Marcos Tavares (16-01-1957) é natural de Vitória (ES). Um dos 12 ( doze ) filhos de Maria Luiza Silva Tavares (doméstica do lar) e José Tavares (ferreiro, serralheiro e garimpeiro).
Toda sua infância viveu na Vila Rubim e, adolescência, no Bairro de Santa Tereza, em Vitória (ES).
Aprovado em concurso público (SEFAZ-ES) , em 1984 radica-se no sudoeste do ES, na região do entorno do Caparaó, onde, casando-se com a nativa Joana Bazani Valadão, constitui família. É pai de 3 filhos : Renato ( 1991- ) , Vitor ( 1992- ) e Vitório Augusto ( 2011- ).
Na UFES iniciou estudos de Matemática (1980) e de Economia (1982), para, por fim, em 1991, graduar-se em Letras (Carangola-MG), enquanto cumpria, na Divisa ES-MG ( Dores do Rio Preto ) , o ofício de Auditor Fiscal de Tributos Estaduais (SEFAZ-ES).
Residiu em Dores do Rio Preto, ES (1984-2002) e em Guaçuí (2002-2006). Em 2007 retorna à Capital.
Na condição de substituto, exerceu magistério .
Adepto do pedestrianismo, participa de corridas rústicas.
Estudioso de Ufologia e de assuntos outros, paracientíficos.
Jurado em diversos concursos ( desfile de modas, escola de samba, festival de música, show de calouros, redação escolar , beleza humana e até canina ) .
Poemador e contista, teve publicado, em 1987, o livro No Escuro, Armados (contos), numa co-edição entre a FCAA (ES) e Ed. Anima (RJ).
Com recursos da Lei Rubem Braga (PMV) publica GEMAGEM ( Ed. Florecultura, poemas, 2005).
Co-autor de Um, Duas, Três Histórias Infantis ( considerado, em 1989, “ altamente recomendável” pela FNLIJ ).
Premiado em diversos concursos literários, seja de contos, seja de poemas.
Membro do extinto Grupo Letra, cuja revista homônima (Letra), que 7 edições teve , praticamente o retirou do ineditismo, em 1981.
Mantenedor de correspondência epistolar com vários escritores.
A convite da Secretaria de Cultura do ES (Setor de Humanidades), em 2004, no interior do ES ( Guaçuí e Dores do Rio Preto) inicia ministério de oficina literária em escolas públicas, passando também a, conforme seu projeto GEMAGEM, proferir palestras.
Tanto por jus a premiações quanto por convites, participa de algumas coletâneas (Ofício da Palavra, Contos Capixabas, Palavras da Cidade, série Escritos de Vitória, Poetas do Espírito Santo, 34 Poetas Daqui Mesmo, Edital de Contos 2004, Clepsidra) e de revistas ( Imã, Cuca, Letra). Consta no Catálogo Letras Capixabas em Arte (2009) e no site Estação Capixaba.
Fora, em Dores do Rio Preto(ES), redator e editor dos periódicos Tribuna Riopretense e Força Jovem. Colabora com out
Já publicou em jornais da Capital ( A Gazeta, A Tribuna).
Reside, atualmente, no Bairro de Santa Tereza, em Vitória(ES).
Cria uma cadela ( Lassie) e três galináceos ( Noé, Inácea, Galina ).
Eleito, em 2011,para a Academia Espirito-santense de Letras (cadeira 15).
Vitória(ES), 30 de Dezembro de 2011
Fonte : o próprio declarante
e-mail : mmtt30003@yahoo.com.br
ENTREVISTA
SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
MARCOS TAVARES - Exerço ofício enquanto funcionário público estadual : desde 1984, aprovado em concurso, estou(sic)efetivado como Auditor Fiscal da Receita Estadual (ES). Também exerço trabalho, por vezes voluntário, ou então contratado,enquanto palestrante em eventos de incentivo à leitura e enquanto ministrante de oficina de textos.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?
MARCOS TAVARES - Surgiu do exemplo dado pelo meu pai ,grande leitor. Estivesse em casa, sempre lia jornal ,ou revista, ou livro. Porém, creio que o ambiente familiar, pródigo de contadores de boas histórias(sobretudo, a minha avó paterna), muito me alavancou para ,também,querer ser um deles. A timidez direcionou-me para a escrita. Incentivado por minhas irmãs , aprendi a ler já em tenra idade.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?
MARCOS TAVARES - De exclusivamente autoral, tenho publicados 2 (dois) : um de contos( “No Escuro,Armados”, Ed. Anima-FCAA/RJ-ES ) e um de poemas (“GEMAGEM” , Ed. Flor&Cultura ). Apraz-me a síntese. Em parceria,estou em “Uma,Duas,Três Histórias Infantis”(contos), altamente recomendável pela FNLIJ ,em 1989.
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?
MARCOS TAVARES - Encaro o fazer literário qual fosse uma obra de engenharia (civil ou mecânica): por montagem. Talvez isso decorrente de minha extrema intimidade e apreço com as ciências exatas( fui aluno de Matemática,antes de o ser de Letras). Escrever é compor uma equação. Na medida do possível, tudo deva estar bem articulado. Cada lugar da letra, da palavra, da frase, possibilita um ou outro diferente impacto na decodificação. Isso me angústia.Mas, também me faz obter o tal prazer textual. O que me induz à escrita é a ocorrência de algo que,primeiro, me sensibilize, em que eu veja nuances poéticas, capaz de despertar em outrem outras formas de ver além das do senso comum. Assim, tanto o amor quanto a morte, tanto a paz quanto a guerra, enfim, antíteses entre si,podem ser objeto de um texto meu.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
MARCOS TAVARES - Muito admiro os escritores Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Netto, Guimarães Rosa, Mário Chamie e o meu conterrâneo e contemporâneo Reinaldo Santos Neves( “A Grande História”,romance). Este último, a meu ver, é o atual mais completo escritor:bem domina todos os gêneros e sempre apresenta enredo e linguagem singulares. Estar ilhado em Vitória(ES) torna-o pouco conhecido dos grandes centros culturais. Futuramente será louvado por toda a nação.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
MARCOS TAVARES - Aos novos poetas transmito a ideia de que não basta registrar sentimentos ou pensamentos. Literatura não é mera psicoterapia, mas arte da palavra. Muito menos empilhamento, aleatório, de versos . Há que haver artesanato. Ou qualquer bula de remédio seria peça literária. No caso específico do gênero poesia, é o mais difícil de todos,ao contrário do que pensam e o fazem os poetas aspirantes. Poesia exige síntese.Nela a palavra deve ser atomizada,ter múltiplos significados,qual propugnou Ezra Pound. Assim, aos novos poetas incentivo-os a ler os ícones do verso,sobretudo, o “Pequeno Dicionário de Arte Poética” , do também capixaba Geir Campos.
Vitória(ES) , 30 de Dezembro de 2011
POEMAS
RE / TALHOS
As meninas choravam e choravam
e eu punha colírio nos olhos.
Há muito perdi meu coração
entre um amor e uma rua.
O relógio está quebrado.
O emprego, difícil.
Ainda acabo num hospício,
ou em Faculdade de Letras.
O mundo não é só palavra.
O mundo é redondo rodando.
E os homens continuam quadrados.
O pai queria-me engenheiro,
depois vieram outros filhos,
e fiquei sendo o mais velho.
Não agüento mais essa morte.
Tenho mesmo é vontade de viver.
Um dia hei de ser um homem.
( Junho / 1979 )
OS SETE DIAS
No primeiro dia, visto que estava escuro,
muito escuro, quase trevas, acendi a lâmpada.
No segundo, senti a expansão das águas
e providenciei conserto no encanamento.
No terceiro, semeei alface, reguei as plantas,
colhi os frutos segundo as espécies.
No quarto, fui tentado a dormir,
então, resoluto, serrei a cama e a janela.
No quinto dia, soltei os pássaros,
aos cães dei de comer e de beber.
No sexto, depositei o lixo recolhido
aos cinco cantos da casa.
No sétimo, exausto, deitei-me ao chão,
e, vendo o quão isso era bom, ali descansei.
E não sou ---- obviamente ---- Deus algum.
( 30-08-1982 )
NÁUFRAGA
Ir a mar é preciso .
Viver navios não é preciso.
Em assim vê- la, já
a amarga saudade
de quando sempre parto
senti, sem a cena
de lenço ao vento,
quando, imediato, ao mar urjo,
marinheiro de profundas máguas,
em aventuras d’oceanos.
O homem que buscas,
se o buscas, serei-o eu,
o desterrado, ao olvido,
a ver navios, aves, céus e só navios,
intemporais ; onde há
colossais hediondas.
Nau frágil, em amares perdida,
cais em meus braços ---
seguros guindastes
de aço --- e nos atraquemos
os dois, hábil manobra
de enguias.
Num só abraço, sereia,
abarco teu corpo
como um porto ao barco,
e serenos seremos,
aqui ou em distante praia
ou qu ’ ilha.
E quando soprarem os ventos,
alise-os, os teus belos cabelos,
e quando se, por acaso, se puser o sol
a lhe queimar a pele
cor de cobre, cubra-a ;
mas, antes, despraia-a,
já que a sós, decerto.
E ---- maravilha --- enquanto nau vaga,
náufraga, navegar-te-ei ,
a lançar ao mar,
sem escolha,
a ancoração de mim.
( 28-10-1980 )
DAS PULSAÇÕES
O coração pulsa
em tic-tac maluco
qual relógio de pulso
que, diário, pulsasse
à parede do tórax
pelo lado ocluso.
À parede, sim ( sem ser cuco
que, horário, avisasse
o passar da hora,
que voasse num impulso
de voar, sem verdugo
tal o relógio --- à chave
preso e preso às cordas
de seu mecanismo de não-ave).
Que o cuco não-relógio
só se ata às suas asas,
às chaves do bico, às cordas
vocais , e não canta nos móveis
nem nas paredes das casas
na hora em que acorda .
Mas o coração pulsa.
Seu tic-tac ilógico
mede o tempo de uso,
de vida --- não o necrológico,
da inércia dos músculos,
e do conjunto ósseo.
Mas o coração pulsa.
Seu tic-tac, o arranque,
ouve-se no peito, sob a blusa,
onde, em artérias de sangue,
mede a oferta e a recusa
de outro coração que bate
no mesmo compasso,
em pulsações convulsas.
( 16-08- 1977 )
RÊS MORTA , RÊS POSTA
Cada rês, posta
à escolha
para o abate,
não berra : antes, olha
nos olhos de quem talvez
as livre , ou as mate,
de uma só vez.
Mas a vida ou a morte
de cada ser
em meio ao pasto
está não só nos olhos
--- lâminas de aço ---
cegos de ódio
de possível carrasco.
E cada qual aguarda
a hora temida
mas sempre esperada
do certeiro lance
de já amolada lâmina,
quando, em vã oferenda,
sem ter chance
de (res) guardar a vida,
rolará em sangue,
toda esvaída,
a imolanda eleita,
uma qualquer cabra
--- rês posta exangue.
Agora que rês mais gorda
foi escolhida
dentre muitas reses
de vários meses
de engorda,
que mais lhe importa
senão a resposta
à sua pergunta
de rês exposta
a ser só postas
que não mais se junta
sobre quatro patas ?
Lúcida e só,
solucionando
à hora extrema
os seus enigmas caprinos,
a rês se indaga
indagadamente
se o corte de morte
da lâmina é mais brando,
se é menos cortante
que o olhar cego, sem dó,
cego de ódio, de asco,
inflado de sangue,
de seu futuro carrasco.
E a rês exposta
busca e espera
talvez última resposta
ante ao primeiro olhar
do homem.
( 27-09-1977 )

6 comentários:
Parabéns ao Selmo, por entrevistar um autor de escol como o Marcos e a este grande poeta, pelo seu valor junto à Literatura produzida contemporaneamente em nosso país. Primor de entrevista!
Selmo, sempre de parabéns por garimpar talentos que expressam a grandiosidade da nossa literatura.
Marcos, admirável como pessoa e poeta, que traduz o seu valor com grande expressividade.
No livro Gemagem, você reverencia o grande poeta Drummond. Expressivo poema.
Parabéns pela magnitude das suas respostas e a análise sobre poetar.
Denise Moraes.
Selmo, maravilhada com este autor,
poeta Marcos Tavares.
Náo o conhecia e admirei seus poemas:
"[...] Lúcida e só,
solucionando
à hora extrema
os seus enigmas caprinos,
a rês se indaga
indagadamente
se o corte de morte
da lâmina é mais brando,
se é menos cortante
que o olhar cego, sem dó,
cego de ódio, de asco,
inflado de sangue,
de seu futuro carrasco.
[...]"
Gostei da entrevista, muitíssimo,
e dos toques que ele, generosamente, nos deu, ali.
Sim, poesia é mais.
Como é bom saber que a poesia prevalece,de verdade.
Um grande abraço e grata por compartilhar.
Marcos Tavares
Sempre julguei que merecesse maior destaque na Literatura produzida no Espírito Santo, fosse por seu talento como poeta e ficcionista,ou por seu amor à linguagem. Seus poemas são primorosos. O mesmo digo da ficção. Tive oportunidade de cumprimentá-lo, por ocasião da Cerimônia de posse na Academia Espiritossantense de Letras, e o leio desde os primeiros contatos, em oficinas literárias - sabe-o muito bem -,com admiração de leitora. Felicidades.
Iniciativa importante a deste Blog. Parabéns ao jornalista e escritor responsável.
Ana Cristina Costa Siqueira
Muito boa a entrevista e merecida divulgação do excelente trabalho literário do Marcos Tavares. Parabéns ao blog, pela iniciativa, e ao amigo Marcos, pela obra. Abraços!
Muito agradeço a gentileza de, seletos ledores,por vezes, talentosos escitores, de aqui postarem seus valorosos e pertinentes comentários. A mim muito me orgulham os livros que tenho lido. (Marcos Tavares)
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