domingo, 31 de julho de 2011

RITA QUEIROZ - ENTREVISTA Nº 325

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quem é e o que faz RITA QUEIROZ dentro e fora das artes plásticas ?

RITA QUEIROZ - Sou uma mulher de 74 anos, realizada como mãe, avó e bisa; sei fazer todo trabalho doméstico, hoje, com algumas limitações. Como artista plástica já realizei inúmeros trabalhos sociais, continuo criando a cada dia, pois vivo o hoje. Estou trabalhando atualmente na exposição intitulada " O Diário de Viagem de Benedita" que será realizada na Casa da Cultura Ivan Marrocos em Porto Velho/RO. Trata-se de uma homenagem à uma das grandes mestras da educação em Rondônia, Benedita Pini.
Paralelamente à essa produção, estou coordenando um grande projeto no seringal Santa Catarina no Rio Madeira, junto às comunidades ribeirinhas, capacitando-as em várias técnicas artísticas, tais como: tecelagem, pintura, desenho, vitral e outras. Esse projeto foi contemplado como Ponto de Cultura, recebendo apoio dos Governos Federal e Estadual.
E como minha emoções continuam pulsando com toda vitalidade, tudo o que faço trazem à tona os meus ideais e meus sonhos.
Porém, com certa angústia, estou percebendo que esses sonhos estão sendo desgastados pelas constantes lutas.
Estamos precisando que novos sonhadores entrem em cena para que nossos ideais e raízes não se percam. Nesse mercado de sonhos é imprescindível retornarmos ao sistema de escambo, ou seja, a troca de sonhos por sonhos, onde a realidade passe a fazer parte novamente do nosso dia-a-dia.

SELMO VASCONCELLOS - Quando e como você descobriu sua vocação para as artes plásticas ?

RITA QUEIROZ - Conheci no Rio de Janeiro, em 1977, uma artista plástica, Clélia Barbosa, que me convidou para conhecer o seu atelier, lá entrei e só sai para minha primeira exposição em 1978, no Selton Hotel.

SELMO VASCONCELLOS - Onde e quando você expôs seus trabalhos ?

RITA QUEIROZ - Expus em várias capitais brasileiras e em vários países da Europa,foram cerca de 20 exposições coletivas e umas 30 individuais. Me considero uma aprendiz, vivo pesquisando e resgatando parte de minha história beradeira, sou uma estudiosa de novas técnicas para serem aplicadas nas artes visuais e inovar a minha arte.

SELMO VASCONCELLOS - Quais as figuras marcantes do universo das artes plásticas que exerceram de certa forma influências em sua vida como artista plástica ?

RITA QUEIROZ - Sou apaixonada pela obra de Tarsila do Amaral, Di Cavalcante, Picasso e Van Gogh e outros da história da arte. Admiro o trabalho de nossos artistas do passado como Afonso Ligório e José Fona, e os do presente, Zoghbi, Sílvia Feliciano, Geraldo Cruz, Margot Paiva, Ângela Shilling e tantos outros que estão dando continuidade à nossa luta.

SELMO VASCONCELLOS - A pintura que você faz pode ser inserida dentro de qual estilo ?

RITA QUEIROZ - Os críticos dizem que sou impressionista, primitiva, mas penso que tenho um estilo próprio. Estou sempre procurando inovar

SELMO VASCONCELLOS - Qual é o seu grande objetivo no momento ?

RITA QUEIROZ - Encontrar respostas para todo esse questionamento acerca da nossa identidade cultural, valorização da nossa arte, através da expressão de nossos artistas, nos mais variados segmentos culturais. Isso significa resgatar nossas raízes, construir museus, pinacotecas, oficinas de arte, bibliotecas que tenham informações sobre toda nossa história, registrando através da escultura, pinturas, fotografia, literatura, vídeo, músicas, teatro. Aqui fica um tema para reflexão... Se não temos ainda nem uma boa oficina para repassar nossos conhecimentos, como acreditar na realização desse sonho? Pensem nisso.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

NALVA NOGUEIRA - ENTREVISTA Nº 324.

PEQUENA BIOGRAFIA

Nalva Nogueira - Pernambucana. Pedagoga, escritora, romancista apaixonada pelas letras; ela expressa através de sua escrita, de forma demasiado clara, o seu sentimento de amor pela literatura.
Seu fascínio pela escrita, e amor pelo mundo literário, sempre fora facilmente notado.
Nalva Nogueira, ao escrever, não faz uso apenas da razão; ela também escreve com a alma, com o coração. Ao ler os seus escritos, estarás conhecendo parte de sua personalidade, sua essência.
Além de romance, escreve textos sobre diversos assuntos - divulgados em blogs. Possui um jeito bem peculiar de exprimir o que acredita e da forma como acredita, através de suas Prosas. Tornou-se escritora profissional há dois anos. Lançou seu primeiro livro o romance “Perder e Vencer”, em 2010.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

NALVA NOGUEIRA - Além de escritora, também sou mãe. Dedico-me atualmente a alguns projetos meus. Acabei de concluir o meu novo romance que brevemente será lançado. Escrevo meu blog, e também escrevo em comunidades literárias em redes sociais.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

NALVA NOGUEIRA - Digo que já nasci amando literatura; ainda muito pequenina pegava os livros de minhas irmãs, que já estudavam e neles “viajava”. Assim comecei a conhecer o mundo maravilhoso, e encantado dos livros, da literatura. Aprendi a ler sozinha. Não podia ver um livro, que já o pegava para ler. Ao meu alcance tinha sempre pilhas de livros, e de papel. Escrevia tudo - desde os sentimentos, a descrição de tudo que havia a minha volta, até as muitas histórias criadas pela minha imaginação de criança apaixonada pelos livros e pelo saber. Escrever, e ler sempre fora meu mundo; sempre me fizera sentir-me mais viva.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

NALVA NOGUEIRA - Tenho alguns trabalhos já concluídos. Fora publicado “Perder e Vencer”, meu primeiro livro - um romance com superação de vida. E acabei de concluir meu novo romance “O Acaso do Destino” - uma leitura que muito tem a dizer, quando o assunto é Amor... Amar; relacionamento... Relacionar-se. “O Acaso do Destino”, brevemente será lançado.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

NALVA NOGUEIRA - Isso é relativo. Às vezes até uma conversa simples e casual que porventura estou tendo com alguém, poderá tornar-se um escrito. Depende do momento... Há dias em que escrevo apenas frases. Outros em que escrevo desde contos, até “poesia confessional”... Quem escreve tem uma visão com um toque de beleza indecifrável. Para notar-se essa beleza, faz-se necessário, que se tenha uma alma com certa delicadeza, por assim dizer - se não de poeta, no mínimo de quem aprecia a poesia. Tão logo, tudo que vemos possui beleza, magia, ou algo que leva-nos a querer relatar, escrever... De forma, eu diria um tanto peculiar. Ou seja, através dos escritos, das poesias...

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

NALVA NOGUEIRA - Para um amante da literatura, do mundo literário, é um tanto complicado citar nomes, ou dizer de suas preferências. Mas posso citar alguns dos quais eu leio muito, e tenho muito deles em meu “cantinho” literário em casa. Machado de Assis, Sidney Sheldon, William Shakespeare, Clarice Lispector, Mário Quintana, Fernando Pessoa, José Saramago... E tantos outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

NALVA NOGUEIRA - Leia MUITO. Escreva SEMPRE... Ainda que ninguém houvesse para ler os teus escritos – escreva. E jamais se permita pensar que as dificuldades e a falta de incentivo à literatura é motivo para lhe fazer parar. Pois quem escreve o faz por deveras amar o que faz. E categoricamente digo que: Esse amor é infinitamente maior do que qualquer falta de apoio.

PROSAS

INESPERADAMENTE

Tudo certo... Tudo tranquilo... Tudo nos seus lugares devidos.
Então, tudo parecia normal... Aparentemente, tudo se mostrava igual.
Um dia comum... Onde cada passo parecia conduzir a todos os lugares. Ou talvez lugar nenhum.
Dia em que tudo que se era dito soava em tom de mesmice... Onde as pessoas pareciam às mesmas, ainda que não as visse.
A vida também é isso... A vida é dias normais, dias que até podem parecer iguais.
Em alguns desses momentos, a vida até tem som de mesmice... Coisas dão certo, outras parecem que não darão jamais. Porém, a vida não é isso apenas... A vida é uma junção de todas essas coisas e até mais.
A vida é sorrisos... A vida é lágrimas... A vida é cenas desajustadas... Coisas fora do lugar... Anormalidades... Coisas indecifráveis... A vida é surpresas boas, agradáveis.
Surpresas que surgem sem que jamais se esperasse. Acontecimentos que mostram que tudo parece caminhar como se o tempo não passasse.
Quando tudo parece ajustado... Quando pensamos tudo da nossa vida saber - algo acontece trazendo consigo o poder de retirar a “fumaça” que cobria a real beleza da vida. Beleza que só através do amor se pode ver.
Gestos tão mínimos, porém, tão singulares, passam a tanto dizer.
Risos são aflorados por gestos tão simples, e a alegria domina... Fazendo-te perceber quão perfeita é a mão divina...
Mão que envia para ti algo com mágico poder de fazer-te sorrir. Fazer-te sonhar... E enxergar a magnificência deste algo que te faz acordar para apreciar o que de mais belo existe... O que de mais puro há.
E esse algo que desperta sentimentos, fazendo reascender a vida - fará nascer o amor... Sentido de tudo que há. Motivo de esse alguém existir e com sua simples presença, a outrem conseguir alegrar.
Eu disse “alguém”? Mas não era de “algo” que eu estava a falar?...

Nalva Nogueira

DIZER / SENTIR

Dizer Eu Te Amo, não é usar “palavras” para fazê-lo.
Essa frase de teor tão sublime, tão forte, faz-se necessário sentir para poder dizer.
Fazer uso dessa frase, sem realmente sentir, jamais irá fazer-te conseguir demonstrar o amor. Pois assim agindo, tudo que dito for, terá sentido vazio. Não fará sentido algum. E isso se percebe com o passar do tempo.
Amando verdadeiramente, torna-se praticamente desnecessário o uso de palavras para demonstrá-lo. Independe do tipo de palavra que irás usar para dizer que amas.
Tão somente “proferir” palavras, não trará veracidade para o que desejas exprimir, se de fato não o sentes. Ao passo que, quando deveras amas, toda e qualquer palavra por ti usada, ainda que não traduza o Amor que sentes, não irá diminuir tal sentimento por usares essa ou aquela palavra. Quando se ama genuinamente, não há necessidade de “procurar” palavras para dizê-lo. Pois se dissermos que “gostamos”, percebe-se de forma natural, uma lacuna no que queríamos de fato expressar. Tão logo, saberemos o que realmente deve-se dizer, e como dizer. Compreende-se que “gostar” já não condiz com o que se estar a sentir.
O mesmo ocorre quando se tenta usar frases de forte intensidade, sem de fato sentir o que se está a dizer. Ao fazê-lo, notarás a mesma lacuna. E quem ouvindo está, também irá depreender. Só que dessa vez, a lacuna fora provocada pelo excesso do que fora dito - porém, não fora sentido.

Nalva Nogueira

QUALIDADES E DEFEITOS

Não precisas “enumerar” os teus defeitos - nunca precisamos.
Esses são facilmente por nós mesmos deixados bem visíveis. Acredite.
Também as nossas qualidades - não devemos mencioná-las. Essas, devemos mostrá-las através dos nossos atos e nossas ações.

Nalva Nogueira

O SONHO...

Como se assistisse a um filme era possível contemplar a leveza sutil e transparente daquela cortina esvoaçante, que se agitava com o vento que não permitia que a cena ali vivida, fosse de tudo encoberta.
A paz que tudo aquilo transmitia, era grandiosa.
Como se fosse uma tela ricamente pintada - detalhes ficavam à mostra.
...Mãos estendiam-lhe rosas, tornando majestoso aquele momento.
Os tons rubros das rosas que recebera, e do vinho que lhe era servido, representavam aquele amor... Aquela paixão - que se juntavam harmoniosamente, realçando a luminosidade e a delicadeza do que ali se passava.
Com sutileza, beijou-lhe carinhosamente a face. E naquele momento, ao fitar-lhe os olhos, era o seu amado que via.
...A brisa fria que penetrava pela janela do aposento, ao qual se recolhia sempre na esperança de consigo tê-lo; despertou-lhe. E nada mais tinha vida. Tudo a sua volta parecia ter ganhado tons sépia, trazendo-lhe de volta a realidade, e fazendo-lhe entender que aquele sonho refletia tão somente, os sentimentos por ambos outrora sentidos.
Vagarosamente, deu-se conta de que os tantos planos que sonharam realizar, e a vida que desejavam partilhar - agora se refletia apenas no mistério que envolve os sonhos.

Nalva Nogueira