domingo, 22 de janeiro de 2012

Cristina DeSouza - Entrevista nº 381

BIOGRAFIA

Cristina DeSouza – Nascida de criada no Rio de Janeiro, mudou-se para Phoenix, Arizona, Estados Unidos, ainda na década de 1990. Lá pratica medicina e escreve. Vive numa cidade cercada por deserto e aprendeu a crescer e a esvedear o marrom com os grandes e sábios saguaros, cactos e poema vivo de Sonora. Pintar com os tons pardos da natureza a seu redor. Quadros e versos. Teve um conto premiado (INSETO) e posteriormente publicado numa Antologia de Contos pela Editora Scortecci (2003). Teve também vários poemas publicados no Vidráguas (blog literário). Mais recentemente três poemas seus – SINAL FECHADO, ARTE, SONO – foram publicados na Revista Macondo #1, assim como também uma série de nove haicais e um poema (MOVEDIÇO), na Revista Macondo #2. Mantém dois blogs – mix-tura (http://prismaticblue-mix-tura.blogspot.com/)(http://mix-turadestilada.blogspot.com). Contato: prismaticblue@cox.net


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

Cristina DeSouza - Sou médica. Faço Medicina Interna (Clínica Médica) e Hematologia. Graduei-me no Rio, pela UFRJ e pouco depois disto, mudei-me para os EUA, aonde vivo por muitos anos (em Phoenix, Arizona).
Também adoro ciclismo, o que me ajuda a relaxar.
Houve uma época em que trabalhei também como tradutora inglês-português e vice-versa. Traduzia basicamente textos médicos.
E ler, sempre e muito.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

Cristina DeSouza - Eu acho que nasceu comigo. Ou talvez tenha sido no momento da concepção. Sinto que escrever e literatura vieram impressos em meus gens. São inseparáveis de mim.
Desde menininha escrevo, conto histórias, faço poemas. Lembro-me de ter meus 2-3 anos de idade, e minha mãe confirma isto, ia fazer a sesta à tarde e pedia a minha mãe que me contasse histórias. Ela começava contando, e eu emendava fazendo uma outra história, que eu passava a contar a ela, até que adormecesse.

Épocas em que escrevi mais e épocas em que escrevi menos, mas sempre escrevendo. Porque, até quando se escreve menos, a síntese do silêncio pode ser muito mais eloquente.

Também devo dizer que meu interesse literário, enquanto escrever, advém muito mesmo de ler. Um escritor não consegue ser um escritor, por assim dizer, razoável, se não se dedica à leitura

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

Cristina DeSouza - Publicado, tenho o meu livro UNS POUCOS VERSOS, recém-lançado em Novembro de 2011. Trata-se de um livro de poesia, contendo especialmente poemas curtos, buscando imagem e sonoridade, e haicais. É um livro que, acho que se pode dizer, é algo minimalista, talvez refletindo meu momento de vida.

Meu conto INSETO foi premiado e publicado numa antologia de contos pela Editora Scortecci em 2003. A versão em inglês deste conto (INSECT) também foi premiado no concurso Glmmer Train, nos EUA.

Afora isto, tive vários poemas publicados na revista literária digital Vidráguas, no Projeto Palavra Porrada e Nas Revistas Literárias Macondo #1 e #2

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias ?

Cristina DeSouza - Acho que mais do que impacto, é pacto. Pacto interior para não perder a caneta, não deixá-la ir, não ter medo dela, independentemente do resultado obtido. Assim sendo, para mim, esta atmosfera vem muito mais de dentro. E, com isto, meus escritos variam com as minhas marés. Sou este oceano que pode encher e vazar. Mas este oceano está mais dentro de mim do que fora, não me cercando, mas me inundando. Escrevo a este respeito no meu conto O OVO E A CANETA.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

Cristina DeSouza - Nossa, são tantos. Mencionando-os aqui provavelmente esquecerei muitos, mas vá lá.

---Nacionais: Clarice Lispector absoluta, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, João Cabral de Mello Neto, Euclides da Cunha, Raquel de Queirós. (Poetas): Adélia Prado, Hilda Hilst, Cecília Meirelles, Ana Cristina César, Paulo Leminski, meu querido Drummond, Manuel Bandeira, e muitos mais

--Internacionais: James Joyce, Virginia Woolf, D.H. Lawrence, Oscar Wilde, John Fante, Noel Coward, John Osborne, Somerset Maugham, Ernest Hemingway, Jack London, Carson McCullers, Truman Capote, Gilbert Flaubert, Balzac, Stendhal, Pirandello, Humberto Eco, Milan Kundera. (Poetas) : Sylvia Plath, E.E. Cummings, Emily Dickinson, Hart Crane, Baudelaire, Fernando Pessoa (especial o heterônimo Álvaro Campos)…

E MUITOS mais.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

Cristina DeSouza - Ler sempre e muito. A leitura ensina-nos a nos sabermos, a nos conhecermos, e é o primeiro passo para qualquer texto que se pretenda escrever.

Observação. Especialmente das coisas mais simples. Porque é nelas que estão os maiores tesouros para os melhores textos.

Procurar sempre ser fiel a si. Procurar seu estilo e segui-lo, ou não, mas jamais deixar der se dar a própria voz.


POEMAS

SOTERRAMENTO

soterro a voz

aterro meu corpo
a um espírito
mudo

em tudo que escuto
só há silêncio

marcado
na ausência
na vaga

no luto
profundo
pelo morto
não morto

pela onda
não quebrada

por esta maré
vazante

onde me afogo
na terra
na areia
no nada

NA CALADA

escrevo meu nome
com a espada
na árvore morta
eu risco o nada
tiro farpas e
espinhos da
alma dura
sigo só
e impura
em minha andança
acabrunhada
não há lua
não há estrada
tudo escuro
tateio o negro
tateio a vaga
sobra minha mão
suja e branca
a destruir o vento
na calada

FUGA

a fuga passa por mim
à minha espera
cansada me rendo
ouço a música
o vento
e de súbito
só resta
a terra

SINFONIA DO NADA

o cansaço
tirou-me o sono
tirou-me a sede
tirou-me a fome
tirou-me dele
deixou-me nele
e fez desta
a sinfonia do nada

PINTURA

pinto um verso
com caneta
sem tinta
palavra estreita
rima imperfeita
onde um camaleão
brinca

BLUES

bebo estrelas
ávido de azul
brinco de roda
pinto uma tela
abro a janela
e escuto um
som de blues

HAICAIS X 2

silêncio cai
em gotas de orvalho
serena o céu


floco de neve
silencioso e só
paira no branco.

4 comentários:

Cristina DeSouza disse...

Oi, Selmo!

Muito obrigada pelo carinho e atenção. Foi e é uma honra poder participar! Beijo grande.

Carlos Maia Poeta Sonhador disse...

Sou apenas Carlos maia um Simples pedreiro sonhador de santa Bárbara do Leste MG: Somente agora que estou começando a escrever pequenos poemas e pequenas poesias... (Sou o autor)... Me chama pelo nome de poeta mas não chego aos teus pés vivo voando nas asas da escuridão em busca de uma pequena luz para iluminar meu pensamento...

Carlos Maia Poeta Sonhador disse...

Sou apenas Carlos maia um Simples pedreiro sonhador de santa Bárbara do Leste MG: Somente agora que estou começando a escrever pequenos poemas e pequenas poesias... (Sou o autor)... Me chama pelo nome de poeta mas não chego aos teus pés vivo voando nas asas da escuridão em busca de uma pequena luz para iluminar meu pensamento...

Carlos Maia Poeta Sonhador disse...

Sou apenas Carlos maia um Simples pedreiro sonhador de santa Bárbara do Leste MG: Somente agora que estou começando a escrever pequenos poemas e pequenas poesias... (Sou o autor)... Me chama pelo nome de poeta mas não chego aos teus pés vivo voando nas asas da escuridão em busca de uma pequena luz para iluminar meu pensamento...