segunda-feira, 27 de junho de 2011

NICE VENTURA - ENTREVISTA Nº 323

PEQUENA BIOGRAFIA

Nice Ventura - Alagoana, radicada em Iguaba Grande. Professora, escritora, poeta, artista plástica, voltada para os temas educacionais e culturais. A cultura envolve a personalidade em exercício da liberdade do conhecimento e da comunicação.

A Natureza nos convida a cada momento. Paciência, ela tem de nos aguardar... Se bem que, A natureza não existe só para contemplar. O poeta é um observador, um apaixonado e a poesia é Arte. Torna-se um estudo da natureza e do ser humano. Assim surgiu a natureza poética, através dos sentimentos, do agir e do pensar. A Literatura, nasce da literatura. Cada obra nova,é continuação ou contestação das obras anteriores. Escrever, é pois, dialogar com a literatura anterior e com a contemporânea...

Escrever, sempre foi minha companhia, amiga particular, a qual posso confiar externando pensamentos, que se acumulam no âmago ou idéias recentes. Daí, exaltou-me esta virtude, estimulando-me o prazer por redigir.

Atividades no meio literário:
- Colunista do Jornal , "Folha de Araruama" *EDITORIAIS* *CARTAS* *MANUSCRITOS* *Poesias* *Crônicas*.

- Integro no livro, Antologia "Alimento da Alma"III. Organização Jane Rossi. /ALIMENTO DA ALMA IV. /Antologia I, da REVISTA de POETAS - 2011 - RJ / "Essências "Antologia Literária da Região dos Lagos - 2011 - Cabo Frio – RJ.

- Também convite para participação no Livro "NOS MULHERES" VOL. IX, 2010. SP.

- Moções de Congratulações* Título de Cidadã Iguabense.

- Membro de júri em vários Salões...

- Participação do Júri Oficial, Salão de Artes Plásticas ABD, e Casa Histórica do Marechal Deodoro da Fonseca 21/5/2010 .

- Associada à Sociedade Brasileira Belas Artes (SBBA) e Associação Brasileiro de Desenho e Artes Visuais (ABD).

- Exposições, individuais e coletivas. Participação de vários Salões renomados, que se fundam na tradição. Ressaltando, Estados distintos, Rio de Janeiro e cidades. Exterior, em Portugal e N. York.

- Medalhas de Méritos Culturais: Menção Honrosa Bronze, Prata e Ouro.

- Destaque, mais que ouro*Homenagem Especial* e Troféu. Anexando, dia 17//6/2010, no Salão Museu Histórico do Exército - Forte Copacabana, Rio de Janeiro, fui agraciada com Troféu pela Obra de pintura.

- Acadêmica das Academias: Academia Itapira de Letras e Artes, São Paulo / Academia da Mantiqueira, Cadeira número 64, São Paulo / Academia de Letras e Artes da Região dos Lagos, "Aleart" / Acadêmica e Patronesse Perpétua, Cadeira número 05, Artes Ciências e Letras de Iguaba Grande, Rio de Janeiro "AACLIG" / Academia de Artes de Cabo Frio. "ARTPOP" / Representante Municipal desta Côrte CONSAGRATÓRIA de Literatos, Artistas Plásticos, Músicos e Educadores em Iguaba Grande , Delegada da Falasp (FEDERAÇÃO |das Academias Letras e Artes do Estado de São Paulo. / Membro acadêmica da Academia Letras e Artes de Búzios (ALAB) / Membro acadêmica da Academia Letras e Artes Arraial do Cabo (ACLIC)

- DIPLOMA COMENDADORA: COMENDADORA DA ABD - Associação Brasileira de Desenho e Artes Visuais Em 2006 Diploma e Medalha Grande Oficial / Em 2007 Comendadora,da Federação das Academias de Letra e Artes do Estado de São PAULO 'FALASP" PRESIDENTE CONDE THIAGO DE MENEZES / Em 2008 Real Ordem do Mérito Cultural, Dom João VI de Portugal. Egrégio Superior Conselho, tendo, em vista as qualidades morais e intelectuais e serviços prestados ao país no campo cultural, foi-me conferido, o grau de DAMA COMENDADORA. 10/9/2008 / Mérito Presidente Juscelino Kubitschek. Oficializada no cadastramento de Medalha pelo Sistema de Pessoal do Exercito Brasileiro. No grau COMENDADOR, Código, 691 Em 20/5/2009 / "Ordem Honorífica CULTURAL, BRASIL FRANÇA", CONCEDE-ME Diploma e Medalha: PALMAS ACADÊMICAS 27/7/2009 / Mérito Cultural e Empreendedor da Aviação e Navegação, Aero Espacial, Albert Santos Dumont. 29/11/2008 / Medalha do Mérito Dragões Reais das Minas Delegacia Tenente Brigadeiro do Ar Nelson Levenere Wanderley, da Academia de História Militar do Brasil, na cidade de Santos Dumont em MG,concede-me a Medalha e Diploma "DRAGÕES DAS MINAS" Em 2009 / Mérito Cívico "Maria Quitéria" da FALASP / Mérito Cultural "Anita Garibaldi. 27/11/2009 / Medalha Mérito Cultural "Tomé de Souza" da FALASP / Medalha Mérito Cultural 'Tiradentes" Em 7/6/2010.

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

NICE VENTURA - Exposições das minhas artes plásticas e dos colegas; Participação nas gincanas; Jurada nos eventos ; Atividades nas Academias Literárias; Palestras sobre as artes nos Colégios; Entrevistar e ser entrevistada.
Viajar bastante; e caminhar na orla; etc.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

NICE VENTURA - Não posso afirmar, ter sido espontâneo, enquanto cresci vendo os meus, sempre ligados aos livros, como também,a música, uma participação forte em minha vida.
Pois, meu avô, regente de uma orquestra... E os livros, sempre meus amigos inseparáveis !

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

NICE VENTURA - Árdua resposta. Impossível citar, entre tantas maravilhas !
Deixo meus aplausos a todos ! Porém posso frisar, Quintana, Fernando Pessoa , Andrade, Shaskespeare ,Cora Coralina, etc.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

NICE VENTURA - Particularmente, não existe impacto ou atmosfera.
É o "MOMENTO", o responsável do aflorar. Seja qual o lugar ou o sentimento...

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

NICE VENTURA - A certeza absoluta, o caminho , mais indicado, é adquirir o hábito de ler. Conservar os olhos fixos num ideal e lutar sempre pelo que desejar . Aí está, a base para um futuro desejado !

POESIAS

DESTE-ME TUDO

Senti sede deste- me de beber
Das fontes quentes que mina incessantemente...
Bebi da tua boca, a água pura das fontes, a correr
Onde ninguém sabe , no qual jorra mineral fremente.

Senti frio , e vieste - me aquecer
Fundimos no mesmo abraço, o mesmo assomo
Dois num só...
Nunca vamos esquecer...

Consegui alcançar com minhas mãos,
Assim como quem colhe um fruto,
Entre sombras do ramo.
Teu corpo robusto . Inteiro toquei...

Desejei .
Ter um sono sem fim...
A realidade,
não findasse, este incêndio
A invadir , quando nos amamos...

Nice Ventura

DESTINO

Duas pessoas se gostam e supõe estarem
Engajadas no mesmo caminho...
Seguem desprevenidamente o percurso...
Mas o destino é traiçoeiro e os ataca impiedosamente...

A força do amor , que os impera, zomba do destino.
Ambos , se divertem...
Ambos , pensam está brincando.
Quando na realidade, é "ele," quem brinca ironicamente,
E trama algo, que os faz suspeitar...

Nadando no mar da felicidade, percebem ao se amar...
Que o amor do seu enlevo, quando sentido,
É profundo,infinito e imenso...
Por isso lutam para dissipá-lo... Mas é inútil...

Afinal, quem somos nós para arrebatar o destino?
Não passam , além de dois ramos, a serem levados
pela correnteza...
E em dois ramos os transformou, o Destino ...

Quanto mais , cresceram no amor,
Tanto mais os separou...

Nice Ventura

SENHOR

Deste-me o nascer para eu crescer com o mundo.
E o mundo me ver crescer.
Deste-me o mundo pra eu viver.
E que mundo ! ...
Deste-me a Ti, para amar e obedecer.

Deste-me uma mãe carinhosa e paciente,
Deste-me uma igreja para rezar
Deste-me os amanhãs de esperanças crescentes
Deste-me as noites de luar.

Deste-me a infância .
Deste-me a inocência com pureza e candura
Deste-me o fervilhar da adolescência ,
florindo à mocidade no jogo da idade imatura .

Deste-me o sol, as montanhas, os rochedos.
Deste-me o silêncio, a chuva, o mar.
Deste-me as estrelas, o vento , os arvoredos.
Deste-me também um coração para amar...

De criança me fiz mulher.
E do mundo, o que me deste, vivo a sonhar.
Deste-me a solidão e não encontro , quem me quer.
Deste-me tudo. Só não me deste, o amor, que devo amar...

Nice Ventura

quinta-feira, 23 de junho de 2011

VANESSA RODRIGUES DE SOUSA - ENTREVISTA Nº 322

PEQUENA BIOGRAFIA

Vanessa Rodrigues de Sousa, nasceu na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1980, vindo de uma família de escritores e literatos desenvolveu ainda muito jovem interesse e aptidão para escrever poesias. Tendo passado parte da infância e juventude na cidade de Cabo Frio, foi lá que ingressou em grupos teatrais e poéticos tendo como referencia o grupo Sociedade Dos Poetas Vivos criado e coordenado pelo poeta e literato Maurício Cardozo, que tinha como meta desenvolver o interesse dos jovens os estimulando e ensinando a recitar e interpretar poetas brasileiros e estrangeiros nos palcos das escolas ou mesmo praças publicas onde trabalhava a espontaneidade e combatia a timidez dos seus discípulos. Hoje dedica-se regularmente à produção poética, participando de grupos e sítios eletrônicos voltados para o tema, é membro da ARTPOP Academia de Artes e Letras de Cabo Frio, é colunista do Blog Cartão Vermelho TV, idealizado e coordenado pelo escritor, poeta e grande amigo Álex Garcia.
Redatora Chefe do Rio das Ostras Jornal Online e Impresso.

http://vanessacabofrio.blogspot.com
http://vanessadevassa.blogspot.com
http://pt-br.facebook.com/vanessapoetisa
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/vanessarodrigues
http://depressaoepoesia.ning.com/profile/vanessa
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=5961

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

VANESSA RODRIGUES DE SOUSA - Em primeiro lugar sou mãe dedicada de um pimpolho de 3 anos. Além disso, escrevo meus blogs e tenho colaborado com jornais regionais, redes sociais e blogs de amigos. Esse ano enfrentei o desafio de tornar-me redatora do Rio das Ostras Jornal e confesso que estou adorando a experiência.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

VANESSA RODRIGUES DE SOUSA - Acho que tem algo a ver com meu DNA, venho de uma família de literatos. Meu pai escreve, é fundador da Academia de Arte de Cabo Frio e região, e meu avô também escrevia. No colégio fui despertada para a poesia. Comecei e não parei.

SELMO VASCONCELLOS - Quantos e quais os seus livros publicados ?

VANESSA RODRIGUES DE SOUSA - Ainda estou na fase de divulgação do nome, e embora já tenha vários livros engavetados, aguardo o momento mais propício para um lançamento que alcance não somente meu estado, mas a maior parte possível do território nacional. Por enquanto, publico quase que exclusivamente na internet, com exceção da coluna que mantenho no Rio das Ostras Jornal Impresso.

SELMO VASCONCELLOS - Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(e) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia ?

VANESSA RODRIGUES DE SOUSA - Poesia é um mundo misterioso mesmo para mim. A inspiração, como vemos na história literária, vem das alegrias, dos amores, e sobretudo das dores. Mas o pensamento nasce de repente e o melhor que podemos fazer é viajar com ele.

SELMO VASCONCELLOS - Quais os escritores que você admira ?

VANESSA RODRIGUES DE SOUSA - Admiro clássicos como Fernando Pessoa e Gonçalves Dias. Há pouco recebi um lindo presente, um livro de Carlos Drummond de Andrade. Estou adorando.

SELMO VASCONCELLOS - Como surgiu seu interesse literário ?

VANESSA RODRIGUES DE SOUSA - Para os novos eu daria um conselho, embora também seja eu mesma uma poetisa nova. O conselho é que deixe a inspiração guiar sua escrita. Sentiu inspiração, escreva. E sobretudo nunca desista ou deixe de estudar, a vida é um constante aprendizado e devemos estar sempre renovando nossos conhecimentos.

POEMAS

SOLO ESTÉRIL

Faz tanto tempo que caminho em solo estéril,
Por intermédio dessa triste maldição,
Que fiz império no reinado da escória
Da vã memória que habitou meu coração.

Quão violentos os desejos da minha carne,
Invalidada no desuso do meu corpo,
Fui dissipando na ferida que se abre
Em cada frase que auferi num gesto morto.

E foram estorvos que colhi no meu caminho,
Ouros mesquinhos de enorme falsidade,
Onde cravei incessante meus espinhos,
Acorrentando em meu peito a liberdade.

Até que um dia percebi que era tão tarde.
Todos meus atos de extorsão cobraram um preço
Que eu paguei me condenando a mocidade,
Quando cavei e não achei um recomeço...

(Vanessa Rodrigues)

ENCANECER

Decompõe-se cada vinco da minha face
Na idade que não quero aparentar,
Ocultando em bases, cores multiformes,
Os inconformes que se formam em meu olhar.

Redescubro em minha pele uma estrada
De caminhos mal traçados e recobertos
Pelos anos, que desabam em grandes marcas
Que se alastram pelo flácido império.

Os meus passos mais cansados, menos firmes,
Se confundem e tropeçam nos caminhos
Que passei a vida toda, em declive,
Sendo triste e fiel aos meus espinhos.

Minhas mãos já não seguram as certezas
Que, de incertas, invalidam meu futuro,
Desabando em minha frente a fortaleza
Na beleza que outrora era meu mundo...

(Vanessa Rodrigues)

SANGRENTOS PRESSÁGIOS

Em seus braços, eu chorei a saudade que previam meus anseios:
De perder para sempre os abraços que acalantam minha alma,
E deixar de viver a verdade desvendada nos segredos
Dos instantes mais profundos e sutis de nossa estrada.

Esta noite, revesti meu ventre do amargo sabor do adeus,
Revelado na lágrima incerta que rolou de seus olhos.
Senti que sofria a saudade futura, assim como eu.
Não me deixe jamais sem seus braços, meu amor, eu imploro.

De agora em diante prometa que não vai mais partir,
Sem levar-me a seu lado, não importa qual seja o destino.
Me reviva para sempre e não deixe jamais de sentir
A essência incontida que brota dos meus beijos sofridos...

Vanessa Rodrigues.

DEIXA-ME

Vai, mulher ingrata,
Sai da vista desse teu escravo.
Crava as feridas nesse peito inválido,
Segue tua estrada sem olhar pra trás.

Vai, maldita alma que amei,
Corre esse mundo, sente-te livre,
Ama como um bicho que não é mais triste,
Deixa para mim o que te arranquei.

Deixa-me os espinhos de tuas asas,
Deixa-me as crias que não soubeste amar,
Deixa-me teus vultos pela madrugada,
Deixa os fantasmas pra me assombrar.

Deixa-me a miséria, que esta já foi tua,
Deixa-me a tristeza que já sentiste, eu sei,
Deixa-me marcado pela saudade crua,
Deixa-me na rua onde te encontrei...

Vanessa Rodrigues.

OS QUATRO VENTOS

Ofereço meu amor aos quatro ventos:
Que todos levem uma parte de mim.
Ofereço meus olhos ao firmamento,
Que firme em meus versos o que prometi.

Ofereço minha admiração ao universo,
Pois este é infindo como sempre quis ser.
Ofereço meus sonhos ao submerso,
Para que não morram no amanhecer.

Ofereço meu corpo à natureza,
Que toda sua beleza saberá cultivar.
Ofereço minha alegria à correnteza,
Que findará tristeza por onde passar.

Ofereço minhas lembranças ao anoitecer,
Pois todas viverão no sorriso meu.
Ofereço meu coração a você,
Que este sempre lhe pertenceu.

Vanessa Rodrigues.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

ENTREVISTA Nº 321 - ANDRE PERAGALLO

Vernevil, France, 30 de março de 2011

Mon cher Selmo Vasconcellos,

Votre message arrive ici comme un rayon de soleil. Quelle surprise pour quelqu’un qui, comme moi, vit aujourd’hui bien à l’écart, replié dans la douce solitude de mon age.
Pour vous être agréable je vous adresse ces quelques mots et quelques écritures qui sont comme des souvenirs et peut être une réponse à votre questionnaire.


Meu caro Selmo Vasconcellos,

Sua carta chega aqui como um raio de sol. Que surpresa para alguém que, como eu, vive hoje bastante isolado, recolhido na doce solidão da minha idade!
Para ser gentil da mesma forma com você, eu lhe dedico algumas palavras e alguns escritos que são como lembranças e, talvez, uma resposta ao seu questionário.

BIOGRAPHIE / BIOGRAFIA

ANDRE PERAGALLO “Je suis né au mois d’Août sous les feux de l’éte
“Dans un petit pays près du bord de la Loire

Plus prosaïquement, c’est le 11 Août 1921, sous le signe du Lion, le seul à être gouverné par le soleil, que je suis né dans une petite commune de l’Indre et Loire dont je n’ai pas gardé de souvenirs, ayant quitté trop jeune le village. Ce n’est que 40 plus tard, au cours d’un voyage, j’irai le découvrir.
De retour dans le Nord, où habitait toute ma famille, naquit mon frère René, le 4 Juin 1926. pendant bien des annés mon enfance fut nomade. Mes parents déménageaint souvent car mon père, ingéniur de travaux publics, changeait de région fréquemment. Ainsi j’ai passe mes douze premières années à Toulouse, loin du Nord familial qui est ma véritable patrie et que je quitterai, ensuite, pour épouser une parisiense.
Parmi les bulles du souvenir qui éclatent à la surface du présent, les images de “l’enfance maîtresse” comme le dit si bien Eluard, occupent en moi un espace privilégié. J’ai toujours ressenti le regret de l’enfance passée, le paradis de l’enfance perdu.
Un de mes livres s’intitule “Du Côté de l’enfance”. Et mon enfance fut rêveuse, plus contemplatrice que studieuse.

“Je ne suis pas sorti de l’université
“Et j’ai bien mal appris sur les bancs de l’école
“Mais tout était sensible à l’enfant que j’étais
“Un pauvre enfant distrait par les mouches qui volent
(Du côté de l’enfance)

J’étais et je reste extrêmement sensible à la musique, à celle des voix, à celle des instruments. Je suis un auditif. Ma mère était une bonne pianiste et violoniste.
J’embassais son violon lorsque j’avais cinq ans. J’aimais la solitude et l’isolement.
C’était, pour moi, comme un refuge dans lequel je blottissais mon émotion et ma timidité. J’etais aussi très attiré par la nature et par les fourmis du jardin de mon père que je pouvais regarder pendant des heures entières, sans me lasser. L aterre les oiseaux, les plantes m’ont fait découvrir bien des choses qu’on apprend qu’avec les yeux. Ils ont instruit l’autodidacte que j’ai toujours été.
Mais bientôt deux terribles événements viendront bouleverser cette enfance et vien-dront l’obscurcir à jamais : la surdité totale de mon père puis, deux années plus tard, le 29 Novembre 1933, la mort tragique de mon jeune frère renversé par une automobile. Depuis cette date la mort, jusque là inconnue, deviendra une hantise.

“il y a toujours une ombre
“qui marche à mon côte
(L’arbre et la mort)

ANDRE PERAGALLO “ Eu nasci no mês de agosto, sob o calor do verão
“ Numa cidadezinha próxima à margem do rio Loire

Mais prosaicamente, foi em 11 de agosto de 1921, sob o signo de Leão, o único regido pelo sol, que nasci numa pequena comunidade do Indre e Loire, da qual não guardei lembranças, tendo deixado a cidadezinha jovem demais. Somente 40 anos mais tarde, no decorrer de uma viagem, eu iria descobri-la.
De volta ao Norte, onde morava toda minha família, nasceu meu irmão René, em 4 de Junho de 1926. Durante muitos anos minha infância foi nômade. Meus pais mudavam-se frequentemente, pois meu pai, engenheiro do serviço público, trocava frequentemente de região. Assim passei meus primeiros doze anos em Toulouse, longe do Norte familiar que é minha verdadeira pátria e que eu deixaria, em seguida, para me casar com uma parisiense.
Entre as bolhas de lembrança que estouram na superfície do presente, as imagens da “infância amante” como bem o diria Eluard, ocupam em mim um espaço privilegiado. Sempre senti saudades da infância passada, do paraíso da infância perdido. Um dos meus livros se chama “Ao Lado da Infância”. E minha infância foi sonhadora, mais contemplativa que estudiosa.

“ Eu não saí da Universidade
“E aprendi muito mal nos bancos escolares
“Mas tudo era sensível à criança que eu era
“Uma pobre criança distraída pelas moscas que voam

(Ao Lado da Infância)

Eu era e permaneci extremamente sensível à música, de vozes e de instrumentos. Sou um auditivo. Minha mãe era uma boa pianista e violinista. Eu beijava seu violino quando tinha cinco anos. Amava a solidão e o isolamento. Era, para mim, como um refúgio no qual eu escondia minha emoção e minha timidez. Fui também muito atraído pela natureza e pelas formigas do jardim de meu pai que eu podia olhar por horas a fio, sem me cansar. A terra, os pássaros, as plantas me fizeram descobrir coisas que se aprendem apenas com os olhos. Eles instruíram o autodidata que sempre fui.
Mas em breve dois terríveis acontecimentos viriam transtornar esta infância e obscurecê-la para sempre: a surdez total de meu pai e depois, dois anos mais tarde, em 29 de novembro de 1933, a morte trágica de meu jovem irmão, atropelado por um carro. Desde essa data, a morte, até então desconhecida, tornou-se uma assombração.

“há sempre uma sombra
“que caminha ao meu lado

(A árvore e a morte)

A guerra chegaria, em seguida, com suas hecatombes. A vida não teria, nunca mais, a mesma cor.

ENTRETIEN / ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quelles sont vos autres activités, outre écrire? Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
ANDRÉ PERAGALLO – A 90 ans je n’ai plus d’autres activités que celle de la méditation et de l’attente imprévisible du grand départ vers l’inconnu. Mais l avie me retient pour l’instant et je l’aime.
ANDRE PERAGALLO -Aos 90 anos eu não tenho mais outras atividades além da meditação e da espera imprevisível da grande partida para o desconhecido. Mas a vida me retém por uns momentos e eu a amo.

SELMO VASCONCELLOS - Comment est né votre intérêt literaire? Como surgiu seu interesse literário ?
ANDRE PERAGALLO – Je suis devenu poète sans le vouloir ni le savoir:

“On me dit que je suis poète
J’assemble des mots un à un
Pareils aux drapeaux de la fête
Qu’on voit tout en haut du chemin
Les mots ne se laissent pas faire
Qui les a cherchés le sait bien
Mais c’est comme un mal nécessaire
Qui me blesse et qui me retient.”
(Amour, paroles rebelles)

ANDRE PERAGALLO - Tornei-me poeta sem querer e sem saber:

“Me disseram que sou poeta
Eu junto palavras uma a uma
iguais às bandeiras da festa
que se vê ao longo do caminho
As palavras não se deixam levar
quem tentou bem o sabe
Mas é como um mal necessário
que me fere e que me segura.”
(Amor, palavras rebeldes)
Les circonstances, le hasard de la vie et des rencontres d’autres poètes de mon époque, qui m’ont encouragé, ont contribué et convaincu de faire connaître mon écriture.
As circunstâncias, o acaso da vida e os encontros com outros poetas de minha época, que me encorajaram, contribuiram e me convenceram a tornar conhecidos os meus escritos.

SELMO VASCONCELLOS - Combien et quels sont vos livres publiés dedans et dehors votre pays? Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
ANDRE PERAGALLO – Une quinzaine d’ouvrages publiés à Paris et en province. Des publications dans des revues françaises et étrangères em Belgique, Italie, Roumanie, Chine, Corée, Mexique, Brésil et USA avec des traductions et des articles de mon amie poète Teresinka Pereira, Présidente de l”Asociaciôn Internacional de Escritores y Artists que je connais depuis plus de 30 ans.
ANDRE PERAGALLO - Uma quinzena de obras publicadas em Paris e região. Publicações em revistas francesas e estrangeiras: na Bélgica, Itália, Romênia, China, Coréia, México, Brasil e Estados Unidos com traduções e artigos de minha amiga poeta Teresinka Pereira, presidente da Associação Internacional de Escritores e Artistas, que conheço há mais de 30 anos.

SELMO VASCONCELLOS - Quels sont les impacts que produisent les atmosphères capables de produire la litérature? Qual o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?
ANDRE PERAGALLO – La poésie se nourrit de regards sur les choses de la vie. Qu’importe son impact. Elle existe et elle a son historie. Elle parcourt l’espace. Son voyage se poursuit dans le Temps, Par le pouvoir des mots, de l’imagination, elle franchit l’inconnu et traverse le miroir de la vie. Ainsi elle nous relie à l’éternel. Parfois elle nous surprend et nous étonne lorsque la rose se change en étincelle, l’étincelle em oiseau et l’oiseau em lumière.
ANDRE PERAGALLO - A poesia se alimenta de olhares sobre as coisas da vida. Que importa seu impacto? Ela existe e tem a sua história. Ela percorre o espaço. Sua viagem prossegue no Tempo. Pelo poder das palavras, da imaginação, ela transpõe o desconhecido e atravessa o espelho da vida. Assim ela nos liga ao eterno. Às vezes ela nos surpreende e nos provoca admiração quando a rosa se transforma em faísca, a faísca em pássaro e o pássaro em luz.

SELMO VASCONCELLOS - Quels sont les écrivains qui vous admirez? Quais os escritores que você admira ?
ANDRE PERAGALLO – J’admire et j’aime et m’apparente à ceux qui veulent se faire comprendre et non à ceux qui cherchent à se rendre obscurs.
ANDRE PERAGALLO - Eu admiro, amo e me assemelho àqueles que querem se fazer compreender e não aos que procuram tornar-se obscuros.

SELMO VASCONCELLOS - Quels sont les messages que vous donneriez aux nouveaux poètes? Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
ANDRE PERAGALLO – Toute création est un acte d’amour, de communication, de communion, et de partage avec les autres. C’est à cela qu’il faut penser quand on écrit.
ANDRE PERAGALLO - Toda criação é um ato de amor, de comunicação, de comunhão e de partilha com os outros. É nisso que devemos pensar quando escrevemos.

POÉMES / POEMAS

UNE LUMIERE S’ALLUME

Une lumière
s’allume
en refoulant
les ombres attardées

Tout est vert à nouveau

Un coeur se met à battre
dans le corps d’un pommier

Le chant d’un oiseau
à midi s’évapore
il emporte les mots
d’un poème assoupi
qui tout à coup
se met à vivre.

UMA LUZ SE ACENDE

Uma luz
se acende
detendo
as sombras
atrasadas

Tudo é verde novamente

Um coração se põe a bater
no corpo de uma macieira

O canto de um pássaro
se evapora ao meio dia
e leva as palavras
de um poema adormecido
que de repente
põe-se a brotar.


FRATERNITE

Des hommes qui se parlent
font naître un feu de leurs paroles
et le pain, rayonnant, sur la table
est là pour un partage
Des hommes se rassemblent
et des hommes se partlent
la vie ne s’arrêtera plus
de couler dans leurs veines.

FRATERNIDADE

Homens que se falam
fazem nascer um fogo de suas palavras
e o pão, radiante, sobre a mesa
lá está para uma partilha
Homens se assemelham
e homens se falam
a vida não cessará mais
de correr em suas veias.


LA VIE QUI VA

Comme un soleil nouveau
comme un jour d’allégresse
une pluie d’été quand il fait chaud
comme une mer tranquille
ou un fleuve étincelant
comme éclate un bourgeon sous la sève en été
comme un souvenir qu’on veut garder toujours
comme un secret d’amour
ou un enfant qui vient de naître
comme les mots simples qui vont si bien aux ames simples
comme le bruit d’une usine dans le froid matin gris
comme l’écoulement du Temps
comme la merveilleuse rotation de la Terre
dans l’infini de l’Univers
comme l’attachement au spectacle de la vie
à la contemplation à la méditation
comme un poème qu’on porte longtemps en soi
et comme un chaleureux élan du coeur
je dis toutes ces choses
parce qu’un homme qui crie n’estpas un homme qui dort.

A VIDA QUE VAI

Como um novo sol
como um dia de alegria
uma chuva de verão quando faz calor
como um mar tranquilo
ou um rio cintilante
como desponta um broto sob a seiva no verão
como uma lembrança que se quer guardar para sempre
como um segredo de amor
ou uma criança que acaba de nascer
como as palavras simples que são tão boas para as almas simples
como o apito de uma fábrica na fria manhã cinzenta
como o transcorrer do Tempo
como a maravilhosa rotação da Terra
no infinito Universo
como o apego ao espetáculo da vida
à contemplação,à meditação
como um poema que carregamos muito tempo em nós
e como um cálido impulso do coração
eu digo todas essas coisas
porque um homem que grita não é um homem que dorme.


SIMPLEMENT

Simplement

Je parle avec la voix des sources
et les mots qui s’inscrivent ont la du ciel

Simplement

Ils arrivent avec la voix du vent
des rumeurs de la terre
des oiseaux dans les champs
et des petits enfants qui s’en vont à l’école
laissant à la maison leurs jouets et leurs rêves

Simplement

Des sentiments humains répandent leurs parfums
comme font les abeilles qui embrassent les fleurs
et s’endorment le soir dans l’air frais de la nuit

Simplement

En écoutant la voix
des choses de la vie

SIMPLESMENTE

Eu falo com a voz das fontes
e as palavras que se inscrevem tem a cor do céu

Simplesmente

Elas chegam com a voz do vento
dos rumores da terra
dos pássaros nos campos
e das criancinhas que vão à escola
deixando em casa seus brinquedos e seus sonhos

Simplesmente

Sentimentos humanos espalham seus perfumes
como fazem as abelhas que beijam as flores
e adormecem ao entardecer no ar fresco da madrugada.

Simplesmente

Ouvindo a voz
das coisas da vida.


DEMAIN

Qui te verra partir à l’aube
Demain viendra le crépuscule
avec les cendres avec les os avec les pierres

Le train déjà s’est éloigné
lumière éteinte
mais il n’a pas tout emporté.

Mes amis
quelque chose est restée
sur le quai.

Ainsi sera ma longue nuit d’errance
l’oubli le souvenir peut-être.

Que demeure ici mon poème
fantôme dans les ténèbres

AMANHÃ

Quem te verá partir na aurora
Amanhã virá o crepúsculo
com as cinzas, com os ossos, com as pedras.

O trem já se distanciou
luz apagada
mas ele não levou tudo.

Meus amigos
alguma coisa ficou
sobre o cais.

Assim será minha longa noite errante
o esquecimento da lembrança, talvez.

Que fique aqui meu poema
fantasma das trevas.
****
TRADUCTION / TRADUÇÃO : NEUSA ZANIRATO
Professora de Francês e Italiano. Escritora.
São Paulo, SP.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ARLETTE CHAUMORCEL - ENTREVISTA Nº 320.

ARLETTE CHAUMORCEL

MERVILLE - FRANCE

BIOGRAPHIE / BIOGRAFIA

Arlette Chaumorcel a publié, aux Editions de l’Epinette, 14 recueils de poèmes,
un recueil de poèmes aux Editions du Douayeul.
Les anodines, Les sablines, Le buisson d’Annelise, La fontaine aux merles, L’imagier, Les parélies, Terres et dérives, Chant par-dessus la vague, Je chante pour, La neige et le genêt, Visages traversés, En lisière d’ombre,
Echanges, voix croisées en coopération avec le poète Jean-Claude Albert Coiffard
Tu, vous, il, elle , je, Autres visages.
un recueil de contes « Petite histoire de la couleur des choses »
Sa discographie compte une vingtaine d’enregistrements mis en musique et chantés par R. Lahaye.ou interprétés par Claudine Berg, Eve Cazala..
Des poèmes ont également été mis en musique par F. Chaumorcel, Nellie Laurence, G.P. Luypaerts, Robert Quêlot.
Arlette Chaumorcel a été publiée dans de nombreuses revues, anthologies, albums...
En France :
Je parle d’un pays de vent, société de littérature du Nord 1983, La rose, le Cherche Midi éditeur 1980, L’Estracelle, Maison de la Poésie Nord - Pas-de-Calais 1994, Anthologie parlementaire, éditions Bartillat, Bouteilles à la terre Botellas a la tierra, Maison de la Poésie Nord - Pas-de-Calais Alliance française de Torreón au Mexique, Vous avez dit « Poésie », sac à mots éditions 2003, Fichier pédagogique cycle 2, éditions Hachette 2006 - 2007, Louvre y es-tu ? Qu’écris-tu ? ... 2007, Maison de la Poésie Nord - Pas-de-Calais, Visages de Poésie, J. Basse éditions Rafael de Surtis 2009, Chat vu, chat lu, éditions de l’Epinette 2010. « Au rythme des lumières » Rosine Devynck 2006, Les Van Hecke de la Piscine « musée d’art et d’industrie, Roubaix 2009
Nous la multitude Editions le Temps des cerises 2010.
Hors de France :
L’enfance lucide anthologie Unimuse, Tournai 1989, Muze, Kent Country Council 1997, Un Mundo no Coraçáo, Universitária Editoria Lda 1992 et Povos Poemas, Universitária Editoria Lda 2003 réalisations Jean-Paul Mestas, Mots sans frontière, Nord Flandre 2007, Voice unbound edited by Anne-Marie Glasheen 2005, anthologie Belgium, England, Ireland, France, Voice of Kolkata, Biplad Majumdar international Poetry Society of Kolkata India, avril 2007, 36 Voces francesas para una antologia poética contemporánea (bilingue) Ficiones de Granada 2008, Cantos de piedra, juin 2005, Torreón Mexique.
Ses chansons sont traduites dans différents pays : Chili, Espagne, Portugal, Italie, Allemagne, Pays-Bas, Serbie, Croatie, Grande-Bretagne, Macédoine, Albanie, Finlande, Roumanie, République Tchèque, Kurdistan, Brésil, Mexique, USA, Irlande, Inde, Grèce....
Des peintres, Alonso De Alba, Serge Contesse, Rosine Devynck, Lucha, Christiane Mestas, Gisèle Peragallo, Bruno Rombi, François Seys, Talou, Arthur Van Hecke... ainsi que le photographe Francis Chaumorcel accompagnent de leurs images ses contes et poèmes.

Arlette Chaumorcel publicou 14 coletâneas de poemas na “Editions de l'Epinette”, além de outra coletânea na “Editions du Douayeul:
Les anodines, Les sablines, Le buisson d'Annelise, La fontaine aux merles, L'imagier, Les parélies, Terres et dérives, Chants par-dessus la vague, Je chante pour, La neige et le genêt, Visages traversés, em lisière d'ombre, Echanges, Voix croisées em cooperação com o poeta Jean-Claude Albert Coiffard
Tu, vous, ils, elle, je, Autres visages.
Uma coletânea de contos “Pequena história da cor das coisas”.
Sua discografia soma mais de vinte registros musicados e cantados por R. Lahaye ou interpretados por Claudine Berg, Eve Cazala..
Da mesma forma, teve seus poemas musicados por F. Chaumorcel, Nellie Laurence, G.P. Luypaerts, Robert Quêlot.
Arlette Chaumorcel foi publicada em inúmeras revistas, antologias e álbuns:
Na França:
Je parle d'un pays de vent, Société de littérature du Nord 1983, La Rose, le Cherche Midi éditeur 1980, L’Estracelle, Maison de la Poésie Nord - Pas-de-Calais 1994, Anthologie parlementaire, éditions Bartillat, Bouteilles à la terre Botellas a la tierra, Maison de la Poésie Nord - Pas-de-Calais Alliance française de Torreón au Mexique, Vous avez dit «Poésie», sac à mots éditions 2003, Fichier pédagogique cycle 2, éditions Hachette 2006 - 2007, Louvre y es-tu? Qu’écris-tu?... 2007, Maison de la Poésie Nord - Pas-de-Calais, Visages de Poésie, J. Basse éditions Rafael de Surtis 2009, Chat vu, chat lu, éditions de l’Epinette 2010. «Au rythme des lumières» Rosine Devynck 2006, Les Van Hecke de la Piscine, musée d’art et d’industrie, Roubaix 2009,Nous la multitude - Editions le Temps des cerises 2010.
Fora da França:
L’enfance lucide anthologie Unimuse, Tournai 1989, Muze, Kent Country Council 1997, Un Mundo no Coraçáo, Universitária Editoria Lda 1992 et Povos Poemas, Universitária Editoria Lda 2003 réalisations Jean-Paul Mestas, Mots sans frontière, Nord Flandre 2007, Voice unbound edited by Anne-Marie Glasheen 2005, anthologie Belgium, England, Ireland, France, Voice of Kolkata, Biplad Majumdar international Poetry Society of Kolkata India, avril 2007, 36 Voces francesas para una antologia poética contemporánea (bilingue) Ficiones de Granada 2008, Cantos de piedra, juin 2005, Torreón Mexique.
Suas canções foram traduzidas em diferentes países: Chile, Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, Países Baixos, Sérvia, Croácia, Grã-Bretanha, Albania, Finlandia, Romania, República Tcheca, Brasil, México, Estados Unidos, Irlanda, Índia, Grécia...
Os pintores Alonso de Alba, Serge Contesse, Rosine Devynck, Lucha, Christiane Mestas, Gisèle Peragallo, Bruno Rombi, François Seys, Talou, Arthur Van Hecke, bem como o fotógrafo Francis Chaumorcel, ilustram seus contos e poemas.

ENTRETIEN / ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS - Quelles sont vos autres activités, outre écrire? Quais as suas outras atividades, além de escrever ?
ARLETTE CHAUMORCEL - Depuis trente ans ma seule activité concerne l’écriture.
J’avais, auparavant, dirigé une petite école.
J’ai, à ma sortie de l’Education Nationale, fondé avec Noël Josèphe, alors Président de la Région Nord-Pas de Calais, la Maison de la Poésie.du Nord-Pas de Calais à laquelle j’appartiens toujours. Je demeure animatrice passionnée et je dirige activement le Comité culturel de cette Maison.
ARLETTE CHAUMORCEL - Há trinta anos minha única atividade se restringe à escrita. Anteriormente eu dirigia uma pequena escola.
Com minha saída da Educação Nacional, fundei, com Noël Josèphe, então Presidente da Région Nord-Pas de Calais, a Casa da Poesia do Nord-Pas de Calais, à qual pertenço até hoje. Continuo animadora apaixonada e dirijo ativamente o Comitê Cultural dessa Casa.

SELMO VASCONCELLOS - Comment est né votre intérêt literaire? Como surgiu seu interesse literário ?
ARLETTE CHAUMORCEL - Je suis née dans un milieu où le poids et le chant des mots avaient une place de choix. Les livres appartenaient au quotidien de la famille. Il me fut donné dans ma très petite enfance de fréquenter la maison du poète Francis Jammes. La suite est affaire de rencontres mais il n’y a pas de hasard, la vie m’a toujours menée sur le chemin des Hommes et des Mots.
ARLETTE CHAUMORCEL - Eu nasci num meio onde o peso e o som das palavras tinham um lugar especial. Os livros eram parte do cotidiano da família. Me foi concedido, ainda na tenra infância, frequentar a casa do poeta Francis Jammes. A sequência foi questão de encontros, mas não por acaso, a vida sempre me levou ao caminho dos Homens e das Palavras.

SELMO VASCONCELLOS - Combien et quels sont vos livres publiés dedans et dehors votre pays? Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?
ARLETTE CHAUMORCEL - J’ai, actuellement, publié quinze ouvrages, des extraits de ces ouvrages ont été traduits en différents pays. Ce sont surtout les textes mis en musique qui ont fait l’objet de traductions. Une vingtaine de disques consacrés à mes poèmes ont été enregistrés. Deux nouveaux recueils sont en cours d’impression.
ARLETTE CHAUMORCEL - Tenho, atualmente, quinze obras publicadas e trechos dessas obras foram traduzidos em diferentes países. Foram principalmente os textos musicados que se fizeram objeto das traduções. Cerca de trinta discos consagrados ao meus poemas foram gravados. Dez novas coletâneas estão em via de serem impressas.

SELMO VASCONCELLOS - Quels sont les impacts que produisent les atmosphères capables de produire la litérature? Qual o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir literatura ?
ARLETTE CHAUMORCEL - « Je suis Homme et rien de ce qui est humain ne peut m’être étranger »
Je puise dans le merveilleux et l’inattendu de la vie, dans la douceur et la douleur
des jours. Le sujet est inépuisable.
ARLETTE CHAUMORCEL “Eu sou Homem e nada que seja humano pode me ser estranho”.
Eu mergulho no maravilhoso e no inesperado da vida, na dor e na doçura dos dias. O tema é inesgotável.

SELMO VASCONCELLOS - Quels sont les écrivains qui vous admirez? Quais os escritores que você admira ?
ARLETTE CHAUMORCEL - Il est toujours délicat de répondre à cette question : Si je nomme je vais avoir l’impression d’éliminer...La connaissance approfondie de la période dite classique me paraît indispensable à toute tentative d’écriture. Personnellement j’aime la poésie de ses origines à aujourd’hui avec une tendresse marquée et une admiration toute particulière pour la fin du dix-neuvième et pour le vingtième dans sa totalité. Le travail de mes amis poètes, d’ici, d’ailleurs, d’hier et de maintenant, m’enchante. Il m’est nourriture indispensable et bonheur sans fin de découverte.
ARLETTE CHAUMORCEL - É sempre delicado responder a esta pergunta: Se eu nomeio, terei a impressão de eliminar... O conhecimento profundo do período chamado clássico me parece indispensável a toda tentativa de escrever. Pessoalmente, gosto da poesia desde suas origens até os dias de hoje, com uma ternura marcada e uma admiração particular pelo fim do século dezenove e pelo século vinte em sua totalidade. O trabalho dos meus amigos poetas, daqui, de outros lugares, de ontem e de agora, me encanta. É para mim alimento indispensável e felicidade sem fim de descoberta.

SELMO VASCONCELLOS - Quels sont les messages que vous donneriez aux nouveaux poètes? Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?
ARLETTE CHAUMORCEL - Je n’ose pas donner de messages aux nouveaux poètes, les messages risquant d’être interprétés comme des conseils, mais je m’accorde le droit de transmettre ce que me confiait Pierre Seghers avant de mourir :«Va vers autrui, puis entre en toi et là ... travaille travaille travaille... »
ARLETTE CHAUMORCEL - Não ouso deixar mensagens aos novos poetas, as mensagens correriam o risco de ser interpretadas como conselhos, mas me dou o direito de transmitir o que me dizia Pierre Seghers antes de morrer: “ Vá em direção ao outro, depois entre em você e aí … trabalhe, trabalhe, trabalhe...”.

POÉMES / POEMAS

Dis que restera-t-il des flaques d’amitié
si les charrues d’octobre lacèrent nos sentiers
Ô ma chanson de feuilles
au verger de l’automne
la branche du pommier
a oublié la fleur
Dis que restera-t-il
à la tombée du cœur

Au premier cri du feu une lampe allumée
et la vie dans mes yeux qui baissent à la fumée
Ô ma chanson de feuilles
passe par mon terroir
pour qu’à plein cœur je cueille
le ciel sur un manoir
Dis que restera-t-il
à la tombée du cœur

Dis que restera-t-il des flaques d’amitié
pour l’automne en avance
la récolte engrangée
Ô ma chanson de feuilles
nous sommes en danger
Dépasse ma souffrance
Fais reculer la nuit
retrempe mon enfance
aux chapelles des buis.
Arlette Chaumorcel.

Me diz o que ficará das poças de amizade
se os arados de outubro machucam nossos caminhos
Oh,minha canção de folhas
no pomar do outono
o ramo da macieira
esqueceu a flor
Me diz o que ficará
no crepúsculo do coração

Ao primeiro grito do fogo uma lâmpada se acende
e a vida em meus olhos se curvam à fumaça
Oh, minha canção de folhas
passe pelos meus campos
para que de todo coração eu colha
o céu sobre um castelo
Me diz o que ficará
no crepúsculo do coração

Me diz o que restará das poças de amizade
com este outono adiantado
e a colheita no celeiro
Oh, minha canção de folhas
estamos em perigo
ultrapasse meu sofrimento
faça a noite recuar
regue minha infância
nas capelas de arbustos.
Arlette Chaumorcel

****
J'ai pris par des chemins
par des sentiers frappés
de caille et d'orge mûre
par le cœur de l'opale
par le feu du chaleil
par le ciel du matin
par le sang de l'étoile

Aux croisées de l'espoir
enfant de mes escales
si je me suis trompée
parfois d'itinéraire
aux bornes du cyprès
il m'apparaît ce soir
que chaque route claire
conduisait au soleil.
Arlette Chaumorcel

Isto que lhes escrevo
só em mim faz morada
mas todo este país azul
rabiscado de luzes
essas mulheres nascidas montanhas
ao sol do meio dia
essas colheitas de sonho
essas filhas do caminho
que protege do homem
um velho asno de passos surdos.

Me peguei por caminhos
por sendas tocadas
pelo bem e cevada madura
pelo coração da opala
pelo fogo do lampião
pelo céu da manhã
pelo sangue da estrela

Nas encruzilhadas da esperança
criança de minhas escalas
se me enganei
às vezes de itinerário
nos limites do cipreste
esta noite me parece
que cada estrada clara
me conduzia ao sol.

***
Un tout petit bateau
qui n’a ni vent ni voile
tourne sous les étoiles
au pays des ruisseaux

Il tourne quatre temps
quatre chants quatre lunes
puis amarre à la dune
son penchant de printemps

En passant la lumière
il charge avec le ciel
trois bouquets de soleil
et le bruit des rivières

Mais en passant l’autan
la cargaison s’enrhume
les embruns et la brume
rouillent les cabestans

Au premier coup du froid
en virant dans le port
il se cogne à la Mort
et craque dans ses bois

Un tout petit bateau
qui n’a ni vent ni voile
coule sous les étoiles
et glisse au fond de l’eau.
Arlette Chaumorcel

Um barquinho pequenino
que não tem vento nem vela
gira sob as estrelas
no país dos riachos

Ele gira em quatro tempos
quatro cantos quatro luas
depois amarra na duna
sua inclinação de primavera

Passando pela luz
ele carrega com o céu
três buquês de sol
e o barulho dos rios

Mas, passando pela ventania
a carga se resfria
o nevoeiro e a bruma
enferrujam suas âncoras

À primeira rajada de vento
tombando no porto
choca-se contra a Morte
e explode em suas madeiras

Um barquinho pequenino
que não tem vento nem vela
afunda sob as estrelas
na profundeza das águas.
Arlette Chaumorcel.

*****
J’ôte le ciel d’hier
porteur des pluies passées
le matin sans échange
le jardin sans orange

Je retire l’erreur
Je retranche la nuit

Je découpe en passant
l’ombre nue des forêts
pour ne garder du temps
en vivant la lumière
qu’un instant d’arbre en nous
fuselé de soleil.
Arlette Chaumorcel.

Tiro o sol de ontem
portador de chuvas passadas
a manhã sem mudança
o pomar sem laranja

Retiro o erro
corto a noite

Corto, passando,
a sombra nua das florestas
para guardar do tempo
vivendo a luz
apenas o instante da árvore em nós
fuzilada de sol.
Arlette Chaumorcel

****
J’ai pris par des chemins
par des sentiers frappés
de caille et d'orge mûre
par le cœur de l'opale
par le feu du chaleil
par le ciel du matin
par le sang de l'étoile

Aux croisées de l'espoir
enfant de mes escales
si je me suis trompée
parfois d'itinéraire
aux bornes du cyprès
il m'apparaît ce soir
que chaque route claire
conduisait au soleil.
Arlette Chaumorcel

Me peguei por caminhos
por sendas tocadas
pelo bem e cevada madura
pelo coração da opala
pelo fogo do lampião
pelo céu da manhã
pelo sangue da estrela

Nas encruzilhadas da esperança
criança de minhas escalas
se me enganei
às vezes de itinerário
nos limites do cipreste
esta noite me parece
que cada estrada clara
me conduzia ao sol.
Arlette Chaumorcel
****
TRADUCTION / TRADUÇÃO : NEUSA ZANIRATO
Professora de Francês e Italiano. Escritora.
São Paulo, SP.