
BIOGRAFIA
Luh Oliveira é baiana, professora, poetisa. Mãe de duas garotas, vive no litoral da Bahia, Ilhéus – terra de Jorge Amado. Quando adolescente encontrava nos versos a forma de dialogar com o mundo as suas angústias e indagações. Mantinha o hábito de escrever um diário em versos. Apenas em 2005, graças ao mundo virtual, a poetisa lançou seus poemas em sites de literatura e em um site de relacionamento. A partir daí conheceu vários poetas de diversos lugares do país e do mundo e contou com o apoio de alguns deles, dos quais recebeu críticas motivadoras. Desde lá tem participado de saraus, exposições, participações em Antologias, sites idôneos de literatura, é colunista do Jornal CF4( virtual), participa do Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves-RS, colabora com o site Almadepoeta.com. Já teve algumas premiações em Concursos Literários e fomenta a poesia nas escolas onde leciona.
ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
LUH OLIVEIRA - Sou professora de Língua Portuguesa e Redação no Ensino Fundamental e Médio. Leciono em escola particular e em escola pública.
SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?
LUH OLIVEIRA - Na adolescência. Fui uma menina muito tímida, tinha muita vergonha de falar em público. Mas quando o assunto era escrever, a coisa mudava de figura. Foi assim que comecei a rabiscar meus primeiros versos que eram uma espécie de diálogo comigo mesma a respeito dos conflitos próprios da adolescência. Aos poucos a poesia começou a fazer parte de meu dia a dia. Escrevia todos os dias.
SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
LUH OLIVEIRA - Ainda não publiquei um livro só meu. Faz parte de um sonho. Mas tenho participações em diversas coletâneas literárias, além de diversos sites. Em 2008 fiz uma exposição poética intitulada 'Poesia Subterrânea' onde meus poemas eram mostrados junto com desenhos feitos pela artista Soraya Monteiro. Foi uma experiência muito interessante.
SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias ?
LUH OLIVEIRA - Acredito que qualquer coisa. Tudo que está em volta é atmosfera para produzir poesia. O segredo está no olhar. Poesia é olhar profundo para todas as coisas. Quando algo te toca, vira poesia.
SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?
LUH OLIVEIRA - Muitos.... Os clássicos Fernando Pessoa e Florbela Espanca. Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Saramago, Mario de Andrade, Pablo Neruda... Os novos poetas, Tonho França, Andréa Motta, Ademir Bacca, Tanussi Cardoso, Luiz Fernando Prôa, Cairo Trindade, Telma da Costa... São muitos.
SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
LUH OLIVEIRA - Escrever poesia é maravilhoso. Viver dela é uma luta.
POEMAS
Insônia
fantasmas rondam a sacada da casa
perambulam pela madrugada
na penumbra desenhada pela lua cheia
que já some no negro céu
percorrem os cômodos
à procura de lembranças guardadas
em alguma gaveta velha
escondidas por debaixo de roupas inúteis
murmuram incógnitas em meu ouvido
gritos agonizantes que abrem os olhos
e espantam os sonhos comuns
íris cor de mel se apavoram
diante da dança insolúvel de almas inomináveis
pela janela entreaberta entram
os primeiros raios da manhã
que afugentam todos os medos
enraizados no ventre encolhido
dentro de mim apenas o desejo
de um dia normal
****
Incondicional
enfiaste no peito
a estaca da dor apócrifa
inescrutável criatura
cuja lágrima é rio manso
anestesia-me
com heréticos sentimentos
que antagonizam
a dúvida de um ser
padece-me num paraíso
onde ervas daninhas
ramificam sobre meus pés
enterrados em areia roxa
por alguns instantes
sou o nada
sou o tudo
nada em mim assola em vão
Eva maldita
Lilith, Macabéia, Helena, Maria Madalena
faces de inúmeras mulheres
perdidas numa só face
no seio túmido
todos os elos dilaceram
hemorragia incontida
vestígios de um ser podre
em todas as partes
de um caminho findo
mas meu perfume exala no ar
a presença infinita
de um amor que se esvai
****
Conflito
Há um silêncio
ensurdecedor
dentro de mim
na calada
desta noite
sem fim
Barulhos de
carros na rua
e o tic-tac
do relógio
por vezes conseguem
penetrar neste
diálogo incessante
que a cada segundo
torna-se mais
conflitante
Desejos evasivos
invadem pensamentos
que viajam inutilmente
em torno
do próprio eixo
-solitariamente-
Solidariamente
sonhos abarcam
a dor à deriva
resgatam do alto mar
o pulsar desfacelado
pela rotina do desdém
Pela janela
entram os primeiros
raios de sol
que apartam
o cruel duelo
entre meus eus
***
In perceptível
languidamente
atravesso tuas entranhas
tão voraz e singela
que mal me sentes
adentro teu desejo
teso membro
que anuncia
noite sem fim
penetras em minhas ancas
derramando prazer
pelas coxas
salpicadas de ti
quase me percebes
por um vago instante
em que sussurro
delícias
deita-te de lado
e adormeces
em meu corpo
como se fôssemos
apenas um
****
Jardins do Éden
pássaro arredio,
sobrevoas marés
alcanças bandos
em todas as planícies
por onde pousas
vento solto
acaricia a face
dono do próprio vôo
segues sem destino
a trilha das estrelas
até aterrissares
em minha janela
e beber auroras
em meus dedos
gorjeio indeciso
rumo incerto
bates as asas afoito
pairando entre
meus jardins
e voltas
sempre voltas
sem correntes
sem amarras
adentras os vitrais sagrados
secreto templo oculto
onde plantas tulipas
e colhes poemas líricos
sinos anunciam
a tua chegada
procissão de anseios
rosário de desejos
e voltas
sempre voltas
pássaro afoito,
não há grades
em minha janela


















