quinta-feira, 29 de setembro de 2011

BRita BRazil - ENTREVISTA Nº 348

BIOGRAFIA
FOTO : ANTÔNIO GUERREIRO - 2010.
ATRIZ
FOTO : 1993.
CURSOS:

1979 - TEATRO TABLADO - Professores Louise Cardoso, Sura Berditchewiski,
Bernardo Jablownski, Maria Vohees
1980-TAKE ONE- Los Angeles -Califórnia- USA
1986-INTERPRETAÇÃO PARA TV: Wolf Maia
2002- CONSTRUÇÃO DE CENA- Luiz Fernando Lobo
2003- CURSO DE DUBLAGEM- Prof. Hamilton Ricardo

TEATRO:
FOTO : 2010.
AVENTURAS DE TIZINHO- Vital Filho
BALÃO MÁGICO- Mauricio Sherman
PLUMAS E PALETÓS - Chico Anysio
RAPUNZEL- Cininha de Paula
MULHER POEMA DO SÉCULO: Claudio Filiciano
ANOS DOURADOS- Caio Nunes
A HISTÓRIA DA NEGA BRITA- Claudio Filiciano
VERBO DE RUA- Cláudio Filiciano
VERSOS EM MOVIMENTO - Monólogo escrito e dirigido por BRita BRazil

TV:
FOTO : 2010.
VIVA O GORDO
APRESENTADORA DO FANTÁSTICO
CHICO ANYSIO SHOW
CHICO CITY
O HOSPITAL
TELE TEMA ESTRELA DO MAR
SEM CENSURA
ELES E ELAS
SITIO DO PICA-PAU AMARELO
OS TRAPALHÕES
ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO
APRESENTAÇÃO ROBERTO CARLOS FINAL DE ANO
FAUSTÃO
GUGU LIBERATO

CINEMA:
FOTO : 2010.
O INCRIVEL MONSTRO TRAPALHÃO
GABRIELA CRAVO E CANELA
O PARAIBA
THE RHEINEMAN EXCHANGE (USA)

DUBLAGEM:
FOTO : 2010.
Diversos filmes e desenhos em Los Angeles (US)


CANTORA
FOTO : 2010.
Dezenas de shows realizados : Rio, Santa Mônica/US, Venice/US, Los Angeles/US, Long Beach/US, Califórnia/US, Hollywood/US, Búzios/RJ, Maceió/AL, São Paulo/SP, Itaipava/RJ, Lapa/ Rio e muitos outros pelo País.


COMPOSITORA
FOTO : 2010.
A maioria das músicas que canto são feitas por mim, música e letra.
Compus a primeira musica em 1980, componho também em inglês e francês.
Tenho mais de 200, em 10 ritmos: Bossa - Blues - Baião - Xote - Samba - Rock - Pop - Bolero - Hiphop - Coco - Jazz.


MODELO
FOTO : 1973.
Está no DNA. Só há poucos anos meu pai me contou que posou em 1928, quando ele tinha 1 ano, para Farinha Láctea NESTLÉ. Esta propaganda saiu num jornal famoso de Belém do Pará. Só que ele nunca tinha provado a tal farinha. A mamadeira dele era feita de açaí, cupuaçu e pupunha.
Comecei esta profissão em 1965, com 11 anos, em um desfile no Copacabana Palace. A parte fotográfica foi de 1968 até 1998. Na verdade por trás das câmeras, meu objetivo era ficar famosa para divulgar a cultura indígena, por isto coloquei todo meu gás. Sempre tive uma foto deles na minha carteira e olhava, quando acontecia algo que me dava vontade de desistir. Cheguei a pensar em ser médica para trabalhar nos postos da FUNAI, mas depois soube de quanto ela não protegia os índios, e preferi usar a mídia através da arte. Ainda tenho muitos planos...
Preparei um livro contando minha trajetória de modelo. Fui a primeira top model do Brasil, pela quantidade de material que fiz e tenho guardado, desde o início dos anos 70, nas áreas de moda e publicidade. Procuro editora.
Fui homenageada pela escola de Samba Porto da Pedra, cujo tema em 2010 foi moda, A Escola me convidou para participar do seu desfile, sob a criação de Paulo Menezes. Fiquei muito honrada por este convite. Paulo e eu resolvemos homenagera Alexandre McQueen, o grande estilista ingles que faleceu 3 dias antes desta apresentação.


BAILARINA
FOTO : 2009.
Comecei a dançar ballet clássico em 1963, quando eu tinha 9 anos numa escola pública do Rio em Copacabana, a Marechal Trompovsky. Minha querida professora parecia ter saído dos contos de fada. Era Dona Irina, não me recordo do sobrenome. Ela viera da Rússia para tentar viver no Brasil. Não sei como ela foi parar ali, mas as escolas públicas naquele tempo eram tão boas, que na minha tinha um palco com uma barra de ballet.
Foi pra mim um sonho indescritível. Ainda me lembro do cheiro da malha nova, da Petit Ballet, e da minha tristeza de quando após um ano, minha professora passou a trabalhar numa academia particular, e não pude acompanhá-la por falta de grana.
Então com o primeiro dinheiro do trabalho de modelo, aos 14 anos, comprei uma sapatilha de ponta e ficava em casa dançando. Eu amava música clássica. Como isto não agradava muito a ninguém, então bolei uma estratégia para dançar em paz: quando não havia ninguém em casa, eu colocava minhas bonecas na sala e dançava para elas. Assim me tornei “coreógrafa”.
Só pude voltar a estudar dança aos 26 anos, passando inexplicavelmente para o quinto ano pela aprovação da professora Barbara do Royal British Ballet, no Ballet Dalal. Aschar. Lá, tive a sorte de ter sido aluna do incomparável professor Denis Gray.
Eu tinha ido levar minha filha, Ramona, para fazer aula, mas ela não gostava muito. Eu acabei fazendo. Ela disse que estava impressionada como mantive o jeito, sem ter feito aula por 20 anos. Em 1986 ganhei um prêmio de coreografia, no Ballet Dalal Aschar com a coreografia DANÇA DAS BONECAS, que fiz com as minhas próprias bonecas que havia guardado. Categoria especial. Eu dancei com elas, e pra elas, no palco do Teatro Villa-Lobos, aos elogios do rígido professor do Teatro Municipal Denis Gray que me disse parecer com Isadora Duncan. Minhas bonecas e eu fomos premiadas!
Apenas mais tarde em 2003, soube a triste notícia, pela Dona Eugênia que era sua amiga, que dona Irina morreu no incêndio do Hotel Nacional.
Junto com as outras atividades (modelo, atriz e cantora) a dança fez parte da minha felicidade por 15 anos.
Em 1988 coreografei o filme de produção americana Boca de Ouro.
Trabalhei como professora de alongamento por alguns anos.
Fiz parte do Corpo de Baile do Scala-Rio (Direção Mauricio Sherman), o que era totalmente preconceituoso pela maioria dos bailarinos da época. Que pena, perderam a deliciosa, educada e bem humorada direção do coreógrafo Antônio Negreiros (formado na Escola de Dança do Teatro Municipal).
Além das danças comuns à sociedade, fui uma espécie de "bailarina de Deus" sendo sacerdotisa por 33 anos, coreografando e dançando nos belos eventos espirituais da Irmandade Espiritual Estrela D´Alva.Isto é inenarrável. Infelizmente tenho poucas fotos e imagens de toda esta época, ainda estou pesquisando-as.
Atualmente (2011) faço aulas de ballet porfissional e Hip Hop na Escola de Dança Arte e Movimento, São Conrado, Rj.


QUEM CANTA E DANÇA, É FELIZ!
FOTO : 2010.
CURSOS:

1) MERCEDEZ BATISTA (Afro)
2) ROLLAND DUPRÉE (US- Jazz)
3) LAUREN MACKLIN (US- Contemporânea)
4) JANE FONDA- Alongamento (US)
5) GRUPO CORINGA (Graziela Figueroa- Contemporânea)
6) BALLET DALAL ASCHAR (clássico e flamenco)
7) CARLOTA PORTELLA (Jazz, sapateado)
8) RENATO VIEIRA (Jazz)
9) BETH OLIOSE (Clássico)
10) CARLOS MAGNO (Contemporânea).
11) ACADEMIA ARTE E MOVIMENTO (Hip Hop e Ballet )


POETA
FOTO : Com o poeta MANO MELLO - 2011.
Acabo de lançar virtualmente o livro REVOLUÇÃO, que está a venda no site www.britabrazil.com. Aqui está o texto de apresentação feito por Chico Anysio:
“BRita BRazil faz poemas como se fazê-los fosse fácil, como quem tira da terra, cavando com as mãos cada um de seus versos. A natureza está nos seus olhos, nas suas mãos e, como é lógico, na sua vida. A diferença é que ela a utiliza como se fosse ela a única proprietária de tudo de lindo que nos cerca. Mas age com tanta naturalidade que nem dá na gente direito ou vontade de reclamar...”
Chico Anysio


FOTÓGRAFA
FOTO : 2010.
De tanto observar os melhores fotógrafos me fotografando, acabei entrando em perfeita harmonia com a minha primeira câmera digital. Fotografo profissionalmente eventos culturais. Veja no site www.britabrazil.com


ECOLÓGICA
FOTO : 2010.
O assunto natureza é atávico em mim. No meu sangue correm rios da Amazônia, de onde veio meu pai. Fui criada amando, reverenciando e respeitando a natureza. Ele dizia à nossa família: “fechem as torneiras, desliguem as luzes e todos os aparelhos elétricos da tomada todas as noites, antes de dormir. Um dia, vamos precisar de recursos naturais, e eles vão estar escassos”. Isto, desde os anos 50!
A maior paixão de minha vida é a cultura indígena. Acho que eles são muito mais evoluídos que nós, e para saber é só convivendo com eles, ou ler bastante sobre o assunto. Sabem tudo sobre Ecologia, naturalmente.
Iniciei o interesse por esta cultura em 1967, e sempre estive divulgando-a através da arte. Nos estúdios fotográficos e meios sociais fui ridicularizada por isto. Os índios não estavam na moda. Era o início de seus pedidos para que ajudássemos a proteger suas terras, que estavam sendo invadidas por garimpeiros ou começavam a ser queimadas pelos fazendeiros para por o gado, o que se faz até hoje.
Fui ativista ao longo de toda minha vida, aqui e nos Estados Unidos. No início da minha adolescência, fazia atividades só para a proteção dos índios, levando-os em escolas. Fomos convidados a se retirar da Universidade PUC do Rio, no início dos anos 70. Hoje é tudo diferente. Vejo consciência, mas não vejo melhora.
Logo depois abracei a defesa à natureza, pois eles precisam dela. Assim como nós e toda a vida na Terra. Na seqüência de conscientizar o Brasil para a questão indígena, subi as favelas do Rio e acabei me dedicando a dar uma meta de vida às crianças de classe pobres, educando-as, para conhecer, amar e proteger a natureza do Brasil. Foi toda minha vida.


SOCIAL
FOTO : 2010.
O social também é atávico em mim. Mesmo sendo de classe média, meus pais sempre foram muito generosos com os menos privilegiados. E cresci vendo isto. Digo sempre: a gente é o que lê, e vê.
Aos 9 anos criei meu primeiro "projeto social":ensinando a ler e escrever empregadas domésticas, e juntando crianças no corredor do prédio para dar aulas de ciência, Achava tão lindo eles descobrirem outro universo. Morei em vários países, e não me acostumo com crianças nas ruas do Brasil. Não consigo aceitar, me acostumar. Sofro demais com isso. Acho uma loucura isto ser normal.
Em 1989 eu tinha um "projeto" itinerante. Eu era militante do PV, então reunia crianças de rua no Castelo, ia andando até Santa Teresa com elas. Levava-as pra tomar banho no Partido (ninguém sabe disto, estão sabendo agora) e ficavam lindos, com as roupas que pedia a amigos que tinham crianças. Então os aprontava e levava para ver circos e teatros.
Trabalhei, sempre como voluntária, em diversas instituições infantis. No Lar de Frei Luis estive por um ano dando assistência a 40 meninas e adolescentes.
Mas nunca estive feliz com o que via. Sempre tive um sonho de fazer um projeto social que desse uma direção e determinação para crianças tornarem-se guardiões ecológicos, aprendendo a amar e proteger a natureza e os índios deste país. Assim como foi minha meta de vida. Queria dividir com as crianças a felicidade de ter este objetivo que foi minha estrutura.
Em 2003 produzindo um documentário sobre choro, para uma equipe americana, fui parar na favela de Pequerí, em Brás de Pina, ao lado da Penha. Lá, enquanto filmávamos, um garotinho chamado Márcio achou engraçado falarmos inglês. Sentei na calçada e comecei ensiná-lo algumas palavras. Algumas crianças chegaram, e ali mesmo decidi começar dar aulas de inglês. Como não tínhamos espaço, usávamos um terraço. Como não tínhamos cadeiras, e as crianças não paravam quietas, fui criando a aula de INGLÊS EM MOVIMENTO, onde aprendiam brincando. Começava por aulas de meditação na abertura, e tentava através dessas aulas, conversar sobre valores que aprendi em casa e pela vida, e ampliar as possibilidades de novas idéias de amor e respeito entre nós e para todos seus amigos, lá fora. Conceitos de ética, de valorização de todas as raças, uma boa dose de auto-estima e proteção à natureza. Também conversava sobre preconceito, soluções para se libertarem das programações impostas pelo sistema, e de ousarem sonhos e ações. Nunca era em tom sério, resolvia mais no lúdico.
Aos poucos fui percebendo que elas tinham várias necessidades. Aliás, a maioria delas nunca tinha sequer saído daquele morro. Isto acontece com as 900 comunidades do Rio, é um absurdo! Então as levamos em diversos peças teatrais, cinema, Parque Laje e Ary barroso, Corcovado, INTRÉPIDA TRUPE, praias, gravaram 3 programas da Xuxa, Cidade das Crianças, festas juninas, conheceram o Vôo livre, Forte Copacabana, etc. e tal. Isto durou 6 anos.
Também não tinham contato com livros, a não ser os da escola. Pedi aos meus amigos livros, brinquedos e com a Eusimar, uma moça local que já reunia as crianças para fazer festas nas ruas, formamos nosso primeiro pequeno Centro Cultural, O Centro ficava aberto durante toda semana e lá reuníamos nos fins de semana para conversar sobre nossas vidas, o país, o futuro do planeta, como vivem os índios, ciência, cultura africana, escolas, idéias, festejávamos datas comemorativas, enfim um grêmio recreativo. Meses depois, afogada em lágrimas e indignação, vi este Centro ser desmanchado por "forças ocultas".
Fizemos um concurso de poesia cujo prêmio foi um vôo livre. Coisa boa de ver tanta alegria! Conheci tantos talentos artísticos, poéticos e humanos nessas crianças. Por que o Brasil não valoriza estes seres?
Depois montamos uma ONG, para tentarmos arrecadar ajuda de empresas, para que eu pudesse parar de pedir a amigos.
Aí começaram os problemas, pois fiquei praticamente sozinha envolvida na burocracia e responsabilidade legal por tudo que acontecia. O peso foi maior do que eu podia carregar. Como é difícil conseguir ajuda para crianças carentes, no Brasil! Você tem todo o incentivo para não dar certo. Nunca tivemos apoio. Paralelamente meus pais adoeceram juntos. Mas mesmo no meio desta turbulência sonhei alto. E, mais uma vez, pedindo via internet ajuda a meus conhecidos, consegui manter o compromisso de 400 reais por mês, aluguei uma casa, pintamos, e montamos de nosso grande e lindo Centro Cultural. Como quem tem boca vai a Roma, ele ficou todo equipado com 300 vídeos DVDs, 1300 livros, brinquedos, bazar, sala de aula, secretaria, toda estrutura montada para 60 crianças que chegou a comportar 200. O Professor Monteiro da FAETEC nos forneceu computadores, e graças a voluntários, tínhamos aulas de informática, capoeira, kicking box, inglês, dança, artesanato, e apoio escolar. Eu dava aula de Ecologia.
Uma coisa me indignava: 90% dos pais não vinham às reuniões e não participavam deste novo espaço para seus filhos. Desde o inicio minha intenção era dar asas para eles decolarem, sem precisar de co-piloto. Queira muito que este pontapé passasse para suas mãos, para os jovens, para suas famílias e que eles desenvolvessem suas tarefas culturais. Tava tudo lá prontinho. Não queria que dependessem de mim. Mas com a prática vi que não havendo grana, não houve interesse.
Nosso Centro já funcionava há quase um ano. Eu estava em plena crise depressiva pela perda de meus pais que partiram praticamente juntos. Precisava de me reestruturar. Não tinha muito mais a dar, no meu coração. Aquela força mágica que tive desde o início, subindo no morro, com tiroteio diário, tráfico, já não tinha mais. Quando se tem força não há limites. Não estava mais agüentando, foram 6 anos.
Fiz outra reunião, e mais outra (sempre vazia) propondo para que me substituíssem. Esperei por 4 meses alguma resposta da parte da comunidade, pois já não tinha forças para assumir a direção sozinha. Nenhum retorno. Fiquei triste com esta experiência. Ninguém quis assumir a responsabilidade de um bem para seus filhos. Entreguei a casa.
Ainda assim, atualmente, aceitamos convites para passeios culturais. Aos que quiserem convidar nossas crianças para algum evento, é só avisar-nos por email.
Veja este vídeo. É a historia do DANILO um menino q nunca havia tocado teclado antes de vir na minha casa, e tocou assim. É realmente impressionante! Está em inglês, porque eu tentei pedir ajuda pra ele no Brasil e no exterior. Nada feito, mas ele chega lá. Hoje, Danilo é formado em música na Escola de Música Villa-Lobos.


ENTREVISTA
FOTO : 2010.
SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

BRita BRazil - Dançar, cantar, atuar, tocar violão, fazer música e fotografar. Também produzo documentários.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

BRita BRazil - Na escola, desde o primeiro grau (ginásio) . Sempre gostei de ler e escrever.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

BRita BRazil - Já tenho um livro publicado virtualmente: REVOLUÇÃO.Sempre achei que poesia é para dar, não para vender. É isto que gostaria de fazer, mas acho difícil que me considerem poeta sem ter um livro publicado. Então resolvi realiza-lo. Mas ainda estou a procura de uma editora que queira publicar um livro em papel reciclado, se possível. Assim posso entrar no mercado poético sem derrubar árvores. Recentemente escrevi o monólogo poético Versos em Movimento, que estreei com sucesso no Rio Grande do Sul, no SESC durante o Congresso Brasileiro de Poesia. Gostaria de levá-lo pelo Brasil. è uma mistura de poesias e movimentos de dança, as pessoas saem leve do espetaculo. É romântico. Contato para apresentação: sosamazonia@gmail.com

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

BRita BRazil - Todos, a própria vida.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

BRita BRazil - Os poetas: Drummond e Thiago de Mello. Selmo Vasconcellos.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

BRita BRazil - Escrevam sem pensar.


POEMAS
FOTO : 2010.
MUITO PRAZER

Não sou isto, nem aquilo, nem assim, nem assado.
Não sou Márcia, não sou BRita, não sou moda, nem mulher.
Não me rotule, não me aprisione,
você vai se cansar, pra me entender.
Sou uma atriz q dança
uma bailarina q canta
uma cantora que atua.
Na verdade, só uma poeta q vive.


DISPAREI

Será o Homem contrario à Natureza?
Ele não se adequa, não se adapta, não se integra, não se entrega.
Será que somos realmente da Terra, ou viemos do espaço para destruí-la?
Claro, aí está o elo perdido: então somos nossos próprios alienígenas.
Se para pisar neste solo temos que asfaltá-lo, afastá-lo,
por cimento no chão, tampar sua respiração, calar sua pulsação.
E isto é chamam de progresso, e até de evolução!

Por que ainda hidroelétricas, se já temos a solar?
Por que cortar as árvores, para nos colocar?
Somos menos pássaros, menos cheiros, menos verde.
Somos aço, somos ferro, somos prédios juntos, grudados
somos conjugados, isolados, corredores, elevadores
somos postes, somos fios de alta tensão
somos muros, arames farpados
somos carros, somos caros
coisas fúteis, inúteis
somos lixos,
desperdícios.
Somos a conseqüência de um raciocínio ilógico.
Somos a propaganda enganosa, omissão às crianças,
vendendo à elas o dano à Terra, em seus objetos de diversão.
A Economia gasta fortunas em sonhos fantásticos, vendendo ilusão.
Cadê o projeto pro mundo?
Ele é privado, comprado, corrompido, isolado, exaurido.
Os Governos trabalham para poucos.
Somos empresas, somos números de identificação
Protocolados. Sem registro, não se é cidadão. Prisão.

Somos coisas, somos datas, somos o Homem, que ainda está por vir.
Mas pra ele existir, vai depender de uma milagrosa transformação.
E de muita ação.


VOU MORRER

Vou morrer de tristeza
de agonia,
queimada, indígena,
vou morrer no ninho
da minha floresta amazônica.

Vou morrer no morro
pobre, preta e esquecida
vou morrer no asfalto
de bala perdida
vou morrer na fila
vou morrer explodida
pelo meu celular.

Vou morrer na porta da farmácia
da Igreja
vou morrer na pedreira
tirando ouro, a vida inteira.
Vou morrer de vontade
de desgosto
de saudade
vou morrer isolada
muda, calada,
vou morrer sufocada
afogada pelas lágrimas sentidas,
vou morrer de amor.
Sou louca.
"-Mas que é isso, menina?
os loucos não falam que são!
Então sou santa
virgem imaculada.
Que nada, não sou nada
pois nem consigo doar minha paz.
Ah! sou simples, sou normal,
sinto a vida dos outros, nos outros
sou médium, aparelho,
sou espelho, que legal!
Vou morrer de morte natural
num hospital público
de vergonha,
de coração,
de compaixão.
Vou morrer em alguma cama
ufa! sou humana,
que assim seja.
Amém!


SER MÃE

Ser mãe é deixar a Natureza explodir dentro de você,
pra sair um ser.
E cuidá-lo pro mundo,
sem julgamento.
E estar por perto
a qualquer momento.


ABAIXO

A HIPOCRISIA
A PEDOFILIA
A MALDADE FRIA

O DESRESPEITO AOS DEUSES QUE CHEGARAM ANTES
AO MASSACRE À CRENÇA AMAZÔNICA
AO EXTERMÌNIO DA MITOLOGIA AFRICANA

ABOMINO A COLONIZAÇÃO
O TESOURO ROUBADO
O POVO CALADO

NÃO PRECISAMOS DE DOGMAS PARA EXISTIR.
SOMOS O QUE SE FAZEMOS,
NÃO O QUE DIZEMOS

COMO É FACIL CONQUISTAR UM POVO CARENTE.
ONDE A POLITICA ESTÁ AUSENTE
TRAIDOS PRA SEMPRE...


O AMOR

O amor não se inventa.
Ele é irrevogável,
incoerente, impermeável,
indissolúvel, inerente,
independente, intransportável,
intransferível, compactado
resumido, definido
absoluto, resolvido.
Indescritível.
Insolente, inconsolável.
Irresponsável, irreverente.
Incontrolável.
O amor é independente.
Intocável.
É só amor.

BRita BRazil

terça-feira, 27 de setembro de 2011

DIANA BALIS (GISELE S LEMOS) - ENTREVISTA Nº 347

BIOGRAFIA

Gisele Sant’ Ana Lemos, 54 anos, Psicóloga, Psicomotricista e Diretora do Grupo Conto & Cena, Professora de Música, Compositora, nasceu na cidade no Rio de Janeiro, no bairro da Lagoa Rodrigo de Freitas. Já morou em Belo Horizonte, Minas Gerais e em Trancoso,Porto Seguro, Bahia.

Gosta do mar e das montanhas.
Daí a origem do nome: Diana “A caçadora” e Bali(s) Indonésia, “mar”.
Vive na Cidade do Rio de Janeiro com pensamentos e imagens, como o vórtice da alma apaixonada. Gosta de escrever sobre a natureza das emoções humanas, sobre a solidão e o meio ambiente, na adolescência escreveu poemas e ganhou o 2o lugar no Colégio por declamar poemas. Falar da solidão do mar entre as montanhas, agitar formas entre os rochedos e as sinuosas esculturas dos corpos amantes, envolvidos em aventuras de amor.
Na fase “adultescente” mudou-se do Rio de Janeiro para Minas Gerais, e descobriu sua “mineirice”, já que é filha de pais mineiros e avô fazendeiro. Pôde entender a partir dessa mudança sua origem de vida.
Em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1985, concluiu o curso de Formação como Psicóloga, Bacharel e Licenciatura pela UFMG.
Sempre administra aulas em creche e escolas para sobreviver.
Conta histórias que inventa para as crianças e criou uma personagem de história em quadrinhos, a Maria Sorriso e O Zé do Boné, que eram desenhados em papel vegetal com nanquim e imprimidos aos seus alunos para serem apresentados como filme em slides.

Em Belo Horizonte, fez cursos de Coordenação de Grupos Operativos; Formação em Psicomotricidade Relacional; e Escola de teatro com o Diretor Pedro Paulo Cava.
Participa de eventos culturais e sociais, em todos os lugares em que vive. Gosta de ambientes urbanos e rurais.

Em Trancoso vive novo romance, vive feliz. Escreve, canta e considera a arte a expressão da visualização da sua realidade.
Na Bahia, ajudou a pesquisar os alunos que estavam fora da escola no meio rural, contribuindo para a criação da escola rural de Trancoso.
Mãe de duas (F) Ilhas, como gosta de chamá-las: Talise 24 anos e Maira 18 anos.
Sempre existem em sua vida novos amores e tristes separações.
Viver sempre, desistir jamais.
Escreve histórias, compõe suas músicas com colaboração dos músicos como Luiz Felipe Rezende, de São José dos Campos, e Carlos Revesz, do Rio de Janeiro.
Produz peças e suas trilhas sonoras, apresenta-se em Espaços culturais e sociais na cidade do Rio de Janeiro.
Começa a escrever sua primeira história “O computador na terra de gigantes” apresentada em 1997 em Espaço Cultural.
Sempre declamou poesias a públicos diversos e sempre em diferentes ambientes.
Escreve para espantar as dificuldades e a solidão. Cria... A forma de expressar-se ao amor é ao mundo. Em sentimentos, nunca teve vergonha dos seus erros, porque se dependesse de críticas, ficaria imobilizada.
Era a primeira a aprender com as suas próprias escolhas.
Atravessa sempre a Floresta da Tijuca, o que torna o cenário perfeito para suas inspirações dos atuais poemas.
Expressar sentimentos vividos... “Não sou escritora sou vivedora”
Para a quantidade de livros que vejo hoje nas livrarias,chego à conclusão de que preciso ler mais!
Vivi a vida de Simone de Beauvoir, senti a solidão de Cecília Meireles, absorvi a paixão e realismo de Gabriel Garcia Marquez e a filosofia de Jorge Luis Borges .
Os autores navegam minha mente irrequieta e, junto ao amor, declaro-me!
-Viva Casimiro de Abreu!

Leio atualmente poesias, poesias.

Vivo com poemas, como a cachoeira na nascente.
O pensamento atropela imagens da alma poética.
Brotam folhagens que caem ao vento.
Como fazer para parar de chover?
Vem, vem, e emanada à poesia que respira em mim, quero inspirar a poeira do tempo perdido sem esse ardor, e escrever ao dizer que o mundo fervilha entre os sofrimentos e os sabores.

A vida é o despetalar e também o florir.
O amor arde e ascende, e como o fogaréu da lenha queimando, às vezes é vermelho e, por outras, é azul.
Deseja ser a goteira de amor ao mundo, e que ela nunca se esgote.
Hoje se sente inteira, plena e serena.
Na linha além do horizonte, gostaria de viver o tempo de escrever, escrever, e escrever...

Como o ritmo repercutido do triângulo, agudo e suave, sinos e assuntos.
Comentar o olhar ao mundo que sorri.
E entre as formas do olhar, ao falar, vibrar com o amor gentil, como na primeira vez que abrir as pálpebras à natureza.
Escrever sobre o Amor e a solidão entre mares e montanhas.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

Diana Balis (Gisele S Lemos) - Psicóloga, Psicomotricista e Diretora do Grupo Conto & Cena, Professora de Música e Compositora.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

Diana Balis (Gisele S Lemos) - Na adolescência escrevia muito, e lia os livros de literatura exigidos na Escola. Por declamar poemas no Colégio Marista São José, ganhei o 2° Lugar em concurso. Mas comecei a escolher as leituras depois dos 25 anos com Gabriel Garcia Marquez, que me encantava com seus textos em espanhol, e após vieram: Cecília Meireles, Clarice Lispector, Simone de Beauvoir, Jorge Luis Borges, Tiago de Mello, Carlos Drumonnd de Andrade, Mario de Andrade, e os textos teatrais como “Liberdade, Liberdade”, mas hoje, estou apaixonada por Casimiro de Abreu. E claro, a poesia das músicas de Vinícius de Morais, Chico Buarque, Roberto Carlos. Letras de músicas são pura poesia.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

Diana Balis (Gisele S Lemos) - Todos os meus livros estão publicados na internet.
Escrevi o projeto da Antologia 7 Pecados ao Blogtok, Portugal. E participei como colaboradora da Antologia www.7pecados.blogtok.com com mais de 140 poetas de vários países, lançado em junho de 2009, na feira de Barcelos. A idéia era de uma Antologia virtual aberta, continuada, em ciclos. Estamos escrevendo as 7 Virtudes. E convido os poetas seus leitores, a participação no site: www.7virtudes.blogtok.com
No Rio de Janeiro, participei do Receituarium, a Agenda Poética da Editora Oficina com 54 poetas da APPERJ dezembro/ 2010.
Lancei em 2011 o livro “Signo do Amor” no Rio de Janeiro, no Espaço Música & Arte o livro é da Editora Blogtok, de Barcelos em Portugal.
Livros e os sites:
“Cometa” www.cometa.blogtok.com Livro em Áudio, lançado no Rio de Janeiro, Catete, ao vivo com 3 Bandas de Rock, em 2003;
“A Se Par Ação de Mercúrio” http://dianabalis.blogtok.com/blog/8796// em 2004;
“Verdes e Perfeitos Amores” http://dianabalis.blogtok.com/blog/9162 2008;
“Signo do Amor” www.signodoamor.blogtok.com lançado em 2011.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

Diana Balis (Gisele S Lemos) - Vivo entre a Floresta da Tijuca e a Barra da Tijuca, onde trabalho. Essa atmosfera propicia a valorização da vida. Deixo fluir a inspiração ao falar de amor e solidão, entre o Mar e as Montanhas.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

Diana Balis (Gisele S Lemos) - Além dos Escritores citados acima, João Ubaldo Ribeiro, Umberto Eo, Graciliano Ramos, Virginia Woolf, Henry Miller, Fernando Sabino, Rubens Fonseca, vejo que são tantos os bons livros e autores, preciso ler mais.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

Diana Balis (Gisele S Lemos) - A inspiração e a criação são partes de um exercício individual. Escrever, para mim é prazer e trabalho de pesquisa e correção. Um poeta e um escritor devem exercitar o ler e o reescrever seu texto, levando ao leitor, algo de inédito. Não só a escrita, mas o assunto também, por exemplo, ao falarmos de “Amor”, que é o sentimento universal, deveremos dizê-lo de forma inesperada.
Hoje sigo a Alma Safada, livre para falar das travessuras ao amor. “Alma Safada” “Quando mais me dispo da alma, maior amor ela acalenta”

POEMAS

Lacuna

Entre nós a lacuna se estende
Como a roupa no varal esticada
Suja de vermelho coral
No tempo que negligenciou e espera
O amor virou amarrotado gesto
Mas a vida é passagem
E quem viveu, teve histórias a contar.

Diana Balis em dias sombrios. Rio de Janeiro, 24 de outubro de 2010.

***

Diana Balis responde a Vinícius de Moraes

Soneto Acordado
Diana Balis

Amor rendido convida intumescido
O desejo que refrega indecente
O sol na rua tarde abstinente
Cavalga as vestes de luz, adormecido.

O homem clareia a estrela
E penetra no alagado amor
O desapego contrário à morte, rege “vivedor”.

RJ,6 de abril de 2011.

(- São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes _)

***

Amor Paisagem

As mãos encaixadas caminham na orla da praia
Os peixes foram esculpidos aos pés descalços
Entre os cabelos o sol brilha exposto.
Nas marcas da sedução as flores são de árvores.
Os beijos ao sabor da água de coco
É doce o frescor do abraço suave.
Há carícias na tarde com o homem sereno.
O poente expia o ardente desejo de voltar a amar.

Diana Balis, Rio de Janeiro, 3 de maio de 2011.

Insistir

Olhar a paisagem repetida
Reflexo da imagem já passada
A vida segue córregos do abandono
O tempo é névoa no outono

Velejo a sorridente cilada
Correr na encruzilhada
O amor dormiu para sempre no desvelo
Velo calada a sorte do desmazelo

Viver é compartilhar a festa
O festim é oculto desterro
As lágrimas serão de Nossa Senhora.

Diana Balis, Rio de Janeiro, 9 de abril de 2011.

Alma Safada XXIV

Sorrindo pela madrugada
Fizeste da fanfarra a rebeldia
Acordei transformada em farsante alegoria.

Diana Balis, Rio de Janeiro, 7 de março de 2011.

Velho Chico

Velho Chico, que saudades!
Navega o coração com sintonia
No destino as voracidades
Desfila correntezas em fios de sincronia
Dia e noite estrelada
Avançada a mata adentrada.
Aguardo as aparições de noivo guerreiro
Entre os sulcos do namoradeiro
O Chico cede passagem à transpiração
Marcou o compasso da solidão.

Diana Balis, Rio de Janeiro, 4 de junho de 2011.

domingo, 25 de setembro de 2011

CÁRMEN NEVES - ENTREVISTA Nº 346

BIOGRAFIA

Nasceu em Porto Alegre – RS, em 05 de abril de 1966. Residi em Criciúma – SC
Ama sua família, Deus e a natureza! Adora a vida e os seus amigos! Gosta de: pintar (tela), bordar (ponto cruz), fazer macramê, viajar, dançar, conversar, ler e de escrever.
Não gosta das guerras, da maldade e dos atos que diminuem o espírito.
Atualmente, escreve o terceiro livro da série infantil e um romance.

Participações em eventos literários: Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Academia Brasileira de Letras - RJ, Feiras do Livro de Porto Alegre - RS, de Gramado - RS, de Gravataí - RS, de Criciúma - SC e Café Concerto da Fundação Cultural de Criciúma - SC. E, participações em antologias e sites literários. Membro da Academia Virtual Brasileira de Letras – cadeira 263. E, graduada em Gestão de Recursos Humanos.

Contatos:
Site: www.carmenneves.prosaeverso.net
Blog: http://fadassaposebruxas.blogpost.com
E-mail: carmen.neves@yahoo.com.br

http://fadassaposebruxas.blogpost.com
http://soparadizerquetenhoumblog.blogspot.com/
http://www.avbl.com.br/website/c.htm
www.recantodasletras.com.br
www.artistasgauchos.com.br
http://literaturaperiferica.ning.com

Frases preferidas:
"Não ganhei todas as vezes que lutei.Mas perdi todas as vezes que deixei de lutar"( Mário Quintana)

"Se você julga as pessoas, não tem tempo para amá-las" ( Madre Teresa de Calcutá)

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe"( Oscar Wilde)

"A distância de um sonho torna-se mais curta, quando você acredita que pode realizá-lo" (Alexandre Tadeu da Costa - Cacau Show)

ENTREVISTA

Cármen Neves – Como vai, Selmo! Antes de responder tuas perguntas, quero dizer que, adorei o convite!Agradeço a lembrança. Será um imenso prazer, responderei a cada uma delas.

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

CÁRMEN NEVES - Dona de casa, integrante do grupo de liturgia do bairro onde moro, empregada de uma carbonífera de carvão e voluntaria em escolas, incentivando a leitura e a escrita. Nas horas vagas faço: macramê, tricô, crochê e bordo ponto cruz, além de fazer pulseiras em tear. Adoro trabalhos manuais!

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

CÁRMEN NEVES - Escrever, sempre me fez bem. Lembro-me que a primeira palavra que escrevi foi AMOR, isso aos cinco anos de idade, e que foi minha mãe quem me ensinou. Aos 33, tinha escrito mais de trezentos poemas que somente eu conhecia( estavam guardados em agendas). Nessa época, uma amiga precisou de um poema para enviar ao seu namorado. Li alguns dos meus e ela com os olhos brilhando, exclamou:
– Cármen, edita um livro!– Quero comprá-lo.
Levei um susto e respondi:
– Não sou escritora. (achava que editar um livro era privilégio apenas dos grandes escritores – hoje, sei e afirmo que, qualquer pessoa que acredita em seus sonhos e tem a verdadeira vontade de editar um livro, PODE E DEVE mesmo de forma independente).
Ela e as demais amigas, ao longo de alguns meses insistiram nessa ideia. Percebi que todas diziam o mesmo após eu declamar um dos meus poemas (escolhi um para “testar” a receptividade do meu ciclo de amizades). Vi o brilho nos olhos das mesmas e escutei o pedido para que eu declamasse mais um, mais um...e mais um.( se não gostassem não fariam esse pedido, não é?!(rs) Deve ser por gostarem dos poemas que, até hoje, 10 anos após sua primeira edição, os leitores através do meu site, esperam a 2ª edição do Pensando em ti).Com essa aprovação e o compromisso de todas comprarem meu livro, lancei aos 34 anos, meu primeiro livro, Pensando em ti em novembro de 2000, na Feira do Livro de Porto Alegre RS.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

CÁRMEN NEVES – Publicados tenho apenas quatro livros. Mas, escrevi mais três (ainda inéditos) e atualmente escrevo dois: um infantil e um romance.
Meus filhos literários ( sim, para mim são como filhos, amo todos por igual) são:
Pensando em ti – 2000 poemas que libertam a libido – edição esgotada;
A Magia do Farol – 2002 – romance ambientalista – edição esgotada;
Castelo dos Desejos – 2008 - romance onde o protagonista é um dos descentes de Drácula e, que escreve poemas para sua amada – edição esgotada e O Sapo, a Bruxa e a corrente do Bem – 2010 – Em breve 2ª edição. Uma história que resgata valores, voltada ao meio ambiente, com cenas engraçadas e com uma pitada de magia(!).

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

CÁRMEN NEVES – Eu adoro escrever! Sinto-me gratificada e realizada quando crio versos, textos e histórias. Escrever para mim é como respirar. Não imagino os meus dias, sem a companhia da escrita.
A natureza linda e perfeita que Deus criou é inspiração o suficiente para que, eu possa me inspirar e transformar versos em poesia.
Mas, a felicidade e até mesmo a tristeza proporcionam atmosferas capazes de produzir em mim, assim como a natureza, grande fonte de inspiração (tenho alguns poemas que gosto e até foram elogiados, nascidos de momentos tristes). Todos nós, em algum dia, já lemos um lindo poema em que o autor(a) trazia tristeza no coração e que não fez desse poema mais belo.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

CÁRMEN NEVES – Margarida Reimão, Dalva Agne Lynch, Leatrice Moellmann, Rita da Cássia A. Amorim, Patrícia Marinzeck Braghini, Forbela Espanca, Cora Coralina, J.K.Rolin, Roberto Pereira, Mário Quintana e Chico Xavier.


SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

CÁRMEN NEVES - Jamais permita que alguém, roube teus sonhos. Sonhar é viver!
As dificuldades surgirão, sejam elas de ordem afetiva...ou de ordem literária.
Editar um livro, mesmo de forma independente não é tarefa fácil, porém, vale à pena - Muito, muito mesmo!È gratificante demais, e não tem preço que pague o contato com os leitores. Sinto-me viva quando acontecem esses encontros. Saberás o que estou dizendo ao editar um livro (espero ser convidada para o lançamento).
As dificuldades existem para colocar em prova os teus desejos e, o meu desejo é que, os teus sonhos e metas sejam maiores, imensamente maiores do que, quaisquer dificuldades.
Aprenda a tirar forças e proveito dessas dificuldades, só assim encontrarás força o suficiente para seguir nessa maravilhosa e gratificante estrada – da literatura!
Ser um poeta não editado, não significa que não és um poeta (poeta nasce poeta). Porém, um poeta editado, mesmo de forma independente ( sou autora independente, não por opção), fará com que seus versos alcançarão corações e almas que, em algum lugar do mundo( sim do mundo! Meus livros chegaram em países que jamais imaginei que chegassem), precisavam ler justo o que escreveste. Por isso e muito mais, digo:
– Acredita em ti. Acredita na tua escrita. Acredita nos teus livros( se editares um, os demais virão(!).
Não dê ouvidos aos pessimistas, mesmo que eles morem dentro da tua casa.
Amigos são anjos que Deus colocou no nosso caminho. E nessa estrada literária, encontrará muitos anjos. Tenho certeza!
Sucesso a todos nós!

E parabéns ao Selmo Vasconcellos pela iniciativa de divulgar a literatura.
Foi um prazer participar dessa entrevista.
Com carinho,
Cármen Neves.

POEMAS


Não fujas!Espera mais um pouco
Cármen Neves.

Não fujas!
Espera mais um pouco.
Deixa-me mostrar a beleza
Do céu, do mar, da lua e das estrelas.

Não tenhas medo de mim.
Sou frágil como a flor
Inocente como uma criança.
O meu espírito é que é velho,
Sofreu séculos por amor.
E, por sofrer, não sabe magoar
Não sabe mentir
Não sabe ferir...

Não fujas!
Espera mais um pouco.


Pensando em ti
Cármen Neves.

Os momentos bons, são para serem lembrados sempre!
Então, respira fundo e lembra-te da manhã, tarde ou noite que está guardada ao lado das palavras tesão, desejo, excitação.
Lembra-te de como ela estava vestida ou despida.
Se havia música ou se, simplesmente, não ouviram.
Se chovia ou se o céu estava limpo.
Se ela dominava-te ou era dominada.
Se seus gemidos eram altos ou baixos.
Se ela contentou-se apenas com uma vez ou mais.
Se seus corpos doíam com tanta força física ou se deliciavam com as carícias suaves e ousadas.
Se foi na cama, no banheiro, no chão ou se ela estava encostada na parede, com a saia levantada e tu mordias seu pescoço.
Não importa o cenário, nem de que jeito foi.
O que importa é que até hoje, cada vez que essa lembrança surge em tua mente, teu corpo sente percorrer uma energia de puro êxtase.


Futebol, amor e poesia!
Cármen Neves.

Nosso amor não é como um jogo de futebol, onde a meta é fazer o gol.
Nele a trave pode e deve ser acariciada pela bola.
A regra é ter apenas dois jogadores – Nós dois! Nada de disputas por um, ou mais times.
Mas, vale uma bela e fiel torcida.

Nosso treino é praticado em campo fechado e sem imprensa. E, sem troca de camisa, após a partida.
Sabes por quê?! Porque elas ficam a nossa espera ao lado do campo, bem quietinhas, na grama.


Nós!
Cármen Neves.

Em cada momento meu
Encontro um momento teu
Repleto de sonhos...

Em cada esquina nua
Encontro em tua rua – nossas loucuras de amor!


Olhei-te com o verde da esperança
Cármen Neves

Sei,
Teus sentimentos mudaram - acalmaram.
Nem precisavas dizer nada.
Sinto em cada palavra pronunciada,
Que mudaram mesmo, infelizmente.

Perguntei se essa mudança era boa, ou ruim.
Respondeste: - “Nem boa, nem ruim”.
Sendo assim, é pior do que eu pensava...
Que pena!

E eu, que te amei tanto – ainda te amo a cada dia!
Resta-me apenas o pranto
Banhado de desilusão.

Queria que enxergasse minhas lágrimas rolando
Não para ter pena
E sim para saber o que acontece quando se alimenta esperança junto à pessoa amada e a desilusão é maior - mil vezes maior.

Sinto,
Que o encanto foi quebrado
E que, agora calado
Almejas outra (não lancei nenhum encanto sobre ti, apenas te deixei fazer parte de minha vida).
Entreguei-te o que de mais belo há em mim – meu coração!
Não quiseste.
Olhei-te com o verde da esperança.
Mas descobri que, ainda procuras a cor da escuridão.
Que pena!

Então,
Se não me amas;
Se não me queres;
Se não vivo mais nos teus pensamentos;
Se não me deixas te fazer feliz;
Se não queres meus carinhos;
Se não queres mais saber dos meus dias;
Se não sou a mulher dos teus sonhos;
Se...
Se...
Se...

Melhor sair de cena,
Junto com aqueles poemas (aqueles que dedicaste a mim!)
Antes que a peça termine
E o público, não peça “bis”.
Que pena!
Q u e p e n a!

*Baseada em amores acabados e na música que diz o seguinte:

“ ...Não, não deixes terminar,
O amor que ainda está,
Está pra começar...”

sábado, 24 de setembro de 2011

CLEVANE PESSOA - ENTREVISTA Nº 345

PEQUENA BIOGRAFIA

Membro da REBRA_Rede Brasileira de Escritoras.
Representante do Movimento Cultural aBrace-Brasil;Uruguai
Vice Presidente do Instituto de Imersão Latina-IMEL.
Embaixadora Universal da Paz -Cercle de Ambassadeurs Univ.de la Paix-Genebra, Suiça,
Consultora de Cultura da Associação Mineira de Imprensa-AMI.
Membro da Rede Catitu de Cultura; do virArte, da ONE, da SPVA/RN, da CAPORI, da APPERJ,e do PEN Clube de Itapira.
Colaboradora da ONG Alô Vida. .
Membro Honorário de Mulheres Emergentes
Divulgadora e Pesquisadora do MUNAP_Museu Nacional da Poesia
Dama da Sereníssima Ordem da Lyra de Bronze
Acadêmica da AFEMIL-Academia Feminina de Letras; da ALB/Mariana;
Acadêmica Correspondente da ADL, ANELCARTES, ATRN, AIL, ALTO, da Academia Pre-andina de Artes, Cultura Y Heráldica; Academia Menotti del Picchia

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

CLEVANE PESSOA - Bem, desenho e pinto, estudei na Sociedade de Belas Artes Antonio Parreiras, com seu Presidente da época, Clério, o Pimpinela.Escrevo e publico aqui e ali-trabalhei em jornal nos Anos de Chumbo, em Juiz de Fora,agora, reviso livros, sou jurada em concursos literários, ilustro, trabalhei no Serviço Público Federal (ex-INAMPS, / Ministério da Saúde ), em postos e hospitais , na qualidade de Psicóloga Clínica, mas já estou aposentada. Gosto da área social, sempre desenvolvo um ou outro projeto, dou treinamentos em várias áreas, faço oficinas, ministro palestras e conferências. Atualmente, sou Conselheira Editorial da Rede Catitu Cultural, represento a Rede Brasileira de Escritoras (REBRA), o Movimento Cultural aBrace (Brasil / Uruguai) e, paralelamente, vários outros cargos na área sócio- cultural . Também escrevo para revistas científicas.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

CLEVANE PESSOA - Bem, escrevo e desenho desde pequena. Meus pais moravam na Fronteira com a Colômbia , em Japúrá, e mamãe, “à falta do que fazer” –apesar de eu ter uma irmãzinha de um ano e ela estar grávida de meu primeiro irmão homem, brincava de me alfabetizar.Então, aos três, eu lia e escrevia.Copiava em cadernos, poemas e as letras de música que mamãe e papai gostavam de cantar .Fui e sou leitora voraz .O pai de mamãe era jornalista e poeta e ela, declamadora, então cresci com Poesia. Na escola, sempre tinha redações destacadas, colocadas em livros de ouro ou árvores de pátio e fui redatora chefe do jornal Voz das Mil antes dos dezessete anos. Tive uma resenha publicada na Revista da Previdência (das freiras da mesma Ordem) , à mesma ocasião, e antes, já publicava aqui e ali, poemas ou crônicas.Quando concluí o Curso Normal, lecionava para crianças (primeira série) e para sargentos (desenho geométrico, no antigo “Ginásio) e sempre introduzi a leitura para meus alunos de uma ou outra forma.Por essa ocasião, a Rádio Industrial de Juiz de Fora lançou um concurso de crônica pelo Programa Contraponto .Eram três temas, concorri nos três , fugi ao óbvio e acabei faturando um primeiro lugar, quando recebi o Troféu Dormevilly Nóbrega, nos Anos 60. Na casa dos vinte, fui presidente da UBT de Juiz de Fora, a convite do próprio Luiz Otávio – O “Príncipe dos Trovadores” - que foi à casa de meus pais pedir-lhes autorização para tal,mesmo eu já trabalhando na Gazeta Comercial, onde mantinha uma coluna diária “Clevane Comenta” e a página domingueira Carrossel, que rebatizei Ribalta Lítero-Artítica, depois chamada Gente Letras e Artes, essa em parceria com o jornalista e poeta Messias da Rocha, com quem depois casei-me em primeiras núpcias e é pai de meu filho, desenhista e músico Allez Pessoa, da Banda Tancredos.
Além da poesia intrioduzida em casa, devo a minha mamãe meu gosto por ser contista, pois ela narrava-me, além das histórias de Trancoso, de fadas e folclóricas, a própria versão, para minha idade de todos os filmes que ela e papai, cinéfilos, assistiam.Também recontava-me, sem que eu me cansasse, toda a história familiar.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

CLEVANE PESSOA - Publicados, por ora, dez, em papel e vinte e-books

1-Sombras feita de Luz;Editora Plurartes-BH
2-Asas de Água; Editora Plurartes-BH
3-Mulheres de Sal, Água e Afins;-Editora Urbana(RJ)?Libergráfica(BH)
4-Partes de Mim;Edições Haruko
5-A Indiazinha e o Natal; Ed.Haruko
6-Erotíssima; Edit.Catitu/Halt
7-O Sono das Fadas( Edit.Catitu Halt)
8-Olhares, teares , saberes-Edit.Popular-S.Luiz-MA
9-Centaura-Edit.Pragmatha.
10-Lírios sem Delírios (Edit.Abrace, a ser lançado em 2011, nos III Juegos Florales do aBarce, em Montevidéu)

Co-autoria:

Capítuos de sexualidade e Homossexualidade no compêndio “Adolescência-Aspectos Clínicos e Psicossociais(Org:Drs Maria da Conceição de Oliveira Costa e Ronald Pagnocelli de Souza)-Edit.ArteMed-RJ

E-books:

Partes de Mim; Pássaros de Papel em Nuvens de Algodão (em parceria com J.G.Neres) ;Nas Velas do Tempo(Memórias de Uma repórter na Ditadura) ;O fenômeno Literário Wilmar Silva; Novos Olhos, Velhos Olhos; A Estriga; O Sono das Fadas; Orvalho (haikais);Trovas, pequenas Notaveis; História de Um Negrinho;Mix de Haikais e Poetrix; Estrelário de Borboletas ; Borboletário de Estrelas;Com Olhos de Passarinho;Sementes de Maracujá e Romã;caminhares de Francesco; Os Anjos de Milinha;O Anjinho da Árvore;Pana-pana-Chuva de Borboletas;

Editados pelo selo Catitu (Marco Llobus):O Sono das fadas; Erotissima

Antologia coordenada por mim:Amar, Amamentar (trovas sobre amamentação para o ENAM/Porto Alegre-Baçan-

Antologias>Participo de mais de uma centena, por premiação, a convite, ou por cooperativismo.

Endereços para down load grátis:

Clevane Pessoa - Ebooks - AVBL
www.ebooks.avbl.com.br/biblioteca1/clevanepessoa.htm

Editados por Lourivaldo Perez Baçan:

http://www.viladasartes.org/bv/clevane/clevane.htm

http://poesiaemtodaparte.blogspot.com/2010/03/e-books-para-down-load-gratis-clevane.html

Alguns de meus quinze blogs:

http://hana-haruko.blogspot.com

http://poesiaemtodaparte.blogspot.com/2010/03/e-books-para-down-load-gratis-clevane.html

http://erotissima.blogspot.com

http://filhotesdeborboleta.blogspot.com

http://trovaspequenasnotaveis.blogspot.coms

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

CLEVANE PESSOA - Interessante pergunta.Assim quais nascem as flores do campo, sem esforço, as orquídeas em estufas, as florescências híbridas, as flores do lodo, quais o lótus, símbolo espiritual indiano, as rosas selvagens e as cultivadas, as violetas cheirosas sob folhas e as africanas exuberantes, de todas as cores, sem cheiro algum , os lírios perfumadíssimos, os copos de leite, as sensuais favas de baunilha, os jasmins-dos-poetas, os jasmins-manga, os jasmins-da-noite e outras tantas modalidades, a Poesia nasce por mil motivos, pessoais, sociais ou coletivos, religiosos ou passionais.Qualquer impacto- do fremir das asas de uma borboleta ao tatalar dos bem-te-vi, de uma tragédia, qual um tsunami, uma enchente, uma seca, de um milagre, de um sonho – pode produzir Poesia. Para mim, acordo e vou deitar-me produzindo Poemas , anoto, espero, ultimo.Essa atmosfera “Há poesia no ar”, nasce de nossa sensibilidade humana, de nosso imaginário tão rico, da alegria e do sofrimento, do amor e do ódio, da guerra e da paz.Tudo é motivação- e ela “é a mola mestra que rege a humanidade”, conforme aprendi e apreendi muito bem na faculdade de Psicologia.Em suma:todos os impactos propiciam atmosfera capaz de produzir poesia, embora a lírica nasça de sentimentos mais suaves ou de paixões traduzíveis em versos.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

CLEVANE PESSOA - São muitos, mas tenho uns prediletos, claro. Mas são muitos gêneros, o que dificulta a triagem para essa lista.E vou limitar-me muito. Então, cito apenas Poesia e Prosa Poética: Pablo Neruda( Chile) , Fernando Pessoa(Portugal) , em qualquer heterônomo; Lindolf Bell (SC) Mário Quintana ; Thiago de Mello; Ferreira Goulart, João Cabral de Mello Netto, Carlos Drummond de Andrade; Odylo Costa, filho;Murilo Mendes; Affonso Romano de santanna e T), Terezinka Pereira (EUA ). Dos menos conhecidos a nível nacional e contemporâneos: Kiko Consulin (MA), Marco Llobus(MG), Ricardo Evangelista(MG), João Evangelista(MG), Cláudio Márcio Barbosa (MG) Ângela Togeiro (MG), Sergio Geronimo e Flávio Dórea, Olga Savari, e uma centena mais, mas devo parar, para não esquecer alguém importante ou fazer crescer demais essa lista.Há um boom de bons poetas hoje.E de péssimos ou não poetas que se dizem ser.Quem não foi citado e conhece-me, coloque-se nos cem restantes, pois certamente, já lhes disse o quanto amo sua POIESIS. Sempre elogio um poeta quando o seu texto me emociona.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

CLEVANE PESSOA - Leia sempre e muito, conheça seu idioma, mas leia de forma não linear, crie seus próprios neologismos ; exerça seu estilo com clareza, seja sempre autêntico: não plagie e estará roubando a si mesmo o grande prazer da criatividade exercida literariamente.

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
hana.haruko1@gmail.com

POEMAS

O Chão de Nossa Terra

(Primeiro lugar no Festival de Inverno de Ouro Preto/Mariana-2009)

Guardasse o Tempo o número dos passos
de todas as pessoas que passaram sobre “o chão de nossa terra”
nos mais diferentes e tocantes compassos,
esse número atingiria ou ultrapassariam
das sementes das flores ,das frutas e das árvores
o das estrelas no firmamento?
Antes, os passos descalços dos indígenas,
depois os das criaturas mais pobres-e a dos negros escravizados,
acostumados às longas passadas em suas terras africanas...
As botas, botinas, dos mais abastados,
Os que passaram em procissão e cantorias por imagens santificadas,
Os embriagados, os pândegos, a estudantada e seus Mestres,padres e beatas,
poetas amigos das noites enluaradas e, mas também da escuridão...
Lágrimas nos enterros, dos que ficaram saudosos,
Suores dos trabalhos de fazer calçamentos com pedras,
dos vendedores, dos carregadores de liteiras,
trotes e marchas várias de cavalos com seus cavaleiros
ou daminhas, em selins especiais...
Sangue de forçados, prisioneiros, chicoteados,assassinados,
de joelhos em carne viva,por devoção ou castigo...
Soldados ao voltarem das guerras insensatas,
inconfidentes, magistrados,idosas senhoras em suas cadeirinhas,
jovens e criancinhas a subir e descer ladeiras.
Depois, as rodas das carroças e carruagens, substituídas por pneus,
desfiles e danças , turistas, automóveis e caminhões...
Peso demais para "o chão de minha terra",
onde os bardos e os artistas enxergam claros desenhos de dores e flores,
sinais, brados, denúncias, canções,pedidos, soluços de amor e de saudade,
dessa história maior e mais cheia de detalhes
que as histórias da História nos livros reveladas..."


Haikais de Haruko (*)

Sol em Esplendor:
Ouro cobre uma terra seca
Inútil beleza ...

<<**>>

Destruidora Chuva ... Chiva ...
-na terra, VORAZES Bocas,
bebem, armazenam.

<<**>>

Neve em muitos xales
abaixo do zero, graus
registram-artistas.

<<**>>

Plenilúneo-mel
derrama-se sobre a Terra.
Poetas-Acordem!

<<**>>

Artista Invisível
colore uma floração
-eclode primavera ...

<<**>>

No ar, frutas maduras
perfumam o novo outono
Abelhas celebram.

<<**>>

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
Haruko: Primavera em japonês, heterônomo com o qual assino meus haicais.


Um dia a montanha foi mar...

Os dedos do poeta que escreveram versos
em corpos marcados de poeira e amoras,
compensados pelo cheiro impossível dos impedimentos.
Molharam-se na maresia das praias desertas e jamais dantes
percorridas pelos os róseos pés aquecidos ao sol intenso...
Criaram ,com as suaves unhas, hieróglofos em forma de cunhas
para que quando as asas do tempo trouxessem viajantes do futuro,
e então aquele amor estranho e intenso de amantes
fornecesse matéria abstrata para o código abstrato,
os estudiosos se perguntassem se era plausível, possível,concebível,
que se amasse tanto assim, através dos dedos da alma,dos dedos das mãos
já antigas quando tudo começou e deixou signos e signais...

Mar, não existe nehum mar agora,e apenas atrevidas, erguem-se as montanhas,
as montanhas fartas ,verdes e sensuais das Minas Gerais,
que escondem nos seios e nas ancas , nos ventres misteriosos e grávidos,
tais segredos ancestrais...

E eu, que ao ler os versos do poeta, passo os lábios e encomprido os olhos sensuais,
quero ouvir sua voz, e pensar que foram escritos para mim, esses poemas embalsamados:
juro que têm gosto de sal e de algas, de sol e de estrelas -do -mar,
gostos de praias e peixes , os mesmos cheiros e sabores que ,por atavismo ,teimosos,
guardam-se na concha resguardada entre minhas pernas bambas,
a aguardar, séculos após, que desenhes novas letras e rimas no meu corpo
e que com tua língua antiga e sábia, o sal e o calor lambas,
em busca da pérola nacarada que resgatarás da leve espuma
para o prazer sutil e absoluto,para a riqueza acumulada em tempo de espera...

Na montanha , houve mar,em priscas eras, onde amaste outras mulheres
mas quem se guardou inteira para o equinócio da primavera
e preservou rosas esverdeadas e cheias de ondas, salgadas e perfumadas
fui eu, para teu gozo, musa de teu sonho, de tua luxúria, de tua im/paciência...

Por isso, leio tua Poesia magistral e catártica,plena de códigos
para mulheres de outrora
e acredito, entre ingênua e buliçosa,
que escreveste ,mesmo sem saber, todos os códigos da rosa,
para que eu a lesse e entendesse, decodificasse e respondesse, um dia...


ENCOSTA-TE A MIM

Venho de tempos idos e viajo para tempos novos.
Desço a encosta do desejo,
baqueada de sol quente, mas
inebriada pela luz de mel.
Suada,
exalo o cheiro aéreo das borboletas
que visitaram cravos.
Ah, voejei até mesmo em densas florestas
além do nosso jardim
-enquanto, guerreiro do cetro mágico,
guerreavas numa peleja
inútil e convencional, sem mim.
Eu,que agora vou ao teu encontro, para amparar-te,
sarar tuas feridas com minha seiva mágica.
Feiticeira, banhei-me
em pétalas de lírios, cravos e rosas
e minha pele inteira
tornou-se a tua cura.

Encosta-te a mim,
serei o totem onde os signais e os signos
revelarão as fórmulas da doce embriaguez amoROSA.
Mulher, ofereço-te meu graal.
Dentro de mim, alastra-se um fogo eternal,
no alabastro do corpo,mas a pele é morna.
Se tens fome,oferço-te a Poesia
de minha alma em pomar,
que alimenta
com maná e ambrosia.
Se tens sede,dar-te-ei meu leite.
minha saliva,meus humores.
Degusta-me.
Se queres dormir, transformarei
meus braços em rede.
Cantarei uma berceuse
inventada na hora da neblina.

Encosto-me a ti, quando te encostas a mim.
e juntos, seremos uma estela pela PAZ,
uma estrela a mais,
um círio na janela ,
chama votiva a tentar iluminar a harmonia
e simbolizar a quase impossível, mas real
perenidade dessa paixão
que não se acaba, que não desaba,
porque estamos um ao outro encostados
na encosta do desejo, apoiados
pelas costas um do outro.

Degusta-me e te ensinarei
a eternidade dos deuses...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes,12/01/2008
Fonte: http://erotissima.blogspot.com/


Minha Casa Sobre a Rocha

Minha casa sobre a rocha,
limpa, clara e ensolarada,
tem no entorno o azul e o branco
e com nuvens teço esculturas
de sonhos e de Paz.
Pássaros são os músicos
e o vento é o maestro
de orquestra singular.
O vento serve à Arte e à Poesia
e faz dançar as estrelas
e as galharias,as pétalas das flores ,
espalha sementes
para o templo das florestas
para o tempo das fortalezas.

Nada pode derrubar
minha casa sobre a rocha;
nem inveja ,nem maldade,
tiranias ou futilidades.
As guerras a desconhecem,
mas o Senhor do Verbo,
Criador do velho mundo,
bem sabe seu endereço.
De vez em quando, bate à porta.
para um dedo de prosa,
ou para assistir à dança das fadas,
das borboletas e libélulas,
ou batizar uma rosa.
Quando ele avisa,
mantenho a penumbra,
vestida de branco,
e medito à Sua espera.
Gosto muito quando chega
e o Espírito Santo,vem com ele,
sob a forma da pomba alva,
ilumina a sala,e rufla de leve as asas.
Meu jasmineiro-dos -poetas
então, exala tanto perfume,
que flutuo em êxtase.

Minha casa sobre a rocha
é fortaleza indevassável,
pois sua planta é plena de prudência,
e também é a casa do perdão,
da ternura,da solidariedade,
da poesia e do amor,
da arte e da fantasia
-tão preciosa e tão mera,
a casa indevassável,
onde mora a primavera
que floresce o ano inteiro
sob o céu da alegria...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes
( in A PAZ É MEU BEM MAIOR)
Embaixadora Universal da Paz, pelo Cercle de Les Embassadeurs de la Paix(Genebra, Suiça)
Belo Horizonte, 09/03/2008
Minas Gerais,Brasil
Fonte: http://poesiaemtodaparte.blogspot.com/2009/07/minha-casa-sobre-rocha-clevane-pessoa.html

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

RENATA BOMFIM - ENTREVISTA Nº 344

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

RENATA BOMFIM - Sou colaboradora na AMAES (Associação dos Amigos dos Animais do Espírito Santo), e trabalho, desde 2008, no Mosteiro Zen Morro da Vargem (www.mosteirozen.com.br) como consultora no Programa Zenzinho e desenvolvendo vivências socioambientais junto a grupos empresariais, e no programa COMPAZ, que faz parte da grade de formação da polícia militar do ES. Atualmente dedico-me a escrita da minha tese de doutorado em letras pela UFES, cujo título é Resistência, erotismo e mito nas poéticas de Rubén Darío e Florbela Espanca. Ocupo a cadeira de nº 16 na Academia Feminina Espírito-Santense de Letras, o que demanda envolvimento em projetos relacionados à literatura. Sou atleta corredora nas horas vagas e quando vou para meu ateliê em uma reserva ambiental que mantenho em Marechal Floriano (região serrana do ES) dedico-me a produção de mosaicos. Não posso esquecer de mencionar que sou dona de casa, dedico-me com carinho ao meu lar onde vivo com meu esposo (Luiz) e meus animais de estimação (Elvis, Elvis Júnior, Abelardinho, Dedo, Leléia, Joanainha e Evita).

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

RENATA BOMFIM - A literatura sempre fez parte da minha vida, sempre gostei muito de ler e já escrevia poemas na adolescência, mas, tinha vergonha de mostrá-los a outras pessoas, a maioria destes poemas eu queimei com medo de que alguém lesse. O amor pela história da arte me levou ao curso de Artes plásticas da UFES, onde enveredei pelos caminhos do mosaico e da saúde mental, mais especificamente trabalhando na clínica da esquizofrenia. Em 2003, passei a trabalhar em consultório particular ministrando oficinas terapêuticas, nas quais eu já utilizava a poesia como ferramenta de expressão, levando meus clientes à produção de pinturas, mosaicos, modelagens, etc. e, posteriormente, a verbalização e escrita do significado destas produções. Em 2007 ingressei no mestrado de Letras da UFES onde desenvolvi a dissertação intitulada Vozes femininas: a polifonia arquetípica em Florbela Espanca, foi em 2007 que voltei a escrever poemas, dessa vez meu desejo era mostrá-los, livres da fogueira, meus escritos passaram a dar forma a corpus e em 2010 eu publiquei minha primeira obra poética, intitulada Mina, ainda com um pouco de vergonha, mas dessa vez, menos. Desde 2007 eu mantenho um blog literário chamado Letra e fel (www.letraefel.com) que me motiva muito a escrita.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

RENATA BOMFIM - Em 2010 publiquei o livro de poemas Mina e em 2011 o Arcano Dezenove. Encontram-se no prelo a minha pesquisa de mestrado e um livro de poemas que intitulei Bestiário poético, com previsão para ser lançado em maio de 2012.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s)
capaz(es) de produzir poesia ?


RENATA BOMFIM - Costumo dizer que tudo, absolutamente tudo, é adubo para a terra da poesia. Concordo com o lingüista Mikhail Bakhtin quando ele fala que o poeta é uma voz entre outras vozes no coro lírico, trabalhei bem esse tema na minha dissertação de mestrado. Dessa forma, o eu lírico da Renata pode cantar livre e sossegado. As vivências do poeta são importantes no processo de construção da poesia, mas estas não têm nenhuma obrigação com a realidade objetiva, dessa o poeta pode transforma até mesmo fatos reais em pura ficção.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

RENATA BOMFIM - Florbela Espanca é meu sintoma, pois eu leio os seus poemas desde os quinze anos de idade, pesquiso sua obra desde 2007, inclusive integrando um grupo de pesquisa do CNPq que reúne pesquisadores da obra poética florbeliana de universidades brasileiras e estrangeiras. Tenho lido muito a obra do poeta Rubén Darío em função do doutorado, mas confesso que o “bardo” me fascina. Adoro ler Hilda Hilst, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Silvia Plath. Sou fã número um de Charles Baudelaire, leio Maria Lúcia Dal Farra, Ester Abreu Vieira de Oliveira, entre outros poetas. Leio, também, com muito prazer e facilidade, critica literária: Barthes, Bakhtin, Spivak, Hall, Paz, Retamar, entre outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

RENATA BOMFIM - Leia muita, muita, muita poesia, seja muito, muito, muito persistente (lembre-se que a crítica, seja ela construtiva ou negativa, é sempre positiva, pois é uma consultoria gratuita) e acredite sempre, sempre, sempre na sua escrita.

POEMAS

Gato

O que te anima a essência?
Que motivação divina te fez assim:
graça, beleza, astúcia e coragem?
Quais valores te norteiam:
amor, paciência, amizade?
O que faz com que, num átimo,
o tempo pare, e teu salto seja
perfeito, preciso?
És um mistério
Os outros não enxergam
tuas nuances e sombras,
para eles te resumes a linhas duras,
para mim és perfeito,
és π.


Exílio

No Mar da indiferença,
Ao exílio condenada,
Sou Capitã de esperanças.
A minha pena navega,
A minha alma vaga.

No Oceano povoado,
Por letras, acentos e velas,
Busco a folha em branco.
Terra firme onde a palavra,
Insurrecta e livre, prospera.


Memórias do corpo

Todo corpo tem memória
guarda lembranças das dores,
prazeres, fracassos, glórias.
Todo corpo tem, também,
Deus e o Diabo, dentro.

Viva o corpo
Corpo vivo
Viva sim, que a Morte vem!

Cada parte do corpo
inventa para si um viver:
algumas mãos escolhem cavar
em busca de ouro
outras em busca de ossos.

Pés decidem tornar-se um com a estrada
já outros, criam raízes
chegando a conhecer águas profundas.

Há bocas que sorriem
como meninas que usam tranças,
outras podem tornam-se fechaduras,
lacres, selos, labirinto.

Os ventres pulsam e abrigam vida
mas alguns, menos compromissados,
gostam de fazer ventania.

O corpo se reinventa sempre
até mesmo no seu último estágio
quando se desintegra
passando a compor algo
maior que ele mesmo.
Então ele realiza o seu destino
o mais nobre de todos:
ser Terra!


Dionísio

À memória de Rubén Darío

Na selva sagrada
os instintos afloram.
Cada planta, cada bicho, o ar,
tudo é vivo, tudo fala.
Do verde brotam
movimentos sinuosos,
sussurros, risos...
É a ninfa que do deus imponente
bebe o vinho.
Ela se torna a própria taça
transbordante de desejos.
Dionísio, em desalinho, a enreda
arrastando-a, furtivo, por entre a relva,
para que desabroche, caprichosa e perfumada.
Ela cede aos seus apelos e se deixa possuir.
Seu corpo agora é fluidez entre mãos ásperas.
É gazela. Impiedosa,
a sua lança a transpassa.
Fustigada, ela quer mais...
Agora os dentes do deus a carne se adentram
marcam-na signos criados
por seus chifres reluzentes.
A ninfa ascende entre agonias,
a selva orquestra gemidos de prazer.
Em êxtase, comungam contentes.
Ela reverência o deus pagão
senhor dos seres desse reino.
Depois, descansa recordando o idílio,
até que a noite a cubra
com seu manto de prata.


A transubstanciação do vegetal

O brócolis, a cenoura, a beterraba,
Elementos orgânicos ricos em vida,
existências sagradas, divinas, que me enchem de luz.
Ingerí-los é um ato de fé. Consagrada, apreendo
tudo aquilo que não sou, mas,
que já fui e um dia, ainda, serei.
Imediatamente surgem novas conexões
O carbono ativado do Neanderthal me sustém,
A água arcaica, ancestral, nutre os pensamentos,
Deixo de ser eu mesma para me tornar outras coisas,
Coisas com Aura e prenhes de inéditos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

GABRIELA PEDROSO - ENTREVISTA Nº 343

AUTOBIOGRAFIA

Desde que me entendo por gente eu gosto de ler. Quando tinha 10 anos já lia livros de mais de 400 páginas. O que me levou a escrever foi o amor pela leitura e, principalmente, a indignação por alguns livros. Indignação pelo fato de alguns deles não terem o final que queria. Assim, fui pensando ‘E se eu fizer uma história com os meus personagens e o meu final?’ e comecei a escrever. Minha história foi ganhando páginas e, quando percebi, já tinha quase 100 laudas.
Participei de um concurso literário no final de 2009, cujo prêmio era ser publicado pela editora Record. Não ganhei o concurso nem nada, mas o fato de ter reescrito meu livro para poder participar foi muito bom. Prisma passou a ter 140 laudas e a história ficou mais bem escrita. Terminei o livro com 14 anos, quase 15. Em 2010 passei a procurar editoras e, após algumas rejeições, a LCTE Editora se interessou em publicar.
Fechamos contrato em outubro do ano passado e, em fevereiro desse ano (dia 20), Prisma foi oficialmente lançado as livrarias. Houve uma tarde de autógrafos na Livraria da Travessa, Barra Shopping, onde recebi em média 100 pessoas e vendi uns 70livros. Foi uma experiência incrível. Espero que ela se repita, pois já estou escrevendo meu segundo livro, o qual pretendo mandar para a editora no final deste ano.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

GABRIELA PEDROSO - No momento eu faço curso de inglês, francês e um preparatório para o Enem. Ano que vem estarei terminando a escola, mas prestarei vestibular também este ano como experiência. Além disso faço balé clássico e divulgo bastante meu livro pela internet. Eu e minha mãe procuramos sempre ficar alertas a eventos literários que ocorram aqui no Rio de Janeiro. Portanto, muitas vezes conseguimos participação e vamos em escolas divulgá-los. Posso dizer que meu ano de vestibulanda, autora e divulgadora está sendo bem agitado.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

GABRIELA PEDROSO - Com a leitura incentivada pelos meus pais desde criança. Com dez anos eu lia livros de 400 páginas. Com treze li Harry Potter e as Relíquias da Morte em inglês americano. Antes mesmo de aprender a ler, já ganhava livros. Acho muito importante este tipo de ato por parte dos pais, pois modifica por completo a ideia de leitura da criança. Ela aumenta seu interesse pelas letras e elimina a corriqueira frase "Acho chato ler". Além de desenvolver o senso crítico desde muito cedo, o que é primordial.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

GABRIELA PEDROSO - Por enquanto só tenho um, o livro Prisma. Estou escrevendo outro e tenho mais dois já em mente. Pretendo terminar esse em dezembro desde ano e colocá-lo nas livrarias lá para julho de 2012. Não é uma continuação do Prisma, mas se mantém na linha da literatura fantástica infanto-juvenil. Esta estória é mais madura, com personagens mais velhos e envolve a mitologia guarani, cujas lentas e mitos originaram o folclore brasileiro. Quero introduzir nos livros de jovens da minha idade a nossa cultura, mostrando que não só as mitologias gregas e romanas são dignas de preencher o enredo de uma boa estória.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?

GABRIELA PEDROSO - Isso depende muito do autor. No meu caso eu preciso estar isolada dos outros, seja fisicamente ou psicologicamente. Meu humor não me impede de escrever, mas confesso que quando estou irritada escrevo textos muito mais legais e irônicos. Acredito não ser a atmosfera o principal, mas sim a cabeça do autor, seus sentimentos etc.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

GABRIELA PEDROSO - Primeiramente a Joanne Kathleen Rowling, autora de Harry Potter. Pode parecer clichê, mas foram os livros dela que me ajudaram nas primeiras linhas do meu, com toda a sua criatividade e enredo magicamente cativante. Para mim não existe autor melhor que ela. Depois não poderia deixar de citar Ziraldo, Tolkien, Raphael Draccon, João Batista, Eduardo Spohr, Carolina Munhóz e Rick Riordan. Com exceção do querido Ziraldo, que tornou minha infância eterna, e o amigo Batista, todos estes autores são voltados para a literatura fantástica. Eles abriram minha mente para criar e me ensinaram muito como colocar parágrafos, montar envolventes atmosferas e personagens únicos. Em relação aos nacionais, tive a oportunidade de conhecer todos e isto é mais um motivo para admirá-los, por serem ótimas pessoas.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos escritores ?

GABRIELA PEDROSO - Considere todos os nãos como um desafio. Se falarem que seu livro não está criativo, leia muito e inove-o; se apontarem erros gramaticais, corrija-os e "coma" muitos dicionários; se disserem que não é atraente, procure saber o motivo e melhore-o; caso alguém venha te desmotivar, mostre que é capaz. Não basta só acreditar. Você precisa acreditar, correr atrás e se dedicar ao máximo.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

SONIA RITA SANCIO LÓRA ( SUNNY LÓRA ) - ENTREVISTA Nº 342

BIOGRAFIA

Sonia Rita Sancio Lóra (Sunny Lóra) nasceu em Santa Teresa-ES. Poeta, declamadora, contista e cronista, publicou seu primeiro livro em 2005 e não parou mais. Dentre seu trabalho na área, cita-se a sua participação na seção "Pra viver, poesia!" do Diário Oficial do Estado do Espírito Santo desde 2005. "Portais da alma", com 100 poesias, prefácio de Sidemberg Rodrigues, lançado dia 1º de dezembro de 2005, cuja renda destinou-se às entidades "Lar Frei Aurélio Stulzer", e "Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE, do municipio de Muniz Freire-ES; "Lua perfeita", 2007, prefaciado por Edson Lobo Teixeira, presidente da Academia Calçadense de Letras, de São José do Calçado, Espírito Santo. Neste livro reúne 151 poemas. "Delicatta", em e-book de Kate Weiss Designs Gráficos, 2007, III Antologia do Portal CEN - Cá estamos nós - Blumenau: Nova Letra, 2008; Participação no Catálogo 2009, Letras Capixabas em Arte, organizado por Maria das Graças Silva Neves. Participação na Antologia "Múltiplas Vozes", 2010, da AFESL, “Contos de Saudade”, 2010, escrito em parceria com sua irmã Maria Cecília Sancio Loss. Sonia ocupa a cadeira número 40 da Academia Feminina Espírito Santense de Letras –AFSEL, cuja patrona é Maria Helena Teixeira de Siqueira. É associada efetiva do Instituto Histórico e Geográfico do Espirito Santo – IHGES e represento a Literatura no Conselho Municipal de Cultura da Prefeitura de Vitória-ES, como Conselheira Efetiva biênio 2011-2012. Seu site é www.sonialora.art.br

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

SONIA RITA SANCIO LÓRA ( SUNNY LÓRA ) - Selmo Vasconcellos, obrigada pela oportunidade de estar aqui, partilhando um pouco de mim.
Eu trabalho numa empresa dedicada à realização de Feiras Ambientais. É gratificante, apesar de eu fazer parte da equipe administrativa. Sou uma dona de casa que gosta muito de mantê-la limpinha e bonita. Amo voluntariado, onde atuo há muitos anos. Nas horas livres gosto de ler, fotografar e assistir filmes épicos, biografias. Não tenho muito tempo e as horas do dia não são suficientes para as inúmeras atividades. Pareço uma formiguinha. Sou associada Efetiva Instituto Histórico e Geográfico do Estado do Espírito Santo-IHGES e tenho especial carinho pela Academia Feminina Espirito Santense de Letras, onde ocupo a cadeira número 40.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

SONIA RITA SANCIO LÓRA ( SUNNY LÓRA ) - Quando eu tinha 8 anos, meu tio Ivan deu-me de presente a sua coleção de livros. Li todos, um por um. Machado de Assis, J.Cronin, Contos de Fadas, Manoel Bandeira, J.G. de Araújo Jorge, José de Alencar. Aos poucos, fui aprendendo que sem as letras eu não seria completa.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

SONIA RITA SANCIO LÓRA ( SUNNY LÓRA ) : -
Portais da Alma, Editora GSA, 2005 – uma viagem para dentro de mim em poemas; Lua Perfeita, Editora GSA, 2008 – Cem poemas que falam de amor; Contos de Saudade – Editora A3 – 2010 – em parceria com minha irmã, Maria Cecília Sancio Lóss, reúne 178 páginas de contos de nossa terra, Santa Teresa –ES. Delicatta – 2008 – Ebook de Kate Weiss Designs Gráficos; Pequenas Mensagens I, II, III e IV - Ebooks de Miriam Jucá e Angela Lara (2006, 2007, 2008);Participação em várias Antologias – Escritos de Vitoria (2005 e 2010), Multiplas Vozes (2010 – Academia Feminina Espirito Santense de Letras), Portal CEN (2008). Escrevo na coluna “Pra viver, Poesia”, do Diário Oficial do Estado do Espírito Santo e tenho participado nos jornais locais com crônicas e poemas. O livro “Sempre aos Domingos”, de crônicas, está em vias de ser editado.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

SONIA RITA SANCIO LÓRA ( SUNNY LÓRA ) - Tenho inspiração a maior parte do tempo. Preciso de silencio e compenetração. Quando estou mais introspectiva, surgem os poemas mais profundos, uma viagem imensa para dentro de mim. Se surgir uma palavra, o que acontece com freqüência - e não posso escrever no momento, eu a “fotografo” na mente e na primeira oportunidade produzo o texto ou o poema. Quando me sinto muito só - ou feliz - também escrevo muito.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

SONIA RITA SANCIO LÓRA ( SUNNY LÓRA ) - Eu gosto de todos que me passem algo bom. Não sou exigente a ponto de ler autores consagrados. Amo Joana D´Agostini, uma poeta do sul do nosso Estado. Leio Emily Giffin, Augusto Cury, bons cronistas, Osho, os livros antigos da Biblia, livros de colegas da Academia (grandes valores). Leio muito.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

SONIA RITA SANCIO LÓRA ( SUNNY LÓRA ) - Colocar o sentimento acima de tudo, nunca copiar o pensamento do outro, que façam de sua poesia o melhor de dentro de si mesmos, que acreditem no seu potencial. Que tenham a consciência que alguém, em alguma parte do mundo, estará lendo seus escritos. Que sejam humildes e amigos. Que não procurem a competição e a inveja. Que sempre ofereçam uma palavra amiga e carinhosa aos colegas de letras.

POESIAS

Que venham as flores...

Ouço o canto das cigarras
Anunciando a primavera
Que brinca feito criança
Enfeitando os mil sóis...
Abro portas para novas canções
Colho rosas no meu ninho
Eu amo os ninhos feitos no céu!
Pedaços de sonhos afloram
Junto às azaléias rosadas
No meu coração sereno...


Alma Nua

Reconhecer os meus erros,
comemorar os acertos,
justificar dúvidas,
confiar um pouco menos,
pensar muito antes de julgar,
crescer, melhorar, reciclar,
ser determinada,
acreditar mais em mim,
passar a ser
eterna apaixonada
por mim mesma:
juntar todos os caquinhos
e formar um diamante bruto...


Sentindo saudade

Sua saudade,
sem segredos:
sonhos são
somente sóis
salientes, soberbos,
sacudindo sem sossegar
sorrisos sumidos,
singelos símbolos,
sentimentos
sem sentido!
saberia ser somente
sombra sua
se solidão sumisse!
sem seu sinal,
sorvo...sinto...sofro... só.


Meu Amor Inteiro

Minha alma, tão oculta,
teu abrigo seja,
quando quiseres,
tua busca se misture
dentro dos meus sentidos...

Minha calma,
em espera constante,
receba os teus segredos
e te abrace, nesta vida
e seja repleto de paz
dentro de nós,
ou na tua, somente...

Minha vontade, tão sincera,
conceda-te a tua, sempre,
e que permaneças
onde tiveres que estar,
enquanto sonhas...


Águas ao meu redor

Um tapete vermelho
pra me receber...
e meu coração chegou
no mundo das estradas,
das madrugadas, de luas

Casa com céus na janela
Pra me receber...
E meu amor eu doei
No mundo das flores,
Barulho de cachoeira...

Roupas amontoadas,
Filhos espalhados,
Repentes de vida
Pra me receber...
E meu carinho eu ofereci
No mundo novo
Bordados, crochê, quintal...

Retalhos de sonhos
Perdidos nas estrelas
Pra me receber...
Aves raras me acordando
Meu recanto onde me deito
Espero o tapete vermelho...
Que nunca veio...

Sonia Rita Sancio Lóra (Sunny Lóra)