
Posso ver o verdadeiro lugar,
O palco de meu paradeiro,
Que seja picadeiro ou arquibancada,
Vivo mesmo em espumas cheirosas
Nesse perdido paraíso azul.
Não me sinto só
Sempre há um anjo por perto,
Nunca o vi, apenas sinto
Seu cheiro de rosa
Desenhando novos atalhos
Para eu tentar achar os ingredientes
Do meu perfume secreto.







