quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Novo Site!

Olá,
No momento o blog está temporariamente desativado, porém não será excluído, além de que todas as entrevistas e comentários estão agora no site www.selmovasconcellos.com.br aguardando suas visitas e seus comentários.
Um novo site repleto de novidades culturais: várias colunas, galeria de fotos, agenda cultural e muito mais!
Estamos em constante processo de aperfeiçoamento, portanto sintam-se a vontade e enviem críticas, elogios ou sugestões para o endereço contato@selmovasconcellos.com.br
Ou entao através da nossa página de fãs no Facebook:
http://www.facebook.com/PortalSelmoVasconcellos

Aguardando todos vocês.
Atenciosamente,
Selmo Vasconcellos

quarta-feira, 11 de julho de 2012

WANDA MONTEIRO - ENTREVISTA Nº 418

EXTRATO BIOGRÁFICO

Wanda Monteiro, escritora e poeta é uma amazônida, nascida às margens do Rio Amazonas no coração da Amazônia, no Estado do Pará, no Brasil. A escritora herdou sua devoção pelas artes e pela literatura de seu pai, o romancista Benedicto Monteiro e como foi criada circundada pelos livros, desde menina, cultivou o hábito pela leitura e pelo exercício da escrita. Wanda Monteiro embora tenha militado por vários anos na advocacia como Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, nunca se afastou de sua vocação, além de escrever. exerceu a atividade de revisora e de produtora editorial durante muitos anos. Aprofundou seus estudos cursando Linguagem e Pensamento – área de Filosofia – na Universidade Veiga de Almeida e fez especialização em Análise de Políticas Públicas na UFRJ. A poeta, publicou seu primeiro livro Memória de Afeto com selo independente, participou de vários projetos editoriais de pesquisa histórica realizados no Estado do Pará e publicou seus textos literários em revistas, blogs e sites. Nos últimos anos tem se dedicado exclusivamente à arte literária, tendo publicado, pela Editora Amazônia, os livros O Beijo da Chuva e ANVERSO, lançados em no Estado do Pará – na região amazônica do Brasil na cidade de Belém. Wanda Monteiro, que realiza performances poéticas em vários grupos de poetas e espaços culturais em Niterói e Belém do Pará, é participante do Proyecto Sur Brasil com a publicação de vários poemas nos volumes IX, XI e XIII, lançados no Congresso Brasileiro de Poesia no Rio Grande do Sul.
Atualmente dedica-se ao projeto literário de seu próximo livro de contos A Filha do Rio e ao espetáculo lítero-cênico o monólogo Na Pele do Sonho.

Wanda Monteiro se apresenta assim:

“Sou Amazônida, vim da seiva quente de Benedicto Monteiro, um Poeta e Pescador de Sonhos, semente plantada no templo sagrado e fértil de Wanda, Mulher Guerreira, Mãe na mais pura definição. Cheguei no Outono, nascendo às margens do rio Amazonas. Nasci na hora do crepúsculo, contemplada pelo Sol.

Fui banhada e batizada em águas amazônicas. Aprendi a respirar água, a ouvir a voz do vento, a sentir o cheiro da chuva, a nadar na malha de mururés. Me encantei com a voz da mata. Fui seduzida pelo olhar da restinga. Me vesti de terra, bebi o rio, cresci e verdejei.

Sob o signo da Mãe Natureza, visto ambivalência!.Sigo, transitando na fronteira entre a impassividade da razão que me atordoa, que me distancia, que me confina, que me objeta, e a emoção que me testemunha, me aproxima, que me explica, que me intui e me confere o ideal de existir.

Quando Terra, sou viajante de caminhar frêmito e errante. Quando Água, sou navegante. Um navegar de espanto, decifrando labirintos liquefeitos de paisagens, de memórias, de fantasmas e alegorias. Quando Mãe, sou senhora de uma existência plural onde vivo a vida de Marcelo, André e Aline, meus filhos, meus pedaços de verdadeiro amor.

Hoje, com mais de meio século de vida, sigo, ora emersa, ora submersa, no olho d’água do Rio que contemplo e que levo, correndo sob meus pés.

Escrever! Esta é minha sina. Costurar películas de vida vivida, sofrida e sonhada. Deixando um rastro de poesia como testemunho de Mim.”



ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

WANDA MONTEIRO – Exerço a profissão de Advogada e Produtora Editorial, também sou Curadora do Obra Literária do escritor Benedicto Monteiro.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

WANDA MONTEIRO - Desde menina apresentei interesse pela literatura, fui praticamente criada dentro de uma Biblioteca que meu pai cultivava dentro de casa onde tinha um acervo de mais 3000 livros, comecei a ler muito cedo e aos 14 anos já tinha devorado os livros de Machado de Assis, Clarice Lispector, Drumonnd, João Cabral de Melo Neto, Max Martins, João de Jesus Paes Loureiro, Ruy Barata e Benedicto Monteiro, e já iniciava meu mergulho nas obras de Maiakovski, Neruda, Eliot, Sartre, Manoel Puig, Cortazar, Nabokov e Kafka e outros autores. Comecei a desenhar meus primeiros poemas aos 12 anos de idade, mas, só pude me dedicar à produção literária quando meus filhos cresceram e o tempo foi mais generosos comigo.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

WANDA MONTEIRO – Produzi, com selo independente, a publicação de livro de prosa poética chamado Memória de Afeto, mas não cheguei a lançá-lo. Em 2009, lancei, em Belém do Pará, o livro O BEIJO DA CHUVA , e em 2011, e O ANVERSO, ambos, publicados com o selo da Editora Amazônia. Também participei de três Antologias poéticas, publicadas pelo Proyecto Sur Brazil e lançados em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

WANDA MONTEIRO – Acredito que não só a perplexidade diante do insólito do cotidiano e da estranheza das relações humanas é capaz de produzir esse impacto, mas, sobretudo a dor da dúvida constante e intensa sobre a existência dos entes e das coisas força e desafia o poeta a construir uma linguagem capaz de traduzir, e compor uma melhor compreensão simbólica daquilo que ele vê e nega sob o espectro da realidade concreta que lhe tange e fere.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

WANDA MONTEIRO – Eu já citei alguns e desses que citei, admiro todos. Na poesia, leio e releio sempre João Cabral de Melo Neto, Max Martins, Ruy Barata, falando dos poetas brasileiros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

WANDA MONTEIRO - Bom, como primeira mensagem, eu diria que eles se dedicasse sempre à leitura, pois que ler é mais que necessário, é imprescindível para a produção literária seja ela em qualquer estilo. Incentivar poetas não é tarefa fácil, pois poetas verdadeiros sabem que essa lavra é dolorosa e solitária e muitas vezes sofre de uma incompreensão coletiva. No entanto, se vale um incentivo eu me permito citar uma frase de meu pai Benedicto Monteiro que dizia: “O poeta não é. Ele está. No que sonha como realidade ou no que vive como sonho”. Então eu digo: Não deixem de sonhar! – desde que esse delírio seja fecundo de poesia. E dizer a eles que quando me perguntam por que eu faço poesia, eu respondo: Eu confesso! Eu faço poesia porque me rendo ao Verbo que não se cala à boca do meu estômago.


POESIAS

NAUFRÁGIO

Meu desejo de Ti
submerge tenso
denso

Tudo é Sede e Fome
trincados dentes
de fruto proibido

Tudo é Palavra
mal começada
calada nos lábios
fuga insensata de voz rasgada no ventre

Tudo é Grito
Voz deformada de gestos
de olhares ausentes
de pesado silêncio

Tudo é Dor
que sangra no fio da lâmina
mal da carne fria e ávida
do beijo estancado na boca

Tudo é Som
batidas desmedidas de pulsar
sonora matéria que infere e fere
um coração que chove água e sal

Tudo é Abismo
Dor escavada no peito
adocicada por migalhas de afeto
por mel de respeito
Tudo é Secreto
Mal segredado
Resvalado em pranto

Tudo é Segredo
desvelado de assalto
ferida exposta no espanto

Tudo é Fúria de Marés
mergulho cego
embriaguez turva de quase amor
Meu desejo de Ti é Naufrágio.


INTERDITO

De mãos em punho
O Passado
Chega a cada instante
E investe contra meu peito

O Passado é o murro que me açoita

A cada açoite
A face do Presente evanesce

O Futuro a recolhe
Sorvendo-a
Roubando-me o Meio

O Tempo erra-me

Decreta-me
Interdito!

Sou apenas um patético corpo
Orgânico
E hipotético de uma história inacabada

Existência fadada à eternidade etérea da memória
Povoada por fantasmas

Eu perdi meu itinerário
No interlúdio melancólico da Passado


INSONIA

A calma se esvai pelas horas
As horas crescem no escuro
A sofreguidão das pálpebras
Que se fecham e se abrem
O cansaço dos músculos que não conseguem repousar
Os demônios acordam assombrando o silêncio
O instinto aflorado de erguer e soerguer a fé
A oração dita e redita como mantra
O abrir a janela e a cuíra de olhar para o céu
E a busca de respostas nas estrelas
A Lua me espreita
Assim como Eu
Insone!
O desejo do sonho se contorce na insônia
Como posso dormir se a noite sempre me encharca de dúvidas.


CAIS

Turva água a tua
Que de teus olhos
Escorre nua
Molha o muro da face tua
Dura
Abre-lhe fenda
Funda
Escura
Fina janela para teu subterrâneo Cais
Abismo de teus Ais.


DISCURSO SOBRE A TERRA

I

Carrego no peito e na memória
O ocre do chão e do barro molhado e moldado por mil pés
A cruzada de mãos em foice
Singrando um latifúndio ausente de piedade
Um chão cão
Um amálgama sob um véu de chuvas
Chuvas que lavaram angustias e cores de lágrimas
Um quase tudo de crueldade
Uma terra úmida de histórias
Um algo sobre-humano de corpos ausentes de sujeitos
Faces sem nome ou sobrenome
Uma história povoada de impossibilidades.
Impossibilidades de quase gente caminhando a esmo
Senda estrada
Serpente de martírio
Que carrega mil terços de prantos
Mil terços de gemidos
Um chão de dor
A sombra da dor que não quer deixar o chão

II

Guardo!
Uma terra
Estrada nauta assombrada pelo fogo e pelo poder da marca em brasa
Uma nau sem quilhas
Sem velas
Sem mar
Uma nau de chão
Passageiros do destino de morrer e desmorrer a cada dia no ventre da mata
De morrer no arrancar de cada raiz
De desmorrer no plantio de cada semente
A lida de sangrar a terra e ser sangrado por ela
O massacre da estima de plantar e não colher
O partir e o repartir a tristeza de não ter morada
De ser presa da ganga impura
Passageiros do destino de ser coió à força
Sob o poder empunhado por pistolas
Sob o olho da pólvora mirando toda lavra
Sob o sol
Sob a chuva
E à sombra única das nuvens

III

Guardo!
Um cordel de viventes isentos de toda maldade
Extirpados da liberdade e do desejo de desejar
A sorte em chagas nas mãos
As mãos vazias de futuro
As mãos que já não tem forças para apelar
Os apelos cravados em mãos
Em pés
Em olhos de súplica
Mas apelar pra quem?
Se essas mãos
Esses pés e esses olhos são reféns
Reféns na ilha da ilha da soberba
Cercados e ameaçados pelo grito de quem prende e escraviza
Um tropel de dor à flor da carne de mil vidas
A sofreguidão de promessas não cumpridas
Mil promessas de vida soterradas pelos desejos desfeitos
Mil desejos desfeitos nessa estrada turba
Cava e cova de mil virtudes
Mil virtudes caminhando sem caminhar
Um caminho e um descaminho
Testemunha de um Círio infindo
No sempre de partilha pelo pão e pelo sangue
O pão e o sangue de um deus que nunca nasceu
Um chão deflorado de paz
Deflorado de fé
Uma fé sem deus
Uma quase fé
A fé de rebanho de toda gente
Vindos do quase nada
Cobertos de toda espera
Vazios de sonho
De onde vêm?
Para onde vão?
Sempre passando
Sempre passando

Wanda Monteiro
www.caleidoscopiodpalavras.blogspot.com

terça-feira, 10 de julho de 2012

CONCHA ROUSIA - ENTREVISTA Nº 417

BIODADOS

Concha Rousia, nascida o 04-10-1962, em Covas (Os Brancos, Galiza).

Psicoterapeuta. Licenciada em 1995 em psicologia pela Universidade de Santiago de Compostela, especialidade em psicologia clínica.

Master in Science, Marriage and Family Therapy, Universidade de Maryland, USA, 1999. Tese de graduação intitulada “Multilingualism and psichotherapy”. A tese mostra como o uso da língua materna é fundamental para o tratamento de problemas psicológicos, especialmente quando acontecidos na infância e marcados com alta carga emotiva.

Svice-secretária da Academia Galega da Língua Portuguesa e cofundadora da mesma em 2008.

Membro da Associação Galega da Língua desde 2004. Colaboradora desde 2004 desse portal digital.

Membro da associação Cultural Pró Academia Galega da Língua Portuguesa.

Presidente pela parte galega do Instituto Cultural Brasil Galiza, fundado em 2009 e apresentado publicamente em Santa Catarina em Março de 2010 e em Madrid em outubro deste mesmo ano.

Membro da Junta Diretiva da Ordem dos Psicólogos da Galiza, e Coordenadora da Comissão Cultural, desde onde, entre outras atividades criou o Prémio Literário ‘Rosa de Cem folhas’ que vai pela sua quinta edição.


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

CONCHA ROUSIA - Sou psicoterapeuta. Sou Vice-Secretária da Academia Galega da Língua Portuguesa. Sou ativista cultural.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

CONCHA ROUSIA - Surgiu por necessidades pessoais, achava-me morando nos Estados Unidos de América e a saudade era tão grande que comecei a escrever contos de lobos, de histórias que aconteceram na minha infância; procurava uma forma de conexão com a Galiza, pelo meu povo, que chamava por mim... Aí descobri que gostava de escrever, depois fui vendo a utilidade que isso tinha nas minhas atividades de resistência cultural que defende a cultura autóctone da Galiza.

SELMO VASCONCELLOS Quantos e quais os seus livros publicados ?

CONCHA ROUSIA - 12 livros:
As Sete Fontes, Romance publicado em 2005, formato e-book pela editora digital portuguesa ArcosOnline (www.arcosonline.com), Arcos de Valdevez, Portugal.

"Dez x Dez" 2006, Antologia poética, Abrente Editora (Galiza).

“Cem Vaga-lumes” Obra composta por 16 haikus premiados e publicados pelo Concelho de Ames, ano 2006.

Primeira Antologia do Momento Lítero Cultural, em formato digital. 2007, Porto Velho, Brasil.

Nas Águas do Verso. Antologia. 2008, Porto, Portugal.

Antologia do XXII Festival de Poesia do Condado. 2008, Gráficas Juvia.

Poeta, Mostra a tua Cara. Antologia. 2008, Rio Grande do Sul, Brasil.

Volume 7 da Coleção “Poesia do Brasil”, correspondente ao XV Congresso Brasileiro de Poesia, que se celebra em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, Brasil.

Mulheres. Antologia poética. 2011, Mulheres Feministas do Condado, Galiza.

Contos da diferença. Tangas lésbicas, 2009, Portugal.

IV Antologia de poesia lusófona. 2012. Folheto, Leiria, Portugal.

Nântia e a Cabrita d’Ouro. Romance juvenil, 2012 Santiago de Compostela.

Prêmios :

Prémio de Narrativa do Concelho de Marim, 2004, Galiza.

Prémio de poesia do Concelho Ames, 2005, Galiza.

Ganhadora do Certame Literário Feminista do Condado, 2006, Galiza. Com o romance “A Língua de Joana C”

SELMO VASCONCELLOS Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

CONCHA ROUSIA - O meu primeiro motivo que me leva a desembocar meu sofrer em poesia é o padecimento que do povo galego pelo submetimento cultural exercido pelo centralismo espanhol desde há mais de 500 anos. O segundo motivo é a contemplação da natureza, da noite, da lua...

SELMO VASCONCELLOS Quais os escritores que você admira ?

CONCHA ROUSIA - :
Frank Kafka
Rosalia Castro
Alfonso R. Castelão
Fernando Pessoa
Mário Quintana
Álvaro Junqueiro
Manoel de Barros
Celso Emílio Ferreiro
Guimarães Rosa
Clarice Lispector
José Saramago
Jorge L. Borges

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

CONCHA ROUSIA - Quando pensem que tanta coisa já foi escrita, que já parece que nada fica para ser dito, que saibam que o que eles não escrevam fica sem existência, esse é poder da escrita... Ninguém pode fazer a nossa obra.


POESIAS

TANKA

O nevoeiro
fecha as portas do sol
engole a torre
esconde o relógio
e para em nós o tempo

Concha Rousia


Memórias molhadas

Hoje aprendi que a água tem memória
de uma mulher que não lembra nada
nada dos seus últimos trinta anos
agora tem cinquenta e tantos
dous filhos criados e um ex-marido

sabe que é um tempo para ser apagado
difícil é reaprender tudo de novo na cabeça
o corpo tem primeiro que esquecer

O corpo que só não esquece o tempo

A água tem memoria -disse-me ela
voltará a seus lugares antes ocupados
expulsará aos ladroes de areais
e os dias sem noite e sem final

A água quando vai no rio
sabe intuir o caminho do mar
ela foi nuvem um dia e leva no ventre
a coleção de mapas traçados desde o céu

A memória da água guarda-se em ondas
como a memória dos humanos
será porque somos 95% água
será por isso que temos memoria?

A água tem olhos molhados e pele seca
e sempre sempre, ventre transparente

Concha Rousia
Quintal d'Amaia 19 do 6 do 2012



COR-DURA

Que a loucura me assista

Que venha e me resgate
dessa cordura insana
Que me mata...

Que me nega os caminhos
Que levam a ti

Que me assassina

Concha Rousia


Versos de areia

Versos talhados em tempo
dentro do próprio relógio
versos de mar e horizonte
versos livres nunca escritos
ceives gaivotas versos vivos...

Fazer castelos na beira
vestida de algas eu princesa
com meu príncipe encantado
que rápido se passou...

Agora tudo se tornou areia
na que destilo minha filosofia
porque o poema passou
a vida passou e eu não vi

Dói, é tarde pra pôr remédio
fica o lamento a molhar a areia
ficam os versos e quem sabe
talvez tu ainda apareças...

Sei que eu ainda poderia
construir o mesmo castelo
cobrir meu corpo com algas
aprender o canto das sereias
e chamar-te chamar-te chamar-te
eu sei que ainda me ouvirias...

Ahhhh tivesse eu a certeza
de que há tempo nesse relógio
como ponteiros em nossa honra
ponteiros às voltas juntos sempre

Beberia o mar pra que sentisses
meu alento roçar no teu ouvido
e nada dessecaria esta alma minha
como a desseca este cruel desterro
em que permaneço pés molhados
e olhos tão de ti vazios...

Ando e desando meu passos
eu Penélope mal improvisada
e em meu desandar medito
eu me pergunto...
eu sempre me pergunto...

Serei eu a escolher os passos
nesse caminho de pegadas...?
ou será a praia
ou será a praia...?

Concha Rousia
Quintal d'Amaia 3 de julho de 2012



DOR-ES E AMOR-ES

Ontem decidi levar minha dor pela mão
como criança crescidinha que caminha
para poder levar a tua dor no meu colo

Mas ela tropeçou e atrapalhou meu andar
caí ao chão machucando tua dor comigo

Daí aprendi o que de sempre eu já sabia:
Não se pode curar bem da dor de outrem
se não se cura primeiro da dor própria

Como também de nada serve que te amem
se o teu amor por ti não é forte para amparar

Somos a coluna de nossa torre nosso Ser
somos a verdadeira guia que seguirmos
tanto para os acertos quanto para os erros

Concha Rousia
Quintal d'Amaia 5 de julho de 2012

domingo, 8 de julho de 2012

MARCO ANTONIO ORSI - ENTREVISTA Nº 416

DADOS BIOGRÁFICOS

MARCO ANTONIO BAPTISTA ORSI, nascido e criado no Rio Grande do Sul, na cidade de Campo Bom, pequeno município da Grande Porto alegre.

Perdi meu pai aos 6 anos de idade e fui criado pela minha mãe e 5 irmãs, sou o caçula da família.

Estudei no Colégio Idelfonso Pinto, da rede pública, fiz o segundo grau (Cientifico) em dois colégios, Cursei também o Curso Técnico de Contabilidade.

Formei-me em Matemática pela Universidade do Vale dos Sinos, na qual também lecionei por mais de 30 anos...

Lecionei Matemática, Física e Estatística em vários Colégios, iniciei minha carreira de professor aos 19 anos de idade e fui professor somente.

Como sempre amei o canto, freqüentei escola de canto quando jovem Estudei canto...

Sempre gostei de escrever, desde os meus 7 anos de idade eu era sempre escolhido para declamar poesias nas festas da escola e daí fui criando um amor pela poesia.

Escrevia esporadicamente artigos para jornais, depois é que voltei meus olhos para a poesia. Sou versejador, aprendiz de poeta, iniciei em 2002 e aqui na internet é que dei asas a essa minha vocação, se é que posso chamar assim...

Hoje ainda com espírito jovem ( sou jovem há mais tempo que os demais ), estou aqui sendo agraciado com esse convite, que, sinceramente nem sei se mereço e nem esperava, mas que agradeço de coração.
Muito Obrigado
Marco Antonio Baptista Orsi

>Meu caro e talentoso poeta Marco Antonio Orsi, você enriqueceu o meu blog com a sua entrevista. Retribuo o carinho. Selmo Vasconcellos.


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

MARCO ANTONIO ORSI - Escrever é para mim uma distração muito prazerosa. Gosto muito de cantar, tenho um site de músicas www.marcors.com.br, tenho uma pagina no Youtube “orsi650” e um Canal no YouTube.

Por incrível que pareça sou Professor Universitário de Matemática, Física e Estatística, completamente avesso as letras...

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

MARCO ANTONIO ORSI - Sempre gostei de escrever, já quando estudava no curso primário era sempre solicitado para declamar poesias nos eventos da escola e dali já começava a ensaiar meus primeiros rabiscos.

Mas, realmente vim me dedicar a poesia aqui na Net, iniciei em 2003, escrevia artigos em jornais esporadicamente.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

MARCO ANTONIO ORSI - Não tenho nenhum livro solo publicado, tenho dois em andamento.

Participei da Antologia da Alma VI volume, e fui escolhido entre os melhores da poesia de 2011, que originou uma publicação.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

MARCO ANTONIO ORSI - Gosto de dizer que sou mais um menestrel, um versejador do que um poeta, contudo, escrevo sobre tudo, principalmente elevo ao máximo o amor. Busco inspiração no quotidiano.

Não posso negar que muitas situações propiciam a confecção de um poema, uma musa, um amor desfeito, um novo amor, além da própria inspiração inata.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira?

MARCO ANTONIO ORSI - É difícil citar autores, já que existem tantos e excelentes, mas tenho uma admiração muito grande por Luiz de Camões, Castro Alves, Casemiro de Abreu, Mario Quintana, Pablo Neruda e tantos outros, muitos do próprio virtual. Aqui existem ótimos poetas dos quais sou fã incondicional.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MARCO ANTONIO ORSI - Para os poetas novos e para todos eu deixaria uma mensagem simples e objetiva: Jamais permita que pereça o romantismo, isso eu acho fundamental.


POESIAS

SIMBIOSE VIRTUAL

Tu vives em mim, como eu vivo em ti,
nesta simbiose insana e virtual.
Postulamos da vida, cada qual,
poder ficarmos para sempre aqui.
Somos pioneiros da ordem que vi,
desabrochar num plano digital.
No início parecia ser irreal,
Mas, agora, acredito no que li.
Amamos e vivemos por anseios.
O ciúme acelera a impaciência.
E rodamos em meio a devaneios.
A cibernética criou um mundo,
onde o espírito supera a aparência,
e vive-se uma vida num segundo...

Marco Antonio Orsi

MENSAGEM DE AMOR

Esqueças que é mulher,
pois és uma flor.
Esqueças também,
de como eu sou,
e assim poderás
saber aonde estou,
quando receberes
esta minha mensagem
de amor.
Escuta a minha voz,
pausada e calma,
que vai do meu,
ao teu coração.
É uma mensagem
de amor, que mostra,
uma grande paixão,
transmitindo com calma,
o meu amor a tua alma.

Marco Antonio Orsi

SINGELO PRESSÁGIO

As asas douradas, o perfume agreste,
d'aurora celeste, que o vento me traz.
Suspiro profundo, minha ânsia incontida
pelo tempo retido, que já não vem mais.
Restou tão somente meu olhar antigo,
tal como um amigo que ficou para trás.
Relíquias do tempo, antigas saudades
que tem na verdade seu refúgio capaz.
Singelo o presságio dessa esperança,
como uma lança em meu peito cravou.
Deixou meus sonhos ao pé do caminho,
e o teu carinho o vento levou.

Marco Antonio Orsi

ALMA ALFORRIADA

A alma é do sonho uma prisioneira,
que clama por amor e liberdade,
quer ficar junto da felicidade,
e assim tornar-se sua companheira.
Mesmo que isso lhe traga ansiedade,
procura com afinco outra maneira,
pra poder chegar e ser a primeira,
num patamar onde ninguém invade.
Ecos, visões a tornam dependente,
Da chegada de um novo anoitecer,
Tornando-a mais uma penitente.
Talvez ela possa reconhecer,
a trilha que a tornará finalmente,
alforriada do seu padecer.

Marco Antonio Orsi

LENDA DA PAIXÃO

Ele foi caminhando por entre os túmulos silenciosamente,
pouco a pouco, sua memória voou, percorreu todo espaço.
Então, de repente, ele sentiu como se estivesse nos braços,
de sua inesquecível amada. E continuou, vagarosamente.

Foram amantes, muito antes, no tempo em que o romance,
perseguia àqueles que queriam viver mais do que fantasia.
Em lentas passadas, percorreu para onde ele mais queria,
ao encontro daquela que amou com inacreditável alcance.

Haviam, eles vivido, bem mais, do que uma ligação amorosa,
Viveu um épico, no qual o amor foi a sua figura principal.
E agora, mostrava-se como uma lenda, essa paixão sensual,
Porém, à época fora, sem duvida, uma das mais ardorosas.

Aos poucos ele se recupera e começa a voltar ao seu normal.
Com as mãos alisa seus brancos cabelos de forma vagarosa,
Dá-se conta, que o tempo passou com velocidade assombrosa.
Olha em volta e percebe que logo, logo, estará com ela, afinal.

Marco Orsi

PONTEIROS FEITICEIROS

Vou abrir as janelas d'alma,
e deixar o vento entrar,
para dar-me a calma
da qual eu vou precisar,
para o tempo incessante,
deixar-me mais confiante
quando a luz no ocaso brilhar.
Posso guiar-me pelas estrelas,
e as minhas amarras soltar,
e ainda que não possa vê-las,
sentir a tranqüilidade do ar.
Levo comigo o vento,
as lembranças e o sentimento,
que só de longe vi passar.
Canto o silêncio agora,
onde os sonhos não se calam.
E busco nas retinas, na hora,
em que as imagens não se apagam.
Mas, o tempo com seus ponteiros,
movendo-se como feiticeiros,
por meus pensamentos falam.

Marco Antonio Orsi

PORTO DAS ALMAS

Vens buscar-me em teu barco,
para navegarmos mar a fora?
Ah, com meus conhecimentos parcos,
como eu te entendo agora.
Porque fazias tantas juras de amor,
e depunhas-te assim a meu dispor,
mesmo antes de irmos embora.
Por que em meus braços tremias,
somente hoje que eu entendi.
Pois de grande paixão padecias,
tal qual um desamparado colibri.
Procuravas beijar a cada flor,
na busca do alimento do amor,
que era vital para ti.
Não fiques mais preocupada,
pois vou contigo navegar.
Tomes o leme do teu barco
quem sabe nós poderemos chegar,
por águas tranqüilas e calmas,
a um porto, onde todas as almas,
resolveram habitar.

Marco Antonio Orsi

quinta-feira, 5 de julho de 2012

SYLVIA MERCADANTE - ENTREVISTA Nº 415

BIOGRAFIA

Sylvia Mercadante, nascida na cidade do Rio de Janeiro, é formada para o Magistério Público Oficial desta cidade pela Escola Normal Instituto de Educação, com cerca de vinte cursos de Extensão e Aperfeiçoamento.

Aos 18 anos interessou-se pelo mundo espiritual e acrescentou a leitura especializada com as obras de Allan Kardec, Emmanuel, André Luiz e vasta bibliografia referente aos ensinamentos esotéricos, ióguicos e filosofia oriental.

A partir de 1993, cria poesias após o curso para meditantes de Ciência da Inteligência Criativa(CIC), ministrado pelo Yogue Maharishi Mahesh. Em 1995, lançou Palavras Transformadas na Bienal do Livro.

Dois anos mais tarde estudou desenho, aquarela , pintura sobre tela e arte atmaísta, vindo a participar de várias exposições coletivas e individuais. Passou também a realizar palestras sobre Cromoterapia e realizou seminário sobre este assunto em 1995, no 1º encontro Esotérico do Terceiro Milênio.

Em 1995, no 5º Congresso de Estudos da Linguagem na UFF, coordenou Sessão de Comunicação e participou com o trabalho Trajetória de uma Criação Poética.

No ano de 2000, venceu nos Estados Unidos num concurso internacional, ganhando prêmio de edição com o poema You Are God!

Em 2003 lançou o 2º livro, Fragmentos da Memória.

Suas poesias, crônicas e pequenos contos constam em Antologias e em livros diversos, como O Discurso do Câncer e As Cadeias do Texto, da profª Cláudia Roncarati .

Durante dez anos exercitou-se como cronista no jornal da família Mercadante: Mercad'Antes & Depois.

Apresenta-se em vários núcleos poéticos no Rio e em Salvador, tais como: Grupo Paz e Poesia, Centro de Literatura do Forte, Chá dos Poetas, Federação das Academias de Letras do Rio de Janeiro, Grêmio Águas de Março, Grupo Doce Canto e Poesia, Associação Cultural Khalil Gibran, Grupo de Ação Cultural da Bahia, União Brasileira de Trovadores da Bahia.

Em 2009, criou e aplicou em duas bibliotecas municipais o projeto Semeando Poesia, que visa estimular a criatividade para a experiência poética.

Em 2010, publica o livro Na Trilha da Poesia- poesia para crianças dos 8 aos 88.

Em 2012, o Projeto Semeando Poesia atua de maneira diferente, com a participação dos poetas em lugares públicos.


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

SYLVIA MERCADANTE - Recitação, Pintura, Fotografia, Cromoterapia, Observação de pássaros...

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

SYLVIA MERCADANTE - Desde menina gostava de escrever e tinha prazer nas leituras; minhas redações eram lidas pelos professores para a classe e isto me estimulava cada vez mais; na mocidade escrevi muitas poesias em cadernos que depois me desfiz.

Mas a chave, creio eu, foi mesmo a meditação transcendental. As poesias fluíam logo após os breves períodos de meditação.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

SYLVIA MERCADANTE – :
Livros de poemas ( 3 ):
*Palavras Transformadas (Ed. Litteris)

*Fragmentos da Memória (Ed. Papel & Virtual)

*Na Trilha da Poesia-Poesia para crianças dos 8 aos 88 (SESI/SENAI)

Antologias (10) :
*O Beijo (crônica Considerações sobre o beijo)

*O Sonho ( crônica O Sonho Mais Lindo, Sonhei...)

*Escritos Feitos de Música (crônica Um Sonho de Música)

*Best-Seller ( conto Visitantes Inesperados)

*Anuário dos Escritores ( conto O Fantasma da vila)

*Diário Literário (poesia Regozijo)

*Poetry Antology-Tides of Memory (poema You Are God!)

*Edição Cruz e Souza, do Clube Brasileiro de Escritores (poesia Resistência)

*Antologia em Verso e Prosa, da Unione Católica Artisti Italiani (UCAI) (poema Tu Estás Comigo_ Sei com me)

*Antologia em Verso e prosa, do Centro de Literatura do Forte ( poesia O Cedro Cor-de Rosa)

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

SYLVIA MERCADANTE - Geralmente, quando sinto uma leve euforia, o poema surge; como se já estivesse dentro de mim, esperando que eu o liberte.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

SYLVIA MERCADANTE - Os que li na minha adolescência e que permanecem vigorosos em suas obras: Machado de Assis, Érico Veríssimo, José de Alencar e outros. Os que até hoje me fascinam: Cecília Meirelles,Castro Alves, Olavo Bilac, Mário Quintana, Eça de Queiroz,Augusto Frederico Schmidt, Guilherme de Almeida, Manoel de Barros, Cora Coralina e outros.

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

SYLVIA MERCADANTE - Que escrevam com o coração, que não se preocupem com os julgamentos, que tenham menos autocrítica. Encontrem prazer no que fazem. Que escrevam por prazer; não se preocupem com medalhas e prêmios e reconhecimentos. A Poesia é uma arte delicada e, como tal, deve ser trabalhada _ com a delicadeza da alma.


POESIAS

O CANTO E A FALA

Ouço o canto triste dos pássaros
presos, em douradas gaiolas de ferro.
Ouço o canto alegre dos pássaros
livres,em bosques, no alto da serra.
Num, o canto é trinado,
é coisa rápida, qual suspiro de angústia.
Noutro, o canto é aberto,
é longo , qual ode à Terra.
Rompamos os grilhões do preconceito,
da dor do peito
e da fadiga da alma.
E contagiemos a todos
com a alegria do Ser que abrigamos
e muitas vezes o enterramos
por pura distração.
"Solte a voz na estrada",
ensina bela canção.
Sigamos o bom conselho,
libertemos o eco do coração!....


IMAGINA...

...se pegas uma estrelinha lá do céu
e a colocas em tua mente...
E penetra assim, em ti, uma luz macia e quente,
uma luz que, difusa, te alimente e que sorri.
Uma luz que é a própria vida em ti.
Imagina que alcanças a sabedoria divina...
Todos os tolos que promovem brigas e guerras,
os invejosos e os abutres da Terra
se afastam, aos poucos,
à tua chegada.
Simbolizas a alegria de viver.
Imagina que és uma canção antiga
que fala em amor, paz e compaixão
e por ela conduzes as crianças
__ germens de uma nova e única nação.
Imagina que tu és um louco adorável!
Todos embarcam numa gôndola branca
que em águas cristalinas desliza com suavidade
e ao teu comando proclamam:
Viva a fraternidade!...
Imagina que a Terra tornou-se rosa,
Pelo amor foi contaminada
e tu, serviçal mais humilde,
ponto de luz na estrada!...


SERTÃO DO CANINDÉ

Cangaceiro do Nordeste,
cabra macho, cabra bom,
envolto em panos e renda
pra amada faz serão.
Toca a viola e o sanfoneiro
não pode parar.
A noite inteira dá o recado
Pro seu amor assim lhe escutar.
Ó xente boa, essa do Norte!
Gente mais brava, carne de sol,
vaqueiro vem vindo
lá das bandas do arrebol!...
O São Francisco, o Velho Chico,
todo fagueiro, cheio de curvas,
vem... vindo...
Traz uma paz...
O peixe pula,
a borboleta passa,
o pássaro canta
cheio de graça!
Ó São Francisco! Abençoa essa gente!
Gente guerreira, gente de fé, pele curtida...
A roupa lavada em tuas águas
e na cinzenta gramínea estendida
É tela de Volpi, colorida!...
Cabras e cabritos passam correndo...
Buchada de bode na mesa a esperar...
Ó xente brava, gente guerreira,
que do cactus faz bala pra vida adoçar!...
Lampião, estória boa pra contar,
estória com início, meio, fim:
Guerreiro amoroso,
facínora temido...Êta estória boa pra contar!...
Não tinha um olho o pobre temido,
a planta do agreste o magoou
e a desdita de toda a família
com fibra de herói, Lampião vingou!
Ajudou do sertão a pobre gente
e só a uma mulher de verdade ele amou;
foi fiel, a Deus foi temente
e Padim Ciço o abençoou.
Louvado seja, Nosso Senhor!
Pequeno pedaço no mundo esquecido,
de caatingas e sinuosos rios,
porção agreste do Paraíso!...


O CEDRO COR-DE-ROSA

O grande cedro cor-de-rosa emanava amor.
Acolheu meu corpo exangue,
meu pensamento aflito.
Sentei-me em sua raiz exposta
larga e firme.
Escutou
minhas razões,
minhas dúvidas.
escutou-me, pacientemente, como um velho monge.
Toquei seu corpo secular, nobre e belo,
cheio das marcas do tempo.
A morte concedia a liberdade
às folhas já ruborizadas,
que desciam à terra, como borboletas, bailando no ar...
Pouco a pouco, a esperança retornava,
nessa tarde, banhada pelo tíbio sol de inverno.
E o coração novamente se alegrou, ao cantar dos pássaros,
que passeavam em bandos, acima das copas,
livres e felizes,
alheios ao burburinho frenético e insano
da ilusória vida humana.


REGOZIJO

Ajoelho ao final do dia
como ato de humildade,
momento puro de reflexão.
Afugento ideias vãs,
dou lugar à sabedoria
pra orientar o coração.
E assim, enlevado,
inicia-se a perfeita fusão:
aquele que crê
e o Ser exaltado,
o dono da Criação!
Rejubilo a alma sofrida,
mudo toda a vibração;
onde antes dor havia,
existe agora só alegria,
operou-se a renovação!

Sylvia Mercadante

domingo, 1 de julho de 2012

JOÃO ALBERTO TAVARES "LUPIN" - ENTREVISTA Nº 414

BIOGRAFIA

Nasci em CRATO (interior do ceará), em 1960.
Vim em 1976 morar em FORTALEZA.
Fiz faculdade de COMUNICAÇÃO (graduado).
Então comecei a me envolver com ARTE: ilustração, cartuns, colagens...
Colaborei em dezenas de fanzines, revistas alternativas, jornais...
Ganhei (com outros desenhistas) o prêmio ÂNGELO AGOSTINI (19º,2002), como cartunista.
Participei de várias mostras de ARTE POSTAL (também faço) : na América Latina, Europa e Japão.
Continuo minha produção, agora com a abertura pra internet.


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Quem é e o que faz “LUPIN” dentro e fora da arte visual ( Ilustração ) ?

JOÃO ALBERTO TAVARES “LUPIN” - Minha formação acadêmica é de jornalismo. nunca exercida.
Sou um pesquisador de imagens:virtuais e não-virtuais.
Atuo como livre-atirador: desenho, pinto, "colageio"...

SELMO VASCONCELLOS – Como foi a sua entrada no mundo das artes visuais (ilustrações ) ?

JOÃO ALBERTO TAVARES “LUPIN” - De leitor de quadrinhos a produtor de quadrinhos.
De tanto ler gibis, quis também ser um desenhista.

SELMO VASCONCELLOS – Como funciona o seu processo criativo e inspirador?

JOÃO ALBERTO TAVARES “LUPIN” - Meu processo criativo é o mais anárquico possível e tudo me inspira. leio muito e é de onde saco as minhas melhores ideias.

SELMO VASCONCELLOS – Quais os artistas visuais ( ilustradores ) que você admira?

JOÃO ALBERTO TAVARES “LUPIN” - A lista de artistas que admiro é muito grande.
Vou citar dois: HENFIL e QUINO!!!

SELMO VASCONCELLOS – Cite e fale dos seus personagens.

JOÃO ALBERTO TAVARES “LUPIN” - Eu não tenho nenhum personagem.
Sou mais um criador de "séries".
Junto vários desenhos no mesmo estilo e tenho aí uma série.
Nesse universo de séries, insiro meus tipos.

SELMO VASCONCELLOS – Quando olha uma arte visual ( ilustração ), o que é para você o mais importante?

JOÃO ALBERTO TAVARES “LUPIN” - A expressividade do trabalho.
É o que me faz sentir o artista.

SELMO VASCONCELLOS – Ainda existe censura nos meios de comunicações que te desestimula ?

JOÃO ALBERTO TAVARES “LUPIN” - Sem dúvida!!!
Entristece, mas não desestimula.
O "público" sempre foi muito reacionário.
Porém, já foi pior.

MARCIO BRAGANÇA - ENTREVISTA Nº 413

CURRÍCULO

Marcio Bragança tem como característica musical uma mistura interessante que passa pelo Blues, Jazz, Soul, Bossa Nova, Samba, Pop-Rock e Baladas Românticas, possui vasta experiência na noite e em bailes, portador de uma extensão vocal de 3 oitavas e habilidade no uso dos falsetes, fruto da influência da música de Minas Gerais. Aos nove anos deu seus primeiros passos musicais participando do coral de sua igreja e do coral de sua escola, onde teve sua primeira experiência com os palcos, participando de um concurso de corais onde seu grupo tirou o primeiro lugar, dando direito a participar da solenidade da ECO-92, na praia de Botafogo-RJ, evento assistido no mundo inteiro. Começou sua carreira musical como cantor gospel católico em 1995 e não demorou muito para chegar a MPB. No ano de 2000, começou a estudar na Escola de Música Villa-Lobos onde concluiu o curso em 2002. Em 2003 participou de um programa de empreendedorismo da Shell chamado Iniciativa Jovem e o seu projeto musical recebeu o SELO EMPREENDEDOR SUSTENTÁVEL, com chancela da UNESCO. Nesse momento, Marcio entendeu que precisava gerir sua carreira como se fosse uma empresa.

Faz parte da curadoria musical do evento semanal Corujão da Poesia, que acontece todas as terças no Bar do Beto, em Ipanema e às segundas na Livraria Nobel do Shopping Downtown Barra da Tijuca, alternando com o Bar Conversa Fiada da praia de São Francisco, quinzenalmente. Além de dono da Sucesso Brasil Produções é Diretor Artístico da Moína Produções e Eventos e membro da equipe do Centro Municipal de Referência da Música Carioca Artur da Távola. Dirigiu o Movimento Musical OutrosSim, que foi criado em 1997 por Jorge Vercillo e Marcelo Miranda. Fez parte do núcleo carioca do Clube Caiubi de Compositores comandado por André Lemos e Pedro Poema.

Marcio é um militante em prol da abertura de espaços para músicas autorais no Rio de Janeiro. Já se apresentou em locais importantes como Mistura Fina, Sala Baden Powell, Centro Cultural Carioca, Teatro Ziembinski, Lapa 40 Graus Sinuca & Gafieira, Maracanazinho, além de fazer shows fora do RJ, por exemplo em São Paulo, Belo Horizonte, Joinville, Teresina e Curitiba. Hoje, Marcio possui boas referências de nomes importantes da MPB, como Tavito, Paulinho Tapajós, Luhli, Alexandre Lemos, Jota Maranhão, Jorge Vercillo, entre outros. Seu primeiro CD, chamado Odisséia, foi lançado no natal de 2009 e disponibilizado gratuitamente através de downloads no site do projeto Oi Novo Som, onde em 4 meses atingiu a segunda posição dos artistas mais acessados, obtendo 3000 downloads, resultado significativo para um artista independente fora da grande mídia, o que lhe rendeu destaque no site do Oi Novo Som e o convite para o Estúdio Oi Novo Som.

Resumo Profissional:
- 17 anos de carreira musical como cantor
- Instrumentos: violão e guitarra base, percussão nível intermediário
- Experiência de 5 anos como operador de som
- Experiência de 11 anos como produtor de eventos e liderança de equipes
- Experiência com 1 CD produzido em estúdio e no momento pré-produzindo 2 trabalhos
- Cronista e poeta há 7 anos

Blog: http://conjugandosonhos.blogspot.com
Vídeos: www.youtube.com/marciobraganca


ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

MARCIO BRAGANÇA - Músico instrumentista (violão e percussão), cantor e compositor.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

MARCIO BRAGANÇA - Foi com a leitura. Na minha visão, a leitura é o abastecimento da escrita. Sempre tive facilidade pra escrever, tinha sempre notas altas em redação e confesso que no começo não tinha muita facilidade em sintetizar minhas ideias. A professora pedia 15 linhas e eu escrevia 20, 25. (risos)

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

MARCIO BRAGANÇA - Estou selecionando textos para o meu primeiro livro, que talvez seja de poemas e crônicas.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

MARCIO BRAGANÇA - Creio que tudo pode produzir poesia. No meu ver, tudo é poesia. Eu tenho mais facilidade de escrever sobre a mulher e sobre o cotidiano, mas vejo poesia em tudo, mas nem tudo é pra ser escrito num papel, e sim na mente, ou no corpo...

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

MARCIO BRAGANÇA - Fernando Pessoa (e todos os seus heterônimos), Saramago, Guimarães Rosa, Roberto Piva, Chacal, Machado de Assis, Euclydes da Cunha, Shakespeare, Voltaire, Thoreau... Muitos, muitos...

SELMO VASCONCELLOS - Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MARCIO BRAGANÇA - Leiam, leiam, escrevam, escrevam. Submeta seus textos à apreciação pública, sintam a resposta. Vão aos saraus que tiverem em suas cidades. Escrever é um exercício. Se parar, a inspiração atrofia, as mãos ficam presas na hora de escrever/digitar. O poeta/escritor fica "fora de forma".


POESIAS

SOU O QUE DIGO SER

Marcio Bragança

Quando digo que sou uma coisa
Significa que sou outra coisa
Então, quem diz ser outra coisa
Significa que é uma coisa?
Podem especular como quiserem
O que sou interessa somente a mim
E quem pode dizer o que sou
Sou eu mesmo
Sou o que digo ser
E se isso incomoda vocês
Se mudem, ou apenas mudem
Ou, simplesmente, se emudeçam!
Se tem algum armário, geladeira
Ou qualquer móvel ou eletrodoméstico
Do quais eu tenha que sair
A única pessoa que pode me tirar dali sou eu
Porém, especuladores, lamento informá-los:
Sou o que digo ser!
Se eu fosse outra coisa
Teria nenhum problema em assumir
Mas, sou uma coisa, com plena convicção
E tenho profundo respeito por quem é outra coisa
Por quem é QUALQUER COISA, melhor dizendo
Então, especuladores, vão cuidar de suas vidas
Deixem que eu cuido da minha
E sejam o que são
E se querem ser respeitados pelo o que são
Aprendam ou relembrem
Que o respeito só existe quando é mútuo!


CISÃO

Marcio Bragança

Corto todos os cordões umbilicais
Com aqueles que, na minha vida, não quero mais
Corto todas as relações sem futuro
Com aqueles que são "osso duro"
Corto as rimas
Pra esta poesia não ficar um saco!
Corto as estéticas poéticas
Pois eu não tenho nexo
Corto o desejo de aprovação
Pois quem paga minhas contas sou eu!
Corto, cirurgicamente, essa tristeza que me toma
Corto, definitivamente, essa falta de vontade de viver
Só não corto a dor que os cortes me causam
Só não corto os meus pulsos
Só não corto os meus medicamentos
E só não corto a inspiração


FALTA DE TEMPO

Marcio Bragança

Não tive tempo de amar você
Apesar de ter me apaixonado
Não tive tempo de fazer você me amar
Apesar de ter provado dos seus mais calorosos beijos
Não tive tempo de lhe mostrar quem sou
Apesar de eu ter exposto minha vida inteira a você
Não tive tempo de lhe conhecer bem
Apesar de eu ter lido você nas entrelinhas
Não tive tempo de me fazer importante na sua vida
Apesar de você sempre dar um jeito de falar comigo todos os dias
Não tive tempo de lhe tornar importante na minha vida
Apesar de todo o sentimento que me levava a isso
Não tive tempo de lhe dizer muitas coisas
Apesar de termos discutido à exaustão a nossa relação(?)
Não tive tempo de me despedir
Apesar de nem precisar disso
Adeus.


CONCLUSÃO

Marcio Bragança

Se eu sou capaz de amar uma pessoa que me odeia
Significa que não tenho amor próprio
Ou seja:
Sou perfeitamente capaz de amar a mim mesmo!


BAILARINA

Marcio Bragança

O que te move, bailarina?
De onde vem esses passos
Que exigem tanta resistência
E ao mesmo tempo tanta leveza?
É uma força tão delicada...
É uma sensualidade tão pura...
Sinto um medo que me encoraja
Um desejo que me leva à culpa
Uma coragem que me intimida
Uma culpa que me apetece...
Ah, bailarina...
Teus saltos e giros me fascinam
Tua elasticidade me leva a pensar
Que o impossível é possível
Tua dança é divina e humana
Pois vejo Deus
E vejo uma mulher
É tão estranho...
Não sei se estou pecando
Ao te olhar dançar
É uma confusão de sensações
Baila, bailarina
Teu pas de deux me traz paz
E elevè minha alma