quarta-feira, 28 de março de 2012

FERNANDA ESTELLITA - ENTREVISTA Nº 396

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

FERNANDA ESTELLITA - Eu trabalho em uma Agência de promoções e eventos como produtora financeira. E nos momentos de lazer eu amo escrever.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

FERNANDA ESTELLITA - Comecei a escrever faz dois anos. Chegou um momento na minha vida que isso se aflorou e explodiu absolutamente do nada. Num momento que fiquei mais introspectiva, dei um tempo pro mundo pra poder escrever pra ele. Dei um tempo pra mim pra poder conversar comigo. Coloquei pra fora todas minhas alegrias, conquistas, aflições e desejos. Fiquei completamente apaixonada com o fato de escrever e as pessoas se identificarem. A frase nasce no momento em que é lida e não no momento que é escrita. E essa troca de energia me instigou cada vez mais. Essa cumplicidade de sentimentos, perceber que o que sentimos os outros também sentem. Realmente essa sensação é deliciosa e sinto uma felicidade ímpar.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

FERNANDA ESTELLITA - Estou em projeto com meu primeiro livro e será lançado ainda esse ano.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

FERNANDA ESTELLITA - Eu amo escrever porque sou tudo aquilo que ainda não escrevi. Escrever me esvazia e quando as pessoas se identificam me sinto compreendida. É como se dividíssemos o mesmo coração para as dores e alegrias da vida. Emprestamos, doamos o coração ao outro. Escrever é ler-se.
Eu gosto de escrever frases. Não sou de textos. Como eu mesmo me auto defini um dia: Frasista é o sujeito que escreve o intenso sem ser extenso.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

FERNANDA ESTELLITA - O melhor escritor que existe na minha opinião é o Fabrício Carpinejar. Amo sua escrita sensual, que prende, encanta, sua inteligência colocada no papel da forma mais perfeita.
Gosto do Cazuza, o poeta, com seu jeito escrachado e maravilhosamente sensível. Esses são dois escritores que me fascinam. Não poderia deixar de mencionar o grande Poeta Mano Melo, o qual tive o prazer de dividir o palco no “Mano a Mano”, a maior e melhor experiência da minha vida relacionada a escrita..

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

FERNANDA ESTELLITA - Tudo que fazemos com amor é maravilhoso. Primeiro é o escritor deixar o coração pegar a caneta e escrever com paixão. Não tem como não ser encantador e as pessoas se apaixonarem.
Segundo é acreditar e nunca desistir. Poeta não consegue desistir porque nasce. Poeta é.

CITAÇÕES

Frase

Rejeição é quando alguém te dá o atestado de óbito em vida.

Frase

Desapego é o esporte da felicidade.

Frase

Se a inveja tem sono leve não tem problema porque quem me protege nunca dorme.


Texto

Saudade

Saudade é quando eu saio de você e te esqueço aqui dentro.
Saudade é quando a lembrança fica com a cópia da chave do melhor momento.
Saudade é quando a alma continua dentro da gente, mesmo que o corpo tenha ido embora.
Saudade é quando o meu aqui vive aí, mas daqui mesmo.
Saudade é quando longe de você te sinto dentro de mim.
Saudade é o mesmo instante só que distante.
Saudade é quando sou o que um dia fomos.
Saudade é quando a alma gostaria de ser abraçada por aquele momento de novo e sente frio.
Saudade é quando o coração esquece que o amor acabou.
Saudade é a lembrança querendo colo.
Saudade é quando o fim ficou pela metade.
Saudade é a memória do amor.
Saudade é um sentimento que vive em cima da hora.
Saudade é a sobra da sua falta.
Saudade é odiar esquecer o que eu amo lembrar.
Saudade é quando o amor sente falta de ser de novo.
Saudade rasga a presença e na nudez da ausência costura a falta de voyeur.
Saudade é quando você olha pro rosto de qualquer outro e lembra dele.
Saudade dói porque vive pra matar o que continua dentro da gente.
Saudade é quando o amor é enterrado vivo.
E a pior saudade que existe é da saudade de alguém.


Texto

Poesia é quando o poeta mata o seu tesão desesperado pelas palavras.
Para um escritor quando o pensamento estupra a cabeça, ele faz sexo no papel e goza com as palavras.
E ler é um voyeurismo do strip-tease dessas palavras, é comer com os olhos, transar com o pensamento, se identificar e atingir o ponto G.
As palavras se roçam e se lambem. É o cio da literatura.

quarta-feira, 21 de março de 2012

WANDA MARIA ALCKMIN - ENTREVISTA Nº 395

PEQUENA BIOGRAFIA

Mineira radicada em Vitória há 39 anos.
Membro do Instituto Histórico e Geográfico do ES.
Membro da Academia Espírito-Santense de Letras
Membro da Academia Feminina Espírito-Santense de Letras
Membro da Associação das jornalistas e escritoras brasileiras
Com 15 livros publicados, entre eles 03 bilíngues de poesia, 02 infantis, 01 infanto-juvenil, 01 em braille, e 03 livros no prelo.

walckmin@gmail.com
www.avpalavras.blogspot.com
www.myspace.com/wandaalckmin
www.fazendasantamarina.com.br
wandacapistrano@hotmail.com


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

WANDA MARIA ALCKMIN - Além de escritora, sou Educadora de Artes com formação acadêmica em Artes Visuais- UFES, e ainda possuo a formação holística, onde tornei-me professora de yoga com especialização em yoga-terapia, e por fim com graduação em mestra de reiki.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

WANDA MARIA ALCKMIN - Desde pequena tinha o hábito de escrever meu diário. Acho que isso, já era um sinal que o gosto pela escrita já estava se formando... Na escola quando cursava o primário, adorava cumprir a tarefa na aula de português: “Fazer a Composição”. Para mim, era a maior alegria realizar esse dever de casa, que por outra, podia se tornar exercício de classe também. Ah...como adorava, contar histórias para as minhas irmãs mais novas!!!!! Na mocidade dediquei-me as poesias, e assim foi a escrita fazendo histórias dentro e fora de mim. Hoje sinto-me parte de tudo o que vivo e de tudo o que escrevo.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

WANDA MARIA ALCKMIN - No momento tenho 15 livros publicados, e mais três livros no prelo. São eles:
Simplesmente ( poesia ) 1986. /
Pedaços de Mim ( poesia ) 1988. /
Canto Branco ( poesia e reflexões ) 1991. /
Entrelaço ( poema em oração ) 1993. /
Entrelaço em Braille ( poema em oração em braille ) 1994.

Três livros bilíngües :
Resgate Rescate ( haikai - português/espanhol ) 1998. /
Mistral ( poesia – português/francês ) 1999. /
Canzoni d’Amore ( poesia – português/italiano ) 1999.
No momento, há 01 livro bilíngüe no prelo: Resgate Rescue ( haikai – português / francês) .
Ave- Marias – 1°Edição ( poemas em oração ) 1998 e a
2° Edição de Ave- Marias, em 2004. /
Mulher de Urano ( poesia e meditação ) 2002. /
Mamãe Lua ( história infantil contada em versos ) 2004. /
Papai Sol ( história infantil contada em versos ) 2004. /
NóS d’Água ( poesia - performance fotográfica ) 2006. /
As Sete Alegrias de Nossa Senhora ( história infanto-juvenil ) 2009.
E dois ( 02 ) livros infantis no prelo: Vovó Chuva ( história infantil contada em versos ) e Vovô Vento (história infantil contada em versos ) .

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

WANDA MARIA ALCKMIN - Produzir a poesia em mim? Não digo que foram impactos, mas muitas situações ocorridas ao meu redor, fizeram com que a poesia começasse a se mover dentro de mim... Algumas surgiram após conversas interessantes, leituras, estudos, vivencias, situações registradas em TV, jornais, revistas, etc. O poeta é um ser sempre pronto a se desfazer, para se transformar naquilo que o tocou, que o estimulou a escrever. Para isso vir a tona, apenas basta, o sopro em sua alma, então o vôo para a criação acontece.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

WANDA MARIA ALCKMIN - Engraçado...Conheci alguns escritores no tempo de colégio, e continuo cada vez mais apaixonada por seus escritos. Talvez, seja por conta do amadurecimento... Em cada idade vivida, você está em uma “profundidade” nas suas leituras. São eles: Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Drummond, Bandeira, Pablo Neruda, Violeta Parra, Clarice Lispector, Lya Luft e tantos outros...

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

WANDA MARIA ALCKMIN - Leiam...leiam muito. Escrevam...escrevam muito... E depois desse muito dedicar , dêem o tempo de assimilar, amadurecer e se expressar na criação. Quando estivermos sendo o que pensamos , o milagre acontece, nos tornamos poetas.

POESIAS

SER POETA

Ser poeta
é se achar nos sonhos,
é escrever o que a alma sente
e o coração tanto aspira.
É sorrir,
amando o dia ainda em forma de feto,
é mantê-lo vivo
no cordão da poesia.


Caminhos Diferentes

Tu passaste o tempo,
lutando em tuas guerras.
Tu passaste o tempo,
dormindo em outras terras.
Tu passaste o tempo,
falando outra língua...
Tu passaste por mim
lutando,
dormindo,
falando.
Não vi tua vitoria
não senti teu descanso
não entendi tua fala.
Parei,
olhei para ti e
continuei minha caminhada.

( do livro Pedaços de Mim )


LUZ

Sou quase como
uma lâmpada que “alumia”
`as vezes forte, reluzente
`as vezes fraca,
como uma chama que se distancia.
Com uma única diferença,
muitas vezes minha luz,
brota na escuridão
de minha própria companhia.

( do livro Canto Branco )


Faça-me verde,
eis -me árvore.
Faça-me alado,
eis- me pássaro.
Faça-me livre,
eis- me poeta.

( do livro Resgate Rescate )


Arredondei-me.
Perdi as pontas,
e os extremos.
O amor,
fez-me cheia.

( do livro Mulher de Urano )


Podaram-me
pois insisti nas mudanças.
Raízes?
Eu já as tinha...
Vi então,
brotos meus renascendo
em pés de acácias e flamboyants.

( do livro Mulher de Urano )


CANTO D’ÁGUA

Sou filha do mar
gerada nas ondas
sou canto de bolhas
no sal do oceano.
Do mar de Netuno
alguém me observa
por trás das espumas.
Sereias me dizem
que sou dos seus cantos
o eco dos búzios.
Porém eu sei:
Sou é o silencio
das inúmeras conchas
nas areias da praia.

( do livro Nós d’água )


BARCA A VELA

Sou barca de vela branca
solta no mar-oceano
conduzida pelos ventos.
Barca de bandeira rota,
que ainda traz no seu mastro
os farrapos da tormenta.
Sou mar azul, mar aberto,
onde a vela voa livre
sobre as ondas desiguais.
Barca que navega sempre
por achar o mar profundo
mais seguro que o cais.

( do livro Nós d’água )

domingo, 18 de março de 2012

MOZART CARVALHO - ENTREVISTA Nº 394

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever?

MOZART CARVALHO - Creio que dediquei minha vida à Educação. Sou professor de Língua Portuguesa e Literatura, especialista em Latim, e em Línguística aplicada à Língua Portuguesa. Professor de Língua Inglesa e Literaturas Americana e Inglesa, atuante também. Amo a leitura, uma habilidade que não consigo abandonar. Viabilizo projetos que permitam uma maior interação educacional.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário?

MOZART CARVALHO - Bem, nada surge do acaso. A inclinação pela literatura é porque sei que livros mudam e reconfiguram a percepção da vida. Faz-nos redescobrir o mundo, ter um olhar mais generoso com o próximo e, principalmente, entender que só construímos uma sociedade justa se decifrarmos a complexidade do universo humano. Não devemos cair na obviedade e monotonia existencial. A literatura é libertadora.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados?

MOZART CARVALHO - O Cervo e o Lago é o meu primeiro livro. Mas já participei de algumas antologias como Les Poètes Brésiliens à Paris – 2011 – Organisé par Eliane Mariath – Ed Yvelinedition – France. Artigos publicados na REVISTA PLURAL sobre variedades linguísticas – Comunicou. Valeu! E a mais recente publicação foi na Agenda Poética Equinócio com o poema Equador. Participei do livro “Engenho Urbano”, organizado pelo poeta e escritor Marcio Catunda, que faz uma celebração à “urbe sedutora” – Rio de Janeiro. E acabo de lançar o meu segundo livro de fábulas – A Raposa e a Cegonha. Um livro voltado para o público infantojuvenil, pela editora Oficina Editores.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

MOZART CARVALHO - A vida. Viver é produzir linguagens e a poesia é o caminho para expressão. Como nos diz a poeta Sophia Breyner: “Na clara paisagem essencial e pobre / Viverei segundo a lei da liberdade / Segundo a lei da exacta eternidade.”

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

MOZART CARVALHO - Em uma recente viagem a Portugal, logicamente, visitando as livrarias lusitanas conheci escritores fabulosos como Valter Hugo Mãe, contudo, não abandono os autores Sophia de Mello Breyner Andersen, Miguel Tavares, Mario Quintana, Machado de Assis, Nilton Bonder, com sua obra incrível – A Alma Imoral. Umberto Eco, Mona Dorf, Sérgio Gerônimo, com seu épico PANínsula, Maria Teresa Horta e outros que seduzem o mundo literário.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MOZART CARVALHO - Parafraseando o americano, psicanalista - Alexander Lowen: estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade a poesia, então, viva!

Vice-presidente da APPERJ
www.apperj.com.br
www.revistaapperj.blogspot.com
www.mozartproducaotextual.blogspot.com


POESIAS

Copacabana

ah... em algum lugar
deixei uma palavra
sinuosamente
Copacabana
provocando descobertas
nas noites incertas
clandestinos

ah... em algum lugar
nas vielas estreitas do passado
estamos nós
em nós
Copacabana
somos hoje
iluminados e porteiros

ah... Copacabana
nas areias dos descaminhos
despertados e errantes
andarilhos de seus desafinados
nas notas da bossa
na calçada botas
a realeza
sua alteza: princesinha do mar


Cravo

tenho em mim
um gesto voraz
uma raiva contida
que luta e espera
no hall das verdades

o meu segredo
estende-se à dor
que não consigo
superar e libertar

o sorriso contrito
é flor, é cravo
meu sangue arado
em terras de ninguém

a queda é fruto
cativo do inesperado
um punhal silenciado
a resolver no meu peito
o alvo de tudo que travo.


Olissipo

Não quero enterrar-me
Numa cadeira vazia
Num canto da sala
Ou nas esquinas das vias

Não quero navegar nas enseadas do Tejo
Sem sentir o batel vaguear
O mar bravio desfalecer
Nas ondas brandas do paço

Não quero afogar-me nas letras
No último sopro das palavras
Quero lembranças da Lisboa de hoje
Que voa com o tempo
Do Castelo de São Jorge
Sem templo
Do Jerônimo, Vasco e Camões
O imponente Pombal de luz
O tal déspota esclarecido
Decidido, bradou por toda Lusitânia

Quero o amor dos gentios
Devorando os pastéis aportados em Belém
E as barrigas de deliciosas freiras beatificadas
Derretendo sobre as línguas

Quero enterrar-me nas poltronas
Dos livros e recitar
Minha língua, minha pátria
Minha vida


Representações

no ponto...

o passado
aborta o presente
tudo é indeciso e intenso
os faróis
as ruas denunciam
nos grafites quebrados
das lápides de escritores
abordam amarguras
raciais contínuas
entre nós,

nós...
vivemos os riscos
aprisionados
aviltados por absurdos políticos
desafinados pela corrupção...
intolerantes
a beira do abismo

o presente
é a arte
à margem:
a vontade de interpretar
medos e receios
na ponta do lápis
quebrado
representações
de um poeta insano
...
aí! “perdi o ônibus!”


Psiu!

Meu silêncio caminha na calçada
Desequilibrando as pernas
Embriagado de verdades
Berra, xinga
Ao som de Amy Winehouse
Pinta e borda
Trapos e farrapos
Meu silêncio costura as ruas
As vielas e bueiros
De cada dia

terça-feira, 13 de março de 2012

ADEMIR BARBOSA - ENTREVISTA Nº 393

PEQUENA BIOGRAFIA

Ademir de Souza Barbosa nasceu em 16 de janeiro de 1980 em Araputanga - MT. Seu primeiro contato com o mundo das letras foi ao cinco anos de idade, sendo alfabetizado pela própria mãe.
Seu encanto pela leitura derivou-se dos contos infantis, de seus personagens encantadores. Na sua infância os livros foram sua paixão.
Passou parte de sua adolescência escrevendo contos infantis e poesias, levando em consideração para construir sua carreira de escritor suas poesias, os contos apenas foram incentivos para o começo de tudo.
Ademir Barbosa é o artista que vai onde o povo está levando suas obras a todos os amantes da poesia contemporânea.
O autor vê como fonte principal : “A leitura é a arma da sabedoria.”

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

ADEMIR BARBOSA – Bem, atualmente, aliás desde o primeiro livro sempre exerci a arte de escrever como uma profissão.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

ADEMIR BARBOSA- Desde a infância sempre quis ser escritor, achava bonito e importante os nomes dos autores nas capas dos livros e no fim dos textos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

ADEMIR BARBOSA – são ao todo 4 livros de poesias e 4 infantis, os quais apenas fiz uma edição.

POESIAS :
ETERNAS PAIXÕES,
AMORES E ILUSÕES,
SENSÍVEIS CORAÇÕES e
PALAVRAS ( livro gentilmente doado pelo autor para esse entrevistador, em 10 de março de 2012, numa pizzaria, no momento da comemoração do aniversário do neto Leonardo.) . Ademir grato pelo presente.

INFANTIS :
A BRUXA MAGRICELA,
O LENHADOR E A BRUXA MALVADA,
O GAVIÃO E AS ANDORINHAS e
OS SONHOS DE MARIAZINHA.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

ADEMIR BARBOSA – Bem, na realidade minha total inspiração vem das pessoas, dos sentimentos humanos.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

ADEMIR BARBOSA :
VINICIUS, MANOEL BANDEIRA, CECILIA MEIRELES, FERNANDO PESSOA, ETC...

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

ADEMIR BARBOSA- Invistam em seus sonhos , porem, façam acontecer, vale a pena escrever, através das palavras é que vamos conseguir mudar as pessoas para melhor.


POESIAS

Bom seria se o amor...

Bom seria se o amor...
Não tivesse...
Insônias,
O pensamento distante,
Cóleras de ciúmes,
Risos de tristeza,
Lágrimas de dor,
Um último beijo,
Um abraço de separação,
A palavra não te amo,
Momentos de solidão,
Um aceno de adeus,
A última carta de amor escrita a punho,
O sentimento não correspondido,
Um último telefonema,
A dor da saudade...
Bom seria se o amor...


Sonho e ilusão

Nas asas da ilusão voamos alto em busca de uma felicidade desenfreada que talvez nunca a alcançaremos.
De amores que sonhamos sem ao menos sentirmos seu suspiro;
De poderes que nos roubam a paz;
De amizades sem alicerce de plena confiança;
Nos afundamos em coisas que sabemos de seus escombros;
Desconfiamos de pessoas sinceras;
Acreditamos em contos de fadas;
Às vezes buscamos um mundo tão distante dos nossos olhos, coisas impossíveis que são criadas pela força da nossa mera inveja que acreditamos ser uma admiração.
Tanto tempo perdemos sonhando com um universo sem proteção.
Às vezes queremos ser igual a muitos, mas nunca paramos pra imaginar se este “muito” tem uma vida tão bela como fantasiamos.
Tantos de nós sonhamos ter um amor e ser feliz, mas não paramos pra pensar cinco minutos de nossas vidas em alguém que tanto nos amam, não vemos suas qualidades, apenas vemos sua insignificância em nossa vida.
Engraçado como a vida é...
Juntamos tantas coisas... mas a gente esquece sempre o mais importante;
Fazer o balanço de tudo, colocar no almoxarifado as coisas que não contribuíram para o nosso crescimento e cultivar as que nos fizeram crescer e também tentar resgatar tudo que perdemos por não ver que foram significantes em nossas vidas...
Principalmente o amor e a felicidade que muitas vezes estão tão perto de nós e não conseguimos vê-los.


Um dia qualquer

Um dia vou olhar a aurora
E ver como ela é linda
Vou lembrar o sereno que suavizou a madrugada
Para torná-la tão bela
Depois contornando seus traços com o raiar encantado
E assim seguindo o dia.
Um dia qualquer,
Não sei exatamente quando será
Sei que,
Vou chorar pelas lágrimas caídas
Vou sonhar com as paixões calientes
Vou olhar um corpo e nele ver o meu
Mas com saudades.
Vou ver os jovens e ver neles a tolice da vaidade
Vou desgastar o resto da minha memória
Pra lembrar a doce aurora
Que como ela fui tão reluzente
E agora ao cair a manhã
O inverno apagou as luzes de cada amanhecer.


Gostaria de poder...

Gostaria de poder ser livre como o vento,
Ter a capacidade de ir agora ao seu encontro,
Matar toda essa saudade que me consome noite adentro
Ter o poder de fazer tudo o que quero neste exato momento.
Gostaria de poder chegar bem de mansinho
Agora perto de você
Como um vento suave e dizer-te calmamente ao seu ouvido;
_ Te amo!!!
Voar com você nos meus braços a um lugar tranqüilo,
Totalmente livre de tudo e de todos,
Despir-te lentamente
Sem pressa de começar nosso enlaço de amor.
Beijar-te vagarosamente
Um beijo demorado,
Pra deixar nossos corpos, estritamente ardente de desejos.
Gostaria de poder neste exato momento
Fazer amor com você sob a luz do luar,
E o sereno frio da madrugada
Ser testemunha do nosso amor.
Unir-nos tranqüilamente,
Fazendo-nos entrelaçarmos,
Sendo dois corpos, um só corpo,
Ir ouvindo na calmaria da noite
Seus sussurros de prazer...
Com o silêncio noturno
Ir contemplando cada minuto
Junto ao seu corpo
E a todo instante ir dizendo
Suavemente ao seu ouvido;
_ Eu te amo!!!


Eu não me importaria...

Eu não me importaria de ter alguém:
Que tivesse defeitos;
Mas que soubesse compreender os meus.
Que precisasse de um abraço;
Mas que me acalentasse com seus braços.
Que precisasse de um beijo;
Mas que pudesse me beijar.
Que precisasse de um aperto de mãos;
Mas que pudesse também me dar às mãos.
Que precisasse ser ouvido;
Mas que também pudesse me ouvir.
Que tivesse tristeza;
Mas que pudesse também me fazer feliz.
Que tivesse solidão;
Mas que me tirasse à solidão.
Que precisasse de amor;
Mas que também soubesse me amar.

quarta-feira, 7 de março de 2012

ALLAN VIDIGAL ENTREVISTA Nº 392

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

ALLAN VIDIGAL - Tenho a sorte de viver do meu passatempo predileto, o texto: sou redator, ghost writer e tradutor. fundei e coordeno, junto com a Lúcia Gönczy, o e-zine "Projeto: Palavra-Porrada" (http://palavraporrada.blogspot.com). E sou jurado e coordenador das categorias de poesia nos Desafios dos Escritores, um programa de oficinas competitivas promovido pelo Núcleo de Literatura do Centro Cultural da Câmara dos Deputados.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

ALLAN VIDIGAL - Nasci cercado de livros e fui criado por uma alcateia de escritores. Sempre li, mas o fato é que só comecei a escrever a sério bem tarde, depois dos trinta anos.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

ALLAN VIDIGAL - Nenhum. Não está entre minhas prioridades. O fetiche do papel não me diz nada.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

ALLAN VIDIGAL - Claro que isso varia de autor para autor. Mas, para mim, não acho que qualquer impulso específico propicie a produção de poesia. Às vezes um poema nasce de um som acidental (como a aliteração em "p" que acabei de fazer sem querer). Às vezes me surge pronto. É, para mim, um processo predominantemente inconsciente.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

ALLAN VIDIGAL - Os da alcateia (Betty e Geraldo Vidigal, mãe e avô, respectivamente), em primeiro lugar, pelos motívos óbvios. Piet Hein, um autor dinamarquês que me despertou o gosto pela poesia de tom humorístico. Lêdo Ivo. Yeats. João Cabral de Melo Neto. WH Auden. Floriano Martins. Régis Bonvicino. Tati Bernardi. Antônio Prata. Izacyl Guimarães Ferreira. Domingos Carvalho da Silva. Flá Perez. Não necessariamente nessa ordem. E se me perguntasse amanhã, poderiam ser outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

ALLAN VIDIGAL - Incentivo? Não sei se poeta precisa de incentivo: porque acho que o poeta (aliás, o escritor) escreve não porque quer, mas porque precisa. Mas, saindo do incentivo para o campo da sugestão: ler muito (e não só a literatura em si, mas também a teoria e a critica literárias); conhecer a ferramenta de trabalho, a língua; fugir das fórmulas prontas e procurar sempre a originalidade. E ouvir música: parece que muita gente esqueceu que poesia é ritmo antes e acima de qualquer outra coisa.


POEMAS

QUANDO VOLTAR EL REI D. SEBASTIÃO

Um dia El Rei D. Sebastião vai voltar:
El Rei redivivo, ressurgido dos mortos,
virá restaurar o Império
e o exército d'El Rei D. Sebastião
serão extras de um filme de Romero.
Quando voltar, El Rei D. Sebastião
nos vai fazer frequentar a igreja.
El Rei D. Sebastião vai coibir o consumo abusivo de cerveja;
proibir ir à praia sem roupa;
acabar com essa pouca-vergonha
de transar antes do casamento,
comer carne às sextas-feiras,
dormir mulher com mulher
e barbado com barbado.
D. Sebastião I, O Desejado, quando vier,
vai dar cabo dessa mania da Colônia
de querer ser Sede da Coroa.
Um dia El Rei D. Sebastião,
à frente de uma armada de mil caravelas,
vai botar ordem nesta zona.
Um dia El Rei D. Sebastião vai voltar
e acabar com essa bela balbúrdia.
Nesse dia, por via das dúvidas,
me mudo prum outro lugar.


PELE

Pisa-te mal quem te acha feia.
Mas não eu, que te sei,
sob a máscara rude, delicada.

Pisa-te mal quem te tem medo e te acha fria.
Mas se te piso, São Paulo amada,
é como quem acaricia.

Cada passo a que me atrevo sobre o asfalto,
cada toque dos sapatos sobre as tuas avenidas
é como um afago, um agrado
sobre a pele da mulher querida.
Se percorro as tuas ruas e te toco o calçamento,
toco como quem toca, leve e lento,
as costas nuas da namorada.


BUQUÊS DE ROSAS VERMELHAS

Olha a mulher que se acha feia.
Em casa, sozinha
numa noite de sexta-feira.

Uma taça de vinho
(é noite de sexta-feira).
No banheiro,
defronte o espelho,
a mulher que se acha feia
fita-se de frente e de lado,
brinda com seu reflexo
e sonha ver-se linda.
E sonha ver-se amada.

A mulher que se acha feia
reclinada na banheira.
Um livro e uma taça de vinho.
E o sonhar em segredo
com toques de dedos
que a conheçam tão bem
quanto ela se conhece.
Um breve tremer de pernas nuas.
Um gemido. Uma lágrima. Duas.
(a mulher que se acha feia, estranhamente,
chora, quando goza, o companheiro inexistente).

Gillette e uma taça de vinho.
A mulher que se acha feia,
com gestos bem calculados,
esculpe com todo o cuidado
os contornos dos pelos do púbis
que ninguém irá tocar.
E imagina ver no fluxo
dos jatos da jacuzzi,
surgindo dos pulsos,
buquês de rosas vermelhas
que ninguém jamais lhe deu.


TARAS

Inventa-me, amor, uma tara sem par.
Desvenda o universo das parafilias.
Revira grimórios, estelas, papiros,
revela em antigos mistérios e ritos
fetiches quaisquer que a nós dois enfeiticem
(o amor, meu amor, quase a tudo resiste,
mas não à armadilha fatal da mesmice).


SM

Há momentos para a delicadeza das rendas.
Mas não hoje: corpete de couro, correntes.
É noite de algemas e vendas.
E ninguém tem nada com isso,
A não ser a gente.

Você se rende, se entrega,
Se dá ao luxo da confiança cega
No carrasco que elegeu.
Em pé ao pé do leito, o tal eleito, eu,
Te faço brinquedo e deleite.

Te quero dada de corpo e mente,
Te quero em bondage, amada, afoita,
Te quero em estro, lasciva, felina,
Te ouvir gemer meu nome entre dentes.
A cada meu toque de afago-açoite
E cada beijo quente da parafina.

Se quiser, depois a gente troca,
Você senhora, eu submisso.
Danem-se vizinhos e fofocas!
Ninguém tem nada com isso.
Há muitas e várias formas de gozo
E titio Sade ficaria orgulhoso.

MARIA ESTHER TORINHO - ENTREVISTA Nº 391

BIOGRAFIA

LITERATURA

Capixaba, graduada em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal do Espírito Santo, Psicologia (Licenciatura e Formação de Psicólogo), Mestrado em Estudos Literários
Membro das Academias Camocinense de Letras e Feminina Espírito-santense de Letras (cadeira no. 39).
Membro da Academia Virtual Brasileira de Letras e do Movimento Internacional Poetas Del Mundo.
É escritora (poemas, contos, crônicas, artigos acadêmicos), revisora, tradutora Inglês/Português, webdesigner e artista plástica.
Foi Professora de Português na rede estadual do Espírito Santo e na rede municipal de São Paulo, Capital.
Foi Secretária Bilíngüe no Espírito Santo e em São Paulo
Foi Professora de Português nas Faculdades Marcelo Tupinambá (São Paulo/SP) e Professora de Inglês em escolas de línguas de São Paulo.
Na Prefeitura Municipal de São Paulo, atuou ainda como Orientadora de Informática Educativa e Orientadora de Sala de Leitura.
Tem poemas e textos publicados em inúmeros sítios e portais da Internet, dentre eles O Literário (Camocim – CE), Blocos on Line (Maricá - Rio de Janeiro), Poetas Capixabas (Vitória, ES), A Garganta da Serpente, A Casa do Bruxo, Usina de Letras, Site do Poeta e outros.
É titular dos sites Verso e Reverso – www.versoereverso.pro.br (Literatura) e Artes Plásticas www.versoereverso.pro.br/artesplasticas.
Principais Prêmios:
1o. lugar no Concurso de História Antiga, realizado pela TV Vitória em 1962.
2o. lugar no Concurso de Redação sobre o 4o. Centenário do Rio de Janeiro, realizado em Vitória – ES, em 1963.
Medalha de Ouro no Concurso de Poesia da Gazeta e Biblioteca Infanto-Juvenil de Vila Prudente (São Paulo), em 1988
Prêmio no 3O. Concurso Blocos de Poesia com o Livro Gotas de Orvalho em Abril/2002.
3o. Lugar no Concurso Nacional de Poesia - Prêmio Jacy Pacheco - promovido pela Associação Niteroiense de Escritores em 2002.

Publicou: Pássaro Migrante (Poesia), pela Editora Writers, os e-books Pescadora de Estrelas e Maré Vazante (Crônicas e Contos) pela Hotbook e Sementes de Fogo (Poesia), publicado pelo CEN (Portal Cá Estamos Nós).

ARTES PLÁSTICAS

Como Artista Plástica, fez Curso de Pintura no Ateliê Forma e Cor, com a Prof. Sonia Regina Faria Lemos em São Paulo-SP (2005), Workshop no Ateliê Eva Soares, em São Paulo (2006) e Técnicas Modernas com a artista plástica e Prof. Jandilisa Grassano, do ICCLA (São Paulo, 2006).
Autodidata, vive em pesquisa constante de novas formas de expressão artística, sempre em busca do aperfeiçoamento. Pinta Abstrato e Figurativo, desenvolvendo um estilo figurativo livre, no qual o ponto alto é a imaginação, tendo as cores como paixão e a natureza – principalmente flores, pássaros, aves, paisagens e marinhas - como principal fonte de inspiração.
Técnicas: Óleo, Aquarela, Acrílica e Giz Pastel sobre Tela, nos estilos Acadêmico e Contemporâneo e ainda Pintura por Computador.
Participa do Anuário de Artes Plásticas Arte Atual/2011, organizado pelo artista plástico Marcos Buarque, edição bilingue.

Prêmios:
Silver Award, do Site Artmajeur, pela qualidade dos trabalhos artísticos apresentados. Março/2011.
3º. Lugar no Concurso Poemas à Flor da Pele em Imagens II, da Comunidade Poética Poemas à Flor da Pele, com a obra Natureza, na categoria Arte Digital.
Em virtude desse concurso, suas obras Natureza, Cor de Rosa e Sinuosidades ilustram os e-books Nuances I e II, da mesma Comunidade, publicados em 2011.

Exposição Individual:
Festa das Cores – Exposição Virtual Individual, organização e curadoria da Galeria de Arte Ana Pirolo (São José dos Campos). Agosto a Outubro/2011.
http://exposicaovirtualindividual.wordpress.com

Exposições Coletivas:
Salão de Arte Integrada - Espaço Cultural UNAARP - Peruibe - São Paulo. Abril/2005.
Mostra de Inverno Universo Arte - Curitiba, Paraná, 2005
Mostra Universo Arte e os Sete Elementos: Curitiba, Paraná, 2005
Mostra Virtual Artbiz – 2005, organização e curadoria Vera Bekin.
Mostra Universo Arte e os Sete Elementos: Curitiba, Paraná, 2008.
Animais em Foco – Mostra Virtual organizada pela artista plástica Márcia Moura – Junho de 2009. Alborques On Line Art Gallery.
Exposição Virtual Formas e Cores – organização e curadoria da Galeria de Arte Mona Lisa (Curitiba – Paraná) – Fev/2011.
Livre para Criar – organização e curadoria da Nossa Galeria de Arte – RJ – Abril a Julho/2011.
Primeiro Festival de Artes Visuais Araruama – Artes Visuais Araruama – RJ – Fev a Março/2011.
Unidos na Arte em Portugal – Exposição Coletiva, com a curadoria de Geni Settani, da Waylight - Palácio da Independência- Lisboa, Abril/2011.
MV Arte Edição de Inverno, organização e curadoria da Galeria de Arte Ana Pirolo (São José dos Campos, SP), 2011. www.mostravirtualdearte.wordpress.com
Bazar de Natal on Line, promovido pela Galeria de Arte Ana Pirolo – SJC-SP, 2011.
Artistas em Foco, com a curadoria da Nossa Galeria de Arte, do Rio de Janeiro -
http://www.ngarteprodutoracultural.com.br/galeria/artistas-em-foco-2011/artistas-em-foco-2011.html

Exposições Virtuais permanentes:
Arte Múltipla –(São Paulo, SP) www.artemultipla.com
Galeria Hall Brasil (São José dos Campos, SP) www.hallbrasil.com.br
Arte na Rede (Rio de Janeiro, RJ) www.artenarede.com.br
Portal do Artista – (São Paulo, SP) www.portaldoartista.com.br
Alborques on Line Art Gallery (Portugal) –
www.alborques.com/pages/Ester_Torinho.php
Sane Society (Itália) http://www.sanesociety.org
Da Vinci On Line Art Gallery (Portugal) - http:www.davincigallery.net
Artmajeur On Line Art Gallery (França) - http://www.artmajeur.com
Five Stars International Art Gallery (Holanda) -www.fivegoldenstarsinternationalartgallery.com

Escritora e artista plástica
www.versoereverso.pro.br
www.versoereverso.pro.br/artesplasticas

Revisão de Textos
Tradução Português/Inglês
Criação de websites
Registro de domínio


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

MARIA ESTHER TORINHO - Pintura, à qual me dedico também com paixão.
Sou professora (Português e Inglês) e Psicóloga, mas aposentei-me há pouco tempo.
Atualmente dou aulas particulares. Participo das atividades da Academia Feminina Espírito-santense de Letras, onde ocupo a cadeira no. 39. E estou estudando francês, talvez preste exame para Doutorado em Estudos Literários, pois já tenho o Mestrado.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

MARIA ESTHER TORINHO - Muito cedo, praticamente desde que comecei a ler obras literárias.
Por volta dos 15 anos escrevia para o jornalzinho da escola; depois passei a escrever contos, mas nunca mostrei a ninguém e depois os destruí. Só voltei a escrever em 1986, inicialmente contos que nunca cheguei a terminar. No ano seguinte passei a escrever poemas e em 1989 venci o Concurso de Poesia da Gazeta de Vila Prudente, em São Paulo.
Mas antes disso, já havia sido contemplada com o 2o. lugar no Concurso de Redação relativo ao 4o. Centenário do Rio de Janeiro (nessa época eu fazia o antigo Curso de Magistério).
Houve outros prêmios depois desses, porque depois que comecei a escrever poesia, nunca mais parei. Atualmente só uma coisa me faz deixar de escrever: é quando pinto, porque alterno as duas atividades.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

MARIA ESTHER TORINHO - Além da participação em inúmeras Antologias nacionais e Internacionais - devem ser mais de trinta, perdi a conta - publiquei o livro-solo Pássaro Migrante, pela Editora Writers e os e-books: Sementes de Fogo (Poesia), Maré Vazante (contos e crônicas) e Pescadora de Estrelas (Poesia), os dois últimos pela Editora Hotbook. Tenho outros livros inéditos e pretendo publicar um ainda este ano, provavelmente um e-book.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

MARIA ESTHER TORINHO - Difícil determinar, porque os versos vêm à minha mente em momentos muito distintos, às vezes durante o dia, às vezes quando estou tentando dormir, mas é muito frequente que a inspiração venha através de uma palavra, no todo de uma frase, de um texto que estou lendo. Mas o interessante é que, nesses casos, dificilmente posso falar de poema baseado ou inspirado no texto tal, porque geralmente o que me inspira é uma determinada palavra, que me leva a um poema totalmente diferente do que estava lendo.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

MARIA ESTHER TORINHO - São muitos, vai ser uma injustiça com tantos, mas mesmo assim, vou citar alguns:
Estrangeiros : Dostoievski, Shakespeare, Nathaniel Hawthorne.
Brasileiros: Cecília Meireles, Clarice Lispector, Raquel de Queiroz, Guimarães Rosa, Machado de Assis.
Se eu falar mais, a lista tende a ficar interminável, porque vou lembrando de outros, e outros, e outros mais.
A Literatura Brasileira é de altíssimo nível e me instiga e apaixona.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MARIA ESTHER TORINHO - Tenha confiança em si mesmo. É difícil publicar, é difícil receber o reconhecimento, mas é preciso persistir. Não se contente com pouco em relação a sua escrita, procure aperfeiçoar-se sempre, escreva e reescreva quantas vezes for necessário. Se necessário, deixe um escrito guardado por um tempo, de repente você terá uma idéia para aperfeiçoá-lo. Seja em prosa ou em verso, procure surpreender o leitor. Leia muito, muito mesmo, leia os bons autores e sua escrita tenderá a ganhar em qualidade e profundidade. Muitas Editoras nos procuram para editar, mas aí você paga e os livros vão para a gaveta porque eles não comercializam. Fuja disso. Procure aquelas que de alguma forma comercializam, procure formas alternativas de publicação, entre elas o e-book hoje está com muita força e existem Editoras especializadas nisso.


POESIAS

Pescadora de estrelas

M. Esther Torinho

Coração magoado, alma ferida,
caminheira solitária de tristes andanças,
alimento uma réstia de esperança
colhendo estrelas
no firmamento da vida.


Andando em círculos

M. Esther Torinho

Sempre estive andando em círculos:
atrás do pleno
do mais que perfeito
do complexo
do nexo.

Hoje, cedo à voragem do tempo
faço do momento presente meu templo
fixo-me no plano
e languidamente recebo no rosto
a corrente de vento
e noto que assim as coisas me saem
mais a contento.
Enfim, adentro
o centro de mim
e deixo que a peça da vida se teça
e no momento certo
caia o pano.


Mistérios da Vida

M. Esther Torinho

misteriosa é a vida;
pela manhã, desabrocha em tímida rosa
ao por do sol se desfolha
e à noite envelhece.
Tudo parece tão previsível e certo,
entretanto, há sempre algo impensado
nas artimanhas que a vida nos tece:
a rosa às vezes mostra-se
em sal e em fel
e o que era promessa-doçura
e a manhã, de início clara e brilhante
termina em nebulosa:
facada no ventre da vida
no meio da rua escura.

Porém o legado da vida
por mais obscuro e tristonho
ainda assim me fascina:
o mesmo raio de luz que às vezes nos cega
outras vezes nos entristece
e para sempre nos ilumina.


O poema e o poeta

M. Esther Torinho

Abre-se a gaveta
e do fundo
espreitam linhas inteiras
de rimas, ritmos, versos
fragmentos formando um poema-desconcerto
em um desejo inconfessado
de ser lido.

no íntimo do poeta
comprime-se o ofício do sentir
e a necessidade ainda mais premente
de (des)integrar-se
entregando-se ao universo.
na esperança vã
de que algo possa fazer sentido.


Caçador de ventos

M. Esther Torinho

Caçador de ventos
e tempestades,
cultiva-dor da melancolia,
o poeta escreve em urna secreta
o espelho nem sempre fiel
da dor que noite e dia
o atormenta
e assim se inscreve eterno no espaço-tempo
através da poesia.
E, enquanto o poeta
representa no palco da vida
alguma alegra,
atrás do pano a dor e a tormenta
são fragmentos de vida
em comovente coreografia.